Terceira e última halachá do Perek Tet-Vav de Massechet Shabbat, Ve'elu Kesharim. A Mishná ensina que se dobram as roupas mesmo quatro ou cinco vezes, e que se arrumam as camas da noite do Shabat para o Shabat, mas não do Shabat para a saída do Shabat; Rabi Yishmael permite dobrar e arrumar do Yom Kipur para o Shabat, e ensina que as gorduras do Shabat são oferecidas no Yom Kipur, mas não as do Yom Kipur no Shabat; e Rabi Akiva diz que nem umas nem outras. A guemará traz a casa de Rabi Yanai sobre dobrar a dois e sobre o banco; a divergência sobre se os Shabatot e os dias festivos foram dados para comer e beber ou para o estudo da Torá, e a palavra de Rabi Abahu, que manda descansar do dizer como o Eterno; o chassid que viu uma brecha na sua vinha no Shabat; a palavra de Rabi Chanina, de que só por necessidade se permitiu saudar no Shabat, a mãe de Rabi Shimon ben Yochai e o pedido das necessidades no Shabat; a baraita sobre lavar copos, pratos e travessas; e termina com Rabi Zeira, em nome de Rav Chisda, sobre o Yom Kipur que cai junto ao Shabat, quando não se toca o shofar nem se faz havdalá. Com ela se encerra o Perek Tet-Vav, Ve'elu Kesharim; o tratado continua no Perek Tet-Zayin, Kol Kitvei HaKodesh. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 113a.
Mishná: Dobram-se os kelim (as roupas), mesmo quatro ou cinco vezes no mesmo dia, e arrumam-se as camas da noite do Shabat para o Shabat de dia, mas não do Shabat para a saída do Shabat. Rabi Yishmael diz: dobram-se as roupas e arrumam-se as camas do Yom Kipur (o Dia do Perdão) para o Shabat que vem logo depois. As gorduras dos sacrifícios do Shabat são oferecidas no altar no Yom Kipur, mas as gorduras do Yom Kipur não são oferecidas no Shabat. Rabi Akiva diz: nem as gorduras do Shabat são oferecidas no Yom Kipur, nem as do Yom Kipur são oferecidas no Shabat.
Os da casa de Rabi Yanai dizem: dobrar as roupas a dois é proibido. Rabi Chagai disse em nome de Rabi Shmuel bar Nachman: não se dobra no Shabat a dois. E aquele que dobra sobre o sifsela (banco) é como se fossem dois a dobrar.
Rabi Chagai disse em nome de Rabi Shmuel bar Nachman: os Shabatot e os dias festivos não foram dados senão para comer e para beber; mas, porque esta boca exala odor, permitiram-lhe ocupar-se neles também com palavras da Torá. Rabi Berechyá disse em nome de Rabi Chiya bar Ba: os Shabatot e os dias festivos não foram dados senão para ocupar-se neles com palavras da Torá. Uma matnita (baraita) apoia tanto a este como àquele mestre: como a pessoa faz neles? Ou se senta e come, ou se senta e se ocupa com palavras da Torá.
Um versículo diz: “é Shabat para o Eterno” (Vayikra 23:3); e outro versículo diz sobre o dia de festa: “assembleia para o Eterno, teu Deus” (Devarim 16:8). Como se conciliam? Dá uma parte do dia ao estudo da Torá e uma parte dele para comer e beber. Disse Rabi Abahu: “Shabat para o Eterno” quer dizer: descansa como o Eterno. Assim como o Santo, bendito seja, descansou do dizer no sétimo dia, também tu descansa do dizer no Shabat.
Aconteceu com um chassid (homem piedoso) que saiu a passear na sua vinha no Shabat, e viu ali uma brecha, e pensou em cercá-la na saída do Shabat. Disse: já que pensei em cercá-la enquanto era Shabat, não a cercarei jamais. O que fez por ele o Santo, bendito seja? Preparou-lhe um ramo de natzpa (alcaparreira), e o ramo subiu dentro dela e a cercou. Dela o homem se alimentava, e dela se sustentava todos os seus dias.
Disse Rabi Chanina: só por necessidade permitiram saudar o próximo no Shabat. Disse Rabi Chiya bar Ba: Rabi Shimon ben Yochai, quando via a sua mãe conversando muito no Shabat, dizia-lhe: mãe, hoje é Shabat. Ensina-se numa baraita: é proibido pedir as suas necessidades no Shabat. Rabi Zeira perguntou a Rabi Chiya bar Ba: como é dizer no Shabat “apascenta-nos, sustenta-nos”? Disse-lhe: assim é o tupos (fórmula) das bênçãos.
