Quarta halachá do Perek Yud-Guimel de Massechet Shabbat, HaOreg. A Mishná dá a medida mínima para ser culpado em cinco trabalhos do preparo do tecido: quem alveja, quem carda, quem tinge e quem fia é culpado pela largura cheia do sit dobrado, e quem tece dois fios, pelo sit cheio. A guemará, numa só frase, confronta esta Mishná com a da lenha, das especiarias e das plantas de tingir, a Mishná Shabbat 9:5, que dá para as tinturas uma medida bem menor, e responde que lá se trata de quem leva para fora a tintura para tingir, e aqui, de quem tinge. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 106a.
Mishná: A medida do melaben (o que alveja), e do menapes (o que carda), do tzovea (o que tinge) e do tové (o que fia): a sua medida para ser culpado é como a largura cheia do sit (o vão entre dois dedos abertos) dobrado. O oreg (o que tece) dois fios, a sua medida é como o sit cheio.
Lá ensinamos: “Quem leva para fora lenha, o bastante para cozer um ovo leve” etc., e aqui na nossa Mishná tu dizes assim, com a medida do sit dobrado? Lá, fala-se do que leva para fora para tingir; porém aqui, do que tinge.
Esta é a quarta halachá do Perek Yud-Guimel de Massechet Shabbat, HaOreg, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 13:4 da Mishná avulsa, que vai de “a medida de quem alveja” até “a sua medida é como o sit cheio”. A Mishná seguinte, Shabbat 13:5, que começa com “Rabi Yehudá diz: quem caça um pássaro para a torre” (רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר הַצָּד צִפּוֹר לַמִּגְדָּל), é a da halachá 13:5. No Bavli, em Shabbat 105b, a nossa Mishná e a anterior, a de quem rasga na sua ira, formam uma só Mishná, como já disse a nota da halachá 13:3. Há diferenças de redação: o Yerushalmi escreve הַמְנַפֵּס, com samech, onde a Mishná avulsa e a do Bavli escrevem הַמְנַפֵּץ, com tsadi, como já notou a halachá 9:5; escreve הַצּוֹבֵעַ e הָאוֹרֵג sem “e”, onde as outras têm וְהַצּוֹבֵעַ e וְהָאוֹרֵג; repete שִׁיעוּרוֹ, “a sua medida”, antes de “como a largura cheia”, palavra que a Mishná avulsa e a do Bavli não têm nesse lugar; e escreve כִמְלוֹא רוֹחַב, com vav, onde as outras escrevem כִּמְלֹא רֹחַב. O sentido é o mesmo, e conservamos o hebraico como está. Quando a guemará da halachá 9:5 cita esta Mishná com “lá ensinamos”, escreve ainda de outro modo, שִׁיעוּר הַמְלַבֵּן הַמְנַפֵּס וְהַצּוֹבֵעַ וְהַטּוֹוֶה. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná e o segundo é a guemará, que corresponde à seção 01; nenhum segmento foi dividido. O Sefaria abre a guemará com o rótulo “halachá”, que tiramos; conservamos o marcador “ד׳.”, que indica que a guemará trata da quarta Mishná do capítulo. Não há neste trecho sinais editoriais entre colchetes ou parênteses.
Referências conferidas. A Mishná que a seção 01 cita com “lá ensinamos” é a Mishná Shabbat 9:5, traduzida na halachá 9:5: “quem leva para fora lenha, o bastante para cozer um ovo leve”; a guemará cita só o começo, mas a pergunta é sobre a frase das tinturas: “cascas de nozes, cascas de romãs, isatis e puá, o bastante para tingir com elas uma peça de roupa pequena como uma sevachá”, uma rede de cabelo. Na seção 02 da halachá 9:5, a guemará faz a mesma pergunta no sentido inverso, citando a nossa Mishná, e dá a mesma resposta: lá, do que tinge; aqui, do que leva para fora para tingir. O Bavli traz a nossa Mishná em Shabbat 105b, junto com a de quem rasga, e a discute em Shabbat 106a, onde só diz que Rav Yosef mostrava a medida “dobrada” e Rav Chiya bar Ami a mostrava “simples”. A medida do sit dobrado aparece também na Tosefta Shabbat 8:1, na numeração Lieberman (9:1 na outra numeração do Sefaria), para quem tosquia de um animal doméstico, de um animal selvagem ou de uma ave, e na Tosefta Shabbat 9:3, na numeração Lieberman (10:2 na outra numeração do Sefaria), para quem leva para fora algodão, lã de camelo, de lebre e as demais fibras que se fiam: em ambas, “a largura cheia do sit dobrado, é culpado”.
Observações de leitura. A medida do sit é discutida. O Penei Moshe diz que o sit é o vão que a pessoa pode abrir entre o indicador e o dedo médio, e que o sit dobrado é o vão que pode abrir entre o polegar e o indicador; o Korban HaEdá também define o sit como o vão entre o indicador e o dedo médio. Na halachá 7:2 glosamos o sit como “o palmo entre o polegar e o indicador”, e na nota da halachá 9:5 dissemos que é a distância entre o polegar e o indicador abertos; segundo o Penei Moshe, essa é a medida do sit dobrado. Por isso, aqui, glosamos o sit apenas como o vão entre dois dedos abertos. Segundo o Penei Moshe e o Korban HaEdá, quem fia, alveja, carda ou tinge é culpado por um fio do comprimento do sit dobrado, ou pela lã de que se pode fiar um tal fio; e quem tece dois fios é culpado se o tecido tem a largura de um sit, e, segundo o Korban HaEdá, mesmo que não tenha tecido toda a largura do pano. Na seção 01, a guemará estranha que a nossa Mishná exija a medida do sit dobrado para quem tinge, quando a Mishná Shabbat 9:5 se contenta, para as plantas de tingir, com o bastante para tingir uma peça pequena; e responde que lá se fala de quem leva para fora a tintura para tingir, e aqui, de quem tinge. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.
Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na Mishná, Guggenheimer traduz הַמְנַפֵּס como “who beats flax”; seguimos a glosa já usada neste tratado, “o que carda”. Ele traduz o sit por “span” e explica, em nota, que é a distância entre o polegar e o anelar, lembrando que o Kalir o iguala ao palmo de quatro dedos; e traduz a medida de quem tece como “the length of a span”, onde o hebraico diz só “como o sit cheio”, sem “largura” nem “comprimento”. Na seção 01, ele entende, como nós, que a pergunta não é sobre a frase citada, mas sobre a das tinturas; e acrescenta, em nota, que aqui o tecido tingido torna culpado já com três fios do comprimento de um palmo, o que o texto não diz; o texto só diz que são medidas de casos diferentes.