Sexta e última halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit (ânfora). A Mishná ensina que no Shabat se unge e se massageia o ventre, mas não se faz exercício com força nem se raspa o corpo; que não se desce ao pilomá (um lamaçal), não se toma um apuktefizin (um vomitório), não se endireitam os ossos do bebê e não se recoloca a fratura; e que quem deslocou a mão ou o pé não os agita em água fria, mas se banha do seu modo habitual, e, se ficou curado, ficou curado. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná. Com ela se encerra o Perek Kaf-Bet, Chavit; o tratado continua no Perek Kaf-Guimel, Sho'el.
Mishná: Unge-se e massageia-se o ventre, mas não se exercita com força, nem se raspa o corpo. Não se desce ao pilomá (um lamaçal), e não se faz um apuktefizin (um vomitório) no Shabat, e não se endireitam os ossos de uma criança pequena, nem se recoloca a fratura. Aquele cuja mão ou cujo pé se deslocou não os agite em água fria, mas banha-se do seu modo habitual; e, se ficou curado, ficou curado.
Como em todo o Perek Kaf-Bet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 147a.
Esta é a sexta e última halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 22:6 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, a última do capítulo. As diferenças: o Yerushalmi diz לְפִילוֹמָא, onde a avulsa diz לְקוֹרְדִּימָה, duas palavras para o lugar em que não se desce; diz אַפּוּקְטְפִיזִין בַּשַּׁבָּת, com “no Shabat”, onde a avulsa diz só אַפִּקְטְוִזִין; diz וְלֹא מַחֲזִירִין, onde a avulsa diz וְאֵין מַחֲזִירִין; e diz יָדוֹ אוֹ רַגְלוֹ, “a sua mão ou o seu pé”, onde a avulsa diz יָדוֹ וְרַגְלוֹ, “a sua mão e o seu pé”; a avulsa tem também sete vírgulas. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 147a, como continuação da Mishná anterior, e ali se lê סָכִין וּמְמַשְׁמְשִׁין, אֲבָל לֹא מִתְעַמְּלִין. וְלֹא מִתְגָּרְרִין, sem בִּבְנֵי מֵעַיִם, e לְקוֹרְדִימָא, como na avulsa. A guemará sobre ela está em 147b e 148a. Em 147b, uma baraita ensina: סָכִין וּמְמַשְׁמְשִׁין בִּבְנֵי מֵעַיִים בְּשַׁבָּת, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יַעֲשֶׂה כְּדֶרֶךְ שֶׁהוּא עוֹשֶׂה בַּחוֹל, “unge-se e massageia-se o ventre no Shabat, contanto que não faça como faz nos dias comuns”, com as palavras que o Yerushalmi traz na própria Mishná. Ali mesmo, a guemará diz que não se desce ao lamaçal por causa da lama, em que se pode escorregar; Rabá bar bar Chana diz em nome de Rabi Yochanan que só se proibiu o vomitório com uma droga, mas provocar o vômito com a mão é permitido; e, sobre a criança, que se pode enfaixá-la, e que a Mishná fala das vértebras da espinha, porque endireitá-las parece construir. Sobre a fratura, diz-se em nome de Shmuel, no fim de 147b e em 148a: הֲלָכָה: מַחֲזִירִין אֶת הַשֶּׁבֶר, “a lei é: recoloca-se a fratura”. Também em 148a, Rav Avya, cuja mão se deslocou diante de Rav Yosef, pergunta como pode pôr a mão, e Rav Yosef responde com esta Mishná. A Mishná seguinte começa em 148a.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, unge-se o corpo com óleo e massageia-se com a mão, por prazer; não se exercita, isto é, não se esfrega com força, e não se raspa com o raspador, porque é como um trabalho de dia comum. A Bartenura lê לְפוֹלִימָא, palavra próxima da do Yerushalmi, e explica que é um vale cheio de água com lama embaixo, em que quem se banha pode afundar, ou cuja lama é escorregadia, e o banhista cai e as suas roupas se molham, e vem a espremê-las; o Rambam, no seu comentário à Mishná, escreve לפלומה קורדימא e explica que é um poço de água quente em que quem entra transpira, e transpirar no Shabat é proibido. O apuktefizin é, segundo a Bartenura e o Rambam, beber uma droga para vomitar o alimento; com o dedo na boca é permitido, e quem sofre e se cura vomitando pode até tomar a bebida. Não se endireitam os ossos e as vértebras da criança, porque parece construir, mas no dia do nascimento é permitido, diz a Bartenura. A Bartenura e o Rambam dizem que a lei não é como esta Mishná quanto à fratura: recoloca-se a fratura no Shabat. Quem deslocou a mão não a agita em água fria, porque se vê que o faz para se curar, mas se banha como sempre. “Com força” e “o corpo” seguem a Bartenura; “os ossos de”, “água” e “habitual” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz לְפִילוֹמָא por “mud-bath”, do grego, אַפּוּקְטְפִיזִין por “emetic” e מְעַצְּבִין אֶת הַקָּטָן por “stretch a baby”; mantivemos “pilomá, um lamaçal”, “apuktefizin, um vomitório” e “endireitam os ossos de uma criança pequena”, conforme a Bartenura. Ele traduz בִּבְנֵי מֵעַיִם por “the belly”, como nós, “o ventre”.
A Mishná seguinte, Shabbat 23:1, na numeração do Sefaria, abre o Perek Kaf-Guimel, Sho’el: “שׁוֹאֵל אָדָם מֵחֲבֵירוֹ כַּדֵּי יַיִן וְכַדֵּי שֶׁמֶן…”, “uma pessoa pede emprestados ao seu companheiro jarros de vinho e jarros de azeite”. No Bavli, essa Mishná está em Shabbat 148a, no início do capítulo Sho’el. Também para ela o Yerushalmi não traz guemará.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit (חָבִית).