Ensina-se: lavam-se no Shabat copos, pratos e travessas da noite do Shabat para a manhã, da manhã para o meio-dia, e do meio-dia para a minchá (a hora da oração da tarde). Da minchá em diante é proibido lavar; mas os copos, é permitido lavá-los, porque não há hora fixa para beber. Rabi Yirmeyá e Rabi Zeira disseram em nome de Rav Chiya bar Ashi: uma mulher esperta lava um copo aqui, um prato ali, uma travessa acolá; resulta que assim ela borrifa o chão da sua casa no Shabat.
Rabi Zeira disse em nome de Rav Chisda: quando o Yom Kipur cai no Shabat, não se toca o shofar; quando cai depois do Shabat, não se faz havdalá (a bênção de separação entre o Shabat e o dia que vem). Isto é conforme quem? Conforme Rabi Akiva. Mas, conforme Rabi Yishmael, faz-se havdalá, pois as gorduras do Shabat são oferecidas no Yom Kipur.
Disse Rabi Ezra diante de Rabi Mana: mesmo conforme Rabi Yishmael, não se faça havdalá na saída do Shabat. Acaso se faz havdalá senão para permitir-lhe depois dela uma coisa que lhe é proibida durante o dia? Se ele queimasse as gorduras do Shabat no próprio Shabat, acaso não seria permitido queimá-las? Disse Rabi Shmuel, irmão de Rabi Berechyá: que se faça havdalá, pois com ela se permite lavar os kevashim (conservas em salmoura) e as shelakot (verduras escaldadas) no Yom Kipur. Disse Rabi Yossi: acaso é permitido no Yom Kipur lavar as conservas e as verduras escaldadas senão da minchá em diante? Então, que se faça havdalá da minchá em diante! Como quer que seja, copo de vinho não há ali, vela acesa não há ali; com que se faz a havdalá? Disse Rabi Avun: faz-se na oração.
Esta é a terceira e última halachá do Perek Tet-Vav de Massechet Shabbat, Ve'elu Kesharim, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 15:3 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, que vai de “dobram-se as roupas” até “nem as do Yom Kipur são oferecidas no Shabat”, como antecipou a nota da halachá 15:2. No Bavli, a mesma Mishná está em Shabbat 113a, e a guemará vai de 113a a 115a, onde se encerra o capítulo. Há diferenças de redação entre o Yerushalmi e a avulsa: o Yerushalmi diz חֶלְבֵי שַׁבָּת, sem vav, onde a avulsa diz וְחֶלְבֵי שַׁבָּת, “e as gorduras”, que liga a frase à palavra de Rabi Yishmael; o Yerushalmi diz אֲבָל לֹא שֶׁל יוֹם הַכִּפּוּרִים קְרֵיבִין בַּשַּׁבָּת, por extenso, onde a avulsa traz a frase entre parênteses e sem o verbo, (אֲבָל לֹא שֶׁל יוֹם הַכִּפּוּרִים בְּשַׁבָּת); e o Yerushalmi diz לְיוֹם הַכִּפּוּרִים e, no fim, לַשַּׁבָּת, onde a avulsa diz בְּיוֹם הַכִּפּוּרִים e בְּשַׁבָּת. As demais diferenças são de grafia ou de vocalização: אֲפִילוּ, הַמִּיטּוֹת, לַשַּׁבָּת, רִבִּי, קְרֵיבִין e עֲקִיבָה no Yerushalmi, אֲפִלּוּ, הַמִּטּוֹת, לְשַׁבָּת, רַבִּי, קְרֵבִין e עֲקִיבָא na avulsa. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná, e os cinco seguintes são a guemará; cada seção numerada corresponde a um desses segmentos, de modo que a seção 01 é o segundo segmento, a seção 02 é o terceiro, e assim até a seção 05, que é o sexto. O segundo segmento aparece em três pares de hebraico e português dentro da mesma seção 01, e o sexto, em dois pares dentro da seção 05; nenhum segmento foi dividido entre seções. O Sefaria abre a guemará com o rótulo “halachá”, que tiramos; conservamos o marcador “ג׳.”, que indica que a guemará trata da terceira Mishná do capítulo. O Sefaria marca também, na seção 02, o início da coluna 15b da edição de Veneza e o da folha 78b da edição de Vilna, e tiramos esses marcadores, que não fazem parte do texto. Na seção 01, o hebraico traz (טְרִיח) [מֵרִיחַ], duas leituras de uma mesma palavra, e as conservamos assim no hebraico; no português seguimos a leitura entre colchetes, מֵרִיחַ, “exala odor”, que é a da edição de Veneza e a do Penei Moshe; Guggenheimer prefere a outra, טְרִיח, que traduz “is bothersome”, “é incômoda”, e diz que é a do copista do manuscrito de Leiden, confirmada pelo manuscrito do Escorial, enquanto a outra é emenda do corretor. O Korban HaEdá lê מַסְרִיחַ, “cheira mal”. O Sefaria escreve בָּשַּׁבָּת e מַתְנִיתַא na seção 01, לִתבוֹעַ, com uma letra sem vogal, na seção 03, וּלְמַעֲלַה na seção 04, e חֶלְבֵי שַׁבַּת בַּשַּׁבָּת na seção 05, com uma grafia incomum, e conservamos o hebraico como está.
