Sexta halachá do Perek Yud-Zayin de Massechet Shabbat, Kol HaKelim (todos os utensílios). A Mishná ensina que a pedra posta na kiruyá (cabaça) com que se tira água, se não cai quando se enche, pode-se encher com ela, e, se cai, não; e que com o ramo de videira amarrado ao jarro se enche no Shabat. A guemará parte da Mishná que permite tomar a cesta com a pedra dentro dela, que os tanaim da casa de Rabi ensinam com alimentos junto da pedra; traz a divergência entre Rabi Chiya bar Yossef, que segue a nossa versão, e Rabi Yochanan, que segue a da casa de Rabi; põe as duas opiniões à prova com a Mishná da cabaça, com a explicação de Rabi Yudan sobre a pedra que serve de peso; e termina com a criança que se toma com a pedra na mão, que uns explicam como alimentos e outros como um amuleto comprovado. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 125b.
Mishná: A pedra que está na kiruyá (cabaça): se se enche água com ela e ela não cai, enche-se com ela; e, se não, não se enche com ela. Uma zemorá (ramo de videira) que está amarrada ao tafiach (jarro): enche-se com ela no Shabat.
Nós ensinamos na Mishná da cesta: “A pedra dentro dela.” Os tanaim da casa de Rabi ensinaram: “E os alimentos e a pedra dentro dela.” Rabi Yaakov bar Zavdi disse em nome de Rabi Abahu: divergiram Rabi Chiya bar Yossef e Rabi Yochanan. Rabi Chiya bar Yossef segue a nossa Mishná; Rabi Yochanan segue isto que ensinaram os tanaim da casa de Rabi.
A matnita (Mishná) diverge de Rabi Yochanan: “A pedra que está na kiruyá (cabaça), se se enche com ela e ela não cai, enche-se com ela.” Visto que a pedra está apertada nela, é como o corpo da cabaça. E o final da Mishná diverge de Rabi Chiya bar Yossef: “E, se não, não se enche com ela.” Disse Rabi Yudan: visto que a pedra é feita para dar peso, torna-se como quem move a cabaça sobre a pedra. Que faz Rabi Yochanan com isto? Torna-se como quem move a própria cabaça.
A Mishná diverge de Rabi Yochanan: “Um homem toma o seu filho, e a pedra está na mão dele; uma kalkalá (cesta), e a pedra está dentro dela.” E os tanaim da casa de Rabi ensinaram: “A pedra e os alimentos dentro dela.” Rabi Kohen disse em nome dos rabanan (sábios) de lá: a criança, fizeram-na como alimentos. Lá dizem: fizeram a pedra na mão da criança como um kamea mumche (amuleto comprovado) na mão da criança.
Esta é a sexta halachá do Perek Yud-Zayin de Massechet Shabbat, Kol HaKelim, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 17:6 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, de “a pedra que está na cabaça” até “no Shabat”. Não há diferença de palavras; as diferenças são de grafia e vocalização: o Yerushalmi escreve שֶׁבַּקֵּירוּיָא, com yod e terminado em alef, onde a avulsa escreve שֶׁבְּקֵרוּיָה; מְמַלְאִין, sem dagesh no lamed, onde a avulsa escreve מְמַלְּאִין; בַטָּפִיחַ e בַּשַּׁבָּת, com artigo, onde a avulsa escreve בְטָפִיחַ e בְּשַׁבָּת; a avulsa tem ainda vírgulas onde o Yerushalmi não tem pontuação. No Bavli, a Mishná começa no fim de Shabbat 125a e termina em 125b, onde está a sua guemará; ali se escreve שֶׁבְּקֵירוּיָה. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná, e o segundo é toda a guemará; a seção 01 contém esse segundo segmento inteiro, dividido em três pares de hebraico e português, e nada foi deixado de fora. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná” e a guemará com o rótulo “halachá”, que tiramos; depois deles não há marcador numérico, e não inventamos nenhum. Não há marcador de folha de Vilna nem de Veneza embutido nesta halachá, nem colchetes ou parênteses no hebraico.
