Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Yud-Guimel · Halachá 1 (abertura do capítulo)
שַׁבָּת

HaOreg: quantos fios se devem tecer para ser culpado

Perek Yud-Guimel, HaOreg, Halachá 1 (abertura do capítulo), no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Primeira halachá do Perek Yud-Guimel de Massechet Shabbat, que abre o décimo terceiro capítulo, HaOreg (quem tece). A Mishná traz a discussão de Rabi Eliezer e dos sábios sobre a medida do tecer no Shabat: para Rabi Eliezer, quem tece três fios no começo de um tecido, ou um fio sobre o tecido já começado, é culpado; para os sábios, tanto no começo quanto no fim, a medida é de dois fios. A guemará traz a razão de Rabi Eliezer, dita por Rabi Ula: só com o terceiro fio o trabalho permanece; pergunta se ele pensa como Rabi Yehudá, que em kilayim exige três pontos para unir dois panos, e Rabi Simon distingue as duas leis. Os rabinos de Cesareia perguntam o que é “um sobre o tecido”, e os rabinos daqui respondem; vêm depois o manto grande, a orla e o cinto pequeno da Tosefta. A guemará termina com as letras: quem escreve o nome até completá-lo, a letra que completa o livro, e a discussão de Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre quem escreve uma letra num dia de semana e outra no Shabat, ou uma neste Shabat e outra no seguinte. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 105a.

Abre-se Perek Yud-Guimel de Massechet Shabbat · HaOregהָאוֹרֵג

A Mishná · מַתְנִיתִין

רִבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר הָאוֹרֵג שְׁלשָׁה חוּטִין בַּתְּחִילָּה וְאֶחָד עַל הָאָרִיג חַיָיב. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים בֵּין בַּתְּחִילָּה בֵּין בַּסּוֹף שִׁיעוּרוֹ שְׁנֵי חוּטִין:

Mishná: Rabi Eliezer diz: quem tece três fios no começo de um tecido, e um fio sobre o arig (o tecido já começado), é culpado. E os sábios dizem: tanto no começo quanto no fim do tecido, a sua medida mínima é de dois fios.

A Halachá · הֲלָכָה א

01A razão de Rabi Eliezer: o terceiro fio
Yerushalmi · Shabbat 13:1
רִבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר הָאוֹרֵג כול׳. אָמַר רִבִּי עולָּא. טַעֲמֵיהּ דְּרִבִּי אֱלִיעֶזֶר. עַל יְדֵי שְׁלִישִׁי מְלַאכְתּוֹ מִתְקַיֶימֶת. מַה רִבִּי אֱלִיעֶזֶר כְּרִבִּי יוּדָה. דְּתַנִּינָן תַּמָּן. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר עַד שֶׁיְּשַׁלֵּשׁ. וְהַשַּׂק וְהַקּוּפָּה מִצְטָרְפִין בְּכִלְאַיִם. אָמַר רִבִּי סִימוֹן. טַעֲמֵיהּ דְּרִבִּי אֱלִיעֶזֶר. תַּמָּן עַל יְדֵי שְׁלִישִׁי מְלַאכְתּוֹ מִתְקַיֶימֶת. בְּרַם הָכָא פָּחוֹת מִיכֵּן מִיסְתַּתֵּר הוּא. אַשְׁכָּחַת אָמַר עַל דְּרִבִּי אֱלִיעֶזֶר. פְּעָמִים שְׁלֹשָׁה בַתְּחִילָּה. פְּעָמִים שְׁנַיִם עַל גַּבֵּי אֶחָד אָרוּג מֵאֶתְמוֹל. פְּעָמִים שְׁנַיִם עַל גַּבֵּי אֶחָד אֲרוּגִים מֵאֶתְמוֹל.

“Rabi Eliezer diz: quem tece” etc. Disse Rabi Ula: a razão de Rabi Eliezer é que por meio do terceiro fio o seu trabalho permanece. Acaso Rabi Eliezer pensa como Rabi Yudá? Pois ensinamos lá: “Rabi Yehudá diz: não é conexão até que dê três pontos. E o saco e o cesto se juntam para kilayim (mistura de lã e linho).” Disse Rabi Simon: a razão de Rabi Eliezer, lá, é que por meio do terceiro o seu trabalho permanece; mas aqui, com menos do que isso, ele se desfaz. Acabas por dizer, conforme Rabi Eliezer: às vezes são precisos três no começo; às vezes dois sobre um fio tecido desde ontem; às vezes dois sobre um, tecidos desde ontem.

