Quarta halachá do Perek Zayin, Challon (janela), de Massechet Eruvin. Depois da vala entre dois pátios, funda de dez palmos e larga de quatro, a Mishná trata da tábua posta sobre ela: se a tábua é larga de quatro palmos, ela é como uma abertura entre os pátios, e eles fazem dois eruvin e, se quiserem, fazem um; o mesmo vale para duas sacadas, uma diante da outra, com uma tábua entre elas. Com menos do que isso, fazem dois e não fazem um. A guemará, muito breve, traz duas versões da última frase da Mishná: há quem ensine “fazem dois e não fazem um”, e há quem ensine “fazem um e não fazem dois”; e explica que, para a primeira, o “menos do que isso” se refere à largura da tábua, e, para a segunda, ao vão, isto é, à profundidade da vala ou à altura das sacadas. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 78b e 79a.
Mishná: Se alguém pôs sobre ela, sobre a vala, uma neser (tábua) qualquer que seja, larga de quatro tefachim (palmos), e assim também duas kitzutzrayot (sacadas, beirais), uma diante da outra: fazem dois eruvin (as junções que permitem transportar no Shabat) e, se quiserem, fazem um. Menos do que isso: fazem dois e não fazem um.
Há quem ensine na Mishná: Fazem dois e não fazem um. Há quem ensine: Fazem um e não fazem dois. Quem diz: Fazem dois e não fazem um, lê “menos do que isso” a respeito da tábua. Quem diz: Fazem um e não fazem dois, lê “menos do que isso” a respeito do chalal (vão, a profundidade).
Esta é a quarta halachá do Perek Zayin, Challon, de Massechet Eruvin. A sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 7:4, inteira e sem diferença de sentido; as diferenças são de texto e de grafia: o Yerushalmi tem כָּל שֶׁהוּא, “qualquer que seja”, onde a avulsa tem só שֶׁהוּא; tem כְצוֹצְרָיוֹת, onde a avulsa tem גְזֻזְטְרָאוֹת; e tem פָּחוּת מִיכָּן, onde a avulsa tem פָּחוֹת מִכָּאן; a avulsa tem as vírgulas, e o Yerushalmi, no Sefaria, só o ponto antes de פָּחוּת. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 78b, e ali se lê נֶסֶר שֶׁרָחָב אַרְבָּעָה טְפָחִים, sem כָּל, גְזוּזְטְרָאוֹת e פָּחוֹת מִכָּאן, como na avulsa. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná, em Eruvin 78b e 79a. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a única seção desta página.
Sobre a Mishná. A Mishná anterior, Eruvin 7:3, ensinou que uma vala entre dois pátios, funda de dez palmos e larga de quatro, separa os pátios, e que eles fazem dois eruvin e não um. O Penei Moshe explica que a tábua é posta como uma ponte, de uma borda da vala à outra, e que, sendo larga de quatro palmos, é como uma abertura; que as kitzutzrayot são as que sobressaem dos pátios e saem para o domínio público, uma diante da outra, e que se pôs uma tábua larga de quatro de uma à outra; e que, com menos de quatro de largura, não é cômodo passar sobre ela, e por isso fazem dois e não fazem um. O Korban HaEdah diz o mesmo da tábua, explica as kitzutzrayot como uma espécie de teto que sobressai do domínio privado sobre o domínio público, com uma tábua de quatro de uma à outra, que também é como uma abertura, e diz que, se a tábua não é larga de quatro, a pessoa tem medo de passar sobre ela, e o uso não é cômodo. Guggenheimer traduz as kitzutzrayot por “balconies”, remete à sua nota no Yerushalmi Shabat 11:2, onde a Mishná fala de שְׁנֵי גְזוּזְטְרָאוֹת זוֹ כְנֶגֶד זוֹ, “duas sacadas uma diante da outra”, no domínio público, e explica que o caminho entre as duas sacadas faz as vezes da vala; acrescenta que a tábua deve ser forte bastante para carregar uma pessoa.
Sobre a guemará. O Penei Moshe e o Korban HaEdah, no Sefaria, comentam só a Mishná desta halachá. A primeira versão, “fazem dois e não fazem um”, é a da Mishná do Yerushalmi, da avulsa e do Bavli; para ela, o “menos do que isso” fala da tábua mais estreita que quatro palmos, que não une os pátios. A segunda versão, “fazem um e não fazem dois”, entende o “menos do que isso” do chalal, o vão: Guggenheimer explica que se trata da vala que não é funda de dez palmos, ou das sacadas que não estão a dez palmos acima do chão; então a vala não separa, e os pátios são um só. A Tosefta Eruvin traz a mesma fórmula a respeito de um muro entre dois pátios, alto de dez palmos, reduzido com pedras ou com uma tábua: na edição comum do Sefaria, 6:10, או שהביא נסר [שרוחב] ארבעה טפחים וקבעו בה מערבין שנים ואם רצו מערבין אחד פחות מכן מערבין אחד ואין מערבין שנים, “ou se trouxe uma tábua larga de quatro palmos e a fixou nele, fazem dois e, se quiserem, fazem um; menos do que isso, fazem um e não fazem dois”; e assim também 6:9, dos dois pátios, um dentro do outro. Na edição de Lieberman, são 6:16 e 6:15, com שרחב e, em 6:15, מיכן.
No Bavli, Eruvin 79a, Rava diz da tábua: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא שֶׁנָּתַן לְרׇחְבּוֹ, אֲבָל לְאׇרְכּוֹ — אֲפִילּוּ כָּל שֶׁהוּא נָמֵי, שֶׁהֲרֵי מִיעֲטוֹ מֵאַרְבָּעָה, “não ensinaram isso senão quando a pôs na largura; mas, no comprimento, mesmo qualquer que seja, pois a reduziu de quatro”; e diz das sacadas que vale só quando estão uma diante da outra, e não quando não estão uma diante da outra, nem quando uma está acima da outra, a não ser que haja entre elas menos de três palmos, pois então é גְּזוּזְטְרָא עֲקוּמָּה, “uma sacada torta”. Logo depois, no mesmo Bavli 79a, vem a Mishná seguinte, do matben (monte de palha) entre dois pátios, alto de dez palmos, que é no Yerushalmi a Mishná 7:5.
Leituras incertas. כָּל שֶׁהוּא ficou “qualquer que seja”, como em Guggenheimer, “a plank of any kind”, referido à tábua; pode referir-se à espessura dela, como diz Guggenheimer, que não há exigência de espessura. נָתַן עָלָיו ficou “pôs sobre ela”, sobre a vala, que em hebraico é masculina, חָרִיץ. כְצוֹצְרָיוֹת ficou kitzutzrayot, “sacadas, beirais”, com o Penei Moshe e o Korban HaEdah; a avulsa e o Bavli têm a palavra grega gezuztraot. אִית תַּנֵּי ficou “há quem ensine”, sem decidir se são duas versões da Mishná ou de uma baraita. פָּחוּת מִיכָּן בְּנֶסֶר e פָּחוּת מִיכָּן בְּחָלָל ficaram “lê ‘menos do que isso’ a respeito da tábua” e “a respeito do vão”, com o verbo em itálico; חָלָל ficou “vão, a profundidade”, segundo Guggenheimer, que o explica como a profundidade da vala ou a altura das sacadas.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”, e explica que se refere à Mishná 4; aqui a marca não foi traduzida. Ele traduz חָלָל por “space”, e aqui ficou “vão”. Ele põe entre colchetes a palavra palmos, que acrescenta na Mishná; aqui ela não foi acrescentada, pois está no hebraico, טְפָחִים. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 7:4 e 7:3; Bavli Eruvin 78b, a Mishná, e 79a, Rava sobre a tábua e sobre as sacadas, e a Mishná do monte de palha; Tosefta Eruvin 6:9 e 6:10, no Sefaria comum, que são 6:15 e 6:16 na edição de Lieberman; Yerushalmi Shabat 11:2, a Mishná das duas sacadas; Penei Moshe e Korban HaEdah nesta halachá. Referências corrigidas ou não citadas: a nota 7 de Guggenheimer remete ao Yerushalmi Shabat 11:2, nota 3, conferido, e o link vai para a página deste site; a nota 64 remete à Mishná 4, que é esta. Não há link para o Bavli, porque o Bavli deste site vai até Eruvin 61b.
Nesta halachá não há nomes de sábios. Na nota: Rava, do Bavli.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá. Não há marcador de folha da edição de Vilna nem da edição de Veneza nesta halachá, nem marcador numérico, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. Foi mantida a marca פיס׳ e as grafias do Sefaria, como כְצוֹצְרָיוֹת, פָּחוּת מִיכָּן, o ponto depois do segundo אִית תַּנֵּי e מָעָרְבִין, com qamatz, na segunda vez de מָאן דָּמַר.
A Mishná seguinte, Eruvin 7:5, no Yerushalmi, trata do monte de palha entre dois pátios.