Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Heh · Halachá 7
עֵרוּבִין

Os da cidade grande andam toda a cidade pequena; a cidade destruída, o curral e a cidade nova e a velha

Perek Heh, Keitzad Meabrin, Halachá 7, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Sétima halachá do Perek Heh, Keitzad Meabrin (como se faz o ibur), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que os homens de uma cidade grande andam toda a cidade pequena, e os de uma cidade pequena, toda a cidade grande: quem estava numa delas e pôs o seu eruv na outra anda toda ela e mais dois mil côvados fora dela, e Rabi Akiva diz que não tem senão dois mil côvados a partir do lugar do seu eruv. A guemará corrige a leitura, os da cidade pequena não andam toda a cidade grande, e tira dali o “como”; pergunta se a cidade entra na medida dos dois mil côvados do techum (limite de Shabat), e traz Tiberíades e Chamatá, o pastor velho que se lembrava dos moradores de Migdal, e a permissão de Rabi aos moradores de Gadar; diz que Rabi Akiva e os sábios divergem só quando o eruv está na praça; discute a cidade destruída e o eruv posto num curral; e termina com a cidade nova, que se mede a partir das casas, e a velha, que se mede a partir da muralha. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 61a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אַנְשֵׁי עִיר גְּדוֹלָה מְהַלְּכִין אֶת כָּל עִיר קְטַנָּה. וְאַנְשֵׁי עִיר קְטַנָּה מְהַלְּכִין אֶת כָּל עִיר גְּדוֹלָה. כֵּיצַד מִי שֶׁהָיָה בְעִיר גְּדוֹלָה וְנָתַן אֶת עֵירוּבוֹ בְעִיר קְטַנָּה. אוֹ בְעִיר קְטַנָּה וְנָתַן אֶת עֵירוּבוֹ בְעִיר גְּדוֹלָה מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַּיִם אַמָּה. רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר אֵין לוֹ מִמְּקוֹם עֵירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיִם אַמָּה:

Mishná: Os homens de uma cidade grande andam toda a cidade pequena, e os homens de uma cidade pequena andam toda a cidade grande. Como assim? Quem estava numa cidade grande e pôs o seu eruv (a junção de Shabat que fixa o seu lugar) numa cidade pequena, ou estava numa cidade pequena e pôs o seu eruv numa cidade grande, anda toda ela, a cidade do eruv, e fora dela alpayim amá (dois mil côvados). Rabi Akiva diz: ele não tem para andar, a partir do lugar do seu eruv, senão dois mil côvados.

A Halachá · הֲלָכָה ז

01Assim é a Mishná: os da cidade pequena não andam toda a cidade grande; não há aqui “como”
Yerushalmi · Eruvin 5:7
פיס׳. אַנְשֵׁי עִיר גְּדוֹלָה מְהַלְּכִין אֶת כָּל עִיר קְטַנָּה כול׳. כֵּינִי מַתְנִיתָא. אַנְשֵׁי עִיר גְּדוֹלָה מְהַלְּכִין אֶת כָּל הָעִיר קְטַנָּה. אַנְשֵׁי הָעִיר קְטַנָּה אֵינָן מְהַלְּכִין אֶת כָּל עִיר גְּדוֹלָה. כֵּיצַד. לֵית כָּאן כֵּיצַד.

“Os homens de uma cidade grande andam toda a cidade pequena” etc. Assim é a matnita (Mishná), como se deve lê-la: “Os homens de uma cidade grande andam toda a cidade pequena; os homens da cidade pequena não andam toda a cidade grande.” E quanto ao “como”: não há aqui “como” na Mishná.

02A cidade entra na medida dos dois mil? Tiberíades e Chamatá; o pastor velho; Gadar
Yerushalmi · Eruvin 5:7
עִיר מָהוּ שֶׁתַּעֲלֶהּ מִמִּידַּת אַלְפַּיִים. אָמַר רִבִּי חִזְקִיָּה רִבִּי סִימוֹן בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. אֵין עִיר עוֹלָה מִמִּידַּת אַלְפַּיִים. אָמַר רִבִּי אֶלְעָזָר. עִיר עוֹלָה מִמִּידַּת אַלְפַּיִים.

