Quinta halachá do Perek Tet-Zayin de Massechet Shabbat, Kol Kitvei HaKodesh (todos os escritos sagrados). A Mishná ensina que, no incêndio do Shabat, se levam para o pátio em que se fez eruv (a junção dos domínios) todos os utensílios de uso, e que se veste tudo o que se pode vestir e se envolve em tudo em que se pode envolver; Rabi Yossi limita a dezoito peças de roupa; e o dono volta a vestir e a levar para fora, e diz aos outros que salvem com ele. A guemará enumera as dezoito peças de Rabi Yossi, do miktoren (manto) aos sudarin (lenços) sobre os braços, e explica o convite aos outros pelo costume de emprestar roupas no Shabat. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 120a.
Mishná: E para lá, para o pátio em que se fez eruv (a junção dos domínios), ele leva para fora todos os seus utensílios de uso, e veste tudo o que pode vestir, e se envolve em tudo em que pode envolver-se. Rabi Yossi diz: só dezoito peças de roupa. E volta a vestir outras e a levar para fora, e diz aos outros: vinde e salvai comigo.
“Rabi Yossi diz: dezoito peças.” E estas são elas: o miktoren (manto), o nikli (veste larga), e a pundá (cinto-bolsa), e o filion (gorro de feltro), e o envoltório, e o kolabion (túnica curta) de linho, e a camisa de lã, e duas empiliot (meias de feltro), dois savrikin (faixas), e dois avrikin (calções), dois sapatos, e o chapéu da sua cabeça, e o cinto dos seus quadris, e os sudarin (lenços) sobre os seus braços.
“E diz aos outros: vinde e salvai comigo”: e isso é permitido porque assim é o costume deles, o de emprestar peças de roupa no Shabat.
Esta é a quinta halachá do Perek Tet-Zayin de Massechet Shabbat, Kol Kitvei HaKodesh, e a sua Mishná corresponde à Mishná Shabbat 16:4 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, a que começa com וּלְשָׁם מוֹצִיא כָל כְּלֵי תַשְׁמִישׁוֹ, como antecipou a nota da halachá 16:4. A Mishná avulsa 16:5, a de Rabi Shimon ben Nanas sobre o couro de cabrito estendido sobre a arca, não está nesta halachá: no Sefaria, ela abre a halachá 16:6 do Yerushalmi. No Bavli, a nossa Mishná está em Shabbat 120a, e a lista das dezoito peças também. As diferenças de redação são pequenas: o Yerushalmi diz וּלְשָׁם הוּא מוֹצִיא אֶת כָּל, onde a avulsa diz וּלְשָׁם מוֹצִיא כָל, e שֶּׁהוּא יָכוֹל, nas duas vezes, onde a avulsa diz שֶּׁיָּכוֹל; o sentido é o mesmo. As demais são de grafia: לִלְבּוֹשׁ, לַעֲטוֹף, רִבִּי, שְׁמוֹנָה e בּוֹאוּ, onde a avulsa escreve לִלְבּשׁ, לַעֲטֹף, רַבִּי, שְׁמֹנָה e בֹּאוּ. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná, e os dois seguintes são a guemará; cada seção numerada corresponde a um desses segmentos, de modo que a seção 01 é o segundo segmento e a seção 02 é o terceiro, e nenhum segmento foi dividido entre seções. O Sefaria abre a Mishná com o rótulo “mishná” e a guemará com o rótulo “halachá”, que tiramos; depois deles não há marcador numérico, e não inventamos nenhum. No início da Mishná, o Sefaria traz o marcador da folha 81a da edição de Vilna, que também tiramos. Nestes três segmentos não há sinais editoriais entre colchetes ou parênteses no hebraico. A grafia שֶׁלְפִּשְׁתָּן e שֶׁלְצֶמֶר, numa só palavra, é a do Sefaria, e assim a mantivemos.
