Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Bet · Halachá 7 (última do perek)
שַׁבָּת

As três coisas que se dizem em casa ao escurecer

Perek Bet, Bameh Madlikin, Halachá 7, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat — encerramento do capítulo

Sétima e última halachá do Perek Bet de Massechet Shabbat, Bameh Madlikin. A Mishná ensina as três coisas que o homem precisa dizer dentro da sua casa na véspera do Shabat, ao escurecer: dizimastes? fizestes o eruv? acendei a lâmpada! E ensina o que se pode e o que não se pode fazer no crepúsculo. A guemará traz a palavra de Raban Shimon ben Gamliel sobre as três leis entregues aos amei haaretz e explica a ordem das perguntas; conta a morte de Rabi Eliezer na véspera do Shabat, quando lembrou ao filho a mitzvá da lâmpada; discute a astúcia de quem imerge utensílios tirando água do poço; fala da mulher esperta que rega a casa no Shabat; explica a palavra demai; e distingue o eruv dos pátios do eruv dos limites. Com ela se encerra o Perek Bet, Bameh Madlikin; o tratado continua no Perek Guimel, Kirá. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 34a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

שְׁלשָׁה דְבָרִים צָרִיךְ אָדָם לוֹמַר בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ עֶרֶב שַׁבָּת עִם חֲשֵׁיכָה. עִשַּׁרְתֶּן עֵירַבְתֶּן הַדְלִיקוּ אֶת הַנֵּר. סָפֵק חֲשֵׁיכָה סָפֵק אֵינוֹ חֲשֵׁיכָה אֵין מְעַשְּׁרִין אֶת הַוַּדַּאי וְאֵין מַטְבִּילִין אֶת הַכֵּלִים וְאֵין מַדְלִיקִין אֶת הַנֵּרוֹת אֲבָל מְעַשְּרִין אֶת הַדְּמַאי וּמְעָרְבִין וְטוֹמְנִין אֶת הַחַמִּין:

Mishná: Três coisas o homem precisa dizer dentro da sua casa na véspera do Shabat, ao escurecer: isartem (dizimastes os alimentos)? eravtem (fizestes o eruv)? Acendei a lâmpada! Quando é dúvida se escureceu, dúvida se não escureceu, isto é, no bein hashmashot (o crepúsculo), não se dizimam os alimentos que com certeza não foram dizimados, nem se tovlin (imergem para purificar) os utensílios, nem se acendem as lâmpadas; mas dizimam-se os alimentos de demai (de que se duvida se foram dizimados), e faz-se o eruv, e tomnin et hachamin (guardam-se os alimentos quentes, envolvidos para conservar o calor).

A Halachá · הֲלָכָה ז

01Os três assuntos entregues ao am haaretz e a ordem das perguntas
Yerushalmi · Shabbat 2:7
מתני׳. שְׁלשָׁה דְבָרִים צָרִיךְ אָדָם לוֹמַר בְּתוֹךְ בֵּיתוֹ כול׳. תַּנֵּי. רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר. הִילְכוֹת הַקּוֹדֶשׁ וְחַטָּאוֹת וְהֶכְשֵׁירוֹת הֵן הֵן גּוּפֵי הֲלָכוֹת. וּשְׁלָשְׁתָּן נִמְסְרוּ לְעַמֵּי הָאָרֶץ. הִילְכוֹת הַקּוֹדֶשׁ. דְּתַנִּינָן. אִם אָמַר. הִפְרַשְׁתִּי בְּתוֹכָהּ רְבִיעִית קוֹדֶשׁ. נֶאֱמָן. חַטָּאוֹת. דְּתַנִּינָן. הַכֹּל נֶאֱמָנִין עַל חַטָּאת. הֶכְשֵׁירוֹת. דְּתַנִּינָן. וְעַל כּוּלָּן עַם הָאָרֶץ נֶאֱמָנִין לוֹמַר טְהוֹרִין הֵן. לָא צוֹרְכָה דְלָאו. הַדְלִיקוּ אֶת הַנֵּר. עִישַּרְתֶּן וְעֵירַבְתֶּן הִדְלִיקוּ. אָמַר רִבִּי חִיָיא בַּר אַבָּא. מְתּוֹךְ שֶׁאַתָּה מַחְמִיר עָלָיו בְּקַלָּה אַף הוּא מַחְמִיר עַל עַצְמוֹ בַחֲמוּרָה. אָמַר רִבִּי חַגַּיי. רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק הֲוָה מְפַקֵּד גַּו בֵּייתֵיהּ. עֵירַבְתֶּן הַדְלִיקוּ אֶת הַנֵּר. וְלָמָּה לֹא אָמַר. עִישַּרְתֶּן. אֶלָּא כָל מַה דַהֲוָה אֲכִיל. מִן שׁוּקָא הֲוָה אֲכִיל.

Na Mishná: “Três coisas o homem precisa dizer dentro da sua casa” etc. Foi ensinado: Raban Shimon ben Gamliel diz: as leis do kodesh (as coisas consagradas), e as das chataot (as águas de purificação da vaca vermelha), e as dos hechsherot (o preparo dos alimentos para receber impureza), elas, elas mesmas, são o corpo das halachot; e as três foram entregues aos amei haaretz (os incultos, que não são cuidadosos com a pureza). As leis do kodesh, como ensinamos na Mishná: “Se ele disse: separei dentro dela uma reviit (um quarto de log) de kodesh, é digno de crédito” (Mishná Chaguigá 3:4). As leis das chataot, como ensinamos: “Todos são dignos de crédito quanto à chatat” (Mishná Pará 5:1). As leis dos hechsherot, como ensinamos: “E sobre todos eles o am haaretz é digno de crédito para dizer: são puros” (Mishná Machshirin 6:3). Pergunta-se sobre a ordem da Mishná: não seria preciso que dissesse assim: acendei a lâmpada, e só depois: dizimastes e fizestes o eruv? Acendei, já que acender no Shabat é proibição da Torá, e as outras duas são proibições dos sábios? Rabi Chiya bar Aba disse: pelo fato de seres rigoroso com ele na coisa leve, também ele será rigoroso consigo mesmo na coisa grave, e se apressará a acender a lâmpada antes que escureça. Rabi Chagai disse: Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak costumava ordenar dentro da sua casa só duas coisas: fizestes o eruv? Acendei a lâmpada! E por que não dizia também: dizimastes? Porque tudo o que ele comia, do mercado ele comia, e não precisava perguntar em casa sobre o dízimo.

02A morte de Rabi Eliezer na véspera do Shabat
Yerushalmi · Shabbat 2:7
מתני׳. סָפֵק חֲשֵׁיכָה סָפֵק אֵינוֹ חֲשֵׁיכָה כול׳. מַעֲשֶׂה בֶירִבִּי לִיעֶזֶר שֶׁהָיָה גוֹסֵס עֶרֶב שַׁבָּת עִם חֲשֵׁיכָה. וְנִכְנַס הוֹרְקְנוֹס בְּנוֹ לַחֲלוֹץ אֶת תְּפִילָּיו. אָמַר לוֹ. בְּנִי. הִינַּחְתָּ מִצְוַת הַנֵּר שֶׁהִיא שְׁבוּת וְחַיָיבִין עָלֶיהָ כָּרֵת. וּבָאתָה לַחֲלוֹץ תְּפִילִּין שֶׁאֵינָן אֶלָּא רְשׁוּת וְאֵינָן אֶלָּא מִצְוָה. יָצָא לוֹ וְהָיָה צוֹעֵק וְאָמַר. אוֹי לִי שֶׁנִּטְרְפָה דַעְתּוֹ שֶׁלְּאַבָּא. אָמַר לוֹ. דַּעְתָּךְ הִיא שֶׁנִּטְרְפָה. דַּעְתִּי הִיא לֹא נִטְרְפָה. כֵּיוָן שֶׁרָאוּ תַלְמִידָיו שֶׁהֵשִׁיבוֹ דָבָר שֶׁלְּחָכְמָה נִכְנְסוּ אֶצְלוֹ וְהָיוּ שׁוֹאֲלִין אוֹתוֹ. וְהָיָה אוֹמֵר לָהֶן עַל הַטָּמֵא טָמֵא וְעַל הַטָּהוֹר טָהוֹר. וּבָאַחֲרוֹנָה אָמַר טָהוֹר. וְנִסְתַּלְּקָה נִשְׁמָתוֹ. אָמְרִין. נִיכָּר רִבִּי שֶׁהוּא טָהוֹר. אָמַר רִבִּי מָנָא. וְעַד כְּדוֹן נִיכָּר. נִכְנַס רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְחָלַץ אֶת תְּפִילָּיו וְהָיָה מְגַפְּפוֹ וּמְנַשְׁקוֹ וּבוֹכֶה וְאוֹמֵר. רִבִּי רִבִּי. הוּתָּר הַנֵּדֶר. רִבִּי. רֶכֶב יִשְׂרָאֵל וּפָרָשָׁיו.

Na Mishná: “Quando é dúvida se escureceu, dúvida se não escureceu” etc. Houve um caso com Rabi Eliezer, que estava agonizando na véspera do Shabat, ao escurecer; e entrou Horkenos, seu filho, para lhe tirar os tefilin (filactérios), que não se usam no Shabat. Rabi Eliezer disse-lhe: meu filho, deixaste de lado a mitzvá da lâmpada, que agora, enquanto ainda é dia, é shevut (uma proibição de repouso dos sábios), e pela qual quem a acende depois de escurecer incorre em karet (extirpação), e vieste tirar os tefilin, que não são senão reshut (coisa permitida, e não obrigatória) e não são senão mitzvá. Horkenos saiu e gritava, e disse: ai de mim, que a mente do meu pai se perturbou! Rabi Eliezer disse-lhe: a tua mente é que se perturbou; a minha mente não se perturbou. Quando os seus discípulos viram que ele lhe respondera uma palavra de sabedoria, entraram junto a ele e lhe faziam perguntas; e ele lhes dizia sobre o impuro: impuro, e sobre o puro: puro. E por último disse: puro; e a sua alma partiu. Disseram: é reconhecível que o Rabi é puro. Rabi Mana disse: e só até agora é que isso se reconhece? Sempre se soube que ele era puro. Rabi Yehoshua entrou, tirou-lhe os tefilin, e o abraçava, e o beijava, e chorava, e dizia: Rabi, Rabi, o voto foi desfeito! Rabi, “carro de Israel e seus cavaleiros” (Melachim II 2:12)!

03Imergir utensílios: a astúcia do balde no poço
Yerushalmi · Shabbat 2:7
מתני׳. וְאֵין מַטְבִּילִין אֶת הַכֵּלִים. מַתְנִיתָא בְכֵלִים גְּדוֹלִים. אֲבָל בְּכֵלִים קְטַנִּים מַעֲרִים עֲלֵיהֶן וּמַטְבִּילָן. תַּנֵּי רִבִּי הוֹשַׁעְיָה. מְמַלֵּא הוּא אָדָם בְּכֵלִי טָמֵא מִן הַבּוֹר וּמַעֲרִים עָלָיו וּמַטְבִּילוֹ. תַּנֵּי. נָפַל דְּלָיוֹ לְתוֹךְ הַבּוֹר. נָפְלוּ כֵלָיו לְתוֹךְ הַבּוֹר. מַעֲרִים עֲלֵיהֶן וּמַטְבִּילָן. תְּרֵין אֲמוֹרִין. חַד אָמַר. בְּכֵלִים שֶׁנִּיטְמְאוּ בְאַב הַטּוּמָאָה. וְחוֹרָנָה אָמַר. בְּכֵלִים שֶׁנִּיטְמְאוּ בִּוְלָד הַטּוּמָאָה. וְחוֹרָנָה אָמַר. מָתִיב מָאן דָּמַר בְּאַב הַטּוּמָאָה לְמָאן דָּמַר בִּוְלָד הַטּוּמָאָה. אֲפִילוּ בְחוֹל יְהֵא טָעוּן הַעֲרֵב שֶׁמֶשׁ. אָמַר לֵיהּ. בְּרוֹצֶה לִשְׁתַּמֵּשׁ בָּהֶן חוּלִין בְּטָהֳרָה.

