Sexta halachá do Perek Heh, Keitzad Meabrin (como se faz o ibur), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que quem estava no oriente e disse ao seu filho que lhe fizesse eruv no ocidente, ou o contrário, fica com a casa se dela está a duas mil amot e o eruv está mais longe, e fica com o eruv se dele está a duas mil amot e a casa está mais longe; quem põe o seu eruv no ibur da cidade não fez nada, e quem o põe fora do techum perde de um lado aquilo que ganha do outro. A guemará, curta, traz a leitura de Bar Kapara, ao oriente e ao ocidente do filho, e a dificuldade que a motiva: a primeira parte da Mishná se entende, mas como a casa pode estar mais longe do que o eruv? O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 60b.
Mishná: Quem estava no oriente e disse ao seu filho que lhe fizesse eruv (a junção de Shabat que fixa o seu lugar) no ocidente; ou estava no ocidente e disse ao seu filho que lhe fizesse eruv no oriente: se há dele até a sua casa alpayim amá (dois mil côvados), e até o seu eruv mais do que isso, está permitido quanto à sua casa e proibido quanto ao seu eruv. Se há até o seu eruv dois mil côvados e até a sua casa mais do que isso, está permitido quanto ao seu eruv e proibido quanto à sua casa. Quem põe o seu eruv no ibur (literalmente “gravidez”, isto é, a extensão do contorno) da cidade não fez nada. Se o pôs fora do techum (limite de Shabat), aquilo que ganha, ele o perde.
“Quem estava no oriente” etc. Pela dificuldade com que a questiona, Bar Kapara a lê assim: ao oriente do seu filho e ao ocidente do seu filho. Pois está bem: “se há dele até a sua casa dois mil côvados e até o seu eruv mais do que isso, está permitido quanto à sua casa e proibido quanto ao seu eruv”; mas “até o seu eruv dois mil côvados e até a sua casa mais do que isso, está permitido quanto ao seu eruv e, quanto à sua casa, proibido”, como isso se encontra?
Esta é a sexta halachá do Perek Heh de Massechet Eruvin, Keitzad Meabrin, e a sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 5:7, do “quem estava no oriente” até o “aquilo que ganha, ele o perde”. As diferenças de conteúdo são estas: o Yerushalmi diz לְעָרֵב לוֹ, “que lhe fizesse eruv”, em discurso indireto, e a avulsa, עָרֵב לִי, “faze-me eruv”, em discurso direto; no segundo caso o Yerushalmi tem מוּתָּר לְעֵירוּבוֹ וְאָסוּר לְבֵיתוֹ, “permitido quanto ao seu eruv e proibido quanto à sua casa”, e a avulsa inverte a ordem, אָסוּר לְבֵיתוֹ וּמֻתָּר לְעֵרוּבוֹ; o Yerushalmi tem לֹא עָשָׂה כְלוּם, “não fez nada”, e a avulsa, לֹא עָשָׂה וְלֹא כְלוּם; e o Yerushalmi não tem אֲפִלּוּ אַמָּה אַחַת, “mesmo uma amá”, que a avulsa traz depois de “fora do techum”. São só de grafia ou de vocalização בַמַּזְרַח por בַמִּזְרָח, מִמֶּנּוּ por הֵימֶנּוּ, אַלְפַּיִם אַמָּה por אַלְפַּיִם אַמּוֹת, na primeira vez, מִיכָּן por מִכָּאן, עֵירוּבוֹ por עֵרוּבוֹ, מוּתָּר por מֻתָּר, בְּעִיבּוּרָהּ por בְעִבּוּרָהּ e שֶׁנִּשְׂכַּר por שֶׁנִּשְׂכָּר. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a única seção desta página. Na guemará, a citação da segunda parte termina com וּלְבֵיתוֹ אָסוּר, “e quanto à sua casa, proibido”, onde a Mishná do Yerushalmi tem וְאָסוּר לְבֵיתוֹ; a tradução segue a ordem de cada uma.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que o homem estava no campo quando o dia se santificou, e que já tinha dito ao filho, enquanto ainda era dia, que lhe pusesse o eruv do outro lado. “Permitido quanto à sua casa” quer dizer, segundo os dois, que se conta a sua shevitá (lugar de repouso de Shabat) a partir da casa, como se não tivesse feito eruv, porque o eruv distante mais de dois mil côvados não lhe adquire o lugar, já que ele não poderia ir buscá-lo; e “proibido quanto à sua casa”, no segundo caso, quer dizer que não conta as duas mil amot a partir da casa para todos os lados. Sobre o ibur, os dois o explicam como as casas que estão dentro das setenta amot e um resto em volta da cidade: quem põe ali o eruv não fez nada, porque mesmo sem eruv tem duas mil amot a partir da cidade para cada lado, e a cidade inteira conta para ele como quatro amot. Sobre o “fora do techum”, os dois o leem como “fora do ibur da cidade”, e explicam: se pôs o eruv a mil amot a oriente, a medida do oriente vai até três mil amot da cidade, e ele ganha mil; a do ocidente termina mil amot além da cidade, e ele perde mil, porque a cidade já não conta para ele como quatro amot. O Penei Moshe acrescenta que, se as duas mil amot terminam no meio da cidade, ele não pode ir além delas mesmo dentro da cidade.