02Um sobre o tecido: os rabinos de Cesareia e os daqui
Yerushalmi · Shabbat 13:1
רַבָּנִן דְּקַיְסָרִין בְּעָיָין. מָהוּ אֶחַד עַל הָאָרִיג. אֶחָד עַל גַּבֵּי שְׁנַיִם. אֶחָד עַל גַּבֵּי שְׁלֹשָׁה. רַבָּנִן דְּהָכָא אָמְרֵי. אֶחָד עַל גַּבֵּי שְׁנַיִם. הָיְתָה טַלִּית אַחַת גְּדוֹלָה. בַּתְּחִילָּה עַד שֶׁיֶּאֱרוֹג בָּהּ שְׁנַיִם חוּטִין וּבַסּוֹף אֲפִילוּ כָּל שֶׁהוֹא. הָאוֹרֵג שְׁנֵי חוּטִין עַל גַּבֵּי הַגַּב עַל גַּבֵּי אִימְרָא אֲפִילוּ כָּל שֶׁהוֹא חַיָיב. לְמַה הַדָּבָר דּוֹמֶה. לְצִילְצוּל קָטָן שֶׁאָרַג בּוֹ שְׁנֵי חוּטִים עַל רוֹחַב שְׁלֹשָׁה בָתִּים חַיָיב. וּבְנֶפֶשׁ מַסֶּכֶת כְּמָאן דְּהוֹא בַתְּחִילָּה. וְהָהֵן בַּדָּא אֲפִילוּ בְסוֹף כָּאָרִיג הוּא. וְהָהֵן לַסּוֹטָה אֲפִילוּ בְסוֹף כָּאָרִיג הוּא.

Os rabinos de Cesareia perguntam: que é “um sobre o tecido”? Um sobre dois fios? Um sobre três? Os rabinos daqui dizem: um sobre dois. Se havia um único talit (manto) grande: no começo, não é culpado até que teça nele dois fios; e no fim, é culpado mesmo por qualquer quantidade. “Quem tece dois fios sobre o gav (o dorso do tecido), sobre a imrá (a orla), mesmo qualquer quantidade, é culpado. A que se assemelha a coisa? A um pequeno tziltzul (cinto) no qual teceu dois fios na largura de três batim (malhas): é culpado.” E no nefesh massechet (a alma da urdidura), o tecer é como aquele que está no começo. E este badá (um tipo de pano, de sentido incerto), mesmo no fim, é como o tecido. E este lasotá (um tipo de véu, de sentido incerto), mesmo no fim, é como o tecido.

03O nome, a letra que completa e as letras em dias diferentes
Yerushalmi · Shabbat 13:1
הַכֹּל מוֹדִין בְּכוֹתֵב אֶת הַשֵּׁם עַד שָׁעָה שֶׁיַּשְׁלִים. כָּתַב אוֹת אַחַת לְהַשְׁלִים אֶת הַשֵּׁם וְאוֹת אַחַת לְהַשְּׁלִים אֶת הַסֶּפֶר חַיָיב. כָּתַב אוֹת אַחַת בַּחוֹל וְאוֹת אַחַת בַּשַׁבָּת. רִבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵיב חַטָּאת וְרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ פּוֹטֵר. לָמָּה. אוֹ מִשּׁוּם קִיּיוּם מְלָאכָה אוּ מִשּׁוּם שֶׁאֵינוֹ רָאוּי לְהִצְטָרֵף עִמּוֹ. אִיתָא חֲמִי. אִילּוּ אָרַג חוּט אֶחָד בַּחוֹל וְחוּט אֶחָד בַּשַּׁבָּת שֶׁמָּא אֵינוֹ פָטוּר. שֶׁמָּא אֵינוֹ רָאוּי לְהִצְטָרֵף עִמּוֹ. אֶלָּא מִשּׁוּם קִיּיוּם מְלָאכָה. כַּהִיא דְאָמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא רִבִּי יָסָא בְשֵׁם רִבִּי אֶלְעָזָר. כָּתַב אוֹת אַחַת בְּטִיבֵּרִיָּא וְאוֹת אַחַת בְּצִיפֳּרִין חַיָיב. דִּלֹא כֵן כְּרִבִּי אֱלִיעֶזֶר.

