Sexta halachá do Perek Dalet, Mi SheHotziuhu (aquele a quem levaram para fora), de Massechet Eruvin. A Mishná trata de dois que passaram o Shabat no caminho, cada um com as suas quatro amot, quando parte das amot de um entra nas amot do outro: trazem a comida e comem juntos no meio, contanto que nenhum leve nada da sua área para a do companheiro. Se eram três, e o do meio está englobado entre os outros dois, ele pode estar com cada um deles, mas os dois de fora não podem estar um com o outro; e Rabi Shimon compara o caso a três pátios abertos um para o outro e para o domínio público. A guemará é uma só frase: ainda que Rabi Chananiá ben Antigonos discorde dos sábios quanto às amot, ele concorda com eles aqui, nas extensões das cidades. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 48a.
Mishná: Se eram dois, e parte das amot (côvados) de um entrava nas amot do outro, trazem a comida e comem no meio, contanto que um não leve nada de dentro da sua área para dentro da do companheiro. Se eram três, e o do meio estava englobado entre eles, ele é permitido com eles, e eles são permitidos com ele; e os dois de fora são proibidos um com o outro. Disse Rabi Shimon: a que se assemelha a coisa? A três chatzerot (pátios) abertas uma para a outra e abertas para a reshut harabim (domínio público). Se as duas fizeram eruv (a junção que permite transportar no Shabat) com a do meio, ela é permitida com elas, e elas são permitidas com ela; e as duas de fora são proibidas uma com a outra.
“Se eram dois, parte das amot de um” etc. Ainda que Rabi Chananiá ben Antigonos discorde dos rabanan (sábios) quanto às amot do Shabat, ele concorda aqui quanto às ibburei ayarot (extensões das cidades).
Esta é a sexta halachá do Perek Dalet de Massechet Eruvin, Mi SheHotziuhu, e a sua Mishná corresponde à Mishná Eruvin 4:6 da Mishná avulsa, inteira. As diferenças de conteúdo são estas: לְתוֹךְ אַמּוֹתָיו, “para dentro das amot”, onde a avulsa tem בְּתוֹךְ אַמּוֹתָיו, “dentro das amot”; מִתּוֹךְ שֶׁל חֲבֵירוֹ, “de dentro da do companheiro”, onde a avulsa tem לְתוֹךְ שֶׁל חֲבֵרוֹ, “para dentro da do companheiro”; בֵּינְתַיִים, “entre eles”, onde a avulsa tem בֵּינֵיהֶן, com o mesmo sentido; e פְּתוּחוֹת, sem artigo, onde a avulsa tem הַפְּתוּחוֹת. As demais são de grafia e de vocalização: חֲבֵירוֹ e חֲבֵרוֹ; שְׁלשָׁה e שְׁלֹשָׁה; מוּבְלָע e מֻבְלָע; מוּתָּר e מֻתָּר, e assim nas outras formas de מוּתָּר; אֲסוּרִין e אֲסוּרִים; דוֹמֶה e דּוֹמֶה; חֲצֵירוֹת e חֲצֵרוֹת; עֵירְבוּ e עֵרְבוּ; e עִמָּהֶן, dito das três chatzerot, onde a avulsa tem עִמָּהֶם. No Bavli, a Mishná está no fim de Eruvin 45a, logo depois da Mishná anterior, e a guemará sobre ela vai de 48a a 49a; ali também se lê בְּתוֹךְ אַמּוֹתָיו. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná e o segundo é a seção 01.
Sobre a Mishná. Quem passou o Shabat fora de qualquer cidade sem ter adquirido um lugar de Shabat não tem senão quatro amot, como na Mishná anterior segundo os chachamim. Quando dois estão perto um do outro, as quatro amot de cada um se cruzam, e a área comum serve aos dois: cada um traz a sua comida até ali e comem juntos, mas nenhum pode levar um objeto da sua área para a do outro. Com três em fila, o do meio partilha uma área com cada vizinho, e os dois de fora, que não partilham nenhuma, não podem estar juntos. Rabi Shimon compara o caso ao dos três pátios em fila, em que cada um dos de fora fez eruv só com o do meio. No Bavli, Eruvin 48a, a guemará explica que Rabi Shimon perguntou aos rabanan por que discordam no caso dos pátios e não no caso das pessoas, e eles responderam que nos pátios os moradores são muitos e, no caminho, não; em 48b, Rav Yehudá diz em nome de Rav que essa é a palavra de Rabi Shimon, e que os chachamim dizem que um domínio serve a dois domínios, mas dois domínios não servem a um domínio; e Shmuel diz que também essa é a palavra de Rabi Shimon, e que, segundo os chachamim, as três chatzerot são proibidas, palavra que segue em 49a com uma baraita a seu favor. Guggenheimer observa que o Yerushalmi não comenta a Mishná nesse ponto e, por isso, parece aceitá-la como prática, ao contrário do Bavli.
