Sétima halachá do Perek Dalet, Mi SheHotziuhu (aquele a quem levaram para fora), de Massechet Eruvin. A Mishná trata de quem vinha pelo caminho e temia que escurecesse, e conhecia uma árvore ou uma cerca: se disse que o seu lugar de Shabat é debaixo dela, não disse nada; se disse que é na sua raiz, caminha alpayim amá até a raiz e outras alpayim amá da raiz até a sua casa, quatro mil amot depois que escureceu. Quem não conhece nenhum marco, ou não é versado na halachá, e diz que o seu lugar de Shabat é onde está, adquire alpayim amá para cada direção, redondas segundo Rabi Chananiá ben Antigonos e quadradas, como uma tábua quadrada, segundo os chachamim. A guemará é uma só frase: se, de dois, um conhece o marco e o outro não, cada um caminha com o outro. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 49b.
Mishná: Quem vinha pelo caminho e temia que escurecesse, e conhecia uma árvore ou uma gader (cerca de pedras), e diz: “a minha shevitá (lugar de repouso de Shabat) seja debaixo dela”, não disse nada. Se disse: “a minha shevitá seja na sua raiz”, caminha do lugar dos seus pés até a sua raiz alpayim amá (dois mil côvados), e da sua raiz até a sua casa alpayim amá; resulta que caminha, depois que escureceu, quatro mil amot (côvados).
Se não conhece nenhuma árvore ou cerca, ou não é versado na halachá (a norma prática), e disse: “a minha shevitá seja no meu lugar”, o seu lugar lhe adquire alpayim amá para cada direção. São redondas, palavras de Rabi Chananiá ben Antigonos. E os chachamim (sábios) dizem: quadradas, como uma tábua quadrada, para que ele ganhe os cantos.
Se havia dois, um que conhece a árvore ou a cerca e um que não conhece: este que conhece caminha com este que não conhece, e este que não conhece caminha com este que conhece.
Esta é a sétima halachá do Perek Dalet de Massechet Eruvin, Mi SheHotziuhu, e a sua Mishná corresponde a duas mishnayot da Mishná avulsa: a Mishná Eruvin 4:7, até “quatro mil amot”, e a Mishná Eruvin 4:8, de “se não conhece” até o fim; no hebraico do Sefaria, os dois pontos depois de אַרְבַּעַת אֲלָפִים אַמַּה marcam essa divisão. As diferenças de conteúdo em relação à avulsa são estas: וְהָיָה יָרֵא שֶׁמָּא תֶּחֱשָׁךְ, “e temia que escurecesse”, onde a avulsa tem וְחָשְׁכָה לוֹ, “e escureceu para ele”; אוֹמֵר, “diz”, onde a avulsa tem וְאָמַר, “e disse”; אוֹ אֵינוֹ בָקִי, onde a avulsa tem אוֹ שֶׁאֵינוֹ בָקִי, com o mesmo sentido; רַבִּי חֲנַנְיָה, onde a avulsa tem רַבִּי חֲנִינָא; e נִשְׂכָּר אֶת הָזָּוִיוֹת, onde a avulsa tem נִשְׂכָּר לַזָּוִיּוֹת, ambos “ganhe os cantos”. As demais são de grafia e de vocalização: עִיקָּרוֹ e עִקָּרוֹ; אַלְפַּיִים e אַלְפַּיִם; מִשֶּׁחָשֵׁכָה e מִשֶּׁחֲשֵׁכָה; אַמַּה e אַמָּה; עֲגוּלּוֹת e עֲגֻלּוֹת; בֶּן e בֶן; מְרוּבָּעוֹת e מְרֻבָּעוֹת; כְּטַבֻלָא מְרוֹבַּעַת e כְּטַבְלָא מְרֻבַּעַת; שֶׁיְהֵא e שֶׁיְּהֵא; תַּחְתָּיו e תַחְתָּיו. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 49b, seguida da Mishná que na avulsa é Eruvin 4:9, “e esta é a que disseram: o pobre faz eruv (a junção que permite transportar ou caminhar no Shabat) com os seus pés”, e que no Yerushalmi é a Mishná de 4:8; o Bavli também lê וְחָשְׁכָה לוֹ e חֲנִינָא, e a sua guemará sobre as partes desta Mishná vai de 49b a 51a. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná e o segundo é a seção 01.
