Sexta halachá do Perek Guimel, BaKol Mearvin, de Massechet Eruvin. A Mishná continua a condição sobre o eruv: se vier um sábio do oriente, o eruv vale a oriente; se do ocidente, a ocidente; se de ambos os lados, a pessoa irá aonde quiser; e, se não vier, será como os moradores da sua cidade. Rabi Yehudá diz que, se um deles era o seu mestre, irá até o seu mestre, e, se ambos eram, irá aonde quiser. A guemará traz os tanaim que ensinam “no ocidente” e explica as duas leituras, uma sobre esses sábios e a outra sobre o ragil, o habitual; e cita Rabi Yehudá: se um deles era o habitual, irá até o habitual. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 36b.
Mishná: Se veio um chacham (sábio) do oriente, o meu eruv (a refeição depositada que fixa a residência de Shabat) fica a oriente; se veio do ocidente, o meu eruv fica a ocidente; se veio daqui e dali, irei ao lugar que eu quiser; se não veio nem daqui nem dali, eis que sou como os moradores da minha cidade. Rabi Yehudá diz: se um deles era o seu rav (mestre), irá até o seu rav; se ambos eram os seus mestres, irá ao lugar que quiser.
“Veio um sábio do oriente” etc. Há tanaim (mestres da Mishná) que ensinam “no ocidente”. Quem diz “no oriente” fala desses sábios; quem diz “no ocidente”, do ragil (o habitual).
“Rabi Yehudá diz: se um deles era” etc. Rabi Yehudá diz: se um deles era ragil para ele, irá até o ragil; se ambos eram ragil, irá ao lugar que quiser.
Esta é a sexta halachá do Perek Guimel, BaKol Mearvin, de Massechet Eruvin, e a sua Mishná corresponde à segunda metade da Mishná Eruvin 3:5 da Mishná avulsa, a parte do sábio e de Rabi Yehudá; a primeira metade, a dos goyim, é a Mishná da halachá anterior, Eruvin 3:5. As diferenças são estas: עֵירוּבִי, com yod, onde a avulsa tem עֵרוּבִי; בָּא מִן הַמַּעֲרָב onde a avulsa tem só מִן הַמַּעֲרָב; בָּא מִיכָּן וּמִיכָּן onde a avulsa tem בָּא לְכָאן וּלְכָאן; לֹא בָא לֹא מִיכָּן וְלֹא מִיכָּן onde a avulsa tem לֹא לְכָאן וְלֹא לְכָאן; רִבִּי onde a avulsa tem רַבִּי; יֵלֵךְ אֵצֶל רַבּוֹ onde a avulsa tem הוֹלֵךְ אֵצֶל רַבּוֹ; שְׁנֵיהֶן רַבּוֹתָיו onde a avulsa tem וְאִם הָיוּ שְׁנֵיהֶם רַבּוֹתָיו; e שֶׁיִרְצֶה, sem dagesh, onde a avulsa tem שֶׁיִּרְצֶה. A tradução de לֹא בָא acompanhou o hebraico deste texto, no singular. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e os outros dois são as seções 01 e 02, um segmento para cada seção.
Sobre a Mishná. A pessoa quer ir ouvir um sábio que vai chegar e passar o Shabat fora do limite da sua cidade, mas não sabe de que lado ele virá; por isso deposita eruv dos dois lados e põe condição. Rabi Yehudá diz que, se um dos sábios era o seu mestre, a intenção dele foi o mestre, e só pode ir até ele; se ambos eram os seus mestres, escolhe.
Sobre a seção 01. Há tanaim que ensinam, no caso do sábio do oriente, “no ocidente”, isto é, que o eruv fica do lado contrário ao do sábio. A guemará explica que uma leitura fala desses sábios, e a outra fala do רָגִיל. O Penei Moshe explica que “no oriente” fala de um sábio grande, de quem a pessoa quer aprender, e que “no ocidente” fala de um sábio a quem ela está habituada, que já conhece e de quem se afasta. O Korban HaEdah explica que a leitura invertida é a de quem foge do sábio, que חֲכִימַיָּא são os sábios que sabem ensinar em público e decidir em tudo, e que o ragil é quem só domina as coisas habituais, a Escritura e a Mishná, sem saber discutir. A tradução ficou com a palavra do texto, “o habitual”, sem escolher entre essas explicações.
Sobre a seção 02. O Sefaria põe entre colchetes tudo o que vem depois do segundo רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, e, dentro disso, as letras הָרָ de [הָרָ]גִיל; segundo a nota de Guggenheimer, o trecho foi acrescentado do fragmento da Guenizá e falta no manuscrito de Leiden e nas edições impressas. Sem ele, o segmento só diria “Rabi Yehudá diz”. A tradução seguiu o texto entre colchetes, sem os colchetes, porque é a leitura que faz sentido. Ao que parece, é uma outra versão da palavra de Rabi Yehudá, em que o ragil ocupa o lugar do mestre, como na Tosefta.
Referências conferidas no Sefaria. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 36b, com לְכָאן וּלְכָאן e הוֹלֵךְ אֵצֶל רַבּוֹ, como na avulsa. Ali, Rabi Yitzchak ensina a Mishná inteira invertida, e a guemará resolve a contradição do sábio com הָא — בְּמוֹתֵיב פִּירְקֵי, הָא — בְּמַקְרֵי שְׁמַע, paralelo às duas leituras da seção 01. Sobre Rabi Yehudá, a guemará explica os rabanan com זִימְנִין דְּנִיחָא לֵיהּ בְּחַבְרֵיהּ טְפֵי מֵרַבֵּיהּ; Rav diz que a Mishná não segue o que ensinou Ayo em nome de Rabi Yehudá, אֵין אָדָם מַתְנֶה עַל שְׁנֵי דְבָרִים כְּאֶחָד, e Rabi Yochanan responde וּכְבָר בָּא חָכָם; a discussão sobre בְּרֵירָה continua em Eruvin 37a, com Rabi Meir, Rabi Yehudá, Rabi Yossi e Rabi Shimon. A Tosefta Eruvin 3:1, na numeração do Sefaria, traz a palavra de Rabi Yehudá sobre o sábio e o mestre, e acrescenta que, se ambos eram os seus mestres, ele vai até aquele junto a quem está habituado, e, אם היה רגיל אצל שניהם, vai até aquele que quiser; o Masoret HaTosefta, ali, remete a esta halachá do Yerushalmi.
Leituras incertas. רָגִיל, nas duas seções, foi traduzido “o habitual”; pode ser o sábio a quem a pessoa está habituada, como no Penei Moshe e na Tosefta, ou o sábio comum, como no Korban HaEdah. בְּאִילֵּין חֲכִימַיָּא foi traduzido “desses sábios”. אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי. בְּמַעֲרָב foi entendido como a leitura invertida do caso do sábio do oriente, como no Korban HaEdah. Na seção 02, יֵלֵךְ לוֹ foi traduzido só “irá”, e שְׁנֵיהֶן רְגִילִין, “ambos eram ragil”.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz רָגִיל por “fundraiser”, com base em S. Lieberman, em Tarbiz 4; aqui ficou a palavra do texto, “o habitual”. Na Mishná, ele traduz יֵלֵךְ אֵצֶל רַבּוֹ por “he has to go to his teacher”; aqui ficou “irá até o seu rav”.
Nomes nesta página: Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá. O texto do Sefaria não tem, nesta halachá, marcadores de folha de Vilna nem de coluna de Veneza, nem marcador numérico, e nenhum foi acrescentado. A marca פיס׳ e a abreviação כול׳, no início das seções 01 e 02, foram mantidas, assim como os colchetes da seção 02 e grafias do Sefaria como שֶׁיִרְצֶה e הָיָה.