Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Kaf-Bet · Halachá 3
שַׁבָּת

A ânfora quebrada para os figos secos e a tampa furada

Perek Kaf-Bet, Chavit, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Terceira halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit (ânfora). A Mishná ensina que uma pessoa quebra a ânfora para comer dela grogrot (figos secos), contanto que não tenha a intenção de fazer dela um utensílio; que, segundo Rabi Yehudá, não se fura a tampa de barro da ânfora, e Rabi Yossi permite; que não se fura pelo lado, e que, se estava furada, não se põe cera sobre o furo, porque se alisa a cera; e conta que um caso assim veio diante de Raban Yochanan ben Zakai em Arav (uma aldeia na Galileia), e ele temeu que a pessoa estivesse obrigada a uma chatat (oferta de expiação). Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.

A Mishná · מַתְנִיתִין

שׁוֹבֵר אָדָם אֶת הֶחָבִית לוֹכַל מִמֶּנָּה גְרוֹגְרוֹת וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִתְכַּוֵּין לַעֲשׂוֹתָהּ כֶּלִי אֵין נוֹקְבִין מְגוּפָה שֶׁל חָבִית דִּבְרֵי רִבִּי יְהוּדָה. רִבִּי יוֹסֵי מַתִּיר. לֹא יִקְּבֶינָּה מִצִּידָּהּ וְאִם הָיְתָה נְקוּבָה לֹא יִתֵּן עָלֶיהָ שַׁעֲוָה מִפְּנֵי שֶׁהוּא מְמָרֵחַ. אָמַר רִבִּי יְהוּדָה מַעֲשֶׂה בָא לִפְנֵי רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי בַּעֲרָב וְאָמַר חוֹשֵׁשׁ אֲני לוֹ מֵחַטָּאת:

Mishná: Uma pessoa quebra a chavit (ânfora) para comer dela grogrot (figos secos), contanto que não tenha a intenção de fazê-la um utensílio. Não se fura a megufá (a tampa de barro) de uma ânfora: palavras de Rabi Yehudá; Rabi Yossi permite. Não a fure pelo seu lado; e, se estava furada, não ponha sobre ela cera, porque ele alisa a cera. Disse Rabi Yehudá: um caso assim veio diante de Raban Yochanan ben Zakai em Arav (uma aldeia na Galileia), e ele disse: eu temo por ele, que esteja obrigado a uma chatat (oferta de expiação).

A Halachá · הֲלָכָה ג

Sem guemará no Yerushalmi

Como em todo o Perek Kaf-Bet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 146a.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 22:3 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. A diferença principal é quem discorda de Rabi Yehudá: o Yerushalmi diz רִבִּי יוֹסֵי מַתִּיר, “Rabi Yossi permite”, onde a avulsa diz וַחֲכָמִים מַתִּירִין, “e os Sábios permitem”. A lei não muda, pois em ambos a opinião de Rabi Yehudá é a que proíbe; muda só o nome de quem permite. As outras diferenças: o Yerushalmi diz לוֹכַל מִמֶּנָּה, onde a avulsa diz לֶאֱכֹל הֵימֶנָּה, ambos “para comer dela”; diz לַעֲשׂוֹתָהּ כֶּלִי, “fazê-la um utensílio”, onde a avulsa diz לַעֲשׂוֹת כְּלִי, “fazer um utensílio”; diz אֵין נוֹקְבִין e לֹא יִקְּבֶינָּה, sem vav, onde a avulsa diz וְאֵין נוֹקְבִים e וְלֹא יִקְּבֶנָּה; diz חוֹשֵׁשׁ אֲני, em duas palavras, onde a avulsa diz חוֹשְׁשָׁנִי, ambos “eu temo”; e escreve גְרוֹגְרוֹת, יִתְכַּוֵּין, מִצִּידָּהּ e רִבִּי, onde a avulsa escreve גְרוֹגָרוֹת, יִתְכַּוֵּן, מִצִּדָּהּ e רַבִּי; a avulsa tem também sete vírgulas e dois pontos a mais. Fora o nome de Rabi Yossi, nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá. רִבִּי יוֹסֵי é “Rabi Yossi”, e רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי é “Raban Yochanan ben Zakai”, como nas halachot anteriores deste tratado.

Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 146a, e ali se lê, como na avulsa, וַחֲכָמִים מַתִּירִין, e חוֹשְׁשַׁנִי לוֹ מֵחַטָּאת. A guemará começa com Rabi Oshaya: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא דְּרוּסוֹת, “só se ensinou isto dos figos prensados”, que precisam de um utensílio para separá-los. Também em 146a, sobre a tampa, Rav Huna diz que a discordância é quando se fura por cima, mas pelo lado todos proíbem, e é isto o que a Mishná ensina com “não a fure pelo seu lado”; Rav Chisda diz que a discordância é pelo lado, mas por cima todos permitem. Em 146b, sobre a ânfora já furada, Rav proíbe pôr azeite no furo, por precaução, para que não se venha a pôr cera, e Shmuel permite. A guemará desta Mishná segue até 146b, onde começa a Mishná seguinte.

Observações de leitura. Segundo a Bartenura, quebra-se a ânfora porque quem a quebra estraga, e só se proíbe ter a intenção de fazer um utensílio, isto é, fazer-lhe uma boca bonita. A megufá é a tampa de barro colada na boca da ânfora, e Rabi Yehudá exige que se tire a tampa inteira, porque furá-la é fazer uma abertura; Rabi Yossi permite, porque não é assim que se abre uma ânfora, e a lei é como Rabi Yossi, dizem a Bartenura e o Rambam. A Bartenura, no seu texto da Mishná, traz também רַבִּי יוֹסֵי מַתִּיר, como o Yerushalmi. “Pelo seu lado” é, segundo a Bartenura, o lado da tampa, porque às vezes se faz ali uma abertura de verdade; segundo o Rambam, é o lado da ânfora; deixamos “pelo seu lado”, como o hebraico. A cera não se põe sobre o furo porque quem a espalha faz, segundo a Bartenura, o trabalho proibido de alisar; Arav é, segundo a Bartenura, o nome de um lugar, e o temor de Raban Yochanan ben Zakai é que a pessoa tenha alisado a cera nas paredes da ânfora em volta do furo. “A cera”, “assim” e “que esteja obrigado” completam a frase. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz מְגוּפָה por “plug”, מְמָרֵחַ por “smears” e מֵחַטָּאת por “purification sacrifice”; mantivemos “megufá”, “alisa” e “chatat”. Ele entende “pelo seu lado” como o lado da tampa, como a Bartenura. Ele escreve “Rebbi Yose” e “Rabbon Joḥanan ben Zakkai”; mantivemos “Rabi Yossi” e “Raban Yochanan ben Zakai”. Das suas remissões, a do Capítulo 16 do Yerushalmi, sobre Raban Yochanan ben Zakai em Arav, foi conferida e está correta.

A Mishná seguinte, Shabbat 22:4, na numeração do Sefaria, começa נוֹתְנִין תַּבְשִׁיל לְתוֹךְ הַבּוֹר, “põe-se comida cozida dentro da cisterna”; no Bavli, ela está em Shabbat 146b.