Quarta halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit (ânfora). A Mishná ensina que se põe um tavshil (a comida cozida) dentro de uma cisterna vazia para que se conserve; que se põem as águas boas dentro das ruins para que se esfriem, e as tzonin (águas frias) nas quentes para que se aqueçam; e que aquele cujas roupas se encharcaram no caminho anda com elas sem se preocupar, e, quando chega ao pátio exterior, estende-as ao sol, mas não diante do povo. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: Põe-se um tavshil (a comida cozida) dentro da cisterna vazia, para que seja conservado; e as águas boas nas águas ruins, para que se esfriem; e as tzonin (águas frias) nas quentes, para que se aqueçam. Aquele cujas roupas se encharcaram no caminho anda com elas e não se preocupa. Quando chegou ao pátio exterior, estende-as ao sol, mas não diante do povo.
Como em todo o Perek Kaf-Bet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 146b.
Esta é a quarta halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 22:4 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. A diferença principal: o Yerushalmi diz וְאֶת הַצּוֹנִין בַּחַמִּין, “e as frias nas quentes”, onde a avulsa diz וְאֶת הַצּוֹנֵן בַּחַמָּה, “e a fria ao sol”. Esta diferença muda o caso: no Yerushalmi, aquecem-se as águas frias pondo-as dentro de águas quentes; na avulsa, pondo-as ao sol. As outras diferenças: o Yerushalmi não tem בְּמַיִם, “na água”, depois de בַּדֶּרֶךְ, e por isso traduzimos נָשְׁרוּ por “se encharcaram”, sem dizer onde; e escreve שֶׁיּוּצַּנּוּ, onde a avulsa escreve שֶׁיִּצַּנּוּ, ambos “para que se esfriem”; a avulsa tem também cinco vírgulas. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 146b, e ali se lê, como na avulsa, וְאֶת הַצּוֹנֵן בַּחַמָּה e בַּדֶּרֶךְ בַּמַּיִם. A guemará pergunta por que é preciso ensinar o caso da comida na cisterna, e responde que se poderia pensar em proibi-lo, para que não se venha a nivelar os buracos do fundo da cisterna; e explica que o caso das águas boas nas ruins só vem por causa do seguinte, o da água fria ao sol, que se poderia proibir para que não se venha a guardá-la em cinzas quentes. Também em 146b, sobre as roupas, Rav Yehudá diz em nome de Rav: מִכׇּל מָקוֹם שֶׁאָסְרוּ חֲכָמִים מִפְּנֵי מַרְאִית הָעַיִן — אֲפִילּוּ בְּחַדְרֵי חֲדָרִים אָסוּר, “tudo o que os Sábios proibiram por causa da aparência, mesmo nos quartos mais íntimos é proibido”; a guemará objeta com esta Mishná, que permite estender as roupas onde o povo não vê, e responde que é uma discordância entre tannaim. A guemará desta Mishná segue até 147a, onde começa a Mishná seguinte.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, a cisterna é uma cisterna sem água, e a comida se põe ali para que não se estrague com o calor; as águas boas são as próprias para beber, e as ruins, as que não se bebem. A Bartenura cita o caso seguinte como וְאֶת הַצּוֹנְנִים, e o Sefaria acrescenta, entre colchetes, “ao sol”; o Rambam, no seu comentário à Mishná, traz no texto impresso לתוך החמין, e uma nota no Sefaria o corrige para “ao sol”, conforme a guemará do Bavli. O Yerushalmi tem “nas quentes”, e traduzimos o que ele diz. As roupas, segundo a Bartenura, caíram na água; anda com elas e não teme que suspeitem que as lavou; o pátio exterior é o mais próximo da entrada da cidade, um lugar guardado, e ali as estende ao sol para secar, mas não diante do povo, para que não suspeitem que as lavou no Shabat. A Bartenura e o Rambam dizem que esta Mishná foi rejeitada, porque o que os Sábios proibiram por causa da aparência é proibido mesmo nos quartos mais íntimos; e o Rambam lê נשרו como “encharcaram”, da mesma raiz de שורין, “deixar de molho”, que é a leitura que seguimos. “Vazia”, “águas” e “quando” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz הַבּוֹר por “cistern”, וְאֶת הַצּוֹנִין בַּחַמִּין por “cold water into hot to warm it”, segundo o Yerushalmi, e נָשְׁרוּ por “became soaked”; mantivemos “cisterna”, “as águas frias nas quentes” e “se encharcaram”. Ele explica em nota que, em todos os casos da primeira frase, o que se esfria ou se aquece está num recipiente à parte, e que se pode secar as roupas ao sol, embora secá-las por meios artificiais seja proibido.
A Mishná seguinte, Shabbat 22:5, na numeração do Sefaria, começa הָרוֹחֵץ בְּמֵי מְעָרָה, “quem se banha em águas de uma gruta”; no Bavli, ela está em Shabbat 147a.