Talmud Yerushalmi · Massechet Shabbat · Perek Yud · Halachá 6 (última do perek)
שַׁבָּת

As unhas, as tranças e o vaso perfurado

Perek Yud, HaMatznia, Halachá 6, no Talmud Yerushalmi, Massechet Shabbat — encerramento do capítulo

Sexta e última halachá do Perek Yud de Massechet Shabbat, HaMatznia. A Mishná ensina que quem tira as suas unhas uma com a outra, ou com os dentes, e assim também quem arranca o cabelo, o bigode ou a barba, e a mulher que trança o cabelo, que pinta os olhos ou que pinta o rosto, segundo Rabi Eliezer está obrigado a trazer uma chatat, e segundo os sábios faz algo proibido só por shevut; e que quem arranca uma planta de um vaso perfurado é culpado, e de um vaso sem furo é isento, enquanto Rabi Shimon isenta nos dois casos. A guemará limita a disputa a quem tira as próprias unhas; Rav exige um instrumento de cortar para haver culpa; Rabi Yossi ben Chanina diz que a trança é construir, o kohl é escrever e a pintura é tingir, e Rabi Zeira pergunta se a trança não seria antes tecer; traz-se a regra de pureza das cintas e das tranças dos animais; Yitzchak bar Orion diz que Rabi Shimon concorda quando se arranca em frente ao furo; e a guemará lembra as outras leis em que o vaso perfurado difere do que não tem furo, até a pureza das sementes que a Torá ampliou. Com ela se encerra o Perek Yud, HaMatznia; o tratado continua no Perek Yud-Alef, HaZorek. O Bavli discute esta mesma Mishná em Shabbat 94b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הַנּוֹטֵל צִפָּרְנָיו זוֹ בָזוֹ אוֹ בְשִׁינָּיו וְכֵן שְׂעָרוֹ וְכֵן שְׂפָמוֹ וְכֵן זְקָנוֹ וְכֵן הַגּוֹדֶלֶת וְכֵן הַכּוֹחֶלֶת וְכֵן הַפּוֹקֶסֶת רִבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵיב חַטָּאת. וַחֲכָמִים אוֹמְרִין מִשּׁוּם שְׁבוּת. הַתּוֹלֵשׁ מֵעָצִיץ נָקוּב חַיָיב וְשֶׁאֵינוֹ נָקוּב פָּטוּר. וְרִבִּי שִׁמְעוֹן פּוֹטֵר בָּזֶה וּבָזֶה:

Mishná: Quem tira as suas unhas uma com a outra, ou com os seus dentes, e assim também quem arranca o seu cabelo, e assim também o seu bigode, e assim também a sua barba; e assim também a que trança o cabelo, e assim também a que pinta os olhos, e assim também a pokeset (a que pinta o rosto): Rabi Eliezer obriga a trazer uma chatat (oferenda pelo pecado); e os sábios dizem: é proibido por causa de shevut (descanso ordenado pelos sábios). Quem arranca uma planta de um atzitz nakuv (vaso de plantas perfurado) é culpado; e de um que não é perfurado, é isento. E Rabi Shimon isenta neste e naquele caso.

A Halachá · הֲלָכָה ו

01As unhas, a trança, o kohl e a pintura
Yerushalmi · Shabbat 10:6
ז׳. רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי חֲנִינָה. מַה פְלִיגִין. בְּשֶׁנְּטָלָן הוּא. אֲבָל אִם נְטָלָן אַחֵר מָאוּסִין הֵן. דִּבְרֵי חֲכָמִים. רִבִּי אָחָא רִבִּי נָחוּם בְּשֵׁם רַב. לְעוֹלָם אֵינוֹ חַיָיב עַד שֶׁיִּטְלֶנּוּ בִקְרֶסְטֶל.

Rabi Abahu disse em nome de Rabi Yossi beRabi Chanina: em que discordam Rabi Eliezer e os sábios? Quando foi ele que as tirou. Mas, se outro as tirou, as unhas são repugnantes, e valem as palavras dos sábios. Rabi Achá, Rabi Nachum em nome de Rav: jamais é culpado, até que tire a unha com um kerestel (instrumento de cortar).

רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בֶּן חֲנִינָה. הַגּוֹדֶלֶת חַיֶיבֶת מִשּׁוּם בּוֹנֶה. וְאַתְיא כְּהַהִיא דְאָמַר רִבִּי יוֹחָנָן בְּשֵׁם רִבִּי בְּנָיָיה. בְּאַתְרִין צְוָוחִין לַקַּלְעִיתָא בָּנִיָיתָא. אָמַר רִבִּי זְעוּרָא. לֹא מִסְתַּבְּרָא דְלָא מִשׁוּם אֲרִיג. מִחְלְפָא שִׁיטָּתֵיהּ דְּרִבִּי זְעוּרָא. דְּתַמָּן אָמַר רִבִּי זְעוּרָא רִבִּי חִיָיה בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. הָקּוֹלֵעַ שָׁלֹשׁ נֵימִין בָּאָדָם חַיָיב מִשׁוּם אֲרִיג. אָמַר רִבִּי זְעוּרָא. לֹא טְוִוי וַאֲרִיג הוּא. וְהָכָא הוּא אָמַר הָכֵין. כָּאן בִּמְרוּבָּה וְכָאן בִּמְמוּעַט.

Rabi Abahu disse em nome de Rabi Yossi ben Chanina: a que trança o cabelo é culpada por causa de boné (o construir). E isto vem conforme aquilo que disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Benaia: em nossos lugares chamam à trança baniyata (construção). Disse Rabi Zeira: não parece razoável que seja senão por causa de arig (o tecer). A posição de Rabi Zeira se inverte, pois lá disse Rabi Zeira: Rabi Chiya disse em nome de Rabi Yochanan: quem entrança três fios de cabelo numa pessoa é culpado por causa de tecer. E então disse Rabi Zeira: não é caso de fiar e tecer. E aqui ele diz assim! Responde-se: num caso, com muitos fios; e no outro, com poucos.

הָדָא דְאַתְּ אָמַר בָּאָדָם. אֲבָל בִּבְהֵמָה טָהוֹר. כְּהְדְא דְתַנֵּי. הָעוֹשֶׂה פַסִיקִיָּא לִילָבֵב לִישַּׁפֵּר לְהַדֵּיק בָּהּ אֶת הַמַּרְצוּפִין לִתְלוֹתָהּ בְּצַוָּאר בְּהֵמָה. טָהוֹר. הָדָא דְאַתְּ אֲמַר. בִּפְשׁוּטִין. אֲבָל בִּמְקוּפָּלִין בֵּין בָּאָדָם בֵּין בִּבְהֵמָה טָמֵא. הַכּוֹחֶלֶת חַיֶיבֶת מִשּׁוּם כּוֹתֶבֶת. הַפּוֹקֶסֶת חַיֶיבֶת מִשּׁוּם צוֹבַעַת.

Isto que dizes vale numa pessoa; mas num animal o que se trança é puro, como aquilo que se ensina: quem faz uma pesikiya (cinta) para o peito, para enfeitar, para apertar com ela os martzufin (sacos), para pendurá-la no pescoço do animal, ela é pura. Isto que dizes vale para as cintas simples; mas nas dobradas, quer numa pessoa quer num animal, é impura. A que pinta os olhos é culpada por causa de escrever; a pokeset é culpada por causa de tingir.

02O furo do vaso, a Terra de Israel e a pureza das sementes
Yerushalmi · Shabbat 10:6
יִצְחָק בַּר אוֹרִיוֹן אָמַר. מַה פְלִיגִין. בְּשֶׁלֹּא תָלַשׁ כְּנֶגֶד הַנֶּקֶב. אֲבָל אִם תָּלַשׁ מִכְּנֶגֶד הַנֶּקֶב אַף רִבִּי שִׁמְעוֹן מוֹדֶה. רִבִּי יִרְמְיָה בָעֵי. הָיָה כוּלּוֹ בָאָרֶץ וְנֶקֶב חוּץ לָאָרֶץ. אַשְׁכְּחַת אֲמַר. מַה דִצְרִיכָא לְרִבִּי יִרְמְיָה פְּשִׁיטָא לְיִצְחָק בֶּן אוֹרִיוֹן.