Sobre a Mishná. Quem está no caminho na véspera do Shabat pode, de onde está, adquirir o seu lugar de Shabat num ponto que conhece, até alpayim amá de distância, e então mede o techum (limite de Shabat) a partir desse ponto; por isso, se a árvore está a alpayim amá de onde ele está e a outras alpayim amá da sua casa, ele chega em casa depois que escureceu. “Debaixo dela” não basta, porque a área debaixo da árvore pode ser maior do que quatro amot, e o lugar não fica definido; “na sua raiz” é um ponto definido. No Bavli, Eruvin 49b, a guemará pergunta o que é “não disse nada”: Rav diz que não disse nada em absoluto, e nem até debaixo da árvore ele pode ir; Shmuel diz que não disse nada quanto à sua casa, mas até debaixo da árvore ele pode ir, e fica como o chamar gamal (condutor de jumento e condutor de camelo), que é puxado para os dois lados: se vem medir pelo norte, medem-lhe pelo sul, e se vem medir pelo sul, medem-lhe pelo norte. Em 50a, Rabá explica que a razão de Rav é que ele não definiu o seu lugar. Quem não conhece nenhum marco, ou não sabe que pode adquirir o lugar de longe, fica com o lugar onde está, e tem alpayim amá para cada lado. Segundo Rabi Chananiá ben Antigonos, a área é um círculo com esse raio; segundo os chachamim, é um quadrado com lados de quatro mil amot, e quem anda do centro até um canto ganha a diagonal, cerca de duas mil oitocentas e vinte e oito amot.
Sobre as alpayim amá redondas ou quadradas. No Bavli, Eruvin 51a, a guemará aprende as quatro amot de “fique cada um no seu lugar”, שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו, e as alpayim amá de “não saia ninguém do seu lugar”, אַל יֵצֵא אִישׁ מִמְּקוֹמוֹ, em Shemot 16:29; e Rav Chisda liga, por uma cadeia de gezerá shavá (analogia entre palavras iguais em dois versículos), a palavra “lugar” às alpayim amá das cidades dos levitas, em Bamidbar 35:5: וּמַדּוֹתֶם מִחוּץ לָעִיר אֶת פְּאַת קֵדְמָה אַלְפַּיִם בָּאַמָּה, “e medireis fora da cidade, do lado do oriente, dois mil côvados”. A guemará pergunta como Rabi Chanina ben Antigonos, que diz redondas, entende isso, se o versículo fala de lados; e responde que o versículo diz זֶה יִהְיֶה לָהֶם מִגְרְשֵׁי הֶעָרִים, “isto lhes será os campos das cidades”: a estes se dão lados, e não aos que repousam no Shabat. A mesma disputa está na Tosefta Eruvin 3:10, na numeração do Sefaria: לכל רוח מרובעות לא עגולות רבי חנינא בן אנטיגנוס אומר עגולות ולא מרובעות, “para cada direção, quadradas e não redondas; Rabi Chanina ben Antigonos diz: redondas e não quadradas”. A halachá anterior, Eruvin 4:6, diz que, embora Rabi Chananiá ben Antigonos discorde dos rabanan (os sábios) quanto às amot, ele concorda quanto às extensões das cidades.
