Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Kaf-Alef · Halachá 1 (abertura do capítulo)
שַׁבָּת

Notel Adam et Beno: o filho com a pedra na mão e a terumá impura

Perek Kaf-Alef, Notel Adam et Beno, Halachá 1 (abertura do capítulo), no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Primeira halachá do Perek Kaf-Alef de Massechet Shabbat, que abre o vigésimo primeiro capítulo, Notel Adam et Beno (uma pessoa toma o seu filho), assim chamado pelas primeiras palavras da sua Mishná. O capítulo trata do que não se pode mover por si no Shabat, mas se move junto com aquilo que se pode mover, e do limpar a mesa. A Mishná ensina que uma pessoa toma o seu filho, ainda que ele tenha uma pedra na mão, e uma cesta com uma pedra dentro; que se move a terumá (a porção do sacerdote) impura junto com a pura e com os alimentos comuns; e que, segundo Rabi Yehudá, também se levanta no Shabat a terumá que caiu numa mistura de cento e um. O Talmud Yerushalmi não traz guemará para esta Mishná, nem para todo este capítulo; por isso, esta página apresenta só a Mishná, e a discussão talmúdica está no Bavli.

Abre-se Perek Kaf-Alef de Massechet Shabbat · Notel Adam et Benoנוֹטֵל אָדָם אֶת בְּנוֹ

A Mishná · מַתְנִיתִין

נוֹטֵל אָדָם אֶת בְּנוֹ וְהָאֶבֶן בְּיָדוֹ כַּלְכָּלָה וְהָאֶבֶן בְּתוֹכָהּ. מְטַלְטְלִין תְּרוּמָה טְמֵאָה עִם הַטְּהוֹרָה וְעִם הַחֻוּלִין. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אַף מַעֲלִין אֶת הַמְדוּמָּע בְּאֶחָד וּמֵאָה:

Mishná: Uma pessoa toma o seu filho, e a pedra está na mão dele; ou uma kalkalá (cesta), e a pedra dentro dela. Move-se a terumá (a porção do sacerdote) impura junto com a pura e junto com os chulin (alimentos comuns, não consagrados). Rabi Yehudá diz: também se levanta a terumá do medumá (a mistura de terumá com chulin) em cento e um.

A Halachá · הֲלָכָה א

Sem guemará no Yerushalmi

O Talmud Yerushalmi, tal como chegou até nós, não traz guemará para esta Mishná. Os Perakim 21 a 24 de Massechet Shabbat ficaram sem guemará no Yerushalmi: deles temos só o texto das mishnayot, e, no Sefaria, cada halachá desses perakim tem um único segmento, a Mishná. Por isso, esta página apresenta só a Mishná, em hebraico e em português, com uma nota; não há seções de guemará, e não pusemos no lugar delas o texto do Bavli nem de outra obra. A discussão talmúdica desta Mishná está no Talmud Bavli. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 141b.

Nota

Esta é a primeira halachá do Perek Kaf-Alef de Massechet Shabbat, Notel Adam et Beno, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 21:1 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: o Yerushalmi diz כַּלְכָּלָה e מְטַלְטְלִין, sem vav, onde a avulsa diz וְכַלְכַּלָּה e וּמְטַלְטְלִין; escreve הַחֻוּלִין, רִבִּי e הַמְדוּמָּע, onde a avulsa escreve הַחֻלִּין, רַבִּי e הַמְדֻמָּע; e a avulsa tem duas vírgulas a mais. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido; sem o vav, a cesta fica como um segundo exemplo, e por isso o “ou” vai em itálico. No hebraico do Sefaria, esta halachá tem um único segmento, a Mishná, e nenhum texto de guemará. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná”, que tiramos; não há marcador embutido de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, nem colchetes ou parênteses no hebraico desta halachá. רִבִּי יְהוּדָה é “Rabi Yehudá”, como nas halachot anteriores deste tratado.