Na Mishná: “E não se imergem os utensílios.” A Mishná trata de utensílios grandes; mas, com utensílios pequenos, a pessoa usa de astúcia com eles e os imerge, como quem só tira água. Rabi Hoshaya ensinou: uma pessoa enche de água um utensílio impuro, tirando-a do poço, e usa de astúcia com ele e o imerge. Foi ensinado: se caiu o seu balde dentro do poço, ou caíram os seus utensílios dentro do poço, ele usa de astúcia com eles ao tirá-los e os imerge. Dois amoraim divergem: um disse: a Mishná trata de utensílios que se tornaram impuros por um av hatumá (fonte primária de impureza); e o outro disse: de utensílios que se tornaram impuros por um vlad hatumá (impureza derivada). E o outro disse: quem disse “por av hatumá” objeta a quem disse “por vlad hatumá”: se é assim, mesmo num dia comum o utensílio imerso no crepúsculo precisará esperar o pôr do sol seguinte, e por que a Mishná fala da véspera do Shabat? O outro disse-lhe: a Mishná trata de quem quer usá-los para chulin (alimentos comuns, não consagrados) em pureza, para os quais não é preciso esperar o pôr do sol.

04A mulher esperta que rega a casa no Shabat
Yerushalmi · Shabbat 2:7
רִבִּי יִרְמְיָה וְרִבִּי זְעִירָה בְשֵׁם רִבִּי חִיָיא בַּר אַשִּׁי. אִשָּׁה פִיקַּחַת מַדִּיחָה כוֹס כָּאן קְעָרָה כָאן תַּמְחוּי כָאן וְנִמְצֵאת מַרְבֶּצֶת אֶת בֵּיתָהּ בַּשַּׁבָּת.

Rabi Yirmeyá e Rabi Zeira disseram em nome de Rabi Chiya bar Ashi: uma mulher esperta lava depois da refeição um copo aqui, uma tigela ali, uma travessa acolá, e com a água que cai no chão acaba regando a sua casa no Shabat, para assentar a poeira, sem regá-la diretamente, o que seria proibido.

05Demai: será que foi arrumado?
Yerushalmi · Shabbat 2:7
מתני׳. אֲבָל מְעַשְּרִין אֶת הַדְּמַאי. רִבִּי יוֹסֵה בְשֵׁם רִבִּי אַבָּהוּ רִבִּי חִזְקִיָּה בְשֵׁם רִבִּי יוּדָה בֶּן פָּזִי. דְּמַיי דְּמִיתְקָן דְּמַאי לֹא תִקֵּן.

Na Mishná: “Mas dizimam-se os alimentos de demai.” Rabi Yossi disse em nome de Rabi Abahu, e Rabi Chizkiyá em nome de Rabi Yudá ben Pazi: a palavra demai quer dizer: dmai demitkan, será que foi arrumado? dmai lo tiken, será que não foi arrumado com os dízimos?

06O eruv dos pátios e o eruv dos limites
Yerushalmi · Shabbat 2:7
וּמְעָרְבִין וְטוֹמְנִין אֶת הַחַמִּין. אָמַר רִבִּי חִיָיא בַּר אַשִּׁי. הָדָא דְתֵימַר בְּעֵירוּבֵי חֲצֵירוֹת. אֲבָל בְּעֵירוּבֵי תְחוּמִין דְּבַר תּוֹרָה הֵן.

Na Mishná: “E faz-se o eruv, e guardam-se os alimentos quentes.” Rabi Chiya bar Ashi disse: isto que dizes vale para os eruvei chatzerot (o eruv dos pátios); mas os eruvei techumin (o eruv dos limites de caminhada do Shabat) são palavra da Torá, e por isso não se fazem no crepúsculo.

Nota

Esta é a sétima e última halachá do Perek Bet de Massechet Shabbat, Bameh Madlikin. A sua Mishná corresponde à Mishná Shabbat 2:7 da Mishná avulsa, a última do capítulo. A halachá anterior terminou com a baraita de Rabi Yossi: três são os apegos de morte, e os três foram entregues à mulher, a mitzvá da nidá, a mitzvá da chalá e a mitzvá do acender da lâmpada. Depois da lâmpada que a mulher acende, a Mishná desta halachá volta ao dono da casa: ao escurecer da véspera do Shabat, ele precisa perguntar se os alimentos foram dizimados e se o eruv foi feito, e mandar acender a lâmpada. No Bavli, esta Mishná está em Shabbat 34a, e a sua guemará segue até o fim do capítulo, em Shabbat 36b.