Referências conferidas. No Bavli, Shabbat 113a, os da casa de Rabi Yanai dizem que a Mishná só permite dobrar quando é uma pessoa só, mas não duas, e acrescentam restrições que o Yerushalmi não traz: só roupas novas, só brancas, e só quando não se tem outra para trocar; ali também se ensina que os da casa de Rabban Gamliel não dobravam as suas roupas brancas, porque tinham outras para trocar. Logo depois, em 113a–113b, o Bavli expõe Yeshayahu 58:13, “e o honrarás, não fazendo os teus caminhos, não buscando o teu interesse e falando palavra”, e ensina que a fala do Shabat não seja como a fala dos dias comuns, e que falar é proibido, mas pensar é permitido. A palavra de Rabi Chanina da seção 03 está no Bavli, Shabbat 12b, com outra redação: “com dificuldade permitiram consolar os enlutados e visitar os doentes no Shabat”. O caso do chassid da seção 02 está no Bavli, Shabbat 150b, numa baraita: a brecha estava no seu campo, ele se lembrou de que era Shabat e se absteve de cercá-la, e fez-se para ele um milagre, e cresceu ali uma alcaparreira, da qual vinha o seu sustento e o da sua casa. No Vayikra Rabba 34:16, na numeração do Sefaria, as seções 02 e 03 aparecem juntas, como exposição de Yeshayahu 58:13: de “fazendo o teu interesse no Meu dia santo” aprende-se que é proibido sair ao próprio campo no Shabat para saber do que precisa, e conta-se o caso do chassid, a quem o Santo, bendito seja, preparou uma árvore de נצפה que fechou a brecha; de “não buscando o teu interesse” aprende-se que é proibido pedir as próprias necessidades no Shabat, e ali Rabi Zeira pergunta a Rabi Chiya bar Abba sobre os que dizem no Shabat “apascenta-nos, alimenta-nos, sustenta-nos”, e ele responde que assim é a fórmula das bênçãos; e de “falando palavra” vem o caso da mãe de Rabi Shimon ben Yochai, que, quando falava demais no Shabat, ele lhe dizia “é Shabat”, e ela se calava. A baraita da seção 04 está no Bavli, Shabbat 118a: os pratos em que se comeu à noite, lavam-se para comer neles de manhã, e assim até a minchá; da minchá em diante, não se lavam mais; mas os copos, as jarras e os frascos lavam-se o dia todo, porque não há hora fixa para beber. A mesma baraita está na Tosefta Shabbat 12:17, na numeração Lieberman (13:18–19 na edição de Vilna, no Sefaria), junto com a palavra de Rabi Yossi de que no Yom Kipur, ao escurecer, se lavam as conservas, e com a notícia de que os da casa de Rabban Gamliel não dobravam as suas roupas brancas. A palavra da mulher esperta está também no Yerushalmi Shabbat 2:7, quinto segmento na numeração do Sefaria, onde se lê “Rabi Yirmeyá e Rabi Zeira em nome de Rabi Chiya bar Ashi”. Sobre a palavra de Rabi Yishmael, o Bavli, Shabbat 114a, traz a baraita que expõe “holocausto do Shabat no seu Shabat” (Bamidbar 28:10): segundo Rabi Yishmael, ensina que as gorduras do Shabat se oferecem no Yom Kipur, e não as do Yom Kipur no Shabat; segundo Rabi Akiva, que se oferecem no Yom Tov, e não no Yom Kipur. A seção 05 tem paralelo no Bavli, Shabbat 114b: a baraita ensina que, quando o Yom Kipur caía na véspera do Shabat, não se tocava o shofar, e, quando caía na saída do Shabat, não se fazia havdalá, e Yehudá, filho de Rabi Shimon ben Pazi, diz que ela é conforme Rabi Akiva, porque, conforme Rabi Yishmael, se tocaria para que se soubesse que as gorduras do Shabat são oferecidas no Yom Kipur; ali também se pergunta por que não se toca para que