Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Yud-Alef · Halachá 5
שַׁבָּת

Quem lança do mar para a terra seca e os barcos amarrados

Perek Yud-Alef, HaZorek, Halachá 5, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat

Quinta halachá do Perek Yud-Alef de Massechet Shabbat, HaZorek. A Mishná ensina que quem lança um objeto do mar para a terra seca, ou da terra seca para o mar, ou entre o mar e o barco, ou de um barco para outro, é isento; e que de um barco para outro, quando estão amarrados, se pode transportar, mas não quando estão soltos, ainda que cercados. A guemará diz, com Abba bar Rav Chuna, que basta amarrá-los com junco, e, com Rabi Yossi beRabi Bun, que é preciso fazer o eruv; discute a distância entre os barcos e a sua altura de dez palmos; traz a baraita do barco no mar, cuja inconsistência Rabi Avun explica pelo perigo; compara a rocha no mar com o barco, que sobe e desce; e termina com a tábua que Rav Hamnuna permite fora do barco. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 100b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הַזּוֹרֵק מִן הַיָּם לַיַּבָּשָׁה וּמִן הַיִּבָּשָׁה לַיָּם וּמִן הַיָּם לַסְּפִינָה וּמִן הַסְּפִינָה לַיָּם וּמִן הַסְּפִינָה לַחֲבֶירְתָּהּ פָּטוּר. סְפִינוֹת קְשׁוּרוֹת זוֹ בָזוֹ מְטַלְטְלִין מִזּוֹ לָזוֹ אִם אֵינָן קְשׁוּרוֹת אַף עַל פִּי שֶׁמּוּקָּפוֹת אֵין מְטַלְטְלִין מִזּוֹ לָזוֹ:

Mishná: Quem lança um objeto do mar para a terra seca, e da terra seca para o mar, e do mar para dentro do barco, e do barco para dentro do mar, e de um barco para o seu companheiro, é isento. Barcos que estão amarrados um ao outro: transportam-se objetos de um para o outro. Se os barcos não estão amarrados, ainda que estejam cercados, não se transportam objetos de um para o outro.

A Halachá · הֲלָכָה ה

01Barcos amarrados com junco
Yerushalmi · Shabbat 11:5
ה׳. אַבָּא בַּר רַב חוּנָא אָמַר. בִּקְשׁוּרוֹת בְּגָמֵי. רִבִּי יוֹסֵי בֵירִבִּי בּוּן אָמַר. וְהֵן שֶׁעֵירִיבוּ.

Abba bar Rav Chuna disse: trata-se de barcos amarrados com junco. Rabi Yossi beRabi Bun disse: e desde que os seus donos tenham feito eruv (a junção dos domínios).

רִבִּי חִיָיה רִבִּי אִימִּי תְּרֵיהוֹן בְּשֵׁם רִבִּי לָעְזָר. חַד אָמַר. בְּשֶׁאֵין בֵּינֵיהֶן רוֹחַב אַרְבַּע. וְחוֹרָנָה אָמַר. אֲפִילוּ יֵשׁ בֵּינֵיהֶן רוֹחַב אַרְבַּע. וְלָא יָדְעִין מָאן אֲמַר דָא וּמָאן אֲמַר דָא. מִן מַה דְאָמַר רִבִּי יוּסֵה רִבִּי יַעֲקֹב בַּר זַבְדִּי רִבִּי חִיָיה בְשֵׁם רִבִּי אֶלְעָזָר. אֲפִילוּ אֵינָן גְבוֹהוֹת עֲשָׂרָה. הֲוֵוי דוּ אָמַר. בְּשֶׁאֵין בֵּינֵיהֶן רוֹחַב אַרְבָּעָה.

Rabi Chiya e Rabi Imi, ambos em nome de Rabi Elazar: um disse: quando não há entre eles uma distância de quatro palmos de largura; e o outro disse: mesmo quando há entre eles quatro palmos de largura. E não sabemos quem disse isto e quem disse aquilo. Pelo que disse Rabi Yossi, Rabi Yaakov bar Zavdi, Rabi Chiya em nome de Rabi Elazar, que é permitido mesmo quando os barcos não são altos dez palmos, conclui-se que é ele quem diz: quando não há entre eles quatro palmos de largura.

