Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Heh · Halachá 8 (última do perek)
עֵרוּבִין

Rabi Akiva e o eruv na gruta: mais leve dentro dela do que sobre ela; o telhado da torre e o da gruta

Perek Heh, Keitzad Meabrin, Halachá 8, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin — encerramento do capítulo

Oitava e última halachá do Perek Heh, Keitzad Meabrin (como se faz o ibur), de Massechet Eruvin. Na Mishná, Rabi Akiva pergunta aos sábios se não concordam que quem põe o seu eruv (a junção de Shabat que fixa o seu lugar) à boca de uma gruta não tem senão dois mil côvados a partir do lugar do seu eruv; eles respondem que é assim quando não há nela moradores, mas, quando há, ele anda toda ela e dois mil côvados fora dela, e assim é mais leve dentro dela do que sobre ela; e quem mede o seu techum (limite de Shabat) recebe dois mil côvados, mesmo que a medida termine dentro da gruta. A guemará ensina, em nome de Rabi Elazar, que quem adquire o seu lugar de repouso num cercado anda todo ele, e quem põe ali o seu eruv só tem dois mil côvados, e liga a pergunta de Rabi Zeira à divergência de Rabi Meir e Rabi Yudá; diz que o telhado da torre é julgado como cidade, e o da gruta, como campos; pergunta se são precisos moradores de fato ou se basta a gruta apta para moradores; e traz a cidade de duas entradas, as sandálias que se vem tomar de um lado e do outro, o telhado da gruta de quatro e de seis mil côvados, e as costas dos telhados e do navio, sobre as quais divergem Rav e Shmuel. Com ela se encerra o Perek Heh, Keitzad Meabrin; o tratado continua no Perek Vav, HaDar · פֶּרֶק הַדָּר. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 61b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אָמַר לָהֶן רִבִּי עֲקִיבָה אֵי אַתֶּם מוֹדִין לִי בְּנוֹתֵן אֶת עֵירוּבוֹ עַל פִּי הַמְּעָרָה שֶׁאֵין לוֹ מִמְּקוֹם עֵירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיִם אַמָּה. אָמְרוּ לוֹ אֵימָתַי בִּזְמַן שֶׁאֵין בָּהּ דִּיוּרִין אֲבָל בִּזְמַן שֶׁיֵּשׁ בָּהּ דִּיוּרִין מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַּיִם אַמַּה. נִמְצָא קַל בְּתוֹכָהּ מֵעַל גַּבָּהּ. וְלַמּוֹדֵד שֶׁאָמְרוּ נוֹתְנִין לוֹ אַלְפַּיִם אַמָּה שֶׁאֲפִילוּ סוֹף מִידָּתוֹ כָּלֶה בַמְּעֳרָה:

Mishná: Disse-lhes Rabi Akiva: Não concordais comigo, sobre quem põe o seu eruv à boca da meará (gruta), que ele não tem, a partir do lugar do seu eruv, senão alpayim amá (dois mil côvados)? Disseram-lhe: Quando é assim? No tempo em que não há nela diurin (moradores); mas, no tempo em que há nela moradores, ele anda toda ela, e fora dela dois mil côvados. Resulta então que é mais leve a lei dentro dela do que sobre ela. E quanto ao que mede, de quem disseram que se lhe dão dois mil côvados, isso vale mesmo que o fim da sua medida termine dentro da gruta.

A Halachá · הֲלָכָה ח

01Quem adquire shevitá no karpef e quem põe nele o eruv; Rabi Meir e Rabi Yudá
Yerushalmi · Eruvin 5:8
פיס׳. אָמַר לָהֶן רִבִּי עֲקִיבָה אֵי אַתֶּם מוֹדִין לִי כול׳. רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְשֵׁם רִבִּי אֶלְעָזָר. קַל הוּא הַקּוֹנֶה שְׁבִיתָה בְּקַרְפֵּף מִן הַנּוֹתֵן עֵירוּבוֹ בַּקַּרְפֵּף. הַקּוֹנֶה שְׁבִיתָה בְּקַרְפֵּף מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלּוֹ וְחוּצָה לוֹ אַלְפַּיִם אַמָּה. הַנּוֹתֵן עֵירוּבוֹ בַּקַּרְפֵּף אֵין לוֹ מְקוֹם עִירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיִם אַמָּה.