Yitzchak bar Orion disse: em que discordam Rabi Shimon e os sábios? Quando não arrancou em frente ao furo. Mas, se arrancou de em frente ao furo, também Rabi Shimon concorda que é culpado. Rabi Yirmeyá perguntou: se o vaso estava todo na Terra de Israel, e o furo, fora da Terra, como é? Acontece que dizes: o que era dúvida para Rabi Yirmeyá era evidente para Yitzchak ben Orion.

אִילֵּין אִינִּין. וְהָא אִית לָךְ חוֹרָנִיָין. עָצִיץ נָקוּב מְקַדֵּשׁ בַּכֶּרֶם וְשֶׁאֵינוֹ נָקוּב אֵינוֹ מְקַדֵּשׁ בַּכֶּרֶם. עָצִיץ נָקוּב אֵינוֹ מַכְשִׁיר אֶת הַזְּרָעִים וְשֶׁאֵינוֹ נָקוּב מַכְשִׁיר אֶת הַזְּרָעִים. הַתּוֹלֵשׁ מֵעָצִיץ נָקוּב חַיָיב וּמִשֶּׁאֵינוֹ נָקוּב פָּטוּר. רִבִּי יוּסֵה אָמַר לָהּ סְתָם. רִבִּי חֲנַנְיָה מַטֵּי בָהּ בְּשֵׁם רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק. הַתּוֹרָה רִיבָת בְּטָהֳרַת זְרָעִים. מַה טַעַם. וְכִי יִפֹּל מִנִּבְלָתָם עַל כָּל זֶרַע זֵרוּעַ אֲשֶׁר יִזָּרֵעַ וגו׳.

Estes são todos os casos? Mas eis que tens outros: “O vaso perfurado mekadesh (santifica, isto é, torna proibido) no vinhedo, e o que não é perfurado não o santifica no vinhedo.” “O vaso perfurado não machshir (prepara para receber impureza) as sementes, e o que não é perfurado prepara as sementes.” “Quem arranca uma planta de um vaso perfurado é culpado, e de um que não é perfurado, é isento.” Rabi Yossi o disse sem nome de autor; Rabi Chananyá o traz em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: a Torá ampliou a regra na pureza das sementes. Qual é a razão? Está escrito: “E, se cair algo da carcaça deles sobre qualquer semente de semeadura que se semeie” etc.

Nota

Esta é a sexta e última halachá do Perek Yud de Massechet Shabbat, HaMatznia, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Shabbat 10:6 da Mishná avulsa, na numeração do Sefaria, que vai de “quem tira as suas unhas uma com a outra” até “e Rabi Shimon isenta neste e naquele caso”, e que é também a última Mishná do capítulo: a Mishná avulsa tem seis mishnayot no Perek Yud, e o Yerushalmi, seis halachot. Como se explicou na nota da halachá 10:5, o hebraico do Sefaria marca a guemará com números que contam as mishnayot do perek segundo uma divisão em que a do pão é a quinta e a do recipiente, do vivo e do morto é a sexta; por isso a halachá 10:4 começava com “dalet”, a 10:5 tinha “heh” e “vav”, e esta começa com “zayin”, a sétima. Guggenheimer anota, no mesmo lugar, “discussão da Mishná 7”. Conservamos o marcador no hebraico. Há pequenas diferenças de redação entre a Mishná do Yerushalmi e a avulsa: o Yerushalmi diz “Rabi Eliezer mechayev chatat”, “obriga a uma chatat”, onde a avulsa diz só “mechayev”, “obriga”; e diz “vachachamim omerin mishum shevut”, “e os sábios dizem: por causa de shevut”, onde a avulsa diz “osrin”, “proíbem”. As demais diferenças são de grafia, como “beshinav” com yod e “chayav” com dois yods. No meio da seção 01, o Sefaria marca a coluna 12d da edição de Veneza e o início da folha 64b da edição de Vilna; tiramos esses marcadores, que não fazem parte do texto. A seção 01 corresponde ao segundo segmento do texto do Sefaria, e trata das unhas, da trança, do kohl e da pintura; a seção 02 corresponde ao terceiro, e trata do vaso perfurado.