se saiba que é permitido aparar verduras da minchá em diante. Em 114b–115a, Rav Huna proíbe aparar verduras no Yom Kipur que cai no Shabat, e Rabi Yochanan permite; e, em 115a, Rabi Chiya bar Abba diz em nome de Rabi Yochanan que, no Yom Kipur, se quebram nozes e se debulham romãs da minchá em diante. Os versículos da seção 01 são Vayikra 23:3, “é Shabat para o Eterno em todas as vossas moradas”, e Devarim 16:8, “e no sétimo dia, assembleia para o Eterno, teu Deus”. A expressão de Rabi Abahu, “Shabat para o Eterno”, está em Shemot 20:10, “e o sétimo dia é Shabat para o Eterno, teu Deus”; Guggenheimer observa que talvez se trate do mesmo versículo de Vayikra 23:3.
Observações de leitura. Na Mishná, segundo o Penei Moshe e o Korban HaEdá, dobram-se as roupas que se tiraram, para vesti-las de novo no mesmo dia, e arrumam-se as camas da noite para o dia, porque é preparação para o próprio Shabat; mas não do Shabat para a saída do Shabat, que seria preparar do dia santo para o dia comum. A palavra de Rabi Yishmael supõe que o Yom Kipur caia na sexta-feira; e as gorduras são, segundo o Penei Moshe, as partes do sacrifício do Shabat que se queimam no altar à noite, que é já o Yom Kipur. Na seção 01, segundo o Penei Moshe, quem dobra sobre o banco também está proibido, porque assim alisa a roupa de mais, e só se permitiu dobrar com as mãos; o Korban HaEdá diz que ele se senta sobre uma ponta posta no banco, ou que dobra sobre a quina do banco para tirar as dobras tortas. Segundo o Penei Moshe, a frase da boca quer dizer que, porque a pessoa tem prazer com o que sai da sua boca, permitiram-lhe estudar a Torá no Shabat e no Yom Tov; segundo o Korban HaEdá, que lê “cheira mal”, se não se ocupassem senão com comer e beber, haveria o receio de que falassem maledicência, ou de que chegassem à leviandade. O Penei Moshe e o Korban HaEdá entendem que a baraita “como a pessoa faz?” apoia os dois mestres, porque cumpre o dia tanto quem come como quem estuda, e emendam o segundo versículo para “assembleia será para vós” (Bamidbar 29:35), um para o Eterno e outro para vós, e por isso se divide o dia. Rabi Abahu, segundo o Penei Moshe, lembra que o mundo foi criado pela palavra e que no sétimo dia o Eterno “descansou” (Bereshit 2:2), e ensina que se descansa no Shabat até da simples conversa sobre o que se fará depois do Shabat, como no caso do chassid que vem em seguida; o Korban HaEdá diz que é não falar conversa comum que não seja necessária para o Shabat. Na seção 02, o ramo de נַצְפָּה é, segundo o Penei Moshe e o Korban HaEdá, um galho de árvore, e o Penei Moshe diz que é da espécie da alcaparreira; Guggenheimer traduz “tent”, e diz que esse sentido é erro de copista. Ele observa também que este parágrafo não estava no texto original do Yerushalmi, mas foi acrescentado pelo corretor e falta no manuscrito do Escorial. Na seção 03, segundo o Penei Moshe, até uma fala como a saudação conviria reduzir no Shabat, e o pedido proibido é o da oração, quando se acrescentam súplicas pelas próprias necessidades como nos dias comuns; segundo o Korban HaEdá, faz parte do prazer do Shabat que a pessoa pense que todo o seu trabalho está feito, e “apascenta-nos, sustenta-nos” são palavras do Birkat HaMazon, que não se mudam do dia comum para o Shabat. Na seção 04, segundo o Penei Moshe, os pratos e as travessas são os grandes, que só servem para uma refeição fixa, e não há outra refeição depois da minchá; e o dito da mulher esperta foi trazido aqui por causa do lavar dos utensílios. Ela lava cada peça num canto, e assim molha o chão de toda a casa, que é proibido no Shabat; o Korban HaEdá diz que esse artifício só é necessário segundo Rabi Yehudá, que proíbe o que se faz sem intenção, e não segundo Rabi Shimon. Na seção 05, o Korban HaEdá lê “o Yom Kipur que cai na véspera do Shabat”, como no Bavli, e explica que não se toca o shofar que se tocava na sexta-feira para que o povo parasse de trabalhar, porque no Yom Kipur ele já parou; Guggenheimer também entende sexta-feira; o Penei Moshe lê como está, “no Shabat”. A havdalá de que se fala é, segundo o Korban HaEdá, a da oração, que separa entre um dia santo e outro; segundo o Penei Moshe, conforme Rabi Yishmael se faria havdalá para mostrar que a santidade do Yom Kipur é menor que a do Shabat. Segundo o Penei Moshe, a resposta de Rabi Avun quer dizer que se faria a havdalá na oração da minchá, e a guemará não volta à questão; o Korban HaEdá conclui que a objeção fica de pé, e que isso vai conforme quem proíbe aparar verduras no Yom Kipur que cai no Shabat. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na Mishná, Guggenheimer traduz הַכֵּלִים por “garments”; traduzimos “os kelim”, com a glosa “as roupas”. Na seção 01, ele cita para o caso de Rabi Yanai apenas o Bavli 113a, e propõe, para a frase de Rabi Abahu, Shemot 20:10 ou Vayikra 23:3; deixamos o versículo sem referência no texto e o discutimos acima. Na seção 02, ele remete ao Vayikra Rabba 34:15; no Sefaria, o caso do chassid está em 34:16, e assim citamos. Ele traduz סוּכָּה por “tent”; seguimos o Penei Moshe e o Korban HaEdá, “ramo”. Na seção 03, ele traduz מִדּוֹחַק por “with difficulty”; traduzimos “por necessidade”, e o sentido é o mesmo: só a contragosto se permitiu. Na seção 05, ele entende que “cai no Shabat” quer dizer a sexta-feira, como no Bavli; traduzimos o hebraico como está. Ele escreve “Rebbi Yannai”, “Rebbi Ḥaggai”, “Rebbi Samuel bar Naḥman”, “Rebbi Berekhiah”, “Rebbi Ḥiyya bar Abba”, “Rebbi Abbahu”, “Rebbi Ḥanina”, “Rebbi Simeon ben Yoḥai”, “Rebbi Zeˋira”, “Rebbi Jeremiah”, “Rav Ḥiyya bar Ashi”, “Rav Ḥisda”, “Rebbi Aqiba”, “Rebbi Ismael”, “Rebbi Ezra”, “Rebbi Mana”, “Rebbi Samuel the brother of Rebbi Berekhiah”, “Rebbi Yose” e “Rebbi Abun”; mantivemos “Rabi Yanai”, “Rabi Chagai”, “Rabi Shmuel bar Nachman”, “Rabi Berechyá”, “Rabi Chiya bar Ba”, “Rabi Abahu”, “Rabi Chanina”, “Rabi Shimon ben Yochai”, “Rabi Zeira”, “Rabi Yirmeyá”, “Rav Chiya bar Ashi”, “Rav Chisda”, “Rabi Akiva”, “Rabi Yishmael”, “Rabi Ezra”, “Rabi Mana”, “Rabi Shmuel, irmão de Rabi Berechyá”, “Rabi Yossi” e “Rabi Avun”, como nas halachot anteriores deste tratado; o hebraico diz רִבִּי חִיָיא בַּר בָּא, e assim transcrevemos.
A Mishná seguinte, Shabbat 16:1, abre o Perek Tet-Zayin, Kol Kitvei HaKodesh: “כָּל כִּתְבֵי הַקּוֹדֶשׁ מַצִּילִין אוֹתָן מִפְּנֵי הַדְּלֵיקָה…”, “todos os escritos sagrados, salvam-se do incêndio, tanto os que se leem como os que não se leem; ainda que estejam escritos em qualquer língua, requerem guenizá; e por que não se leem? Por causa do abandono da casa de estudo”. No Bavli, essa Mishná está em Shabbat 115a, na mesma folha em que termina o capítulo Ve'elu Kesharim.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Tet-Vav de Massechet Shabbat, Ve'elu Kesharim (וְאֵלּוּ קְשָׁרִים).