Referências conferidas. No Bavli, a Mishná abre o capítulo Notel Adam et Beno em Shabbat 141b, logo depois do fim do capítulo Tolin, e diz, como a avulsa, וְכַלְכַּלָּה e וּמְטַלְטְלִין; ali a palavra de Rabi Yehudá forma um segmento à parte. A sua guemará segue até 142b, onde começa a Mishná seguinte. Em 141b, a casa de Rabi Yanai explica que a Mishná fala de um menino que tem saudade do pai; em 142a, Rava diz que só se ensinou isto da pedra, mas não de um dinar, porque, se o dinar cair, o pai virá apanhá-lo. Também em 142a, sobre a cesta, a guemará pergunta por que ela não se torna base de uma coisa proibida, e Rabá bar bar Chana responde, em nome de Rabi Yochanan, que se trata de uma cesta cheia de frutas; conforme Rabi Ilai em nome de Rav, de frutas que se estragam; e, segundo Rav Chiya bar Ashi em nome de Rava, de uma cesta furada em que a própria pedra se tornou parede da cesta. Ainda em 142a, Rav Chisda diz que a terumá impura só se move com a pura quando a pura está embaixo e a impura em cima; e, sobre a palavra de Rabi Yehudá, a guemará pergunta: הָא קָא מְתַקֵּן, “mas ele está consertando!”, isto é, tornando o alimento próprio para comer no Shabat. A regra de que a terumá se anula em cento e um está na Mishná Terumot 4:7, na palavra de Rabi Eliezer, תְּרוּמָה, עוֹלָה בְּאֶחָד וּמֵאָה, “a terumá sobe em cento e um”, e na Mishná Orlah 2:1.

Observações de leitura. Segundo a Bartenura, a Mishná fala de quem toma o filho no pátio, com a pedra na mão do menino, e não se diz que ele move a pedra, embora a pedra seja muktzé (o que foi posto de lado e não se move no Shabat). A cesta com a pedra dentro, segundo a Bartenura e o Rambam no seu comentário à Mishná, só se move com três condições: que haja frutas na cesta, pois de outro modo ela se torna base de uma coisa proibida; que sejam frutas que se estragam se forem jogadas no chão, como amoras e uvas, e não nozes ou amêndoas, que se podem sacudir para fora; e que a pedra tape um furo da cesta, de modo que seja parte dela. A terumá impura não se come e não se move por si; move-se junto com a pura e com os alimentos comuns, como diz a Bartenura. A palavra de Rabi Yehudá trata de uma seá (medida de cereais) de terumá que caiu em cem seás de alimentos comuns: a terumá se anula, mas é preciso levantar dela uma seá e dá-la ao sacerdote, e o resto fica permitido; Rabi Yehudá permite levantá-la no Shabat, e, segundo a Bartenura, não se considera que ele conserta o alimento, porque a seá que se levanta é vista como a própria terumá que caiu. A Bartenura e o Rambam dizem que a lei não é como Rabi Yehudá. “Também se levanta a terumá do medumá” traduz אַף מַעֲלִין אֶת הַמְדוּמָּע; o hebraico diz, ao pé da letra, “levanta-se o medumá”, e “a terumá” vai em itálico porque completa a frase segundo a Bartenura. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz נוֹטֵל por “lift”, תְּרוּמָה por “heave” e הַמְדוּמָּע por “demaˋ”; mantivemos “toma”, “terumá” e “medumá”. Ele escreve “Rebbi Jehudah”; mantivemos “Rabi Yehudá”. Das suas remissões, a da Mishná Terumot 4:7 e a da Mishná Orlah 2:1 foram conferidas e estão corretas; no Sefaria, a primeira aparece ligada por engano a Shemot 25, a parashá Terumá.

A Mishná seguinte, Shabbat 21:2, na numeração do Sefaria, começa הָאֶבֶן שֶׁעַל פִּי הֶחָבִית, “a pedra que está sobre a boca da ânfora”; no Bavli, ela está em Shabbat 142b.

Com esta halachá, abre-se o Perek Kaf-Alef de Massechet Shabbat, Notel Adam et Beno (נוֹטֵל אָדָם אֶת בְּנוֹ).