02Dez palmos de altura e quatro de distância
Yerushalmi · Shabbat 11:5
הֲווֹן בָּעֵיי מֵימַר. מָאן דְּאָמַר. בְּשֶׁאֵין בֵּינֵיהֶן רוֹחַב אַרְבָּעָה אֲפִילוּ אֵינָן גְבוֹהוֹת עֲשָׂרָה. מָאן דְּאָמַר. גְּבוֹהוֹת עֲשָׂרָה אֲפִילוּ יֵשׁ בֵּינֵיהֶן רוֹחַב אַרְבַּע. אָמַר רִבִּי חֲנַנְיָה בְרֵיהּ דְּרִבִּי הִילֵּל. וְהוּא שֶׁיְּהֵא כָל אֲוֵיר כַּרְמְלִית בְּתוֹךְ עֲשָׂרָה.

Queriam dizer: quem disse: quando não há entre eles quatro de largura, permite mesmo quando não são altos dez; quem disse: quando são altos dez, permite mesmo quando há entre eles quatro de largura. Disse Rabi Chananiá, filho de Rabi Hilel: e desde que todo o ar da karmelit (domínio intermediário) esteja dentro de dez.

03O barco no mar e o perigo
Yerushalmi · Shabbat 11:5
סְפִינָה שֶׁבַּיָּם גְּבוֹהָה עֲשָׂרָה טְפָחִים אֵין מְטַלְטְלִין מִתּוֹכָהּ לַיָּם וְלֹא מִן הַיָּם לְתוֹכָהּ. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר. אִם הָיְתָה עֲמוּקָה מִן הַמַּיִם עֲשָׂרָה טְפָחִים וְאֵינָהּ גְּבוֹהָה מִן הַמַּיִם עֲשָׂרָה טְפָחִים מְטַלְטְלִין מִתּוֹכָהּ לַיָּם. אֲבָל לֹא מִן הַיָּם לְתוֹכָהּ.

Um barco que está no mar, alto dez palmos: não se transporta nada de dentro dele para o mar, nem do mar para dentro dele. Rabi Yehudá diz: se o barco era fundo dez palmos abaixo da água, e não é alto dez palmos acima da água, transporta-se algo de dentro dele para o mar, mas não se transporta do mar para dentro dele.

רִבִּי אַבָּהוּ אָמַר. רִבִּי יוֹחָנָן בָעֵי. וְלָמָּה מִתּוֹכָהּ לַיָּם מוּתָּר. מִפְּנֵי שֶׁאֵינָהּ גְּבוֹהָה עֲשָׂרָה. אִין כֵּינִי. אֲפִילוּ מִן הַיָּם לְתוֹכָהּ. וְלָמָּה מִן הַיַּם לְתוֹכָהּ אָסוּר. מִפְּנֵי שֶׁהִיא עֲמוּקָה עֲשָׂרָה. אִין כֵּינִי. אֲפִילוּ מִתּוֹכָהּ לַיָּם. אָמַר רִבִּי אָבוּן. וְלָמָּה מִתּוֹכָהּ לַיָּם מוּתָּר. מִפְּנֵי סַכָּנָה.

Rabi Abahu disse: Rabi Yochanan perguntou: e por que transportar de dentro dele para o mar é permitido? Porque o barco não é alto dez palmos. Se é assim, seria permitido mesmo do mar para dentro dele! E por que transportar do mar para dentro dele é proibido? Porque o barco é fundo dez palmos. Se é assim, seria proibido mesmo de dentro dele para o mar! Disse Rabi Avun: e por que transportar de dentro dele para o mar é permitido? Por causa do perigo.

04A rocha no mar
Yerushalmi · Shabbat 11:5
סֶלַע שֶׁבַּיָּם גָּבוֹהַּ עֲשָׂרָה טְפָחִים אֵין מְטַלְטְלִין מִתּוֹכָהּ לַיָּם וְלֹא מִן הַיָּם לְתוֹכָהּ. פָּחוּת מִיכֵּן מוּתָּר. מַה בֵין סֶלַע וּמַה בֵין סְפִינָה. סְפִינָה עוֹלָה וְיוֹרֶדֶת. סֶלַע בִּמְקוֹמָהּ הִיא. וְלֹא כַרְמְלִית הִיא. כְּלוּם הוּא מוּתָּר לְטַלְטֵל בְּכַרְמְלִית אֶלָּא בְאָרְבַּע אַמּוֹת.