Referências conferidas. As duas Mishnayot que a guemará chama de matnita são a nossa, Shabbat 17:6, e a Mishná Shabbat 21:1, que diz que um homem toma o seu filho com a pedra na mão, e a cesta com a pedra dentro dela; a avulsa escreve ali אֶת בְּנוֹ e וְכַלְכַּלָּה, e a guemará aqui cita בְּנוֹ, sem “et”, e כַלְכָּלָה, sem vav, como a Mishná do Yerushalmi em 21:1. No Bavli, em Shabbat 125b, Rabá, em nome de Rabi Ami, e Rav Yossef, em nome de Rabi Assi, ambos em nome de Rabi Yochanan, divergem sobre a pedra posta de propósito sobre a boca da ânfora, se a ânfora se torna base para coisa proibida ou se a pedra se torna tampa; Rabá traz como objeção o início da nossa Mishná e a rejeita, pois na cabaça quem prendeu a pedra fez dela uma parede; Rav Yossef traz o final e o rejeita, pois quem não a prendeu a anulou. A versão dos tanaim da casa de Rabi não está ali. Em Shabbat 142a, sobre a cesta com a pedra dentro dela, o Bavli pergunta por que a cesta não se torna base para coisa proibida; Rabá bar bar Chana responde, em nome de Rabi Yochanan, que se trata de uma cesta cheia de frutas, o que concorda com a posição de Rabi Yochanan aqui; e Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rava, que se trata de uma cesta furada, em que a própria pedra se torna parede da cesta. Na Tosefta Shabbat, na numeração da edição Lieberman no Sefaria, não encontramos a pedra na cabaça nem a criança com a pedra na mão; o amuleto comprovado é definido em 4:9 como o que curou uma, duas e três vezes, e 4:10 diz que o amuleto não comprovado, embora não se saia com ele no Shabat, pode ser movido.
Observações de leitura. Entendemos a discussão assim: para Rabi Chiya bar Yossef, a cesta pode ser tomada mesmo com a pedra sozinha dentro dela; para Rabi Yochanan, só quando há também alimentos. O início da Mishná da cabaça parece contradizer Rabi Yochanan, pois ali se move a cabaça com a pedra sem alimentos; a resposta é que a pedra apertada faz parte da cabaça. O final parece contradizer Rabi Chiya bar Yossef, pois a pedra solta proíbe; Rabi Yudan responde que a pedra está ali para dar peso, e quem enche move a cabaça apoiada sobre ela, usando a pedra; e a pergunta “que faz Rabi Yochanan com isto” parece responder que, para ele, com a pedra presa, quem enche move a própria cabaça, e não a pedra. O texto não diz a que parte da Mishná se refere essa pergunta, e a nossa leitura é incerta. A palavra אָפִיצָה, que traduzimos por “apertada”, segue o sentido dado por Guggenheimer e pelo paralelo do Bavli, que diz que a prendeu; é palavra rara. Na primeira citação os tanaim da casa de Rabi dizem “os alimentos e a pedra”, e na segunda, “a pedra e os alimentos”; deixamos a ordem do hebraico. O texto diz primeiro “os rabanan de lá” e depois “lá dizem”; como de costume no Yerushalmi, “lá” refere-se à Babilônia, mas o texto não diz se são as mesmas pessoas. A guemará escreve מְמַלִּין, sem alef, onde a Mishná escreve מְמַלְאִין; a cabaça é קֵּירוּיָה e קִירוּיָא; e o nome de Rabi Chiya bar Yossef é escrito חִיָיה e חִיָיא. Tudo foi mantido como está. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. A nota de Guggenheimer que remete ao Bavli 142a para a opinião de Rabi Yochanan está correta. Numa nota, ele chama a nossa Mishná de 17:5, quando é a 17:6, como ele mesmo a chama na nota anterior. Ele traduz אֲנָן תַּנִּינָן como “we have stated”; traduzimos “nós ensinamos”, como nas halachot anteriores deste tratado. Ele traduz a zemorá como “piece of vine” e o tafiach como “pail”; preferimos “ramo de videira” e “jarro”, como no Bavli deste site. Ele escreve “Rebbi Jacob bar Zavdi”, “Rebbi Abbahu”, “Rebbi Ḥiyya bar Joseph”, “Rebbi Joḥanan” e “Rebbi Cohen”; mantivemos “Rabi Yaakov bar Zavdi”, “Rabi Abahu”, “Rabi Chiya bar Yossef”, “Rabi Yochanan” e “Rabi Kohen”, como nas halachot anteriores do Yerushalmi; e o “expert amulet” é o amuleto comprovado, como na halachá 5:4.