Sobre a seção 01. A frase aplica a Mishná a dois que vinham juntos pelo caminho, dos quais só um conhece a árvore ou a cerca. O Yerushalmi não diz como o que não conhece adquire o lugar; Guggenheimer entende que ele adota o lugar de Shabat do companheiro sem conhecer a região. A Tosefta Eruvin 3:13, na numeração do Sefaria, traz a mesma regra em nome de Rabi Yossi: היו שנים א' מכיר וא' שאינו מכיר [הואיל וא' מהן מכיר שניהן מותרין], “se eram dois, um que conhece e um que não conhece, já que um deles conhece, ambos são permitidos”. No Bavli, Eruvin 50b, uma baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná) citada a favor de Rav diz que o que não conhece entrega a sua shevitá ao que conhece, e o que conhece diz: “a minha shevitá é no lugar tal”. Em 51a, Rabá e Rav Yossef iam pelo caminho, e Rabá disse que a shevitá deles fosse debaixo de certa palmeira; Rav Yossef disse que não a conhecia, e Rabá respondeu que confiasse nele, porque Rabi Yossi ensina que, se eram dois, um que conhece e um que não conhece, o que não conhece entrega a sua shevitá ao que conhece. A guemará observa que Rabá citou o nome de Rabi Yossi não porque a regra fosse só dele, mas para que Rav Yossef a aceitasse, porque Rabi Yossi tem as suas razões consigo.
Leituras incertas. עִיקָּרוֹ foi traduzido “a sua raiz”, a base do tronco junto ao chão; Guggenheimer traduz “its roots”. אוֹמֵר, no presente, foi mantido “diz”, e שְׁבִיתָתִי תַּחְתָּיו, sem verbo, foi completado com “seja”. זָכָה לוֹ מְקוֹמוֹ foi traduzido à letra, “o seu lugar lhe adquire”. עֲגוּלּוֹת e מְרוּבָּעוֹת estão no feminino plural e se referem às amot; foram traduzidos “redondas” e “quadradas”. נִשְׂכָּר אֶת הָזָּוִיוֹת foi traduzido “ganhe os cantos”. Na guemará, o objeto de מַכִּיר não está escrito e foi completado com “a árvore ou a cerca”, da Mishná; מְהַלֵּךְ עִם foi traduzido à letra, “caminha com”.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz זָכָה לוֹ מְקוֹמוֹ como “his place empowers him”, e aqui ficou “o seu lugar lhe adquire”; traduz עֲגוּלּוֹת דִּבְרֵי רַבִּי חֲנַנְיָה como “circular according to Rebbi Ḥanania”, e aqui ficou “são redondas, palavras de Rabi Chananiá”; e traduz מַכִּיר, na guemará, no passado, “recognized”, onde o hebraico tem o particípio, e aqui ficou “conhece”. Na nota à guemará, Guggenheimer chama esta Mishná de “Mishnah 8” e remete ao Bavli 50b.
Nomes nesta página: Rabi Chananiá ben Antigonos, רַבִּי חֲנַנְיָה בֶּן אַנְטִיגְנוֹס, escrito Rabi Chananiá porque o hebraico tem חֲנַנְיָה; a Mishná avulsa, o Bavli e a Tosefta têm חֲנִינָא, Rabi Chanina. Na nota: Rav, Shmuel, Rabá, Rav Chisda, Rav Yossef e Rabi Yossi, רַבִּי יוֹסֵי.
Do hebraico foram retirados apenas o rótulo de Mishná, o de halachá e o marcador de página de Vilna, 29b, que o Sefaria põe entre תַּחְתָּיו e לֹא אָמַר כְּלוּם; o texto desta halachá não tem marcador numérico nem as abreviações פיס׳ e כול׳, e nada foi acrescentado. Foram mantidas as grafias אַמַּה, הָזָּוִיוֹת, שֶׂהוּא, com o ponto à esquerda no shin, e זֶהּ, com mapik, como estão; os dois pontos no meio e no fim da Mishná são do Sefaria. A halachá seguinte, Eruvin 4:8, começa retomando as primeiras palavras desta Mishná, מִי שֶׁבָּא בַדֶּרֶךְ וְהָיָה יָרֵא שֶׁמָּא תֶּחֱשֶׁךְ כול׳.