Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Kaf-Guimel · Halachá 2
שַׁבָּת

O contar os hóspedes e o tirar a sorte à mesa

Perek Kaf-Guimel, Sho'el, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Segunda halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el (pede emprestado). A Mishná ensina que uma pessoa conta de boca os seus hóspedes e as suas parperot (petiscos), mas não pelo que está escrito; que tira a sorte à mesa com os seus filhos e com as pessoas da sua casa, contanto que não queira pôr uma porção grande contra uma pequena, por causa da kubiá (jogo de azar); e que se lançam sortes sobre as carnes dos sacrifícios em Yom Tov, mas não sobre as porções. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.

A Mishná · מַתְנִיתִין

מוֹנֶה אָדָם אֶת אוֹרְחָיו וְאֶת פַּרְפְּרוֹתָיו מִפִּיו אֲבָל לֹא מִן הַכְּתָב. מֵפִיס אָדָם עִם בָּנָיו וְעִם בְּנֵי בֵיתוֹ עַל הַשּׁוּלְחָן וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִתְכַּוֵון לַעֲשׂוֹת מָנָה גְדוֹלָה כְּנֶגֶד קְטַנָּה מִשּׁוּם קוּבְיָא. מַטִּילִין חֲלָשִׁין עַל הַקֳּדָשִׁים בְּיוֹם טוֹב אֲבָל לֹא עַל הַמָּנוֹת:

Mishná: Uma pessoa conta os seus hóspedes e as suas parperot (petiscos) de boca, mas não a partir do que está escrito. Uma pessoa tira a sorte com os seus filhos e com as pessoas da sua casa à mesa, contanto que não tenha a intenção de fazer uma porção grande contra uma porção pequena, por causa da kubiá (jogo de azar). Lançam-se chalashin (sortes) sobre os kodashim (as carnes dos sacrifícios) em Yom Tov (dia festivo), mas não sobre as porções.

A Halachá · הֲלָכָה ב

Sem guemará no Yerushalmi

Como em todo o Perek Kaf-Guimel, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 148b.

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Kaf-Guimel de Massechet Shabbat, Sho'el, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 23:2 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz מֵפִיס אָדָם, “uma pessoa tira a sorte”, onde a avulsa diz só וּמֵפִיס, “e tira a sorte”; diz מַטִּילִין חֲלָשִׁין, sem vav, onde a avulsa diz וּמַטִּילִין חֲלָשִׁים; escreve הַשּׁוּלְחָן, קוּבְיָא e הַקֳּדָשִׁים, onde a avulsa escreve הַשֻּׁלְחָן, קֻבְיָא e הַקָּדָשִׁים; e a avulsa tem também quatro vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. Em יִתְכַּוֵון, o Sefaria traz o segundo vav sem dagesh, onde a avulsa tem יִתְכַּוֵּן; reproduzimos o texto como está. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.

Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 148b, e diz, com o Yerushalmi, מֵפִיס אָדָם e חֲלָשִׁין; mas diz מָנָה גְּדוֹלָה כְּנֶגֶד מָנָה קְטַנָּה, com a palavra “porção” repetida, e não tem מִשּׁוּם קוּבְיָא, “por causa do jogo de azar”, que o Yerushalmi e a avulsa trazem. A guemará está em 149a: por que não se conta pelo escrito? Rav Bivi diz que é uma precaução, para que não apague, e Abaye diz que é uma precaução, para que não leia documentos de gente comum.

Observações de leitura. Segundo a Bartenura, as parperot são espécies de iguarias, e o escrito é a lista que se fez na véspera do Shabat para não esquecer os hóspedes: não se lê nela no Shabat, para que não apague, ou para que não leia documentos de gente comum. O Rambam diz que a precaução é para que não leia cartas no Shabat. Tirar a sorte é sortear a quem cabe cada porção. A Bartenura explica que se tira a sorte com os filhos e as pessoas da casa, que comem à mesa do dono, porque entre eles ninguém faz questão; com outro, não. Segundo ela, falta algo na Mishná: com os seus, pode-se até pôr uma porção grande contra uma pequena; a condição de não querer pôr uma porção grande contra uma pequena vale para o sorteio com outro, que no dia comum é permitido; e, querendo pôr uma porção grande contra uma pequena, é proibido mesmo no dia comum, por causa da kubiá, porque é roubo: quem perde só aceitou na esperança de ganhar. O Rambam lê a Mishná da mesma maneira. Os chalashin são sortes; a Bartenura traz a palavra de חוֹלֵשׁ עַל גּוֹיִם, “que subjugava as nações”, de Yeshayahu 14:12. Lançam-se sortes sobre os sacrifícios abatidos em Yom Tov, para dividi-los entre os cohanim; e não sobre as porções, que são, segundo a Bartenura, as dos sacrifícios do dia anterior, e, segundo o Rambam, as porções de comida comum. O Rambam explica que se permitiu o sorteio em Yom Tov porque a pressa em comer os sacrifícios é uma mitzvá (preceito). “Que está” e “porção” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz פַּרְפְּרוֹתָיו por “his desserts”, מִן הַכְּתָב por “from a written list” e קוּבְיָא por “gambling”; mantivemos “petiscos”, “a partir do que está escrito” e “jogo de azar”. Ele traduz מָנָה גְדוֹלָה כְּנֶגֶד קְטַנָּה por “portions large or small” e explica em nota que, se as porções forem desiguais, o sorteio se torna jogo de azar, proibido mesmo nos dias comuns; e entende as porções do fim da Mishná como as do dia anterior, como a Bartenura.

A Mishná seguinte, Shabbat 23:3, na numeração do Sefaria, começa לֹא יִשְׂכּוֹר אָדָם פּוֹעֲלִים, “uma pessoa não contrate trabalhadores”; no Bavli, ela está em Shabbat 150a.