“Disse-lhes Rabi Akiva: Não concordais comigo” etc. Rabi Yaakov bar Achá, em nome de Rabi Elazar: Mais leve é a lei de quem adquire shevitá (o lugar de repouso do Shabat) num karpef (cercado) do que a de quem põe o seu eruv no karpef. Quem adquire shevitá num karpef anda todo ele, o karpef, e fora dele dois mil côvados; quem põe o seu eruv no karpef não tem, a partir do lugar do seu eruv, senão dois mil côvados.

רִבִּי זְעִירָא בָעֵי. אָמַר. תִּקָּנֶה לִי שְׁבִיתָה בְּקַרְפֵּף. אָמַר רִבִּי חֲנַנְיָה בְּרֵיהּ דְּרִבִּי הִילֵּל. מַחֲלוֹקֶת רִבִּי מֵאִיר וְרִבִּי יוּדָא. רִבִּי מֵאִיר אוֹמֵר. עִיקַּר עֵירוּב בַּכִּכָּר. בַּנּוֹתֵן עֵירוּבוֹ בַּקַּרְפֵּף אֵין לוֹ מְקוֹם עִירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיִם אַמָּה. רִבִּי יוּדָה אוֹמֵר. עִיקַּר עֵירוּב בְּרַגְלָיו. בָּאוֹמֵר. תִּקָּנֶה לִי שְׁבִיתָה בְּקַרְפֵּף מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַּיִם אַמָּה.

Rabi Zeira perguntou: e se disse: “Que se adquira para mim shevitá no karpef”, qual é a lei? Disse Rabi Chananyá, filho de Rabi Hilel: é a divergência de Rabi Meir e Rabi Yudá. Rabi Meir diz: o essencial do eruv está no kikar (o pão); e assim ele fica como quem põe o seu eruv no karpef, que não tem, a partir do lugar do seu eruv, senão dois mil côvados. Rabi Yudá diz: o essencial do eruv está nos seus pés; e assim, quem diz “Que se adquira para mim shevitá no karpef” anda todo ele, e fora dele dois mil côvados.

02O telhado da torre e o da gruta; moradores de fato ou aptos; a cidade de duas entradas
Yerushalmi · Eruvin 5:8
גַּג הַמִּגְדָּל נִידּוֹן כְּעִיר. גַּג הַמְּעָרָה נִידּוֹן כְּשָׂדוֹת. מַה. דְּיּוּרִין מַמָּשׁ. אוֹ אֲפִילוּ רְאוּיָה לְדִיּוּרִין. מִן מַה דָמַר רִבִּי יִצָחָק בַּר נַחְמָן בְשֵׁם רִבִּי חֲנִינָה. אַתְּ רוֹאֶה אוֹתָהּ כִּילּוּ מְלֵיאָה מַּיִם וָטִיט. הָדָא אָמְרָה אֲפִילוּ רְאוּיָה לְדִיּוּרִין.

O telhado do migdal (torre) é julgado como cidade; o telhado da gruta é julgado como campos. O que é: é preciso que haja moradores de fato, ou basta que seja mesmo só apta para moradores? Pelo que disse Rabi Yitzchak bar Nachman, em nome de Rabi Chanina: “Tu a vês como se estivesse cheia de água e lama”, isto diz que vale mesmo se ela é só apta para moradores.

אָמַר רִבִּי יִצָחָק בֵּירִבִּי אֶלְעָזָר. הָדָא אָמְרָה עִיר שֶׁיֵּשׁ לָהּ שְׁנֵי פְתָחִים. אִם יֵשׁ בֵּין זֶה לָזֶה אַרְבָּעַת אֲלָפִים אַמָּה חָסֵר אַחַת. מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַיִם אַמָּה. אַרְבָּעַת אַלָפִים אַמָה. אֵין לוֹ מִמְּקוּם עִירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיָם אָמָּה.

Disse Rabi Yitzchak beRabi Elazar: isto diz que uma cidade que tem duas entradas, se há entre uma e outra quatro mil côvados menos um côvado, quem pôs nela o seu eruv anda toda ela, e fora dela dois mil côvados; se há quatro mil côvados, ele não tem, a partir do lugar do seu eruv, senão dois mil côvados.

אָמַר רִבִּי בָּא. אַסְבְּרֵי רִבִּי זְעִירָא. אִין יִתֵּן סַנְדָּלוֹי הָכָא הוּא אֲתֵא בְּרָא וְנַסֵּי לוֹן. אִין יִתֵּן סַנְדָּלוֹי הָכָא הוּא אֲתֵי בְּרָא וְנַסֵּי לוֹן. מַה בין אֲתִי בְרָא וּמַה בֵין אֲתִי בְרָא. מֵרוּחַ אַחַת אָסוּר מִשְׁתֵּי רוּחוֹת מוּתָּר.

Disse Rabi Ba: Rabi Zeira explicou-me: se ele puser as suas sandálias aqui, no meio da cidade, ele vem de fora por um lado e as toma; se puser as suas sandálias aqui, ele vem de fora pelo outro lado e as toma. Que diferença há entre vir de fora por aqui e vir de fora por ali? De um lado só, é proibido; de dois lados, é permitido.

03O telhado da gruta de quatro e de seis mil côvados; as costas dos telhados e do navio
Yerushalmi · Eruvin 5:8
רִבִּי אָחָא בְשֵׁם רַב חִינְנָא אִם הָיְתָה גַגָּהּ שֶׁלְמְעָרָה אַרְבָּעַת אֲלָפִים אַמָּה. מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַּיִם אַמָּה. עַל גַּבֵּי חוֹמָה אֲפִילוּ כַמָּה מוּתָּר. אִם הָיָה גַגָּהּ שֶׁלְמְעָרָה שֵׁשֶׁת אֲלָפִים אַמָּה. מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ עַל יְדֵי נִיבָרִיּוֹת.

Rabi Achá, em nome de Rav Chinena: se o telhado da gruta era de quatro mil côvados, ele anda toda ela, e fora dela dois mil côvados. Sobre uma chomá (muralha), mesmo quanto for o seu comprimento, é permitido. Se o telhado da gruta era de seis mil côvados, ele anda toda ela, e fora dela dois mil côvados, por meio de nibariot (saliências).

אֲחֹרֵי הַגַּגִּין מָהֶן. רִבִּי יוֹסֵה בְשֵׁם רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא רִבִּי אֵינֵיָיא בַּר פָּזִי בְשֵׁם רִבִּי יְהוּדָה רִבִּי אָחָא מַטֵּי בָהּ בְשֵׁם שְׁמוּאֵל. אֲחוֹרֵי הַגַּגִּים מְטַלְטְלִין בָּהֵן אֲפִילוּ כוֹר אֲפִילוּ כוֹרַיִים. רִבִּי מֵאִיר אָמַר. מְטַלְטְלִין בָּהֵן עַד בֵּית סְאָתַיִים.

Os achorei hagaguin (as costas dos telhados), o que são quanto ao transporte? Rabi Yossi, em nome de Rabi Yaakov bar Achá; Rabi Einaya bar Pazi, em nome de Rabi Yehudá; Rabi Achá a traz em nome de Shmuel: nas costas dos telhados se transporta, mesmo numa área de um kor (medida de semeadura), mesmo de dois kor. Rabi Meir disse: transporta-se nelas até uma área de beit seatayim (a área de semeadura de duas seá).

אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. מִילְּתֵיהּ דְּרַב פְּלִיגָא עֲלוּי. דְּתַנִּינָן תַּמָּן. כָּל גַּגּוֹת הָעִיר רְשׁוּת אַחַת. שְׁמוּאֵל אָמַר. עַד בֵּית סְאָתַיִם. רַב אָמַר. מְטַלְטְלִין בָּהֵן וְאֲפִילוּ כוֹר אֲפִילוּ כוֹרַיִים. הִיא אֲחוֹרֵי הַגַּגִּים הִיא אֲחוֹרֵי הַסְּפִינָה.

Disse Rabi Yossi beRabi Bun: a palavra de Rav diverge dele, pois ensinamos ali na Mishná: “Todos os telhados da cidade são uma só reshut (domínio)”; Shmuel disse: até uma área de beit seatayim; Rav disse: transporta-se neles, e mesmo numa área de um kor, mesmo dois kor. A lei das costas dos telhados é a mesma das costas do navio.

Nota

Esta é a oitava e última halachá do Perek Heh, Keitzad Meabrin, de Massechet Eruvin. A sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 5:9, a última do capítulo, inteira, com estas diferenças: o Yerushalmi tem בְּנוֹתֵן אֶת עֵירוּבוֹ עַל פִּי הַמְּעָרָה, “à boca da gruta”, onde a avulsa tem בְנוֹתֵן עֵרוּבוֹ בִמְעָרָה, “numa gruta”; tem אֲבָל בִּזְמַן שֶׁיֵּשׁ בָּהּ דִּיוּרִין, onde a avulsa tem apenas אֲבָל יֶשׁ בָּהּ דִּיוּרִין; tem קַל בְּתוֹכָהּ, onde a avulsa tem קַל תּוֹכָהּ; tem נוֹתְנִין לוֹ אַלְפַּיִם אַמָּה, onde a avulsa tem נוֹתְנִין לוֹ אַלְפַּיִם, sem אַמָּה; e בַמְּעֳרָה, com artigo, onde a avulsa tem בִמְעָרָה. As demais diferenças são de grafia: אֵי por אִי; מוֹדִין por מוֹדִים; עֵירוּבוֹ por עֵרוּבוֹ; כּוּלָּהּ por כֻּלָּהּ; אֲפִילוּ por אֲפִלּוּ; מִידָּתוֹ por מִדָּתוֹ; אַמַּה, com patach, por אַמָּה; e רִבִּי עֲקִיבָה por רַבִּי עֲקִיבָא. A Mishná do Bavli, em Eruvin 61a, tem בִּמְעָרָה, como a avulsa, e שֶׁאֵין לוֹ אֶלָּא מִמְּקוֹם עֵירוּבוֹ, com o אֶלָּא em outra posição, e não tem לוֹ em נוֹתְנִין אַלְפַּיִם אַמָּה. A halachá ocupa quatro segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros três é uma seção desta página.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que “à boca da gruta” quer dizer dentro dela, e que a gruta “em que não há moradores” é a que não é apta para morar; a que é apta para morar, ainda que agora não haja nela moradores, conta toda ela como quatro amot. “Mais leve dentro dela do que sobre ela”: quem pôs o eruv sobre a gruta só tem dois mil côvados a partir do lugar do eruv, porque o alto da gruta não é apto para morar; quem o pôs dentro dela anda toda ela, e dois mil côvados fora. Sobre o que mede, o Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que, embora os sábios divirjam de Rabi Akiva em quem põe o eruv, concordam que quem vem medindo os seus dois mil côvados a partir do lugar em que passa o Shabat, e a sua medida termina dentro da gruta, ainda que habitada, não tem nada além do fim da medida. No Bavli, Eruvin 61b, a guemará traz esta Mishná como objeção à palavra de Rabi Elazar sobre a cidade destruída, e responde: מַאי ״אֵין בָּהּ דָּיוֹרִין״ — אֵינָהּ רְאוּיָה לְדִירָה, “o que é ‘não há nela moradores’? Não é apta para moradia”; traz ainda a baraita de quem passou o Shabat numa cidade, mesmo grande como Antioquia, ou numa gruta, mesmo como a gruta de Tzidkiyahu, rei de Yehudá; e Rava diz ali que, nos eruvin, não há quem se preocupe com esta palavra de Rabi Akiva.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe explica que das palavras dos sábios se aprende a distinguir entre o lugar em que há moradores e o lugar em que não há: quem adquire shevitá num karpef, que tem divisórias, conta o karpef inteiro como quatro amot; quem só põe ali o seu eruv, como o karpef não tem moradores, só tem dois mil côvados a partir do eruv. O Korban HaEdah acrescenta que se trata de um karpef de beit seatayim, como se disse no Perek Bet. A pergunta de Rabi Zeira, segundo o Penei Moshe, é sobre quem estava fora do karpef e disse “que se adquira para mim shevitá nele”: conta como quem está ali ou como quem pôs ali o eruv? O Korban HaEdah dá duas leituras e prefere esta mesma. Rabi Chananyá a liga à divergência do perek anterior, no Yerushalmi Eruvin 4:8, onde Rabi Meir pensa עִיקַּר עֵירוּב בַּכִּכָּר, e o eruv com os pés é uma facilidade para o pobre, e Rabi Yudá pensa עִיקַּר עֵירוּב בְּרַגְלָיו, e o eruv com o pão é uma facilidade para o rico. Por isso, explica o Penei Moshe, para Rabi Meir quem diz “que se adquira para mim shevitá” é como quem põe o eruv, e para Rabi Yudá é como quem passa ali o Shabat num lugar cercado de divisórias.