Sobre a seção 01. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que a dificuldade de Bar Kapara está na segunda parte da Mishná: se “no oriente” e “no ocidente” se medissem a partir da casa, ela ficaria entre o homem e o eruv, e o eruv estaria sempre mais longe; por isso Bar Kapara lê “ao oriente do seu filho e ao ocidente do seu filho”. O Penei Moshe escreve o lema como מן קשויי (לה) מקשי לה בר קפרא, com um לה a mais entre parênteses, e diz que a resposta à pergunta “como isso se encontra” está no Bavli. No Bavli, Eruvin 60b, a mesma dificuldade é formulada, e quem responde que se trata do oriente e do ocidente do filho é Rabi Yitzchak, לֹא, ״לַמִּזְרָח״ — לְמִזְרַח בְּנוֹ, ״לַמַּעֲרָב״ — לְמַעֲרַב בְּנוֹ; Rava bar Rav Sheila responde que pode ser mesmo a partir da casa, quando a casa está na diagonal. Ali mesmo a guemará corrige “fora do techum” para חוּץ לְעִיבּוּרָהּ, “fora do ibur”, e confronta a Mishná com a baraita segundo a qual quem põe o eruv fora do ibur, mesmo uma amá, ganha aquela amá e perde a cidade inteira, porque a medida da cidade entra na medida do techum; a resposta distingue a medida que termina no meio da cidade da que termina no fim dela. A baraita está na Tosefta Eruvin 3:12 no Sefaria, e 3:14 na edição de Lieberman: הנותן את עירובו בעיבורה של עיר לא עשה ולא כלום. נתנו חוץ לתחום אמה אחת מסתכר באותה אמה ומפסיד את כל העיר, “quem põe o seu eruv no ibur da cidade não fez nada; se o pôs fora do techum uma amá, ganha aquela amá e perde a cidade inteira”, citada aqui segundo Lieberman.
Leituras incertas. מִן קוֹשֵׁיי מַקְשֵׁי לָהּ בַּר קַפָּרָא foi traduzido “pela dificuldade com que a questiona, Bar Kapara a lê assim”; o hebraico não diz “lê”, e a frase seguinte, “ao oriente do seu filho e ao ocidente do seu filho”, foi entendida, com o Penei Moshe e o Korban HaEdah, como a leitura que resolve a dificuldade. מוּתָּר לְבֵיתוֹ foi traduzido “permitido quanto à sua casa”, segundo o לדין ביתו dos dois comentaristas, em vez de “permitido até a sua casa”. עִיבּוּרָהּ שֶׁל עִיר ficou “o ibur da cidade”, como nas outras páginas deste capítulo. מַה שֶׁנִּשְׂכַּר pode ser lido como passado, “o que ganhou”; manteve-se “aquilo que ganha”, como na página do Bavli. O “como isso se encontra” do fim completa a pergunta que o Penei Moshe chama de בתמיה, de espanto.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz מִן קוֹשֵׁיי מַקְשֵׁי לָהּ בַּר קַפָּרָא como pergunta, “did Bar Qappara ask”, e a tradução o diz como afirmação. Ele traduz מוּתָּר לְבֵיתוֹ “permitted up to his house”, e a tradução diz “permitido quanto à sua casa”. Para o ibur ele usa “complement of the town”, e a tradução mantém ibur. Ele traduz חוּץ לַתְּחוּם como “outside the domain”, e a tradução diz “fora do techum”. Ele escreve Bar Qappara, e a tradução, Bar Kapara. Referências conferidas: a nota 142 de Guggenheimer remete ao Bavli, Eruvin 60b, onde está a resposta de Rabi Yitzchak; a Mishná começa no Bavli em Eruvin 60a e termina em 60b, e a guemará está em 60b; a baraita está na Tosefta Eruvin 3:12 do Sefaria e 3:14 de Lieberman. No Bavli, Eruvin 60b, não aparece Rabi Yehudá nem Rabi Yudá nesta discussão, e nada se citou dele.
Nomes nesta página: Bar Kapara, בַּר קַפָּרָא, na guemará. Na nota: Rabi Yitzchak e Rava bar Rav Sheila, no Bavli.
Do hebraico foram retirados os rótulos de Mishná e de halachá; não há marcador de folha de Vilna nem de Veneza, nem marcador numérico, e nada foi acrescentado. As marcas פיס׳ e כול׳ foram mantidas, assim como as grafias do Sefaria, como בַמַּזְרַח, na Mishná, e מִִיכֵּן, com dois sinais de chiriq, e קוֹשֵׁיי, na guemará.