A seção 01 traz a baraita de Raban Shimon ben Gamliel, que está na Tosefta Shabbat 2:10 (ed. Lieberman), conferida: lá ele diz “as leis do kodesh, e das chataot, e dos maasrot”, isto é, dos dízimos, em lugar dos “hechsherot” do Yerushalmi, e a Tosefta acrescenta logo depois que três coisas devem ser feitas: acender a lâmpada, fazer o eruv e guardar os alimentos quentes. No Bavli, Shabbat 32a, a mesma baraita fala de “kodesh, terumot e maasrot”. As três citações de Mishná foram conferidas: Chaguigá 3:4, sobre o am haaretz que diz ter separado na jarra de terumá um quarto de log para o Santuário; Pará 5:1, “todos são dignos de crédito quanto à chatat”; e Machshirin 6:3, “e sobre todos eles o am haaretz é digno de crédito para dizer: são puros”, isto é, que ainda não foram preparados para receber impureza. A pergunta seguinte é sobre a ordem da Mishná: acender a lâmpada depois de escurecer é proibição da Torá, enquanto dizimar e fazer o eruv são proibições dos sábios; por isso, pergunta a guemará, a lâmpada deveria vir primeiro. Assim explicam o Penei Moshe e o Korban HaEdá. Rabi Chiya bar Aba responde que, quando se é rigoroso com as coisas leves, a casa será rigorosa consigo mesma na coisa grave. Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak não perguntava sobre o dízimo porque comprava toda a sua comida no mercado; segundo o Korban HaEdá, ou comprava de um chaver, de quem não era preciso dizimar, ou comprava demai, que se pode dizimar mesmo no crepúsculo.

A seção 02 conta a morte de Rabi Eliezer. A mesma história, em outra versão, está no Bavli, Sanhedrin 68a, e em Avot deRabi Natan, versão A, capítulo 25, conferidos. Rabi Eliezer, já agonizando, censura o filho por cuidar dos tefilin, que no Shabat não se usam, e deixar de lado a lâmpada: segundo o Penei Moshe, enquanto ainda é dia, acender a lâmpada só toca uma proibição de repouso dos sábios, mas, se se deixar para depois de escurecer, quem a acender incorre em karet. Sobre os tefilin, “não são senão reshut e não são senão mitzvá”: o Korban HaEdá explica que, para quem diz que o Shabat não é tempo de tefilin, eles são apenas coisa permitida, e, para quem diz que é, são mitzvá, que os sábios proibiram no Shabat; de qualquer modo, não se comparam à lâmpada. A pergunta de Rabi Mana é de espanto, como explicam o Penei Moshe e o Korban HaEdá: alguém precisava da última palavra para saber que um homem como ele era puro? “O voto foi desfeito” refere-se à proibição imposta a Rabi Eliezer, quando os sábios o afastaram por não aceitar a decisão da maioria, como conta o Bavli em Bava Metsia 59b; com a sua morte, ela se desfez. Rabi Yehoshua o chora com as palavras de Elishá sobre Eliyahu, “meu pai, meu pai, carro de Israel e seus cavaleiros” (Melachim II 2:12); no Bavli, Sanhedrin 68a, é Rabi Akiva quem diz esse versículo.

A seção 03 está também no Yerushalmi, Beitzá 2:2, e em Terumot 2:1, conferidos; o Penei Moshe observa que o seu lugar próprio é em Beitzá. Imergir um utensílio para purificá-lo é proibido no Shabat porque parece consertá-lo; com utensílios pequenos, que se costumam usar para tirar água, a pessoa pode tirar água com eles do poço, que serve de mikvê, e assim os purifica. Os dois amoraim divergem sobre o caso da Mishná: impureza por av hatumá, que é da Torá e exige esperar o pôr do sol seguinte, como diz Vayikrá 11:32, “na água será posto, e ficará impuro até a tarde, e ficará puro”; ou impureza por vlad hatumá. Em Beitzá 2:2 o texto diz o contrário do que está aqui: quem disse “por vlad hatumá” objeta a quem disse “por av hatumá”; o Penei Moshe, o Korban HaEdá e Guggenheimer dizem que essa é a leitura correta e que aqui os termos estão invertidos. Traduzimos o hebraico desta edição. As palavras “e o outro disse”, antes da objeção, aparecem duas vezes no hebraico; em Beitzá 2:2 a segunda não está, e Guggenheimer não a traduz. A resposta é que a Mishná trata de quem quer usar os utensílios para alimentos comuns em pureza, para os quais não é preciso esperar o pôr do sol. No Bavli, Beitzá 18a, aparecem a mesma distinção entre av hatumá e vlad hatumá e o balde que se tira do poço.

A seção 04 fala da mulher esperta que, lavando a louça no Shabat em cada canto da casa, acaba regando o chão de terra para assentar a poeira, o que não lhe é permitido fazer diretamente. O Bavli, Shabbat 95a, ensina o mesmo: “uma mulher sábia rega a sua casa no Shabat”. A seção 05 explica a palavra demai como “dmai”, será que, foi arrumado com os dízimos, ou será que não foi; o mesmo ensinamento, com as mesmas autoridades, está no Yerushalmi, Maasser Sheni 5:5. A seção 06 limita a permissão da Mishná ao eruv dos pátios; o eruv dos limites, chamado aqui “palavra da Torá”, não se faz no crepúsculo. O Penei Moshe escreve que também o eruv dos limites é dos sábios, mas tem apoio no versículo “ninguém saia do seu lugar no sétimo dia” (Shemot 16:29), e por isso foi tratado com mais rigor.

Observações de leitura. A Mishná do Yerushalmi escreve “chasheichá” com yod, “isartem” e “eravtem” com a terminação “-ten” (“isarten”, “eiravten”), e “safek eino chasheichá”; a Mishná avulsa escreve “chashechá”, “isartem”, “eravtem” e “safek ein chashechá”. Na seção 01, a última palavra da pergunta sobre a ordem está vocalizada “hidliku”, no passado; Guggenheimer propõe apagá-la, com outro testemunho do texto, e a Mechon Mamre lê “lo tzorcha dela hadliku et haner”; traduzimos “acendei”, com o sentido da pergunta. Na seção 05, o nome de Rabi Yossi se escreve “Yossé”; traduzimos “Rabi Yossi”, como nas halachot anteriores. Na mesma seção, a palavra demai aparece escrita de duas formas, “dmay” e “dmai”, e o verbo “tiken” sem yod; em Maasser Sheni 5:5 o texto diz “demai, dami tiken, dami lo tiken”. Conservamos todas essas grafias no hebraico.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. As referências de Guggenheimer foram conferidas: Mishná Chaguigá 3:4, Mishná Pará 5:1, a Tosefta Shabbat 2:10, Melachim II 2:12, Vayikrá 11:32, Avot deRabi Natan A 25, o Yerushalmi, Beitzá 2:2, e o Bavli, Shabbat 32a e 95a, Sanhedrin 68a e Beitzá 18a, estão corretas; a fonte da terceira citação, que Guggenheimer não indica, é a Mishná Machshirin 6:3; a remissão a Maasser Sheni 5:9 corresponde, na numeração do Yerushalmi, a Maasser Sheni 5:5. Na seção 01, Guggenheimer anota que outro testemunho do texto traz “Rabi Chiya bar Ada” em lugar de “Rabi Chiya bar Aba”; seguimos o hebraico desta edição. Na seção 02, ele verte “shevut” como “which is for the Sabbath”, seguindo S. Lieberman; traduzimos o termo com o sentido dado pelo Penei Moshe. Na seção 03, Guggenheimer não traduz o segundo “e o outro disse”; nós o mantivemos, porque está no hebraico.

A Mishná seguinte, Shabbat 3:1, abre o Perek Guimel, Kirá: “Um fogão que acenderam com palha e com restolho, põe-se sobre ele o cozido.”

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Bet de Massechet Shabbat, Bameh Madlikin (בַּמֶּה מַדְלִיקִין).