Todos concordam, sobre quem escreve o nome, que não é culpado até a hora em que o completa. “Se escreveu uma letra para completar o nome, e uma letra para completar o livro, é culpado.” Se escreveu uma letra num dia de semana e uma letra no Shabat, Rabi Eliezer o torna culpado de uma chatat (oferta de expiação), e Rabi Yehoshua o isenta. Por quê? Ou por causa da permanência do trabalho, ou porque a letra nova não é apta a juntar-se com a antiga? Vem e vê: se tecesse um fio num dia de semana e um fio no Shabat, porventura não seria isento? Porventura não é apto a juntar-se com ele? Antes, a razão é por causa da permanência do trabalho, como aquilo que disse Rabi Yaakov bar Achá, Rabi Yassa em nome de Rabi Elazar: se escreveu uma letra em Tveria e uma letra em Tzipori, é culpado. Pois, se não fosse assim, essa palavra seria conforme Rabi Eliezer.

כָּתַב אוֹת אַחַת בַּשַׁבָּת זוֹ וְאוֹת אַחַת בַּשַׁבָּת הַבָּאָה. רִבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵיב חַטָּאת וְרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ פּוֹטֵר. אִתָא חֲמִי. אִילּוּ כָתַב אוֹת אַחַת בַּחוֹל וְאוֹת אַחַת בַּשַׁבָּת. רִבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵיב חַטָּאת. בֵּין בַּשַּׁבָּת זוֹ בֵין בַּשַּׁבָּת הַבָּאָה לֹא כָל שֶׁכֵּן. מִפְּנֵי חֲכָמִים שֶׁהֵן פֹטְורִין.

“Se escreveu uma letra neste Shabat e uma letra no Shabat seguinte, Rabi Eliezer o torna culpado de uma chatat, e Rabi Yehoshua o isenta.” Vem e vê: se escreveu uma letra num dia de semana e uma letra no Shabat, Rabi Eliezer o torna culpado de uma chatat; se escreveu tanto neste Shabat quanto no Shabat seguinte, não é culpado com mais razão? A baraita foi ensinada por causa dos sábios, que o isentam.

Nota

Esta é a primeira halachá do Perek Yud-Guimel de Massechet Shabbat, HaOreg, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 13:1 da Mishná avulsa, que vai de “Rabi Eliezer diz: quem tece três fios no começo” até “a sua medida é de dois fios”, como antecipou a nota final da halachá 12:6. A Mishná seguinte, Shabbat 13:2, que começa com “quem faz dois liços” (הָעוֹשֶׂה שְׁנֵי בָתֵּי נִירִין), é a da halachá 13:2. Há uma diferença de leitura: o Yerushalmi diz “e um sobre o tecido” no masculino (וְאֶחָד עַל הָאָרִיג), onde a Mishná avulsa e a Mishná do Bavli, em Shabbat 105a, dizem “e uma” no feminino (וְאַחַת); o sentido é o mesmo, um fio. As demais diferenças são de grafia: o Yerushalmi escreve רִבִּי, בַּתְּחִילָּה, שִׁיעוּרוֹ e חַיָיב, onde a avulsa escreve רַבִּי, בַּתְּחִלָּה, שִׁעוּרוֹ e חַיָּב. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná, e os três seguintes são a guemará; cada seção numerada corresponde a um desses segmentos, de modo que a seção 01 é o segundo segmento e a seção 03 é o quarto. O quarto segmento, que é longo, foi dividido em dois pares de hebraico e português dentro da mesma seção 03. O Sefaria abre a guemará com o rótulo “halachá”, e marca, no início da seção 01, a coluna 14a da edição de Veneza; no fim da seção 01, o início da folha 71b da edição de Vilna; e, no segundo par da seção 03, o início da folha 72a de Vilna; tiramos esses marcadores, que não fazem parte do texto. Não há neste trecho sinais editoriais entre colchetes ou parênteses. O hebraico escreve עולָּא sem sinal vocálico no vav, אֶחַד com patach na seção 02, לְהַשְּׁלִים com daguesh no shin e אוּ por “ou” na seção 03; conservamos o hebraico como está.