Uma cidade, o que é a lei: que ela suba da medida dos dois mil, sendo contada dentro dela? Disse Rabi Chizkiyá, Rabi Simon disse em nome de Rabi Yochanan: uma cidade não sobe da medida dos dois mil. Disse Rabi Elazar: uma cidade sobe da medida dos dois mil côvados.

בָּרִאשׁוֹנָה הָיוּ בְנֵי טִיבֵּרִיָּא מְהַלְּכִין אֶת כָּל חַמָּתָה. וּבְנֵי חַמָּתָה אֵינָן מַגִּיעִין אֶלָּא עַד הַכִּיפָּה. וְעַכְשָׁיו בְּנֵי חַמָּתָה וּבְנֵי טִיבֵּרִיָּא עִיר אַחַת הִיא.

Antigamente, os moradores de Tiberíades andavam toda a Chamatá (a localidade das fontes quentes), e os moradores de Chamatá não chegavam em Tiberíades senão até a Kipá (a abóbada). E agora, os moradores de Chamatá e os moradores de Tiberíades, tudo é uma só cidade.

אָמַר רִבִּי יִרְמְיָה. מַעֲשֶׂה בְרוֹעֶה אֶחָד זָקֵן שֶׂבָּא וְאָמַר לִפְנֵי רִבִּי. זָכוּר אֲנִי שֶׁהָיוּ בְנֵי מִגְדָּל עוֹלִין לְחַמָּתָה וּמְהַלְּכִין אֶת כָּל חַמָּתָה וּמַגִּיעִין לְחָצֵר הָחִיצוֹנָה הַסְּמוּכָה לַגֶּשֶׁר. וְהִתִּיר רִבִּי שֶׁיְּהוּ בְנֵי מִגְדָּל עוֹלִין לְחַמָּתָה וּמְהַלְּכִין אֶת כָּל חַמָּתָה וּמַגִּיעִין לְחָצֵר הָחִיצוֹנָה עַד הַגֶּשֶׁר.

Disse Rabi Yirmeyá: houve um caso com um pastor velho, que veio e disse diante de Rabi (Rabi Yehudá HaNassi): Lembro-me do tempo em que os moradores de Migdal subiam no Shabat a Chamatá, e andavam toda a Chamatá, e chegavam até o pátio exterior, o que está junto à ponte. E Rabi permitiu então que os moradores de Migdal subissem a Chamatá, e andassem toda a Chamatá, e chegassem ao pátio exterior, até a ponte.

וְעוֹד הִתִּיר רִבִּי שֶׁיְּהוּ בְנֵי גָּדֵר יוֹרְדִין לְחַמָּתָהּ וְעוֹלִין לְגָדֵר. וּבְנֵי חַמָּתָהּ אֵינָן עוֹלִין לְגָדֵר.

E Rabi permitiu ainda que os moradores de Gadar descessem a Chamatá, a de Gadar, e subissem de volta a Gadar; e os moradores de Chamatá, porém, não sobem a Gadar.

אָמַר רִבִּי מָנָא. מִפְּנֵי הָרְשׁוּיוֹת. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן. לֹא מִן הַטַּעַם הַזֶּה אֶלָּא בְגִין דְּתַנִּינָן. אַנְשֵׁי עִיר גְּדוֹלָה מְהַלְּכִין אֶת כָּל עִיר קְטַנָּה. וְאֵין אַנְשֵׁי עִיר קְטַנָּה מְהַלְּכִין אֶת כָּל עִיר גְּדוֹלָה.

Disse Rabi Mana: é por causa das reshuyot (as autoridades). Disse Rabi Yossi beRabi Bun: não é por esta razão, mas porque ensinamos na Mishná: “Os homens de uma cidade grande andam toda a cidade pequena, e os homens de uma cidade pequena não andam toda a cidade grande.”