Uma rocha que está no mar, alta dez palmos: não se transporta nada de cima dela para o mar, nem do mar para cima dela. Se é menos do que isso, é permitido. Que diferença há entre a rocha e o barco? O barco sobe e desce com as águas; a rocha está sempre no seu lugar. Mas, se é menos de dez palmos, ela não é karmelit? Acaso é permitido transportar na karmelit senão dentro de quatro côvados?

אָמַר רִבִּי אִילָא. עַל רֹאשָׁהּ. סֶלַע שֶׁבַּיָּם גָּבוֹהַּ עֲשָׂרָה טְפָחִים אֵין מְטַלְטְלִין מִתּוֹכָהּ לַיָּם וְלֹא מִן הַיָּם לְתוֹכָהּ. יוֹתֵר מִיכֵּן נַעֲשִׂית כִּמְחִיצָה שֶׁהוּקְּפָה זְרָעִים שֶׁאֵין מוּתָּר לְטַלְטֵל בָּהּ אֶלָּא בְאַרְבַּע אַמּוֹת. פָּחוּת מִיכֵּן מְטַלְטְלִין מִתּוֹכָהּ לַיָּם וּמִן הַיָּם לְתוֹכָהּ וּמְטַלְטְלִין בָּהּ עַד בֵּית סְאָתַיִם.

Disse Rabi Ila: refere-se ao seu topo. Uma rocha que está no mar, alta dez palmos: não se transporta nada de cima dela para o mar, nem do mar para cima dela. Se é mais do que isso, torna-se como um cercado que foi cercado para semeaduras, no qual não é permitido transportar senão dentro de quatro côvados. Se é menos do que isso, transporta-se de cima dela para o mar e do mar para cima dela, e transporta-se sobre ela até uma área de beit seatayim (área de duas seá).

רִבִּי בּוּן בַּר חִיָיה בָעֵי. מֵעַתָּה שְׁתֵּי כַרְמְלִיּוֹת סְמוּכוֹת זוֹ לְזוֹ מְטַלְטְלִין מִזּוֹ לְזוֹ. אָמַר רִבִּי חֲנַנְיָה בְרֵיהּ דְּרִבִּי הִילֵּל. מִכֵּיוָן שֶׁהַיָּם מַקִּיפָהּ מִכָּל צַד כְּמִי שֶׁכּוּלָּה כַּרְמְלִית אַחַת.

Rabi Bun bar Chiya perguntou: sendo assim, se há duas karmeliot (domínios intermediários) vizinhas uma da outra, transporta-se algo de uma para a outra? Disse Rabi Chananiá, filho de Rabi Hilel: uma vez que o mar a cerca de todos os lados, a rocha é como se toda ela fosse uma só karmelit.

05A tábua fora do barco
Yerushalmi · Shabbat 11:5
רַב הַמְנוּנָא אָמַר. נֶסֶר שֶׁהוּא חוּץ לַסְּפִינָה וְאֵין בּוֹ רוֹחַב אַרְבַּע מוּתָּר לֵישֵׁב בּוֹ וְלַעֲשׂוֹת צְרָכָיו בַּשַּׁבָּת. אָמַר רִבִּי מָנָא. אִילּוּ אָמַר. תֵּיבָה פְּחוּתָה. יֵאוּת.

Rav Hamnuna disse: uma tábua que está fora do barco e não tem quatro palmos de largura, é permitido a alguém sentar nela e fazer as suas necessidades no Shabat. Disse Rabi Mana: se ele tivesse dito tevá pechutá (uma caixa vazada), teria dito bem.