Referências conferidas. A seção 01 tem paralelo no Yerushalmi Kilayim 9:6, na numeração do Sefaria (Guggenheimer a cita como Kilaim 9:7), onde as falas estão invertidas: lá, Rabi Simon dá a razão de “Rabi Yossi”, que por meio do terceiro ponto o trabalho permanece; pergunta-se se Rabi Yudá pensa como Rabi Liezer, e é Rabi Ula quem diz: “a razão de Rabi Liezer, lá, é que por meio do terceiro o seu trabalho permanece; mas aqui, com menos do que isso, ele se desfaz”. A citação “ensinamos lá” é da Mishná Kilayim 9:10: um só ponto não une dois panos, e, se os dois extremos do fio ficam do mesmo lado, une; “Rabi Yehudá diz: até que dê três”; e “o saco e o cesto se juntam para kilayim”. A baraita do manto e da orla está na Tosefta Shabbat 12:1, na numeração Lieberman: “quem tece dois fios sobre o gas e sobre a imrá é culpado; Rabi Eliezer diz: mesmo um”; e “a que se assemelha? A um pequeno cinto em que teceu dois fios na largura de três malhas”; a Tosefta lê “gas” (הַגַּס), a parte grossa, onde o Yerushalmi lê “gav”, “dorso”, e não tem “mesmo qualquer quantidade”. No Bavli, a Mishná está em Shabbat 105a, e a guemará traz duas baraitot: uma, “quem tece três fios no começo e um sobre o tecido é culpado”, que segue Rabi Eliezer, com “dois fios na largura de três liços” na borda, “como quem tece um pequeno cinto”; e outra, “quem tece dois fios sobre o gas e sobre a imrá é culpado; Rabi Eliezer diz: mesmo um”, que segue os sábios. O ensino “uma letra para completar o livro” está na Tosefta Shabbat 11:7, na numeração Lieberman: “se escreveu uma letra e completou o nome, uma letra e completou o livro, é culpado”; e a mesma Tosefta diz que, se três pessoas escreveram cada uma uma letra, “mesmo o nome inteiro, mesmo o livro inteiro”, são isentas. No Bavli Shabbat 104b, ensina-se: “escreveu uma letra e completou com ela o livro, teceu um fio e completou com ele a roupa, é culpado”; Rava bar Rav Huna atribui o ensino a Rabi Eliezer, “que diz: um sobre o tecido, é culpado”, e Rav Ashi diz que pode ser até dos sábios, porque completar é diferente. Na mesma folha, Rabi Ami diz que quem escreve uma letra em Tveria e outra em Tzipori é culpado. A palavra de Rabi Yaakov bar Achá está na halachá 12:4 deste tratado. Em Keritot 17a, o Bavli traz a baraita “quem escreve duas letras em dois Shabatot, uma letra num Shabat e uma letra em outro, Rabi Eliezer o torna culpado”, e cita a nossa Mishná. Na seção 02, “lasotá” é a palavra com que o Yerushalmi Shabbat 6:4, na numeração do Sefaria, explica os redidim, os véus de Yeshayahu 3:23; Guggenheimer remete a “capítulo 4, nota 45”, e o lugar é o capítulo 6, e corrigimos. A palavra “massechet” vem de Shoftim 16:13, “se teceres as sete tranças da minha cabeça com a massechet”.