Sobre a seção 02. O telhado da torre e o da gruta estão na Tosefta Eruvin 4:8 no Sefaria, e 4:10 na edição de Lieberman: מה בין מערה למגדל, גג המערה הרי הוא כארץ, וגג המגדל הרי היא כעיר, “que diferença há entre a gruta e a torre? O telhado da gruta é como a terra, e o telhado da torre é como a cidade”, citada aqui segundo Lieberman; e a Tosefta acrescenta que isso se diz na medida do ibur, e não na medida do techum. O Penei Moshe explica que, se alguém pôs o eruv no telhado da torre, que se usa sempre, é como lugar de moradia, e conta os dois mil côvados fora dela; o telhado da gruta não é apto para morar, e só tem dois mil côvados a partir do eruv. Sobre a pergunta dos moradores, o Korban HaEdah explica que a gruta sem moradores se vê como se estivesse cheia de água e lama, isto é, inapta para morar; daí que a gruta apta para morar, mesmo sem moradores agora, conta como quatro amot, como diz também o Bavli, Eruvin 61b. Sobre a cidade de duas entradas, o Penei Moshe a compara à cidade feita em forma de arco, na halachá 5:1, onde se lê, em nome de Rav, a mesma regra dos quatro mil côvados menos um e a mesma frase das sandálias, ali dita por Rabi Achá: se os dois techumin se engolem um ao outro, a cidade é como uma só. O Korban HaEdah explica as sandálias assim: se ele puser as suas coisas no meio da cidade, pode vir de um lado e tomá-las, pois está a menos de dois mil côvados, e também do outro lado; e diz que a última frase, “de um lado é proibido, de dois lados é permitido”, não pertence a este lugar, e veio para cá junto com o trecho do começo do perek.

Sobre a seção 03. O Penei Moshe explica que Rav Chinena não fala de quem põe o eruv, mas do ibur da cidade: se o telhado de uma gruta começa dentro das setenta amot e um resto da cidade, mesmo que tenha quatro mil côvados, anda-se todo ele e dois mil côvados fora, e o mesmo vale para uma muralha dentro do ibur da cidade; e lê, na frase dos seis mil côvados, גגה של חומה, “o alto da muralha”, e explica os nibariot como os trechos reconhecíveis de uma muralha arrombada em vários lugares. O Korban HaEdah explica que, a mais de quatro mil côvados, ele só tem dois mil a partir do eruv, porque a gruta não é melhor que a cidade de duas entradas; que sobre a muralha da cidade, mesmo a mais de quatro mil, tudo conta como quatro amot; e que os nibariot são palmeiras pequenas plantadas ali. As costas dos telhados, segundo o Korban HaEdah, são o que os telhados sobressaem para fora das paredes construídas embaixo deles; o Penei Moshe diz que a pergunta é sobre o transporte, e a liga à Mishná Eruvin 9:1, כָּל גַּגּוֹת הָעִיר רְשׁוּת אַחַת, “todos os telhados da cidade são um só domínio”, que é palavra de Rabi Meir. O Penei Moshe propõe ler, na cadeia de Shmuel, “mesmo um kor ou dois kor”, e em seguida רב אמר מטלטלין בהן עד בית סאתים, “Rav disse: transporta-se nelas até beit seatayim”, em lugar de “Rabi Meir disse”, porque depois a guemará contrapõe a palavra de Rav à de Rav; a tradução segue o texto do Sefaria. O Korban HaEdah entende que a palavra de Rav diverge da de Shmuel. A divergência de Rav e Shmuel sobre os telhados está também no Yerushalmi Eruvin 9:1, em nome de Rabi Yossi beRabi Bun, com as mesmas palavras: Shmuel, até beit seatayim; Rav, mesmo um kor e mesmo dois kor. Sobre o navio, o Penei Moshe explica que, se há navios no rio junto à cidade, próximos uns dos outros, as suas costas são como as costas dos telhados, e contam como parte da cidade; o Korban HaEdah diz que, assim como Rav e Shmuel divergem nas costas dos telhados, divergem nas costas do navio.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 5:9; Bavli Eruvin 61a, a Mishná, e 61b, a objeção a partir desta Mishná, o “não é apta para moradia”, a baraita de Antioquia e da gruta de Tzidkiyahu, a palavra de Rava e o fim do capítulo; Tosefta Eruvin 4:8 no Sefaria, 4:10 em Lieberman; Yerushalmi Eruvin 4:8, a divergência de Rabi Meir e Rabi Yudá; Yerushalmi Eruvin 5:1, a cidade em forma de arco e as sandálias; Mishná Eruvin 9:1 e Yerushalmi Eruvin 9:1; Yerushalmi Eruvin 6:1. Não se citam outros paralelos do Bavli sobre as costas dos telhados, por não terem sido conferidos.

