Quinta halachá do Perek Chet, Keitzad Mishtattfin (como se faz o shituf), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que quem deixa a sua casa e vai passar o Shabat em outra cidade, tanto o gentio quanto o israelita, impõe proibição aos moradores do pátio, segundo Rabi Meir; Rabi Yehudá diz que não impõe proibição; Rabi Yossi diz que o gentio impõe proibição e o israelita não, pois não é costume do israelita vir no Shabat; e Rabi Shimon diz que, mesmo se foi passar o Shabat junto à sua filha, na mesma cidade, não impõe proibição, pois já afastou a casa do seu coração. Na guemará, a Mishná é ligada à palavra de Rabi Meir de que a casa trancada impõe proibição, e propõe-se outra razão: ele pode vir por meio de um eruv, ou transgrediu e veio; e Mar Ukvan diz, em nome de Rav, que a halachá é como Rabi Meir. O Bavli discute esta Mishná em Eruvin 86a.
Mishná: Quem deixa a sua casa e vai passar o Shabat em outra cidade, tanto um nochri (gentio) quanto um israelita, eis que ele impõe proibição sobre os moradores do pátio, palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: Ele não impõe proibição sobre eles. Rabi Yossi diz: O nochri impõe proibição; o israelita não impõe proibição, pois não é costume do israelita vir para a sua casa no Shabat. Rabi Shimon diz: Mesmo se o israelita deixou a sua casa e foi passar o Shabat junto à sua filha, na mesma cidade, ele não impõe proibição, pois já afastou a sua casa do seu coração.
Esta Mishná é a de Rabi Meir, pois Rabi Meir diz: O bayit naul (casa trancada) impõe proibição sobre os outros. Ou a razão é que ele pode vir por meio de um eruv (a junção de Shabat), ou transgrediu e veio. Mar Ukvan disse em nome de Rav: A halachá (a norma prática) é como Rabi Meir.
Esta é a quinta halachá do Perek Chet, Keitzad Mishtattfin, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a seção 01 desta página. A sua Mishná corresponde, pelo conteúdo, à Mishná avulsa Eruvin 8:5, inteira e sem diferença de sentido. As diferenças são de palavras e de grafia: o Yerushalmi tem הַמַּנִּיחַ אֶת בֵּיתוֹ e הִנִּיחַ אֶת בֵּיתוֹ, com אֶת, onde a avulsa tem הַמַּנִּיחַ בֵּיתוֹ e הִנִּיחַ בֵּיתוֹ; e tem רִבִּי, יוֹסֵה, לָבוֹא בַשַּׁבָּת, אֲפִילּוּ, בְּאוֹתָהּ e מִלִּיבּוֹ, onde a avulsa tem רַבִּי, יוֹסֵי, לָבֹא בְשַׁבָּת, אֲפִלּוּ, בְאוֹתָהּ e מִלִּבּוֹ; a avulsa tem vírgulas onde o Yerushalmi, no Sefaria, não tem. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 86a, também sem אֶת, com נׇכְרִי, יוֹסֵי, לָבֹא בַּשַּׁבָּת e מִלִּבּוֹ. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para Eruvin 86a.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que se trata de um dos moradores do pátio que deixou a sua casa e foi passar o Shabat em outra cidade; que Rabi Meir pensa que a moradia sem os donos se chama moradia, e Rabi Yehudá, que não se chama moradia; que o nochri impõe proibição porque talvez venha no Shabat, e que a halachá é como Rabi Yossi; e que Rabi Shimon acrescenta que, mesmo se foi passar o Shabat na mesma cidade, junto à sua filha, perto do seu pátio, se afastou o coração da sua casa e não pensa em voltar a ela no Shabat, não impõe proibição, e quem vai passar o Shabat junto à sua filha, em geral, é assim; e que a halachá é como Rabi Shimon. O Korban HaEdah explica que, para Rabi Yossi, também não se chama moradia, mas o gentio impõe proibição porque talvez venha naquele dia; e que se diz justamente a filha, porque é costume morar com o genro, mas não o filho, pois a pessoa não afasta a mente da sua casa para morar junto ao filho, porque talvez a nora brigue com ela, e ela saia. No Bavli, Eruvin 86a, Rav diz הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן, “a halachá é como Rabi Shimon”, e segue-se וְדַוְקָא בִּתּוֹ, אֲבָל בְּנוֹ — לָא, “e justamente a sua filha, mas o seu filho não”, com um dito popular. A Tosefta Eruvin, conferida no Sefaria na edição comum e na de Lieberman, não traz paralelo direto desta Mishná.
Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que “esta é a de Rabi Meir” é o que se disse no perek anterior, no fim da halachá 4 na sua contagem, ודלא כר"מ דאמר בית הנעול אוסר, “e não segundo Rabi Meir, que diz que a casa trancada impõe proibição”; e que esta Mishná é o lugar em que se acha que Rabi Meir pensa assim, que a moradia, mesmo sem os donos, se chama moradia, e, mesmo se trancou a sua casa e se foi, impõe proibição. No Sefaria, essa passagem está no fim do Yerushalmi Eruvin 7:5, com וּדְלֹא כְרִבִּי מֵאִיר דְּאָמַר. בָּיִת הַנָּעול אָסוּר; ver Yerushalmi Eruvin 7:5, seção 02, neste site. Sobre יָכוֹל לָבוֹא עַל יְדֵי עֵירוּב וְעָבַר וּבָא, o Penei Moshe explica que a guemará recusa a primeira ligação: a razão de Rabi Meir, para quem também o israelita impõe proibição, pode ser que ele pode vir por meio do eruv que pôs na véspera, ou que transgrediu e veio no Shabat; e, assim, também Rabi Meir pode pensar que a moradia sem os donos não se chama moradia. O Korban HaEdah lê de outro modo: “esta é a de Rabi Meir” quer dizer que Rabi Meir segue a sua própria linha, ou que esta é a razão de Rabi Meir; a casa trancada impõe proibição sobre os outros; e a frase seguinte é uma pergunta, se ele transgrediu e veio, qual é a regra: já que a regra é como Rabi Shimon, que é o mais leniente no eruv, quando ele vem depois, no Shabat, diz-se que, como foi permitido numa parte do Shabat, foi permitido em todo ele, ou não. Para o Korban HaEdah, “a halachá é como Rabi Meir” é nisto, quando ele veio no Shabat: tanto o gentio quanto o israelita impõem proibição. No hebraico do Sefaria, (שִׁמָעוֹן) está entre parênteses e [מֵאִיר] entre colchetes; a tradução segue מֵאִיר, como lê também o Korban HaEdah. Guggenheimer anota que o copista escreveu Shimon, como no Bavli, Eruvin 86a, e que o corretor o mudou para Meir, e que Lieberman propõe que a primeira frase do parágrafo seguinte ainda pertence a esta Mishná.
Leituras incertas. הֲרֵי זֶה אוֹסֵר ficou “eis que ele impõe proibição sobre os moradores do pátio”, com o complemento em itálico, pelo Penei Moshe. שֶׁכְּבָר הִסִּיעַ מִלִּיבּוֹ ficou “pois já afastou a sua casa do seu coração”, como explica o Korban HaEdah, דירת ביתו מלבו. הָדָא הִיא דְרִבִּי מֵאִיר ficou “esta Mishná é a de Rabi Meir”, sem decidir entre as duas leituras do Korban HaEdah. יָכוֹל לָבוֹא עַל יְדֵי עֵירוּב וְעָבַר וּבָא ficou como afirmação, “ou a razão é que ele pode vir por meio de um eruv, ou transgrediu e veio”, pelo Penei Moshe, que lê o vav como “ou”; o Korban HaEdah e Guggenheimer leem a frase como pergunta. O eruv ficou com a glosa geral “a junção de Shabat”, porque a frase não diz qual eruv; o Penei Moshe fala do eruv posto na véspera. הַבַּיִת הַנָּעוּל ficou bayit naul, com a glosa “casa trancada”.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na Mishná, a tradução de Guggenheimer junta Rabi Yehudá e Rabi Yossi e não traz רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אֵינוֹ אוֹסֵר. רִבִּי יוֹסֵה אוֹמֵר, atribuindo a Rabi Yehudá a palavra de Rabi Yossi; aqui ficaram as duas palavras, como no hebraico. Guggenheimer traduz a marca פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida e ficou só no hebraico; traduz יָכוֹל לָבוֹא עַל יְדֵי עֵירוּב וְעָבַר וּבָא como pergunta, e aqui ficou como afirmação; e as formas inglesas de Rabi Meir, Rabi Yehudá, Rabi Shimon, Rabi Yossi e Mar Ukvan ficaram nas formas hebraicas. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 8:5; Bavli Eruvin 86a, a Mishná e a palavra de Rav; Yerushalmi Eruvin 7:5, o último segmento; Tosefta Eruvin, nas duas edições, sem paralelo direto; Penei Moshe e Korban HaEdah na Mishná e na guemará desta halachá; e a nota de Guggenheimer sobre (שִׁמָעוֹן) [מֵאִיר]. Referências corrigidas: o Bavli, Eruvin 86a, traz a Mishná, com Rabi Meir e Rabi Yehudá, e a palavra de Rav, mas não a expressão הַבַּיִת הַנָּעוּל, que também não está em 86b; a palavra de Rabi Meir sobre a casa trancada está no Yerushalmi Eruvin 7:5, que o Penei Moshe cita como halachá 4 do perek anterior, e ali o hebraico tem אָסוּר, e não אוֹסֵר; e a Tosefta Eruvin não tem paralelo desta Mishná. Não há link para o Bavli, porque o Bavli deste site vai até Eruvin 61b.
Nomes nesta página: Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר, na Mishná e na seção 01; Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה, Rabi Yossi, רִבִּי יוֹסֵה, e Rabi Shimon, רִבִּי שִׁמְעוֹן, na Mishná; Mar Ukvan, מַר עוּקְבָּן, e Rav, רַב, na seção 01.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos. Não há marcador numérico nesta halachá, nem marcador de folha das edições de Vilna ou de Veneza, e nada foi acrescentado. Foram mantidos a marca פיס׳, os parênteses e colchetes do Sefaria em (שִׁמָעוֹן) [מֵאִיר], com a grafia שִׁמָעוֹן, e as grafias do Sefaria, como יוֹסֵה e מִלִּיבּוֹ; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria.
A Mishná seguinte, Eruvin 8:6, no Yerushalmi, trata do poço entre dois pátios: “בּוֹר שֶׁבֵּין שְׁתֵּי חֲצֵירוֹת…”.