אָמַר רִבִּי אָבוּן. מָאן דְּבָעֵי מֵיעֲבֲד תַּקָּנָה לְאִילְפָא. מוֹצִיא נֶסֶר חוּץ לִשְׁלֹשָׁה שֶׁאֵין בּוֹ רוֹחַב אַרְבָּעָה וְאַתְּ רוֹאֶה אֶת הַמְחִיצוֹת כְּאִילּוּ עוֹלוֹת. רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְשֵׁם רַב הַמְנוּנָא. שֶׁכָּל שֶׁלֹשָׁה וּשְׁלֹשָׁה שֶׁהֵן סְמוּכִין לִמְחִיצָה כִּמְחִיצָה הֵן. רִבִּי יִצְחָק בֵּירִבִּי אֶלְעָזָר מְפַקֵּד לְרִבִּי הוֹשַׁעְיָה בֵּירִבִּי שַׁמַּי דַהֲוָה פָרִישׂ. מֵיעֲבִיד לֵיהּ סַל פָּחוּת.

Disse Rabi Avun: quem quer fazer um arranjo para o barco estende para fora uma tábua a três palmos, que não tem quatro palmos de largura, e tu vês as divisórias do barco como se subissem. Rabi Yaakov bar Acha em nome de Rav Hamnuna: pois quaisquer três palmos que estão junto a uma divisória são como a divisória. Rabi Yitzchak beRabi Elazar ordenou a Rabi Hoshaya beRabi Shamai, que era navegante, que fizesse para si um sal pachut (um cesto vazado).

Nota

Esta é a quinta halachá do Perek Yud-Alef de Massechet Shabbat, HaZorek, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 11:5 da Mishná avulsa, que vai de “hazorek min hayam layabashá”, “quem lança do mar para a terra seca”, até “se não estão amarrados, ainda que estejam cercados, não se transporta de um para o outro”. A Mishná seguinte, Shabbat 11:6, “quem lança e se lembra depois que o objeto saiu da sua mão”, é a da halachá 11:6. No Bavli, esta Mishná está em Shabbat 100b, e a discussão começa ali mesmo, seguindo até 101b. Há pequenas diferenças de grafia entre o Yerushalmi e a Mishná avulsa: o Yerushalmi escreve a segunda vez “hayibashá”, com chirik sob o yod, onde a Mishná avulsa escreve “hayabashá”, como na primeira vez; escreve “lachaveirtah”, “para o seu companheiro”, com yod, e “shemukafot”, “que estão cercados”, com shuruk e vav; o sentido é o mesmo. No hebraico do Sefaria, o primeiro segmento é a Mishná, e os cinco seguintes são a guemará; cada seção numerada corresponde a um desses segmentos, de modo que a seção 01 é o segundo segmento e a seção 05 é o sexto. Guggenheimer chama esta Mishná de “Mishná 6”, na sua numeração, e anota que a guemará trata só da segunda frase, a dos barcos amarrados.

Referências conferidas. Em Shabbat 101b, Rava diz que a frase dos barcos amarrados vem permitir o pequeno barco que está entre eles, e Rav Safra responde que vem ensinar que se faz o eruv e se transporta de um para o outro, e cita a baraita: barcos amarrados um ao outro, faz-se o eruv e transporta-se de um para o outro; se se separaram, ficam proibidos; se voltaram a ser amarrados, voltam à permissão anterior. Ali também Shmuel diz: mesmo amarrados com um fio de “sarbal”, uma veste; é o paralelo mais próximo de Abba bar Rav Chuna, na seção 01, que permite barcos amarrados com junco. Guggenheimer remete aqui à declaração de Rav Huna em Shabbat 100b; mas o que Rav Huna diz ali é outra coisa: do barco se estende uma saliência de qualquer tamanho e se tira água, enquanto Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna dizem que é preciso fazer um lugar de quatro palmos. Esse é o paralelo da seção 05, onde no Yerushalmi é Rav Hamnuna quem fala da tábua fora do barco; no Bavli, a questão é a de tirar água, e não a das necessidades. A Tosefta Shabbat 10:15, na numeração de Lieberman, traz a mesma baraita dos barcos amarrados: “faz-se o eruv e transporta-se de um para o outro”. A baraita da seção 03 é a Tosefta Shabbat 10:14, na numeração de Lieberman, e está também no Bavli, em Shabbat 100b e 101a, onde a mesma contradição é notada: transportar de dentro do barco para o mar também é transportar de domínio privado para karmelit; e o Bavli conclui que se trata de despejar a água servida pela parede do barco, e que a força de quem despeja na karmelit não foi proibida. A primeira frase da seção 04 está na Tosefta Shabbat 10:12, na numeração de Lieberman, com um acréscimo: “contanto que seja como um beit seatayim”. A Tosefta Shabbat 10:13 traz a mesma lista da nossa Mishná, do mar para a terra seca e de um barco para outro.