Referências conferidas. No Bavli, esta Mishná está dividida em duas: a das unhas, dos cabelos, da trança, do kohl e da pintura está em Shabbat 94b, e a guemará sobre ela segue até o começo de Shabbat 95a; a do vaso perfurado está em Shabbat 95a, e a guemará sobre ela, em 95a e 95b. Em Shabbat 94b, Rabi Elazar diz que a disputa é quando se tiram as unhas com a mão, mas com um instrumento todos concordam que é culpado; e que a disputa é quando se tiram para si mesmo, mas, para outro, todos concordam que é isento, o que corresponde à palavra de Rabi Abahu na seção 01. Na mesma folha, Rabi Avin diz em nome de Rabi Yossi beRabi Chanina que a que trança é culpada por tecer, a que pinta os olhos, por escrever, e a que pinta o rosto, por fiar; e Rabi Abahu diz que o próprio Rabi Yossi beRabi Chanina lhe explicou de outro modo: em Shabbat 95a, a que pinta os olhos é culpada por tingir, e a que trança e a que pinta o rosto, por construir; e o Bavli aprende de “e o Eterno Deus construiu a costela” (Bereshit 2:22), com Rabi Shimon ben Menasya, que o Santo, bendito seja, trançou o cabelo de Chavá, porque “nas ilhas do mar chamam à trança construção”. A atribuição do kohl a escrever e da pintura a tingir, no nosso texto, é a inversa da que Rabi Abahu dá no Bavli. Na Tosefta Shabbat 10:10, na numeração do Sefaria, Rabi Shimon ben Elazar diz em nome de Rabi Eliezer que a que pinta os olhos, a que trança e a que pinta o rosto, para si mesma, é isenta, e para outras, culpada; o Bavli traz o mesmo ensino em Shabbat 95a. Sobre o vaso perfurado, o Bavli, em Shabbat 95a e 95b, objeta com o ensino de Rabi Shimon de que entre o vaso perfurado e o sem furo não há diferença senão no preparar as sementes para a impureza, e responde que, nesse ponto, “a Torá ampliou a pureza das sementes”, com o versículo de Vayikra 11:37; e, em Shabbat 95b, um ancião pergunta a Rabi Zeira sobre a raiz que está em frente ao furo, a mesma situação de que fala Yitzchak bar Orion. O versículo citado no fim da seção 02 é Vayikra 11:37: “E, se cair da carcaça deles sobre qualquer semente de semeadura que se semeie, ela é pura”; o “etc.” do texto esconde precisamente o “ela é pura”. A primeira das outras leis vem da Mishná Kilayim 7:8, na numeração do Sefaria: “o vaso perfurado santifica no vinhedo, e o que não é perfurado não santifica; Rabi Shimon diz: um e outro tornam proibido, e não santificam”; a segunda vem da Mishná Oktzin 2:10: “o vaso perfurado não prepara as sementes, e o que não é perfurado prepara as sementes”. A seção 02 tem paralelo no Yerushalmi Kilayim 7:6, onde a baraita diz por inteiro: “não há entre o vaso perfurado e o que não é perfurado senão o preparar das sementes”, e a guemará acrescenta: “isto é conforme Rabi Shimon; mas, conforme os rabanan, há outras”, e enumera as mesmas três; lá os nomes são “Rabi Yossi”, escrito com yod, e “Rabi Chanina”, e lá o versículo é citado até “ela é pura”. A regra da cinta do animal está na Tosefta Kelim Bava Batra 4:4, na numeração do Sefaria: quem faz uma cinta para enfeitar, para o peito, ou para cingir o animal, ela é pura; para debaixo do ventre do jumento, é impura; e “todas as tranças no animal são puras”. Guggenheimer cita essa passagem como 4:14.