03Em que divergem: o eruv na praça e o eruv nas casas; a cidade que fez eruv
Yerushalmi · Eruvin 5:7
רִבִּי יִצְחָק בַּר נַחְמָן בְּשֵׁם רִבִּי חֲנִינָה. מַה פְלִיגִין. בְּשֶׁנָּתְנוּ עֵירוּבָן בִּפְלַטֵיָא. אֲבָל אִם נָתְנוּ עֵירוּבָן בְּבָתְּים אַף רִבִּי עֲקִיבָה מוֹדֶה.

Rabi Yitzchak bar Nachman, em nome de Rabi Chanina: Em que divergem Rabi Akiva e os sábios? Quando puseram o seu eruv na pelatia (a praça aberta). Mas, se puseram o seu eruv nas casas da cidade, até Rabi Akiva concorda que anda toda ela.

רִבִּי בָּא בָּרֵיהּ דְּרִבִּי פַּפַּי בָעֵי. הָיְתָה עִיר שֶׁעִירְבָה וְנָתְנוּ עֵירוּבָן בִּפְלַטֵיָא לֹא כְמִי שֶׁנָּתְנוּ עֵירוּבָן בְּבָתְּים.

Rabi Ba, filho de Rabi Papai, perguntou: se era uma cidade que fez eruv para si, e puseram o seu eruv na pelatia, não é como aqueles que puseram o seu eruv nas casas?

04A cidade destruída; o eruv no curral e no estábulo
Yerushalmi · Eruvin 5:7
עִיר שֶׁחָרְבָה. רִבִּי לָעְזְר אוֹמֵר. מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַּיִם אַמָּה. שְׂמוּאֵל אָמַר. אֵין לוֹ מְקוֹם עִירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיִם אַמָּה.

Uma cidade que foi destruída: Rabi Lazar diz: quem pôs nela o seu eruv anda toda ela, e fora dela dois mil côvados. Shmuel disse: ele não tem, a partir do lugar do seu eruv, senão dois mil côvados.

רִבִּי בַּא בַּר כַּהֲנָא רַב חִיָיה בַּר אַשִּׁי בְשֵׁם רַב. הַנּוֹתֵן עֵירוּבוֹ בְּדִיר אוֹ בְסַהַר מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ וְחוּצָה לָהּ אַלְפַּיִים אַמָּה. וְדִיר וְסַהַר לֹא כְמִי שֶׁחָרְבוּ בָּתִּים וְדִיּוּרִין.

Rabi Ba bar Kahana, Rav Chiya bar Ashi, em nome de Rav: quem põe o seu eruv num dir (curral) ou num sahar (estábulo) anda todo ele, e fora dele dois mil côvados. E o dir e o sahar não são como um lugar de que se destruíram as casas e os moradores?

05A cidade nova e a velha; os nove para karpef e o décimo para morador
Yerushalmi · Eruvin 5:7
עִיר חֲדָשָׁה מוֹדֵד מִן הַבָּתִּים וִישָׁנָה מוֹדֵד מִן הַחוֹמָה. אֵי זוֹ הִיא חֲדָשָׁה וְאֵי זוֹ הִיא יְשָׁנָה. רִבִּי זְעִירָא בְשֵׁם רַב חַסְדַּאי. בָּנָה בָתִּים וְאַחַר כָּךְ בָּנָה חוֹמָה. זוֹ הִיא חֲדָשָׁה. בָּנָה חוֹמָה וְאַחַר כָּךְ בָּנָה בָתִּים. זוֹ הִיא יְשָׁנָה.

Uma ir chadashá (cidade nova): mede-se a partir das casas; e a yeshaná (velha): mede-se a partir da chomá (muralha). Qual é a nova e qual é a velha? Rabi Zeira, em nome de Rav Chisdai: se construiu casas e depois construiu uma muralha, esta é a nova; se construiu uma muralha e depois construiu casas, esta é a velha.

רִבִּי זְעִירָא אָמַר. בֵּין זוֹ וּבֵין זוֹ חֲדָשָׁה. וְאֵי זוֹ הִיא יְשָׁנָה. כָּל שֶׁהָיוּ בָהּ דִּיּוּרִין וְחָרְבוּ.

Rabi Zeira disse: tanto esta como aquela é nova. E qual é a velha? Toda aquela em que havia moradores, e as moradas se arruinaram.

רִבִּי זְעִירָא בְדַעְתֵּיהּ. דְּאִיתְפַּלְּגוֹן. בָּנָה תִשְׁעָה לְשֵׁם קַּרְפֵּף וְאֶחָד לְשֵׁם דַּיָיר. אָמַר רִבִּי לָעְזָר. וַאֲפִילוּ בָּנָה אֶת הָעֲשִׂירִי לְשֵׁם דַּיָיר. הֲרֵי הוּא כְדִירָה.

Rabi Zeira segue a sua opinião, pois divergiram: construiu nove trechos para karpef (cercado) e um para morador. Disse Rabi Lazar: e mesmo se construiu o décimo para morador, eis que é como moradia.

Nota

Esta é a sétima halachá do Perek Heh de Massechet Eruvin, Keitzad Meabrin, e a sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 5:8, do “os homens de uma cidade grande” até o “dois mil côvados” de Rabi Akiva. As diferenças de conteúdo são estas: o Yerushalmi tem וְאַנְשֵׁי עִיר קְטַנָּה מְהַלְּכִין, “e os homens de uma cidade pequena andam”, e a avulsa, וְאֵין אַנְשֵׁי עִיר קְטַנָּה מְהַלְּכִין, “e os homens de uma cidade pequena não andam”, que é a leitura que a guemará estabelece na seção 01; o Yerushalmi tem אוֹ בְעִיר קְטַנָּה, com “ou”, e a avulsa, בְּעִיר קְטַנָּה, sem ele; e na palavra de Rabi Akiva o Yerushalmi tem אֵין לוֹ מִמְּקוֹם עֵירוּבוֹ אֶלָּא אַלְפַּיִם אַמָּה, e a avulsa, אֵין לוֹ אֶלָּא מִמְּקוֹם עֵרוּבוֹ אַלְפַּיִם אַמָּה, com o אֶלָּא em outra posição, e com וְרַבִּי עֲקִיבָא, com “e”, onde o Yerushalmi tem רִבִּי עֲקִיבָה. São só de grafia ou de vocalização עֵירוּבוֹ por עֵרוּבוֹ e כּוּלָּהּ por כֻּלָּהּ, além da pontuação. A Mishná do Bavli, em Eruvin 61a, lê como o Yerushalmi, וְאַנְשֵׁי עִיר קְטַנָּה מְהַלְּכִין אֶת כׇּל עִיר גְּדוֹלָה. A halachá ocupa seis segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros cinco é uma seção desta página.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que, na leitura da Mishná que está diante dele, tudo trata de quem põe o eruv: quem o põe dentro de uma cidade, grande ou pequena, anda toda ela, porque a cidade inteira conta para ele como quatro amot. Rabi Akiva diverge e diz que a cidade não conta para ele como quatro amot, e o Penei Moshe acrescenta que a halachá não segue Rabi Akiva. O Korban HaEdah diz que Rabi Akiva e os sábios só divergem em quem põe o eruv, e que a cidade em que alguém passa o Shabat é, para todos, como quatro amot.

Sobre a seção 01. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam a correção: na leitura “os homens da cidade pequena não andam toda a cidade grande”, a primeira parte da Mishná não trata de quem põe o eruv, mas de quem mede a partir da sua própria cidade. Para os da cidade grande, a cidade pequena que está dentro dos seus dois mil côvados conta toda ela como quatro amot, e eles completam a medida do outro lado; para os da cidade pequena, a medida termina no meio da cidade grande, e não passam do fim do seu techum. Por isso o “como” não cabe, e o que vem depois é uma frase nova. No Bavli, Eruvin 60b e 61a, Rava cita a mesma leitura, וְאֵין אַנְשֵׁי עִיר קְטַנָּה מְהַלְּכִין אֶת כׇּל עִיר גְּדוֹלָה, para a regra da medida que termina no meio da cidade ou no fim dela; Rav Nachman diz que nem quem lê “os homens” nem quem lê “não os homens” erra, porque um a explica de quem põe o eruv e o outro de quem mede; e a guemará, ali mesmo, completa a Mishná com בַּמֶּה דְּבָרִים אֲמוּרִים, בְּמוֹדֵד, “de que se trata? de quem mede”, antes do “quem estava numa cidade grande”.

Sobre a seção 02. O Penei Moshe liga a pergunta à Mishná anterior, sobre quem põe o eruv fora do techum, que ele lê como fora do ibur: perde a cidade inteira porque a medida da cidade entra na medida dos dois mil? Ele explica que, para Rabi Yochanan, se contam dois mil côvados fora da cidade, além dela. O Korban HaEdah formula a pergunta de outro modo: se a cidade conta como quatro amot, ele tem a partir dela mil novecentos e noventa e seis côvados, ou uma milha inteira além da cidade? Os dois explicam Chamatá como uma cidade pequena junto a Tiberíades, a grande: os de Tiberíades andavam toda Chamatá, e os de Chamatá só chegavam em Tiberíades até a Kipá, que o Korban HaEdah chama de rocha que havia na cidade, porque ali terminava a sua medida; depois se construiu no meio, e tudo virou uma só cidade. O caso do pastor velho está na Tosefta Eruvin 4:13 no Sefaria, e 4:16 na edição de Lieberman, onde os de Migdal e os de Gadar aparecem no mesmo relato: מעשה בזקן אחד רועה שבא לפני ר' ואמ' לו זכור הייתי שהיו בני מגדל גדר יורדין לחמתה עד חצר החיצונה הסמוכה לגשר, “houve um caso com um pastor velho que veio diante de Rabi e lhe disse: lembro-me de que os moradores de Migdal Gadar desciam a Chamatá, até o pátio exterior junto à ponte”, citada aqui segundo Lieberman. O Korban HaEdah observa que, embora o pastor seja inválido para testemunhar, nos limites de Shabat ele é crido. Sobre Gadar, o Penei Moshe explica que ela estava no alto da encosta, e Chamatá embaixo; Rabi Mana diz que os de Chamatá estavam sob outra autoridade, e que os de Gadar batiam neles quando vinham ao seu domínio. O Korban HaEdah explica Rabi Mana de outro modo, por uma Gadar feita em forma de arco; e explica Rabi Yossi beRabi Bun assim: Gadar era a cidade grande e Chamatá a pequena, e os de Chamatá, ao subir, viam a sua medida terminar no meio de Gadar. No Bavli, Eruvin 61a, Rav Yosef cita a mesma baraita, הִתִּיר רַבִּי שֶׁיְּהוּ בְּנֵי גָדֵר יוֹרְדִין לְחַמָּתָן, וְאֵין בְּנֵי חַמָּתָן עוֹלִין לְגָדֵר; Rav Dimi diz que os de Gadar maltratavam os de Chamtan, e que “permitiu” quer dizer “instituiu”; e Rav Safra e Rav Dimi bar Chinena explicam, um, que era uma cidade feita em forma de arco, e o outro, que eram os homens de uma cidade grande e os de uma cidade pequena, como Rabi Yossi beRabi Bun aqui.

