Segunda halachá do Perek Kaf-Alef de Massechet Shabbat, Notel Adam et Beno (uma pessoa toma o seu filho). A Mishná ensina que a pedra que está sobre a boca da chavit (ânfora) não se tira com a mão, mas se inclina a ânfora até que ela caia, e, se a ânfora está entre outras, levanta-se e inclina-se em outro lugar; que as moedas sobre a almofada caem sacudindo-se a almofada; e que a sujeira sobre ela se limpa com um trapo, e, se a almofada é de couro, põe-se água sobre ela. Também para esta Mishná o Yerushalmi não traz guemará, e a página apresenta só a Mishná.
Mishná: A pedra que está sobre a boca da chavit (ânfora): inclina-se a ânfora sobre o seu lado, e ela cai. Se a ânfora estava entre as ânforas, levanta-a e inclina-a sobre o seu lado, e ela cai. Moedas que estão sobre a kar (almofada): sacode-se a almofada, e elas caem. Se havia sobre ela lishleshet (sujeira, excremento), limpa-a com um trapo. Se era de couro, põe-se água sobre ela até que a sujeira se acabe.
Como em todo o Perek Kaf-Alef, o Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, e a página apresenta só a Mishná. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 142b.
Esta é a segunda halachá do Perek Kaf-Alef de Massechet Shabbat, Notel Adam et Beno, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 21:2 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz מַגְבִּיהָהּ, “levanta-a”, onde a avulsa diz מַגְבִּיהַּ, “levanta”; diz עָלֶיהָ, no feminino, onde a avulsa diz עָלָיו, no masculino, que concorda com הַכַּר, a almofada; vocaliza לִשְׁלֶשֶׁת, onde a avulsa vocaliza לַשְׁלֶשֶׁת; e escreve שֶׁתִּיכְלֶה, com yod, onde a avulsa escreve שֶׁתִּכְלֶה; a avulsa tem também cinco vírgulas a mais. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido; em português, “sobre ela” serve às duas formas, pois “almofada” é feminino. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 142b, e ali se lê מַגְבִּיהָהּ, como no Yerushalmi, e עָלָיו לִשְׁלֶשֶׁת e שֶׁתִּכְלֶה. Ali, Rav Huna diz em nome de Rav que só se ensinou isto da pedra quando a pessoa a esqueceu sobre a ânfora; mas, se a pôs ali, a ânfora se tornou base de uma coisa proibida. Do mesmo modo, sobre as moedas, Rav Chiya bar Ashi diz em nome de Rav que só se ensinou isto quando a pessoa as esqueceu; e Rabá bar bar Chana diz em nome de Rabi Yochanan que só se ensinou isto quando se precisa da própria almofada, mas, quando se precisa do seu lugar, move-se a almofada com as moedas ainda sobre ela. A palavra de Rabi Yochanan é citada também em 142a, na discussão da Mishná anterior. A guemará desta Mishná segue até 143a, onde começa a Mishná seguinte.
Observações de leitura. Segundo a Bartenura, inclina-se a ânfora quando se precisa tirar dela vinho, e a pedra cai sem que seja tomada com as mãos; se a ânfora está entre outras ânforas, e se teme que a pedra caia sobre elas e as quebre, levanta-se a ânfora inteira, afasta-se dentre as outras e ali se inclina. Sobre as moedas, a Bartenura e o Rambam, no seu comentário à Mishná, dizem o mesmo que o Bavli: sacode-se a almofada quando se precisa dela, e só quando as moedas foram esquecidas sobre ela desde a véspera do Shabat; se foram postas ali de propósito, a almofada se tornou base de uma coisa proibida, e não se pode movê-la nem sacudir as moedas. לִשְׁלֶשֶׁת é, segundo a Bartenura, uma coisa suja, como cuspe ou excremento, e, segundo o Rambam, sujeira; a edição Steinsaltz, citando o Arukh, entende excremento de ave. Por isso a glosa diz “sujeira, excremento”. Limpa-se com um trapo, e não se põe água, porque a almofada comum é de pano, e molhar o pano é lavá-lo; se é de couro, que não se lava como o pano, põe-se água até que a sujeira se vá, mas não se esfrega, como explica a Bartenura. “Inclina-se a ânfora” e “se a ânfora estava” completam o hebraico, que diz só “inclina-a” e “se estava”; o “ela cai” é a pedra, como no hebraico, וְהִיא נוֹפֶלֶת. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz הֶחָבִית por “amphora”, הַכַּר por “pillow” e לִשְׁלֶשֶׁת por “chicken droppings”; mantivemos “ânfora”, “almofada” e “sujeira, excremento”, conforme a Bartenura e o Rambam.
A Mishná seguinte, Shabbat 21:3, na numeração do Sefaria, começa בֵּית הִלֵּל אוֹמְרִין מַעֲבִירִין מֵעַל הַשּׁוּלְחָן, “Beit Hillel dizem: tiram-se de sobre a mesa”; no Bavli, ela está em Shabbat 143a, onde começa com Beit Shammai.