Segunda halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit (ânfora). A Mishná ensina que tudo o que entrou em chamin (água quente) na véspera do Shabat, isto é, que já foi cozido, se deixa de molho em água quente no Shabat; e que o que não entrou em água quente na véspera só se enxágua em água quente no Shabat, exceto o peixe salgado velho, os peixes salgados pequenos e o kolyas haispanin (um peixe de pele fina, da Espanha), porque o enxaguá-los é o término do seu preparo. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: Tudo o que entrou em chamin (água quente) na véspera do Shabat, isto é, que foi cozido, deixa-se de molho em água quente no Shabat. E tudo o que não entrou em água quente na véspera do Shabat, enxágua-se em água quente no Shabat, mas não se deixa de molho, exceto o malíach (peixe salgado) velho, e os peixes salgados pequenos, e o kolyas haispanin (um peixe de pele fina, da Espanha), porque o enxaguá-los, isto mesmo, é o término do seu trabalho de cozimento.
Como em todo o Perek Kaf-Bet, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 145b.
Esta é a segunda halachá do Perek Kaf-Bet de Massechet Shabbat, Chavit, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 22:2 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz מֵעֶרֶב הַשַּׁבָּת, com o artigo, na primeira frase, onde a avulsa diz מֵעֶרֶב שַׁבָּת; escreve כָּל e וְכָל, onde a avulsa escreve כֹּל e וְכֹל; vocaliza בַחַמִּין e בַּשַּׁבָּת, com o artigo, onde a avulsa vocaliza בְחַמִּין e בְּשַׁבָּת; e escreve וְקוֹלְיַס הָאִסְפָּנִן, onde a avulsa escreve וְקוּלְיָס הָאִסְפָּנִין; a avulsa tem também seis vírgulas, e o Yerushalmi um ponto depois da primeira frase. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No segundo בַּשַׁבָּת, o Sefaria traz o shin sem dagesh; reproduzimos o texto como está. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 145b, e ali se lê וְדָגִים מְלוּחִין קְטַנִּים וְקוֹלְיָיס הָאִיסְפְּנִין. A guemará pergunta para que se precisaria deixar de molho o que já foi cozido, e Rav Safra responde com o frango de Rabi Abba, cozido até se desfazer. Sobre o peixe salgado, a guemará pergunta o que acontece se ele o enxaguou, e Rav Yosef diz: הֵדִיחַ — חַיָּיב חַטָּאת, “se enxaguou, está obrigado a uma chatat”; Mar, filho de Ravina, apoia-o com as próprias palavras da Mishná, “o enxaguá-los é o término do seu trabalho”. A guemará desta Mishná segue até 146a, onde começa a Mishná seguinte.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, “entrou em água quente” quer dizer que foi cozido; o que não foi cozido se enxágua, porque o enxaguar não é o seu cozimento, mas não se deixa de molho. O peixe salgado velho é, segundo a Bartenura, o peixe sobre o qual passou um ano desde que foi salgado, e o kolyas haispanin é um peixe de pele fina; para eles, o enxaguar em água quente é o término do cozimento. O Rambam, no seu comentário à Mishná, explica que o que foi cozido antes do Shabat e tirado do caldo pode ficar de molho em água quente, e que, para esses peixes, o enxaguar os torna próprios para comer, como se fossem cozidos no Shabat. “Isto é, que foi cozido”, “mas não se deixa de molho” e “de cozimento” seguem a Bartenura e completam o sentido; “isto mesmo” traduz זוֹ הִיא. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz שׁוֹרִין por “soaks” e מְדִיחִין por “rinses”, como nós, “deixa-se de molho” e “enxágua-se”; traduz וְדָגִים מְלוּחִים קְטַנִּים por “anchovies in salt” e וְקוֹלְיַס הָאִסְפָּנִן por “Spanish mackerel”, do grego; mantivemos “os peixes salgados pequenos” e “kolyas haispanin”, com a glosa da Bartenura. Ele explica em nota que o enxaguar, nesses casos, é proibido pela Torá como o “golpe de martelo”, o término de um trabalho; a Bartenura e o Rambam falam do término do cozimento, e seguimos o hebraico, “o término do seu trabalho”.
A Mishná seguinte, Shabbat 22:3, na numeração do Sefaria, começa שׁוֹבֵר אָדָם אֶת הֶחָבִית, “uma pessoa quebra a ânfora”; no Bavli, ela está em Shabbat 146a.