Sobre a seção 01. A disputa de Rabi Chananiá ben Antigonos com os rabanan quanto às amot está na Mishná seguinte, Eruvin 4:7 no Yerushalmi, na parte que corresponde à Mishná Eruvin 4:8 da avulsa: quem disse “o meu lugar de Shabat é onde estou” adquire alpayim amá para cada lado, עֲגוּלּוֹת, “redondas”, segundo Rabi Chananiá ben Antigonos, enquanto os chachamim dizem מְרוּבָּעוֹת כְּטַבֻלָא מְרוֹבַּעַת, “quadradas, como uma tábua quadrada”. A mesma disputa está na Tosefta Eruvin 3:10, na numeração do Sefaria, que é 3:11 na edição de Lieberman: רבי חנינא בן אנטיגנוס אומר עגולות ולא מרובעות. As ibburei ayarot são a área que se acrescenta às cidades para medir delas o limite de Shabat, assunto da Mishná Eruvin 5:1, que diz, no Yerushalmi, וְעוֹשִׂין אוֹתָהּ כְּמִין טַבֻּלָא מְרוּבַּעַת, “e a fazem como uma tábua quadrada”. Segundo Guggenheimer, a frase se refere a essa Mishná, e o seu lugar original seria a discussão de Eruvin 5:1; para uma pessoa só, Rabi Chananiá ben Antigonos mede um círculo, mas, para as cidades, concorda que a medida é quadrada. A frase não diz por que foi posta aqui; o que a aproxima desta Mishná pode ser a figura do do meio englobado entre dois, que reaparece na medição das cidades na Tosefta Eruvin 4:9, na numeração do Sefaria, que é 4:12 na edição de Lieberman: היו שלשה מגדלים והאמצעי מובלע בנתיים, “se eram três torres, e a do meio englobada entre elas”.
Leituras incertas. מִתּוֹךְ שֶׁל חֲבֵירוֹ diz, ao pé da letra, “de dentro da do companheiro”, o que não dá sentido depois de מִתּוֹךְ שֶׁלּוֹ; foi traduzido “para dentro da do companheiro”, como na avulsa e no Bavli. לְתוֹךְ אַמּוֹתָיו foi traduzido “entrava nas amot”. הוּא מוּתָּר עִמָּהֶן foi traduzido à letra, “é permitido com eles”, no sentido de comer e trazer comida para a área comum. בָּאַמּוֹת, “quanto às amot”, foi completado com “do Shabat”, as alpayim amá do lugar de Shabat. מוֹדֶה הוּא הָכָא foi traduzido à letra, “concorda aqui”; “aqui” é, segundo Guggenheimer, Eruvin 5:1. עִיבּוּרֵי עֲיָירוֹת foi glosado “extensões das cidades”; Guggenheimer traduz “environs of towns”.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן como “Rebbi Simeon says”, e aqui ficou “Disse Rabi Shimon”; traduz מוֹדֶה הוּא הָכָא como “he agrees with them here”, e aqui ficou “concorda aqui”, sem “com eles”, que não está no hebraico; e traduz פיס׳ apenas como “Paragraph”.
Nomes nesta página: Rabi Shimon, רַבִּי שִׁמְעוֹן; Rabi Chananiá ben Antigonos, רִבִּי חֲנַנָיָה בֶּן אַנְטִיגֳנֹס, escrito Rabi Chananiá porque o hebraico tem חֲנַנָיָה, como na Mishná do Yerushalmi 4:7, רַבִּי חֲנַנְיָה בֶּן אַנְטִיגְנוֹס; a Mishná avulsa, Eruvin 4:8, e a Tosefta têm חֲנִינָא, Rabi Chanina.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá; o texto do Sefaria desta halachá não tem marcador numérico nem marcador de página, e nenhum foi acrescentado. As abreviações פיס׳ e כול׳ foram mantidas, e também as grafias שֶׁלָּזֶה, na citação da guemará, e מּוּתָּרוֹת, com dagesh no mem, como estão; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria.