Segunda halachá do Perek Kaf de Massechet Shabbat, Tolin (penduram-se). A Mishná ensina que se põe água sobre a borra para que se clarifique; que se coa o vinho em sudarin (lenços) e num kefifá mitzrit (cesto egípcio); que se põe um ovo no coador de mostarda e se faz yeinomelin (vinho misturado com mel e especiarias) no Shabat; e traz a medida de Rabi Yehudá, o copo, o jarro e a ânfora conforme o dia, e a de Rabi Tzadok, conforme os hóspedes. A guemará traz a palavra de Rav, por Rabi Ba e Rav Yehudá, de que não se faça uma espécie de colo, e a de Rabi Matanyá, de inclinar de lado; a leitura “separa-se um ovo” no coador de mostarda; a discussão sobre o bloco de mostarda, se se esmaga com a mão ou com um utensílio; e a palavra de Rabi Yassa em nome de Rabi Yochanan sobre o que é o yeinomelin. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 139b.
Mishná: Põe-se água sobre a borra para que se clarifique, e coa-se o vinho em sudarin (lenços) e em kefifá mitzrit (cesto egípcio). Põe-se um ovo no coador de mostarda, e faz-se yeinomelin (vinho misturado com mel e especiarias) no Shabat. Rabi Yehudá diz: no Shabat, num kos (copo); em Yom Tov (dia festivo), num laguin (jarro); e no moed (os dias intermediários da festa), numa chavit (ânfora). Rabi Tzadok diz: tudo é conforme os hóspedes.
“Põe-se água sobre a borra” etc. Rabi Ba disse em nome de Rav Yehudá, que disse em nome de Rav: contanto que não a faça como uma espécie de cheik (colo). Pergunta-se esta coisa: o que é a lei quanto a virá-los, e se ela se torna um colo por si mesma? Disse Rabi Matanyá: inclina-a sobre o seu lado, contanto que não faça no Shabat como o faz no dia comum.
Assim é a leitura da Mishná: separa-se um ovo no coador de mostarda. E um bloco de mostarda, o que é a lei? Rabi Yossi disse em nome de Rabi Elazar: esmaga-se com a mão, mas não com um utensílio. Rabi Yaakov bar Achá disse em nome de Rabi Yochanan, em nome de Rabi Yanai: esmaga-se tanto com a mão quanto com um utensílio. Disse-lhe Rabi Yochanan: e não é verdade que os cães não o fazem assim? Rabi Chizkiyá disse em nome de Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: esmaga-se tanto com a mão quanto com um utensílio.
“E faz-se yeinomelin no Shabat.” Rabi Yassa disse em nome de Rabi Yochanan: é vinho, mel e pimenta.
Esta é a segunda halachá do Perek Kaf de Massechet Shabbat, Tolin, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 20:2 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria. As diferenças: a avulsa diz עַל גַּבֵּי הַשְּׁמָרִים, com artigo, onde o Yerushalmi diz עַל גַּבֵּי שְׁמָרִים; escreve שֶׁיִּצַּלּוּ, onde o Yerushalmi escreve שֶׁיֵּצַּלּוּ; בְּסוּדָרִין, onde o Yerushalmi diz בְּסוּדָרִים; וּבִכְפִיפָה, com kaf, onde o Yerushalmi escreve וּבִקְפִיפָה, com qof; liga com vav, וְנוֹתְנִין בֵּיצָה, e escreve בִמְסַנֶּנֶת; chama a bebida אֵנוּמְלִין, onde o Yerushalmi diz יֵינוֹמֵילִין; diz בְּשַׁבָּת, בְּכוֹס, בְּלָגִין e בְּחָבִית, onde o Yerushalmi diz בַּשַּׁבָּת, בַּכּוֹס, בַּלָּגִין e בֶּחָבִית; diz בְּיוֹם טוֹב, sem vav, onde o Yerushalmi diz וּבְיוֹם טוֹב; e escreve רַבִּי, onde o Yerushalmi escreve רִבִּי. Nenhuma dessas diferenças muda o sentido. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná, e os outros três são a guemará; cada um deles forma uma seção, 01, 02 e 03, e nada foi deixado de fora. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná” e a guemará com o rótulo “halachá”, que tiramos; não há marcador numérico depois deles, e não inventamos nenhum. Não há nesta halachá marcadores embutidos de folha da edição de Vilna nem de coluna da edição de Veneza, e não há colchetes nem parênteses no hebraico. Mantivemos como estão no Sefaria a grafia בְשִֵׁם, com dois sinais de vogal sob o shin, na seção 01, e a grafia יֵינוּמֵילִין, na seção 03, ao lado de יֵינוֹמֵילִין, na Mishná; escrevemos “yeinomelin” nas duas. רִבִּי בָּא é “Rabi Ba”, רַב יְהוּדָה é “Rav Yehudá”, רִבִּי מַתַּנְיָה é “Rabi Matanyá”, רִבִּי יוֹסֵי é “Rabi Yossi”, רִבִּי אֶלְעָזָר é “Rabi Elazar”, רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא é “Rabi Yaakov bar Achá”, רִבִּי חִזְקִיָּה é “Rabi Chizkiyá” e רִבִּי יָסָא é “Rabi Yassa”, como nas halachot anteriores deste tratado.