Referências conferidas. No Bavli, Shabbat 120a traz a nossa Mishná e, depois dela, uma baraita: quem veste roupas no incêndio leva-as para fora e as tira, e volta a vestir, a levar para fora e a tirar, ainda que o dia todo, segundo Rabi Meir; Rabi Yossi diz dezoito peças, e a baraita as enumera. A lista do Bavli é quase a mesma, com diferenças: diz אונקלי onde o Yerushalmi diz נִיקְלִי, קלבוס של פשתן onde ele diz קוֹלָבִּיֹן שֶׁלְפִּשְׁתָּן, אפיליון onde ele diz פִילִיוֹן, ספרקין e אנפילאות onde ele diz סַבְרִיקִין e אֶמְפִלִיוֹת; não diz que o חלוק é de lã; tem dois פרגוד onde o Yerushalmi tem dois אַבְרִיקִין; e tem um só סודר שבצוארו, o lenço do pescoço, onde o Yerushalmi tem os סוּדָרִין sobre os braços. Rashi, em Shabbat 120a, explica o מקטורן pelo francês antigo mantil (manto); o אונקלי como uma veste larga; a פונדא como um cinto oco sobre as roupas; o חלוק como a camisa sobre a pele; a מעפורת como o pano de envolver a cabeça; os ספרקין pelo francês antigo, no sentido de faixas; e o חגור como o cinto que se põe sobre a camisa, por dentro.
Observações de leitura. Na Mishná, segundo Guggenheimer, as roupas vestidas não são carga, porque todos andam vestidos no domínio público; por isso o dono pode pedir aos vizinhos que vistam as suas roupas por ele, sem lhes transferir a posse delas. “Para lá” refere-se ao pátio em que se fez eruv, da Mishná anterior, a da halachá 16:4. Na seção 01, a identificação de várias peças é incerta, e as glosas são aproximadas: segundo Guggenheimer, מִקְטוֹרֶן vem do latim medieval amictorium, “manto”; נִיקְלִי é uma cobertura do braço, e no Bavli אונקלי é explicado pelo grego; פוּנְדָא é o latim funda, a bolsa de cinto; פִילִיוֹן é o latim pilleus, o gorro de feltro; קוֹלָבִּיֹן é o grego kolobion, a túnica sem mangas ou de mangas curtas; אֶמְפִלִיוֹת é o grego empilia, os calçados ou meias de feltro; סַבְרִיקִין são ligas; אַבְרִיקִין são calções, que ele relaciona com o latim; e סוּדָרִין é o latim sudarium, o pano de suor. O texto diz “dezoito peças”, e a conta chega a dezoito se os pares contarem como duas peças cada e os סוּדָרִין contarem como uma só. Na seção 02, o hebraico diz כֵּלִים, “objetos” ou “peças”, e no contexto são as roupas; o sentido é que, como é costume emprestar roupas no Shabat, os outros podem vesti-las e levá-las para fora. Traduzimos sem transliterar as peças de nome hebraico comum, o envoltório, a camisa, os sapatos, o chapéu e o cinto (o envoltório é o pano com que, segundo Rashi, se envolve a cabeça), e transliteramos as de nome estrangeiro ou de identificação incerta. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na Mishná, Guggenheimer traduz וּלְשָׁם הוּא מוֹצִיא como “there he also brings out”; o hebraico não tem “também”, e traduzimos “e para lá ele leva para fora”. Na seção 01, ele traduz נִיקְלִי por “arm cover”, פִילִיוֹן por “felt cap” e סַבְרִיקִין por “garters”; nas glosas, preferimos “veste larga”, com Rashi sobre o אונקלי do Bavli, “gorro de feltro”, com ele, e “faixas”, com Rashi sobre os ספרקין. Na seção 02, ele traz uma nota sobre convidar hóspedes no Shabat, que pertence à halachá 16:4, e não a esta; não a seguimos. Ele escreve “Rebbi Yose”; mantivemos “Rabi Yossi”, como nas halachot anteriores deste tratado, e traduzimos בּוֹאוּ וְהַצִּילוּ עִמִּי por “vinde e salvai comigo”, como na halachá anterior se traduziu “vinde e salvai para vós”.