Observações de leitura. Na seção 01, a frase “mas, se outro as tirou, são repugnantes; palavras dos sábios” é concisa; entendemos que quem corta as unhas de outro com os dedos não faz um trabalho do modo como se faz, e por isso até Rabi Eliezer concorda com os sábios, como diz Rabi Elazar no Bavli; o “e valem” está em itálico porque é a nossa leitura. “Kerestel” é palavra estrangeira, e entendemos um instrumento de cortar; Guggenheimer lê a palavra grega para uma faca de barbeiro. A palavra de Rav exige, para a culpa, que se use um instrumento; o hebraico diz “até que o tire”, no singular. “Baniyata” é a forma aramaica de “construção”: no lugar de Rabi Benaia a trança era chamada assim, e daí que trançar é construir. A objeção de Rabi Zeira supõe que a trança se parece mais com o tecer; “a sua posição se inverte” porque, em outra parte, sobre três fios de cabelo entrançados, ele mesmo objetou que isso não é fiar e tecer. A resposta, “num caso, com muitos; no outro, com poucos”, não diz qual é qual; entendemos que a trança de uma cabeça inteira, com muitos fios, se parece com o tecer, e a de três fios, não. O “puro” que se segue já não é lei de Shabat, e sim de impureza: uma trança ou cinta feita para o animal não é utensílio do homem e não recebe impureza; e, se é dobrada de modo a poder guardar algo, recebe impureza tanto no homem quanto no animal. “Pesikiya” é a cinta, e “martzufin” são sacos ou alforjes. A pintura dos olhos é escrever porque desenha uma linha em volta do olho, e a pintura do rosto é tingir. Na seção 02, “quando não arrancou em frente ao furo” quer dizer que a planta não estava sobre o furo; se estava, até Rabi Shimon a considera presa à terra. A pergunta de Rabi Yirmeyá é sobre as leis que dependem da Terra de Israel, como dízimos e o ano sabático: o vaso que está na Terra mas cujo furo está fora dela; para Yitzchak bar Orion, que olha para o furo, a resposta é evidente. A frase “estes são eles; e eis que tens outros” é muito breve, e a entendemos pelo paralelo de Kilayim 7:6: a baraita diz que a única diferença entre os vasos é o preparar das sementes, e a guemará responde que há outras. “Santifica no vinhedo” quer dizer que o que cresce no vaso perfurado, posto no vinhedo, torna proibidos o vinhedo e a semente, como mistura proibida. “Preparar as sementes” é torná-las capazes de receber impureza quando molhadas; a planta no vaso perfurado é como plantada na terra e não se prepara. “A Torá ampliou a pureza das sementes” explica por que, até para Rabi Shimon, o vaso perfurado conta como terra nesse ponto.

Comparação com a tradução inglesa. Seguiu-se o hebraico frase a frase. Guggenheimer liga “palavras dos sábios” à frase seguinte, de Rabi Achá e Rabi Nachum; preferimos ligá-las à frase anterior, como indica a pontuação do hebraico do Sefaria. No hebraico do Sefaria, a segunda palavra de Rabi Abahu é em nome de “Rabi Yossi ben Chanina”, e a primeira, de “Rabi Yossi beRabi Chanina”; Guggenheimer escreve “ben Rebbi Ḥanina” nas duas, e seguimos o hebraico. O hebraico escreve “Yitzchak bar Orion” na primeira vez e “Yitzchak ben Orion” na segunda; seguimos o hebraico. Guggenheimer traduz a resposta sobre os fios como “lá, se são poucos; aqui, se são muitos”; o hebraico diz “kan… vechan”, “aqui… e aqui”, sem dizer qual é qual, e por isso traduzimos “num caso… no outro”. Ele entende a objeção de Rabi Zeira como “não é fiar, e não tecer?”; o hebraico admite também “não é fio fiado nem tecido”, e deixamos a frase literal. Na Mishná, traduz “pokeset” por “a que se maquia”, e lembra que Rashi traz duas explicações, a do Yerushalmi, pintar o rosto, e a do Bavli, pentear o cabelo; seguimos a do Yerushalmi, coerente com o “tingir” da guemará. O hebraico escreve “Rabi Zeura”, que é Rabi Zeira. Ele escreve “Rebbi Abbahu”, “Rebbi Zeˋira”, “Rebbi Jeremiah”, “Rebbi Ḥanania” e “Rebbi Banaya”; mantivemos “Rabi Abahu”, “Rabi Zeira”, “Rabi Yirmeyá”, “Rabi Chananyá” e “Rabi Benaia”, como nas outras halachot do Yerushalmi deste site.

A Mishná seguinte, Shabbat 11:1, abre o Perek Yud-Alef, HaZorek: “הַזּוֹרֵק מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים…”, “quem lança do domínio privado para o domínio público, ou do domínio público para o domínio privado, é culpado; do domínio privado para o domínio privado, com o domínio público no meio, Rabi Akiva obriga, e os sábios isentam”. No Bavli, essa Mishná está em Shabbat 96a, onde começa o capítulo HaZorek.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Yud de Massechet Shabbat, HaMatznia (הַמַּצְנִיעַ).