Sobre a seção 03. O Penei Moshe explica que, para Rabi Chanina, Rabi Akiva e os sábios só divergem quando o eruv foi posto na praça; se foi posto numa das casas, como as casas estão juntas umas das outras, contam todas como uma só, e ele conta o techum a partir de fora delas. A pergunta de Rabi Ba, segundo ele, é sobre uma cidade cujos moradores fizeram eruv entre si e podem transportar nela toda: o eruv posto na praça dessa cidade não é como o eruv posto numa das casas? E Rabi Akiva falou sem distinguir. O Korban HaEdah descreve a pelatia como uma praça larga, como um mavoi, e entende a pergunta como afirmativa: o que vale para os moradores vale também para quem põe ali o eruv.

Sobre a seção 04. O Korban HaEdah explica a cidade destruída como a que ficou sem moradores, mas cujas muralhas estão em pé, e dá a razão de Shmuel: quando os sábios disseram que a cidade inteira conta como quatro amot, falaram da cidade habitada, como se ensina na Mishná seguinte, “quando não há nela moradores”. Sobre a última frase, os dois comentaristas a leem como pergunta de espanto: o curral e o estábulo nunca tiveram moradores, e mesmo assim Rav diz que se anda todo ele; logo Rav pensa como Rabi Lazar. No Bavli, Eruvin 61b, Rav Yehudá diz em nome de Shmuel que quem passa o Shabat numa cidade destruída anda toda ela, segundo os sábios, e quem põe nela o seu eruv só tem dois mil côvados a partir do lugar do eruv; e Rabi Elazar diz que, tanto num caso como no outro, anda toda ela. Ali mesmo, no fim do perek, Rava diz que, nos eruvin, não há quem se preocupe com esta palavra de Rabi Akiva. A comparação com a caverna, que o Bavli discute em 61a e 61b, está na halachá seguinte do Yerushalmi.

Sobre a seção 05. O Korban HaEdah explica que, quando se construíram primeiro as casas, a muralha é acessória a elas, e se mede a partir das casas; quando se construiu primeiro a muralha, as casas são acessórias a ela, e se mede a partir da muralha. Para Rabi Zeira, enquanto a cidade não se encheu de moradores até a muralha, mede-se a partir das casas. O Penei Moshe acrescenta que Rabi Zeira fala aqui em nome próprio, e explica a divergência dos nove e do décimo: nove pessoas cercaram um lugar como karpef, e a décima terminou o cercado para morar; para Rabi Zeira não se segue o último, e o lugar tem a lei de um karpef que não foi cercado para morar; Rabi Lazar diverge e diz que, mesmo que só o décimo tenha construído para morar, é como moradia. O Korban HaEdah diz que se deve ler הרי הוא כדייר ורבי זעירא אמר אינו כדייר, “eis que é como morador, e Rabi Zeira disse: não é como morador”; a tradução segue o texto do Sefaria, que não tem essa frase. No Bavli, Eruvin 26a, Ravina cita a Rava uma baraita: עִיר חֲדָשָׁה מוֹדְדִין לָהּ מִיְּשִׁיבָתָהּ, וִישָׁנָה מֵחוֹמָתָהּ, “a cidade nova, mede-se a partir do seu povoado, e a velha, a partir da sua muralha”; mas ali a nova é a que foi cercada e depois povoada, e a velha, a que foi povoada e depois cercada, o contrário da definição de Rav Chisdai aqui.

