Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Dalet · Halachá 4
עֵרוּבִין

Quem se sentou no caminho perto da cidade e o beit midrash de Rabi Tarfon

Perek Dalet, Mi SheHotziuhu, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Quarta halachá do Perek Dalet, Mi SheHotziuhu (aquele a quem levaram para fora), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que quem se sentou no caminho quando entrou o Shabat e, ao levantar-se, viu que estava perto da cidade, dentro do seu techum (limite de Shabat), não entra nela, segundo Rabi Meir, pois não tinha essa intenção; Rabi Yehudá diz que entra, e conta que Rabi Tarfon entrou assim, sem intenção. A guemará, curta, levanta duas objeções contra a prova de Rabi Yehudá: talvez o beit midrash de Rabi Tarfon estivesse dentro de duas mil amot, ou talvez ele tivesse adquirido o seu lugar junto com os da sua cidade ainda de dia; e traz a baraita em que, de manhã, quando o sol brilhou, lhe disseram: “Rabi, eis a cidade diante de ti; entra.” O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 45a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

מִי שֶׁיָשַׁב בַּדֶּרֶךְ וְעָמַד וַהֲרֵי הוּא סָמוּךְ לָעִיר הוֹאִיל וְלֹא הָיְתָה כַוָונָתוֹ לְכָךְ לֹא יִכָּנֵס דִּבְרֵי רִבִּי מֵאִיר. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר יִכָּנֵס. אָמַר רִבִּי יְהוּדָה מַעֲשֶׂה וְנִכְנַס רִבִּי טַרְפוֹן בְּלֹא מִתְכַּוֵון:

Mishná: Aquele que se sentou no caminho quando entrou o Shabat, e se levantou, e eis que está perto da cidade, dentro do seu techum: visto que não era essa a sua kavaná (intenção), não entrará nela, são as palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: entrará. Disse Rabi Yehudá: houve um fato, e Rabi Tarfon entrou na cidade sem ter essa intenção.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01O beit midrash de Rabi Tarfon e a cidade diante dele
Yerushalmi · Eruvin 4:4
פיס׳. מִי שֶׁיָשַׁן בַּדֶּרֶךְ כול׳. אָמְרוּ. וַהֲלֹא בֵית מִדְרָשׁוֹ שֶׁלְרִבִּי טַרְפוֹן הָיָה בְתוֹךְ אַלְפַּיִם אַמָּה. אוֹ שֶׁמָּא הִקְנָה עַצְמוֹ לִבְנֵי עִירוֹ מִבְּעוֹד יוֹם. אַשְׁכַּח תַּנֵּי. בְּשַׁחֲרִית זָרְחָה הַחַמָּה. אָמְרוּ לוֹ. רִבִּי. הֲרֵי הָעִיר לְפָנֶיךָ. הִיכָּנֵס.

“Aquele que dormiu no caminho” etc. Disseram contra isso: e não estava o beit midrash (casa de estudo) de Rabi Tarfon dentro de alpayim amá (dois mil côvados) do lugar onde ele estava? Ou talvez ele tenha se unido aos filhos da sua cidade, adquirindo com eles a sua shevitá (lugar de repouso de Shabat), enquanto ainda era dia? Encontrou-se ensinado numa baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná): de manhã, o sol brilhou, e disseram-lhe: “Rabi, eis a cidade diante de ti; entra.”

Nota

Esta é a quarta halachá do Perek Dalet de Massechet Eruvin, Mi SheHotziuhu, e a sua Mishná corresponde à Mishná Eruvin 4:4 da Mishná avulsa, inteira. As diferenças são estas: וְעָמַד וַהֲרֵי הוּא, onde a avulsa tem וְעָמַד, וְרָאָה וַהֲרֵי הוּא, com a palavra “e viu”; מַעֲשֶׂה וְנִכְנַס, onde a avulsa tem מַעֲשֶׂה הָיָה, וְנִכְנַס; שֶׁיָשַׁב, sem dagesh no yud, onde a avulsa tem שֶׁיָּשַׁב; כַוָונָתוֹ onde a avulsa tem כַוָּנָתוֹ; מִתְכַּוֵון onde a avulsa tem מִתְכַּוֵּן; e רִבִּי onde a avulsa tem רַבִּי. Não há diferença de conteúdo. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 45a, e ali também se lê וְעָמַד וְרָאָה e מַעֲשֶׂה הָיָה. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná e o segundo é a seção 01.

