Quinta halachá do Perek Zayin, Challon (janela), de Massechet Eruvin. Depois da vala e da tábua sobre ela, a Mishná trata do monte de palha entre dois pátios: se é alto de dez palmos, separa-os como uma divisória, e eles fazem dois eruvin e não um, e cada lado dá de comer aos animais do seu lado; se a palha se reduziu a menos de dez palmos, fazem um eruv e não dois. Na guemará, Rabi Elazar lê na Mishná que cada um enche o seu cesto e dá de comer; Rabi Chagai traz o que se dizia diante de Menachem, sobre quem derruba tendas e quem as apoia; e Rav Hoshayá pergunta sobre quem fez a divisória com um lençol e a apoiou numa cadeira. Depois vem a baraita do monte de palha entre dois pátios, com a porta fechada e a renúncia ao domínio, e uma série de coisas que dela se aprendem, até a casa entre dois pátios, que não segue Rabi Meir. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 79a e 79b.
Mishná: Um matben (monte de palha) que está entre dois chatzerot (pátios), alto de dez tefachim (palmos): fazem dois eruvin (as junções que permitem transportar no Shabat) e não fazem um. Estes dão de comer aos animais daqui, e aqueles dão de comer daqui. Se a teven (palha) se reduziu a menos de dez palmos, fazem um eruv e não fazem dois.
Disse Rabi Elazar: Assim é a Mishná: Estes enchem a sua kupá (cesto) daqui e dão de comer aos animais, e aqueles enchem a sua kupá daqui e dão de comer. Disse Rabi Chagai: Quando estávamos sentados diante de Menachem, dizíamos: Isso é para que não digas: Ele não é como quem derruba ohalim (tendas), mas como quem apoia tendas; pois, se a palha estava espalhada, ele a apoia nos lados da kupá. Rav Hoshayá perguntou: Se o fez com um sadin (lençol) e o apoiou na cadeira, o que é? Diz-se aqui: é para um momento; e diz-se aqui: é para durar.
Ensinou-se: Um monte de palha que está entre dois pátios: este abre a sua porta daqui e dá de comer, e aquele abre a sua porta daqui e dá de comer. Se a palha se reduziu a menos de dez palmos, ambos são proibidos de transportar até que façam eruv. Por isso, se um deles quiser fechar a sua porta e renunciar ao seu reshut (domínio), ele é proibido, e o seu companheiro é permitido. A charitz (vala) que está entre dois pátios tem a mesma regra. Isto diz que não se renuncia ao domínio de pátio a pátio. Isto diz: mesmo se não fizeram eruv. Isto diz: mesmo se não tiveram intenção disso. Isto diz que dois domínios não se servem de um só domínio. Isto diz: se este tem acesso por uma porta e aquele por uma porta, ambos são proibidos. E assim também a casa que está entre dois pátios. E isso não é segundo Rabi Meir, que disse: A casa trancada é proibida.
Esta é a quinta halachá do Perek Zayin, Challon, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e os outros dois são as duas seções desta página. A sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 7:5, inteira e sem diferença de sentido; as diferenças são só de grafia: o Yerushalmi tem חֲצֵירוֹת, אֵילּוּ, מִיכָּן, נִתְמַעַט e שְׁנַיִם, onde a avulsa tem חֲצֵרוֹת, אֵלּוּ, מִכָּאן, נִתְמַעֵט e, no fim, שְׁנָיִם; a avulsa tem as vírgulas, e o Yerushalmi, no Sefaria, só os pontos. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 79a, com o texto da avulsa, mas com חֲצֵירוֹת e שְׁנַיִם, como no Yerushalmi. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná, em Eruvin 79a e 79b.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que o monte de palha corta toda a largura dos pátios e, sendo alto de dez palmos, é como uma divisória; que os de cada pátio põem o animal junto ao monte, para que coma por si da palha, e não se receia que a palha se reduza a menos de dez palmos, pois o animal não a reduz tanto num só Shabat, e mesmo uma redução de até dez amot é como uma abertura; mas dar de comer com as mãos não, pois tomaria palha do domínio do pátio do companheiro; e que, se a palha se reduziu em dia comum em toda a extensão, ou em mais de dez amot, os pátios são como um só e fazem um eruv. O Korban HaEdah explica do mesmo modo que não se receia a redução, e diz que fazem um eruv se a redução foi em dia comum.
Sobre a primeira seção. O Penei Moshe e o Korban HaEdah entendem que Rabi Elazar lê o “dão de comer” da Mishná de modo largo: não só põem o animal junto ao monte, mas enchem o cesto com as mãos e dão de comer ao animal, sem receio de que a palha se reduza. O que se dizia diante de Menachem é, para o Penei Moshe, contra Rabi Elazar: é proibido tomar a palha com as mãos e pô-la no cesto, por ser como quem derruba uma tenda, e a frase vem dizer que não é só como quem apoia uma tenda, pois, quando a palha está espalhada e sai dos lados do monte, ele a apoia nos lados do cesto para que não se espalhe mais. O Korban HaEdah entende ao contrário: não é como quem derruba uma tenda, pois precisa da palha para o animal, mas a proibição é por ser como quem apoia tendas, pois, ao tomar a palha, às vezes faz a divisória. Sobre a pergunta de Rav Hoshayá, o Penei Moshe lê לְסַדִּין como “para os lados”: se fez lados ao monte e os apoiou numa cadeira posta junto a ele, para que não caia; e responde que, se é para um momento, é permitido, pois não é como quem levanta a divisória, e, se é para durar, é proibido. O Korban HaEdah entende que fez a divisória com um lençol, antes do Shabat, e a apoiou numa cadeira, e pergunta se se receia que alguém tire a cadeira; e responde que a cadeira está ali só por pouco tempo, e por isso é proibido, mas a palha está ali para muito tempo, e é divisória. Guggenheimer explica que a palavra de Rabi Elazar é rejeitada no Bavli, Eruvin 79a, onde Rav Huna diz וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִתֵּן לְתוֹךְ קוּפָּתוֹ וְיַאֲכִיל, “contanto que não ponha no seu cesto e dê de comer”; o Bavli objeta com uma baraita sobre a casa entre dois pátios cheia de palha, זֶה נוֹתֵן לְתוֹךְ קוּפָּתוֹ וְיַאֲכִיל, “este põe no seu cesto e dá de comer”, e responde que, na casa, com paredes e teto, a redução é notada, e no monte de palha não; ali mesmo o Bavli explica que a Mishná fala de quem fica diante do animal, e ele vai e come por si.
Sobre a segunda seção. O Penei Moshe diz que a baraita está na Tosefta, no perek 6: na edição comum do Sefaria, Tosefta Eruvin 6:11, e na edição de Lieberman, 6:17. Na Tosefta, a baraita começa com as palavras da Mishná, em Lieberman אילו מאכילין מיכן ואילו מאכילין מיכן, e não com “este abre a sua porta”; não tem “até que façam eruv” nem “por isso”, mas, em Lieberman, שניהם אסורין אלא אם רצה סותם את פתחו ומבטל את רשותו הוא אסור וחבירו מותר, “ambos são proibidos, a não ser que um queira fechar a sua porta e renunciar ao seu domínio: ele é proibido, e o seu companheiro, permitido”; e termina com וכן בנות של תבן שבין שתי חצרות, em Lieberman, e וכן בכותל של תבן [מבין] שתי חצירות, na edição comum, que começa com [מים] onde Lieberman tem מתבן. No Bavli, Eruvin 79a e 79b, a baraita da casa entre dois pátios cheia de palha diz נוֹעֵל אֶת בֵּיתוֹ וּמְבַטֵּל אֶת רְשׁוּתוֹ, “tranca a sua casa e renuncia ao seu domínio”, e o Bavli explica: ou tranca, ou renuncia; ou que, por estar acostumado, precisa das duas coisas. O Penei Moshe explica que, se a palha se reduziu em dia comum, são proibidos até que façam um só eruv; que a vala entre dois pátios segue a mesma regra, e, quando precisam fazer um eruv, se um quiser renunciar ao seu domínio, ele é proibido e o companheiro permitido; que daqui se aprende que não se renuncia de pátio a pátio, pois a renúncia vem por fechar a porta; que, mesmo se não fizeram eruv, há remédio, e, mesmo se não tiveram intenção desde o início, pode renunciar no Shabat; que o monte é como um domínio à parte, e os dois pátios não se servem dele, pois o domínio de ambos o alcança; e que, se cada um tem acesso por uma porta, ambos são proibidos, até que um feche a sua porta, e assim a casa entre dois pátios. O Korban HaEdah diz que não se lê חריץ שבין שתי חצירות, mas וכן בית שבין שתי חצירות; traz também uma outra versão, הדא אמרה מבטלין מחצר לחצר, “isto diz que se renuncia de pátio a pátio”, em que a baraita significa ou tranca ou renuncia. A mesma sequência de “isto diz”, mesmo se não fizeram eruv, mesmo se não tiveram intenção, e que dois domínios não se servem de um só domínio, está no Yerushalmi Eruvin 6:8, na história dos que estavam reclinados no espaço aberto do pátio quando o Shabat se santificou; o Korban HaEdah remete a ela, e Guggenheimer também. A palavra de Rabi Meir, para o Penei Moshe, é a da Mishná Eruvin 8:5, de quem deixou a sua casa e foi passar o Shabat em outra cidade, que, segundo Rabi Meir, proíbe; e o Yerushalmi ali, na halachá 8:5, diz דְרִבִּי מֵאִיר אוֹמֵר. הַבַּיִת הַנָּעוּל אוֹסֵר, “pois Rabi Meir diz: a casa trancada proíbe”. Por isso, diz o Penei Moshe, a baraita, que permite ao companheiro quando um fecha a sua porta, não é segundo Rabi Meir.