Leituras incertas. עִיר מָהוּ שֶׁתַּעֲלֶהּ מִמִּידַּת אַלְפַּיִים ficou “que ela suba da medida dos dois mil”, literal; o sentido, segundo o Penei Moshe e o Korban HaEdah, é se a cidade é contada dentro dos dois mil côvados. חַמָּתָה ficou como nome de lugar, Chamatá, com os dois comentaristas; pode ser lido “as suas fontes quentes”. הַכִּיפָּה ficou Kipá, “a abóbada”; o Korban HaEdah a chama de rocha. הָרְשׁוּיוֹת ficou “as autoridades”, com o Penei Moshe. Na seção 03, וְנָתְנוּ עֵירוּבָן está no plural, e não fica claro se são os moradores ou os de fora; a tradução mantém o plural. Na seção 04, o hebraico tem אֵין לוֹ מְקוֹם עִירוּבוֹ, sem o מִ, e “a partir do” foi completado; מְהַלֵּךְ אֶת כּוּלָּהּ, com o feminino, ficou “anda todo ele”, referido ao curral; e a pergunta final foi traduzida como pergunta, segundo o בתמיה do Korban HaEdah. Na seção 05, וְחָרְבוּ ficou “e as moradas se arruinaram”; e בָּנָה תִשְׁעָה ficou “construiu nove trechos”, porque o hebraico não diz nove o quê, e o Penei Moshe fala de nove pessoas.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz עוֹלָה מִמִּידַּת como “counted in the measure”, e a tradução diz “sobe da medida”. Ele traduz חַמָּתָה “its hot springs”, e a tradução mantém Chamatá; e הַכִּיפָּה “the cupola”, e a tradução mantém Kipá. Ele escreve Rebbi Abba the son of Rebbi Pappai e Rebbi Abba bar Cahana, onde o hebraico tem רִבִּי בָּא e רִבִּי בַּא, e a tradução diz Rabi Ba; ele traduz וְנָתְנוּ עֵירוּבָן no singular, “he put his eruv”, e a tradução mantém o plural. Ele escreve Rebbi Eleazar para רִבִּי לָעְזְר e רִבִּי לָעְזָר, e a tradução diz Rabi Lazar; e Rav Ḥasdai, e a tradução diz Rav Chisdai. Referências conferidas: a nota 148 de Guggenheimer remete à Tosefta 4:16, que é a numeração de Lieberman, e no Sefaria o relato está em 4:13; a nota 150 remete ao Bavli 61a, onde está a baraita de Gadar; a nota 153 remete ao Bavli 61b, onde está a palavra de Shmuel e de Rabi Elazar; a nota 157 remete ao Bavli 26a, onde está a baraita da cidade nova e da velha. A Mishná do Bavli começa e termina em Eruvin 61a, e a guemará sobre ela está em 61b.

Nomes nesta página: Rabi Akiva, רִבִּי עֲקִיבָה; Rabi Chizkiyá, רִבִּי חִזְקִיָּה; Rabi Simon, רִבִּי סִימוֹן; Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן; Rabi Elazar, רִבִּי אֶלְעָזָר; Rabi Yirmeyá, רִבִּי יִרְמְיָה; Rabi, רִבִּי; Rabi Mana, רִבִּי מָנָא; Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי בּוּן; Rabi Yitzchak bar Nachman, רִבִּי יִצְחָק בַּר נַחְמָן; Rabi Chanina, רִבִּי חֲנִינָה; Rabi Ba, filho de Rabi Papai, רִבִּי בָּא בָּרֵיהּ דְּרִבִּי פַּפַּי; Rabi Lazar, רִבִּי לָעְזְר e רִבִּי לָעְזָר; Shmuel, שְׂמוּאֵל; Rabi Ba bar Kahana, רִבִּי בַּא בַּר כַּהֲנָא; Rav Chiya bar Ashi, רַב חִיָיה בַּר אַשִּׁי; Rav, רַב; Rabi Zeira, רִבִּי זְעִירָא; Rav Chisdai, רַב חַסְדַּאי. Lugares: Tiberíades, Chamatá, Migdal e Gadar. Na nota: Rava, Rav Nachman, Rav Yosef, Rav Dimi, Rav Safra, Rav Dimi bar Chinena, Rav Yehudá e Ravina, no Bavli.

Do hebraico foram retirados os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha de Vilna 36b, na Mishná, antes de שֶׁהָיָה, e 37a, na seção 03, antes de לֹא כְמִי, e o marcador de coluna de Veneza 23a, na seção 02, antes de עִיר גְּדוֹלָה; não há marcador numérico, e nada foi acrescentado. As marcas פיס׳ e כול׳ foram mantidas, assim como as grafias do Sefaria, como שֶׂבָּא, הָחִיצוֹנָה e בְּבָתְּים.