Observações de leitura. Na seção 01, a razão de Rabi Eliezer é que, no começo, o tecido só permanece com o terceiro fio; com menos, os fios se soltam. A pergunta é se ele pensa como Rabi Yehudá, que em kilayim exige três pontos para unir o pano de lã ao de linho. A resposta de Rabi Simon diz “lá” do Shabat e “aqui” de kilayim, porque o trecho vem do Yerushalmi Kilayim, como observa Guggenheimer: no Shabat, o terceiro fio torna o trabalho permanente; em kilayim, com menos de três pontos, a costura se desfaz sozinha e não une os panos; são duas razões diferentes. O hebraico escreve aqui “Rabi Yudá” (יוּדָה) na pergunta e “Rabi Yehudá” (יְהוּדָה) na citação; seguimos o hebraico. A última frase, “às vezes dois sobre um, tecidos desde ontem”, repete a anterior com o particípio no plural; o Korban HaEdá e o Penei Moshe corrigem para “às vezes um sobre dois tecidos desde ontem”, que é o caso de “um sobre o tecido”, e Guggenheimer diz que essa é a leitura do Rashba; traduzimos o hebraico como está. Na seção 02, os rabinos de Cesareia perguntam se, para Rabi Eliezer, “um sobre o tecido” é um fio sobre dois ou só sobre três, e os rabinos daqui, que o Korban HaEdá entende como os da Terra de Israel e Guggenheimer como os de Tiberíades, respondem: um sobre dois. O manto grande segue os sábios, segundo os comentaristas: no começo são precisos dois fios, e, no fim, quem o completa é culpado por qualquer quantidade, porque completa o trabalho. O sentido das palavras finais é incerto. “Nefesh massechet”, literalmente “a alma da urdidura”, é para o Penei Moshe a trama, que corre dentro da urdidura como a alma dentro do corpo; Guggenheimer lê “nefesh” como o árabe para “lã” e traduz “urdidura de lã”. “Badá” e “lasotá” são, para Guggenheimer, um pano e um véu; o Korban HaEdá lê “levadá”, “os feltros”. “É como o tecido” é entendido de modos opostos: para o Korban HaEdá e o Penei Moshe, mesmo no fim valem as medidas do começo; para Guggenheimer, mesmo no fim basta um fio, como sobre o tecido; por isso não acrescentamos nada à frase.

Na seção 03, “o nome” traduz הַשֵּׁם, como na halachá 12:5; Guggenheimer traduz “a word”, uma palavra, e o Korban HaEdá só diz que não é culpado até completá-lo inteiro; o sentido de “nome” aqui não é certo; seguimos Guggenheimer (“a word”) e a Tosefta, onde השם é um nome qualquer, e não o Nome divino. A pergunta “por quê?” é sobre Rabi Yehoshua: ele isenta quem escreve uma letra no dia de semana e outra no Shabat, ou porque o trabalho tem de permanecer inteiro no Shabat, ou porque a letra nova, escrita em outro tempo, não se junta bem com a antiga. A guemará responde com o tecer: o fio tecido hoje junta-se ao de ontem sem que se veja a diferença, e mesmo assim os sábios isentam; logo, a razão é a permanência do trabalho no Shabat. A palavra de Rabi Yaakov bar Achá, que torna culpado quem escreve uma letra em Tveria e outra em Tzipori, mostra que a distância não impede a junção, e, segundo o Penei Moshe, se a razão fosse a junção, essa palavra só valeria para Rabi Eliezer. A baraita das letras em dois Shabatot parece desnecessária para Rabi Eliezer, que já torna culpado quem escreve uma letra no dia de semana; a guemará responde que foi ensinada por causa dos sábios, para ensinar que eles isentam mesmo quando as duas letras são escritas em Shabat. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Na seção 02, Guggenheimer traduz “nefesh massechet” por “woolen warp” e “badá” por “cloth”; seguimos o hebraico, com as glosas acima. Na seção 03, ele traduz “ou uma letra para completar o livro”; o hebraico diz “e uma letra” (וְאוֹת אַחַת), e assim traduzimos. Ele escreve “Rebbi Ulla”, “Rebbi Jehudah”, “Rebbi Joshua”, “Rebbi Jacob bar Aḥa”, “Rebbi Yasa”, “Rebbi Eleazar”, “Tiberias” e “Sepphoris”; mantivemos “Rabi Ula”, “Rabi Yehudá”, “Rabi Yehoshua”, “Rabi Yaakov bar Achá”, “Rabi Yassa”, “Rabi Elazar”, “Tveria” e “Tzipori”, como nas outras halachot do Yerushalmi deste site, e em especial na halachá 12:4, onde a mesma palavra de Rabi Yaakov bar Achá aparece. Ele traduz “chatat” por “purification sacrifice”; mantivemos a glosa das halachot anteriores deste tratado, “oferta de expiação”.

Com esta halachá, abre-se o Perek Yud-Guimel de Massechet Shabbat, HaOreg (הָאוֹרֵג).