Observações de leitura. O mar é karmelit, por isso quem lança entre o mar e a terra, ou entre o mar e o barco, é isento. Na seção 01, “quatro” aparece nas duas primeiras vezes na forma feminina, “arba”, e na última na masculina, “arbaá”; Guggenheimer entende que em todas se trata de palmos, e não de côvados, e assim traduzimos. A conclusão “é ele quem diz” deduz que Rabi Elazar, que permite mesmo quando os barcos não são altos dez palmos, é o que exige que a distância entre eles seja de menos de quatro palmos, de modo que formam um só domínio. A seção 02 propõe a explicação contrária: quem permite com quatro palmos de distância fala de barcos altos dez palmos; e Rabi Chananiá, filho de Rabi Hilel, acrescenta que todo o ar da karmelit deve estar dentro de dez palmos, isto é, acima disso já não é karmelit. Na seção 03, Rabi Yochanan aponta a inconsistência da opinião de Rabi Yehudá, e Rabi Avun responde que se permite de dentro do barco para o mar por causa do perigo; Guggenheimer explica que se trata de despejar a água do barco, o que é necessário para a vida de quem está nele. Na seção 04, “de cima dela” traduz “mitochah”, literalmente “de dentro dela”, dito aqui de uma rocha. “Al roshah”, a resposta de Rabi Ila, traduzimos “refere-se ao seu topo”; Guggenheimer entende “it refers to the beginning”, à primeira frase. A frase “torna-se como um cercado que foi cercado para semeaduras” Guggenheimer considera contrária ao resto da passagem e propõe apagá-la; mantivemos o hebraico. A resposta de Rabi Chananiá diz que a rocha baixa, cercada pelo mar, é uma só karmelit com ele. Na seção 05, “fazer as suas necessidades” é, segundo Guggenheimer, aliviar-se; “tevá pechutá” e “sal pachut” traduzimos “caixa vazada” e “cesto vazado”, isto é, um recipiente com parte aberta, pelo qual se pode fazer as necessidades com privacidade; “pachut” é literalmente “diminuído”. “A três palmos” traduz “chutz lishloshá”, literalmente “fora de três”; o princípio citado em nome de Rav Hamnuna, de que o que está a menos de três palmos de uma divisória conta como a divisória, faz a tábua contar como parte do barco. “Ilfa” é o barco, em aramaico; “parish”, “navegante”. As palavras em itálico são a nossa leitura para completar a frase.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer traduz “bigmi” por “with bast”; traduzimos “com junco”. Ele escreve “Rebbi Eleazar” nas duas vezes, onde o hebraico escreve primeiro “Rabi Lazar” e depois “Rabi Elazar”; traduzimos ambos por “Rabi Elazar”. Escreve “Rebbi Yose, Rebbi Jacob bar Zavdi, Rebbi Ḥiyya” e “Rebbi Ḥananiah the son of Rebbi Hillel”; mantivemos “Rabi Yossi, Rabi Yaakov bar Zavdi, Rabi Chiya” e “Rabi Chananiá, filho de Rabi Hilel”, como nas outras halachot do Yerushalmi deste site. Escreve “Rebbi Abun” e “Rebbi Abun bar Ḥiyya”, onde o hebraico diz “Rabi Avun” e “Rabi Bun bar Chiya”, e “Rebbi Hoshaia ben Rebbi Shammai”, que escrevemos “Rabi Hoshaya beRabi Shamai”. Ele traduz “tevá pechutá” por “an open box” e “sal pachut” por “a deficient container”. A glosa de karmelit, “domínio intermediário”, e a de eruv, “a junção dos domínios”, são as mesmas das halachot anteriores deste tratado; a de beit seatayim, “área de duas seá”, é a mesma do Bavli Eruvin 21a deste site.