Leituras incertas. אֵילּוּ מְמַלְאֵין קוּפָּתָן ficou “estes enchem a sua kupá”, cesto, no singular, como o hebraico tem o sufixo do plural num substantivo singular. שֶׁלֹּא תֹאמַר אֵינוֹ כְסוֹתֵר אוֹהָלִים אֶלָּא כְסוֹמֵךְ אוֹהָלִים ficou literal, sem decidir entre o Penei Moshe e o Korban HaEdah; o “isso é” e o “ele” estão em itálico. מְרוּדָּד ficou “espalhada”, com o Penei Moshe e o Korban HaEdah; Guggenheimer traduz “flattened”. עֲשָׂאוֹ לְסַדִּין ficou “se o fez com um lençol”, com o Korban HaEdah e Guggenheimer; o Penei Moshe lê “para os lados”. לְשָׁעָה e לִשְׁהוֹת ficaram “para um momento” e “para durar”. A frase (וְכֵן בְּבוֹר) [חָרִיץ] traz entre parênteses a leitura do copista, “e assim também num poço”, e entre colchetes a do corretor, “vala”; a tradução segue a do corretor, com o Penei Moshe, e o “tem a mesma regra” é complemento; o Korban HaEdah lê “a casa”. כִיוינוּ ficou “tiveram intenção disso”, como no Yerushalmi Eruvin 6:8 deste site. לָזֶה בְפֶתַח וְלָזֶה בְפֶתַח ficou “se este tem acesso por uma porta e aquele por uma porta”, com o verbo em itálico. בָּיִת הַנָּעול אָסוּר ficou “a casa trancada é proibida”, como no hebraico, que aqui tem אָסוּר e não אוֹסֵר; o sentido, segundo o Penei Moshe, é que a casa trancada proíbe aos moradores do pátio.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”; aqui a marca não foi traduzida. Ele põe entre colchetes a palavra palmos na Mishná, que está no hebraico, טְפָחִים, e aqui não foi tratada como acréscimo. Ele traduz קוּפָּה por “pail”, e aqui ficou cesto, como no glossário do site. Ele diz que ele a apoia “by his pail”, e aqui ficou “nos lados da kupá”, pois o hebraico tem לְצִידֵּי הַקּוּפָּה. Ele traduz o segundo כָּאן por “there”, e aqui ficou “aqui” as duas vezes, como no hebraico. Ele traduz os dois textos, o dos parênteses e o dos colchetes; aqui só a leitura do corretor foi traduzida. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 7:5 e 8:5; Bavli Eruvin 79a, a Mishná, a palavra de Rav Huna, a baraita da casa cheia de palha e a resposta de que a Mishná fala de quem fica diante do animal, e 79b, ou tranca ou renuncia; Tosefta Eruvin 6:11, no Sefaria comum, que é 6:17 na edição de Lieberman; Yerushalmi Eruvin 6:8, a sequência de “isto diz”, e 8:5, a palavra de Rabi Meir sobre a casa trancada; Penei Moshe e Korban HaEdah nesta halachá. Referências corrigidas ou não citadas: a nota 66 de Guggenheimer remete ao Bavli 79a, conferido; a nota 68 remete à Tosefta 6:17, que é a edição de Lieberman, e a edição comum é 6:11; a nota 69 remete à Mishná 3 e à Mishná 8:7, que no Yerushalmi do Sefaria é a halachá 8:6, e não foi citada aqui; a nota 71 remete às notas 161 e 162 do capítulo 6, que correspondem ao Yerushalmi Eruvin 6:8, conferido, e o link vai para a página deste site; a nota 72 remete à Mishná 8:5, conferida, e não há link porque o Perek Chet ainda não foi publicado. Não há link para o Bavli, porque o Bavli deste site vai até Eruvin 61b.
Nomes de sábios nesta halachá: Rabi Elazar, Rabi Chagai, Menachem, Rav Hoshayá e Rabi Meir. Na nota: Rav Huna, do Bavli.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá e o marcador de folha da edição de Vilna, 48a, no começo da Mishná. Não há marcador da edição de Veneza nem marcador numérico nesta halachá, e nada foi acrescentado. Foram mantidos a marca פיס׳, os parênteses e colchetes do Sefaria, (וְכֵן בְּבוֹר) [חָרִיץ], e as grafias do Sefaria, como מִכָּאן וּמַאֲכִילִן, רְשׂוּתוֹ, אָסּור, הָדָה אָמְרָה, שֶׂאֵין e הָבָּיִת.
A Mishná seguinte, Eruvin 7:6, no Yerushalmi, trata de como se faz o shituf do mavoi, com o barril posto para todos os moradores do beco.