Referências conferidas. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 139b. Ali, sobre os lenços, Rav Shimi bar Chiya diz וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יַעֲשֶׂה גּוּמָּא, “contanto que não faça uma cova”, que é a ressalva que o nosso Yerushalmi traz em nome de Rav, “como uma espécie de colo”; e, sobre o cesto egípcio, Rav Chiya bar Ashi diz em nome de Rav: contanto que não levante o cesto um palmo do fundo do recipiente. Ainda em 139b, Yaakov Karcha ensina sobre o ovo no coador, e a frase termina no começo de 140a: “porque não se faz senão para dar cor”. Em 140a, sobre a mostarda amassada na véspera do Shabat, Rav diz que no dia seguinte se mistura com um utensílio, mas não com a mão; Shmuel objeta: מַאֲכַל חֲמוֹרִים הוּא, “é comida de jumentos”, e diz que com a mão, e não com um utensílio; Rabi Elazar diz que tanto um como o outro é proibido, e Rabi Yochanan diz que tanto um como o outro é permitido; e Mar Zutra conclui que se mistura tanto com a mão quanto com um utensílio, e se lhe põe mel. Também em 140a, uma baraita ensina que se faz anomelin no Shabat, e não se faz aluntit, e define o anomelin como יַיִן וּדְבַשׁ וּפִלְפְּלִין, “vinho, mel e pimenta”, como a palavra de Rabi Yassa na nossa seção 03. Na Tosefta Shabbat 14:13 (ed. Lieberman): חרדל ששחקו מערב שבת מביא דבש ונותן לתוכו, ואין טורף אלא מערב, “mostarda que se moeu na véspera do Shabat, traz-se mel e põe-se nela, e não se bate senão na véspera”. A palavra de Rabi Yassa em nome de Rabi Yochanan, “vinho, mel e pimenta”, aparece também no Yerushalmi Shabbat 14:2, terceiro segmento na numeração do Sefaria, que escreve וְפִילְפְּלִין.
Observações de leitura. Na seção 01, a palavra de Rav não diz de que se trata: “não a faça”, no feminino, pode ser o pano de coar; no Bavli, a ressalva paralela, a cova, vem sobre os lenços. O “colo” é a concavidade do pano, que o faria parecer um coador de dia comum. A pergunta seguinte diz “virá-los”, no plural, e “ela se torna”, no singular, sem dizer o quê; entendemos que se pergunta se se pode virar o pano sobre a borra, de modo que a cova se forme sozinha; Rabi Matanyá permite inclinar o recipiente de lado, contanto que não seja do modo do dia comum. A leitura é incerta. Na seção 02, “assim é a Mishná” propõe ler, em vez de “põe-se um ovo”, מְפָרְדִין בֵּיצָה, “separa-se um ovo”, isto é, a clara da gema; Guggenheimer remete a 140a, como se o Bavli ali explicasse que essa separação não é escolher, mas 140a, no seu começo, diz só que se faz para dar cor; por isso não seguimos essa remissão. “Bloco de mostarda” traduz גּוּשׁ שֶׁלְחַרְדָּל, e entendemos a frase como pergunta. “Disse-lhe Rabi Yochanan” não diz a quem; pode ser a Rabi Yanai, que ele mesmo citou. A frase sobre os cães, וַהֲלֹא הַכְּלָבִים אֵין עוֹשִׂין אוֹתָהּ כֵּן, é difícil; traduzimo-la ao pé da letra, e a sua força parece ser a mesma da objeção de Shmuel no Bavli, que a mostarda sem esmagar é comida de animais; a leitura é incerta. Na seção 03, a palavra de Rabi Yassa explica o que é o yeinomelin da Mishná. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz שְׁמָרִים por “yeast”; mantivemos “borra”. Ele escreve “Rebbi Abba in the name of Rebbi Jehudah in the name of Rav”, onde o hebraico diz רִבִּי בָּא בְשִֵׁם רַב יְהוּדָה בְשֵׁם רַב; seguimos o hebraico, “Rabi Ba em nome de Rav Yehudá, em nome de Rav”. Ele acrescenta entre colchetes, de outro manuscrito, “there came” antes de Rabi Chizkiyá; não está no hebraico do Sefaria, e não o acrescentamos. Ele escreve “Rebbi Mattaniah”, “Rebbi Yose”, “Rebbi Eleazar”, “Rebbi Jacob bar Aḥa”, “Rebbi Joḥanan”, “Rebbi Yannai”, “Rebbi Ḥizqiah”, “Rebbi Abbahu”, “Rebbi Yasa”, “Rebbi Jehudah” e “Rebbi Ṣadoq”; mantivemos “Rabi Matanyá”, “Rabi Yossi”, “Rabi Elazar”, “Rabi Yaakov bar Achá”, “Rabi Yochanan”, “Rabi Yanai”, “Rabi Chizkiyá”, “Rabi Abahu”, “Rabi Yassa”, “Rabi Yehudá” e “Rabi Tzadok”, como nas halachot anteriores deste tratado e conforme o hebraico. Das suas remissões, foram conferidas e estão corretas as do Bavli Shabbat 139b, para a cova, e 140a, para a comida de jumentos e para o anomelin; a de 140a para a separação do ovo não corresponde ao que está ali, como dissemos acima.
A Mishná seguinte, Shabbat 20:3, na numeração do Sefaria, começa אֵין שׁוֹרִין אֶת הַחִלְתִּית בְּפוֹשְׁרִין, “não se põe de molho a assa-fétida em água morna”; no Bavli, ela está em Shabbat 140a.