Leituras incertas. עַל פִּי הַמְּעָרָה ficou “à boca da gruta”, literal; o Penei Moshe lê “dentro dela”. אֵי אַתֶּם מוֹדִין לִי foi traduzido como pergunta. Na seção 01, בַּנּוֹתֵן עֵירוּבוֹ e בָּאוֹמֵר, com a preposição, ficaram “como quem põe o seu eruv” e “quem diz”; e מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ, no feminino, ficou “anda todo ele, e fora dele”, referido ao karpef, como no começo da seção, que tem כּוּלּוֹ e לוֹ. Na seção 02, מַה. דְּיּוּרִין מַמָּשׁ ficou “o que é: é preciso que haja moradores de fato”; אַתְּ רוֹאֶה אוֹתָהּ ficou “tu a vês”, no sentido de “tu a consideras”; אַסְבְּרֵי רִבִּי זְעִירָא ficou “Rabi Zeira explicou-me”, com o Penei Moshe, que completa לי; וְנַסֵּי לוֹן ficou “e as toma”, com o Korban HaEdah, que o explica por ונסב להם; e “no meio da cidade”, “por um lado” e “pelo outro lado” foram completados segundo o Korban HaEdah. Na seção 03, מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ ficou “anda toda ela”, referido à gruta; נִיבָרִיּוֹת ficou nibariot, “saliências”, com Guggenheimer, e os comentaristas o explicam de outros modos; אֲפִילוּ כַמָּה ficou “mesmo quanto for o seu comprimento”; מָהֶן foi completado com “quanto ao transporte”, segundo o Penei Moshe; מַטֵּי בָהּ ficou “a traz”; רִבִּי אֵינֵיָיא בַּר פָּזִי ficou Rabi Einaya bar Pazi, e a vocalização do nome é incerta; פְּלִיגָא עֲלוּי ficou “diverge dele”, sem decidir se é dele mesmo, como lê o Penei Moshe, ou de Shmuel, como lê o Korban HaEdah; e הִיא אֲחוֹרֵי הַגַּגִּים הִיא אֲחוֹרֵי הַסְּפִינָה ficou “a lei das costas dos telhados é a mesma das costas do navio”.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 02, Guggenheimer escreve “Rabbi Aḥa said” para אָמַר רִבִּי בָּא, e a tradução diz Rabi Ba; na passagem paralela de 5:1, o hebraico tem, de fato, אָמַר רִבִּי אָחָא. סָבַר רִבִּי שְׁמוּאֵל. Ele propõe ler מערה, “gruta”, em lugar de עִיר, na frase de Rabi Yitzchak beRabi Elazar, e a tradução mantém “cidade”. Na seção 03, ele sugere “quatro mil menos um” na frase de Rav Chinena, e a tradução mantém “quatro mil côvados”; propõe ler “Rav Jehudah” onde o hebraico tem רִבִּי יְהוּדָה, e a tradução diz Rabi Yehudá; e escreve “Rebbi Jehudah” para רִבִּי יוּדָא e רִבִּי יוּדָה, na seção 01, onde a tradução diz Rabi Yudá. Ele traduz karpef como “fore-court”, e a tradução o mantém como termo. Referências corrigidas: a nota 162 de Guggenheimer remete a “Mishnah 10”, e trata-se da Mishná desta mesma halachá, que é a Mishná avulsa Eruvin 5:9; a nota 161 remete ao capítulo 4, que é o Yerushalmi Eruvin 4:8; a nota 170 remete à Mishná 9:1, conferida.

Nomes nesta página: Rabi Akiva, רִבִּי עֲקִיבָה, na Mishná; Rabi Yaakov bar Achá, רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא; Rabi Elazar, רִבִּי אֶלְעָזָר; Rabi Zeira, רִבִּי זְעִירָא; Rabi Chananyá, filho de Rabi Hilel, רִבִּי חֲנַנְיָה בְּרֵיהּ דְּרִבִּי הִילֵּל; Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר; Rabi Yudá, רִבִּי יוּדָא e רִבִּי יוּדָה, na seção 01; Rabi Yitzchak bar Nachman, רִבִּי יִצָחָק בַּר נַחְמָן; Rabi Chanina, רִבִּי חֲנִינָה; Rabi Yitzchak beRabi Elazar, רִבִּי יִצָחָק בֵּירִבִּי אֶלְעָזָר; Rabi Ba, רִבִּי בָּא, na seção 02; Rabi Achá, רִבִּי אָחָא; Rav Chinena, רַב חִינְנָא; Rabi Yossi, רִבִּי יוֹסֵה; Rabi Einaya bar Pazi, רִבִּי אֵינֵיָיא בַּר פָּזִי; Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה; Shmuel, שְׁמוּאֵל; Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן; e Rav, רַב, na seção 03. Na nota: Rava, no Bavli.

Do hebraico foram retirados os rótulos de Mishná e de halachá e o marcador de folha de Vilna 37b, que estava na seção 01, antes de עִיקַּר עֵירוּב בַּכִּכָּר; não há marcador numérico nem de Veneza, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. A marca פיס׳ e o כול׳ foram mantidos, assim como as grafias do Sefaria, como דְּיּוּרִין, מַּיִם, יִצָחָק, מִמְּקוּם, אַלְפַּיָם אָמָּה, שֶׁלְמְעָרָה, אֲחֹרֵי ao lado de אֲחוֹרֵי, e וְאֲפִילוּ; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria. A seção 01 foi dividida em dois pares, e as seções 02 e 03 em três pares cada, nos pontos em que muda o assunto. Os dois comentaristas encerram aqui com הדרן עלך כיצד מעברין, e o Bavli, em Eruvin 61b, com הַדְרָן עֲלָךְ כֵּיצַד מְעַבְּרִין.

A Mishná seguinte, Eruvin 6:1, abre o Perek Vav, HaDar: “הַדָּר עִם הַנָּכְרִי בֶחָצֵר אוֹ עִם מִי שֶׁאֵינוֹ מוֹדֶה בָעֵירוּב…”, “quem mora com o não judeu num pátio, ou com quem não reconhece o eruv…”, isto é, quem divide o pátio com quem não participa do eruv, que lhe proíbe o transporte. No Bavli, essa Mishná está em Eruvin 61b, logo depois do fim do capítulo Keitzad Meabrin, no início do capítulo HaDar, e ali se lê הַדָּר עִם הַנׇּכְרִי בֶּחָצֵר, אוֹ עִם מִי שֶׁאֵינוֹ מוֹדֶה בָּעֵירוּב, com בֶּחָצֵר e בָּעֵירוּב onde o Yerushalmi tem בֶחָצֵר e בָעֵירוּב.

Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Heh de Massechet Eruvin, Keitzad Meabrin (כֵּיצַד מְעַבְּרִין).