A Mishná do Yerushalmi diz מִי שֶׁיָשַׁב, “aquele que se sentou”, e a guemará, ao citá-la, diz מִי שֶׁיָשַׁן, “aquele que dormiu”. O texto foi mantido como está, sem correção, e cada um foi traduzido conforme a sua letra. Guggenheimer observa que não é claro se a guemará cita mal esta Mishná, à qual a discussão se refere, ou se cita corretamente a Mishná seguinte, que na Mishná avulsa, Eruvin 4:5, começa מִי שֶׁיָּשֵׁן בַּדֶּרֶךְ. A baraita do Bavli fala de Rabi Tarfon que pernoitou fora da cidade, וְלָן חוּץ לָעִיר.

Sobre a Mishná. Quem se sentou no caminho ao entrar o Shabat sem saber que estava dentro do techum de uma cidade não tinha a intenção de adquirir ali o seu lugar de Shabat; por isso, segundo Rabi Meir, não entra na cidade, mas mede duas mil amot a partir do seu lugar. Rabi Yehudá diz que entra, e traz como prova o fato de Rabi Tarfon.

Sobre a seção 01. O paralelo está no Bavli, Eruvin 45a, numa baraita em nome de Rabi Yehudá: Rabi Tarfon andava pelo caminho, anoiteceu, e ele pernoitou fora da cidade; de manhã, pastores de gado o encontraram e lhe disseram רַבִּי, הֲרֵי הָעִיר לְפָנֶיךָ, הִכָּנֵס, e ele entrou, sentou-se no beit midrash e ensinou o dia inteiro. As objeções vêm ali na ordem inversa: מִשָּׁם רְאָיָיה? שֶׁמָּא בְּלִבּוֹ הָיְתָה, אוֹ בֵּית הַמִּדְרָשׁ מוּבְלָע בְּתוֹךְ תְּחוּמוֹ הָיָה, “daí trazes prova? Talvez estivesse no seu coração, ou o beit midrash estivesse encravado dentro do seu techum”. No Yerushalmi, a primeira objeção é que o beit midrash estava dentro das duas mil amot de onde ele estava, e então ele teria entrado mesmo segundo Rabi Meir; a segunda é que, ainda de dia, ele pretendeu adquirir o seu lugar de Shabat como um dos habitantes da sua cidade. A baraita do Yerushalmi não menciona os pastores, e diz apenas que de manhã o sol brilhou; segundo Guggenheimer, ela mostra que ele estava de fato em viagem, dormiu fora e só de manhã percebeu onde estava.

Leituras incertas. אָמְרוּ está sem sujeito e sem destinatário; foi traduzido “disseram”, completado com “contra isso”, sem dizer quem falou; no Bavli, (אָמְרוּ לוֹ). הִקְנָה עַצְמוֹ לִבְנֵי עִירוֹ, ao pé da letra, é “transferiu a si mesmo aos filhos da sua cidade”, e foi traduzido “se uniu aos filhos da sua cidade”; Guggenheimer explica que הקנה é abreviação de הִקְנָה שְׁבִיתָתוֹ, “adquiriu o seu lugar de repouso de Shabat”, e daí o complemento. אַשְׁכַּח תַּנֵּי foi traduzido “encontrou-se ensinado”. זָרְחָה הַחַמָּה foi traduzido “o sol brilhou”.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz הִקְנָה עַצְמוֹ “fez-se parte” da sua cidade, de modo mais livre; aqui o verbo foi mantido mais perto da letra. Ele traduz פיס׳ apenas como “Paragraph”, e acrescenta “por favor” a הִיכָּנֵס, que aqui ficou “entra”.

Nomes nesta página: Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר; Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה; Rabi Tarfon, רִבִּי טַרְפוֹן.

Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e um marcador de coluna da edição de Veneza, 22a, antes de פיס׳; o texto do Sefaria desta halachá não tem marcador numérico, e nenhum foi acrescentado; não há colchetes nem parênteses no hebraico. As abreviações פיס׳ e כול׳ foram mantidas, e também as grafias שֶׁלְרִבִּי e הִיכָּנֵס, como estão; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria.