Décima e última halachá do Perek Guimel, BaKol Mearvin, de Massechet Eruvin. Na Mishná, Rabi Dossa ben Harkinas diz que quem conduz a oração no Yom Tov de Rosh HaShaná menciona o Rosh Chodesh sob condição, “se for hoje, se amanhã”, e no dia seguinte, “se for hoje, se foi ontem”; e os sábios não concordaram com ele. A guemará dá duas razões possíveis para a recusa: a própria condição, ou o ensinamento de Rabi Yaakov beRabi Acha em nome de Rabi Yassa, segundo o qual quem conduz a oração no Yom Tov de Rosh HaShaná não precisa mencionar o Rosh Chodesh. Com ela se encerra o Perek Guimel, BaKol Mearvin; o tratado continua no Perek Dalet, Mi SheHotziuhu · פֶּרֶק מִי שֶׁהוֹצִיאוּהוּ. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 40a.
Mishná: Rabi Dossa ben Harkinas diz: aquele que passa diante da tevá (a arca, isto é, quem conduz a oração pública) no Yom Tov (dia festivo) de Rosh HaShaná (Ano-Novo) diz: “Fortalece-nos, Hashem, nosso Deus, neste dia de Rosh Chodesh (início do mês), se for hoje, se amanhã”. E no dia seguinte ele diz: “se for hoje, se foi ontem”. E os sábios não concordaram com ele.
“Rabi Dossa ben Harkinas diz: aquele que passa diante da tevá” etc. Os sábios não concordaram com ele porque disse: “se for hoje, se foi ontem”. Ou então vem a ser conforme o que disse Rabi Yaakov beRabi Acha em nome de Rabi Yassa: aquele que passa diante da tevá no Yom Tov de Rosh HaShaná não precisa mencionar Rosh Chodesh na oração. Também aqui é assim.
Esta é a décima e última halachá do Perek Guimel, BaKol Mearvin, de Massechet Eruvin. A Mishná do Yerushalmi corresponde à Mishná Eruvin 3:9 da Mishná avulsa, a última do capítulo, inteira, com estas diferenças: רִבִּי דוֹסָא בֶּן אַרְכִּינַס onde a avulsa tem רַבִּי דוֹסָא בֶן הַרְכִּינָס; ה׳, com gueresh, onde a avulsa tem ה', com apóstrofo; רֹאשׁ הַחֹדֶשׁ הַזֶּה, com artigo, onde a avulsa tem רֹאשׁ חֹדֶשׁ הַזֶּה; הַיוֹם, duas vezes, sem dagesh no yud, onde a avulsa tem הַיּוֹם; e לָאֶמֶשׁ onde a avulsa tem אֶמֶשׁ. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 39a, no fim da Mishná de Rabi Yehudá sobre os dois dias de Rosh HaShaná, e ali se lê רַבִּי דּוֹסָא בֶּן הַרְכִּינָס, הַחְלִיצֵנוּ, רֹאשׁ הַחֹדֶשׁ הַזֶּה, como no Yerushalmi, e אִם אֶמֶשׁ; a guemará sobre ela está em Eruvin 40a e 40b. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a seção 01.
Sobre a Mishná. Rosh HaShaná é também o Rosh Chodesh do mês de Tishrei. No tempo em que o mês era fixado pelas testemunhas, guardavam-se dois dias, por dúvida, como nas halachot anteriores, e não se sabia qual dos dois era de fato o Rosh Chodesh. Rabi Dossa ben Harkinas faz o oficiante mencionar o Rosh Chodesh sob condição, nos dois dias; os sábios não concordaram com ele. Na guemará do Bavli, em Eruvin 40a, Rabba conta que na casa de Rav Huna se perguntou se se menciona o Rosh Chodesh em Rosh HaShaná: כֵּיוָן דַּחֲלוּקִין בְּמוּסָפִין, אָמְרִינַן? אוֹ דִילְמָא — זִכָּרוֹן אֶחָד עוֹלֶה לְכָאן וּלְכָאן?, “uma vez que os musafin (os sacrifícios adicionais) são distintos, menciona-se? Ou talvez uma só recordação sirva para cá e para lá?”. Quis-se provar da Mishná de Rabi Dosa que se menciona, e a guemará responde לֹא, לְהַתְנוֹת, “não, trata-se de fazer a condição”; traz em apoio a baraita וְכֵן הָיָה רַבִּי דּוֹסָא עוֹשֶׂה בְּרָאשֵׁי חֳדָשִׁים שֶׁל כׇּל הַשָּׁנָה כּוּלָּהּ, וְלֹא הוֹדוּ לוֹ, “e assim fazia Rabi Dosa nos Rashei Chodashim do ano inteiro, e não concordaram com ele”. Em Eruvin 40b, a conclusão é זִכָּרוֹן אֶחָד עוֹלֶה לוֹ לְכָאן וּלְכָאן, dita por Rav Chisda e também por Rabba.
Sobre a seção 01. A guemará propõe duas razões para a recusa dos sábios. A primeira é a condição em si: quem diz “se for hoje, se foi ontem” trata o dia como talvez comum; Guggenheimer explica que não se formula uma oração que dê a entender que o dia pode não ser santo. A segunda é o ensinamento de Rabi Yaakov beRabi Acha em nome de Rabi Yassa, de que em Rosh HaShaná o oficiante não precisa mencionar o Rosh Chodesh; “também aqui é assim” quer dizer, ao que parece, que por isso os sábios não aceitam a menção, nem mesmo sob condição. O mesmo ensinamento está no Yerushalmi Shevuot 1:4, no quinto segmento do Sefaria: רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְשֵׁם רִבִּי יָסָא. הָעוֹבֵר לִפְנֵי הַתֵּיבָה בְיוֹם טוֹב שֶׁלְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה אֵין צָרִיךְ לְהַזְכִּיר שֶׁלְּרֹאשׁ חוֹדֶשׁ, com o nome בַּר אָחָא em vez de בֵּרִבִּי אָחָא; ali Rabi Acha bar Papa traz em seguida a baraita de Beit Shammai e Beit Hillel sobre o número de bênçãos no Yom Tov de Rosh HaShaná, oito ou sete na oração da manhã e dez ou nove no Musaf, e a guemará pergunta por que não se dizem onze. No Bavli, em Eruvin 40a, a mesma baraita aparece para o Rosh HaShaná que cai no Shabat, com a mesma pergunta. Guggenheimer observa que no Musaf de Rosh HaShaná o Rosh Chodesh é lembrado só indiretamente, pela citação de Bamidbar 10:10, “e no dia da vossa alegria, e nas vossas festas, e nos vossos inícios de mês”.
Referências conferidas no Sefaria. Bavli Eruvin 39a, a Mishná; Eruvin 40a, a pergunta de Rabba, a resposta “para fazer a condição”, a baraita sobre os Rashei Chodashim do ano inteiro e a objeção de Beit Shammai e Beit Hillel; Eruvin 40b, a conclusão de Rav Chisda e de Rabba; Yerushalmi Shevuot 1:4; Bamidbar 10:10. Não se encontrou paralelo na Tosefta, em Eruvin nem em Rosh HaShaná, nem no Yerushalmi Rosh HaShaná, capítulo 4, nem no Bavli Rosh HaShaná 34b e 35a, e por isso nenhum deles é citado.
Leituras incertas. הַחֲלִיצֵנוּ foi traduzido “fortalece-nos”, como na página do Bavli deste site; Guggenheimer traduz “salva-nos”. Na seção 01, מִפְּנֵי שֶׁאָמַר foi completado como razão da recusa dos sábios, que é o assunto da frase anterior da Mishná. אוֹ יָיבֹא כַיי דָמַר foi traduzido “ou então vem a ser conforme o que disse”. אוֹף הָכָא כֵן foi traduzido literalmente, “também aqui é assim”. לָאֶמֶשׁ e אֶמֶשׁ foram traduzidos “ontem”.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer chama o tana de “Rebbi Dosa ben Hyrkanos”; o hebraico diz בֶּן אַרְכִּינַס, e aqui ficou Harkinas, a forma usada neste site. Na seção 01, ele traduz a citação אִם הַיּוֹם אִם אֶמֶשׁ como “hoje ou amanhã”; aqui ficou “ontem”, como no hebraico. Ele escreve “Rebbi Jacob the son of Rebbi Aḥa” e omite בְשֵׁם רִבִּי יָסָא; aqui o nome de Rabi Yassa foi traduzido, como está no hebraico.
Nomes nesta página: Rabi Dossa ben Harkinas, רִבִּי דוֹסָא בֶּן אַרְכִּינַס, na Mishná e na seção 01; Rabi Yaakov beRabi Acha, רִבִּי יַעֲקֹב בֵּרִבִּי אָחָא; Rabi Yassa, רִבִּי יָסָא. Nas citações do Bavli, o nome é Rabi Dosa, רַבִּי דּוֹסָא.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá. Não há marcador de folha de Vilna nem de Veneza nesta halachá, nem marcador numérico, e nenhum foi acrescentado; não há parênteses nem colchetes. As marcas פיס׳ e כול׳ foram mantidas, e também as grafias do Sefaria, como הַתֵּבָה na Mishná e הַתֵּיבָה na halachá, e יָיבֹא; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria.
A Mishná seguinte, Eruvin 4:1, abre o Perek Dalet, Mi SheHotziuhu: “מִי שֶׁהוֹצִיאוּהוּ גוֹיִם אוֹ רוּחַ רָעָה אֵין לוֹ אֶלָּא אַרְבַּע אַמּוֹת…”, “aquele a quem goyim ou um mau espírito levaram para fora não tem senão quatro amot”, isto é, quem foi tirado do seu limite de Shabat contra a vontade só pode andar quatro amot onde está. No Bavli, essa Mishná está em Eruvin 41b, logo depois do fim do capítulo BaKol Mearvin, no início do capítulo Mi SheHotziuhu, e ali se lê מִי שֶׁהוֹצִיאוּהוּ נׇכְרִים, אוֹ רוּחַ רָעָה — אֵין לוֹ אֶלָּא אַרְבַּע אַמּוֹת, com נׇכְרִים onde o Yerushalmi tem גוֹיִם.
Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Guimel de Massechet Eruvin, BaKol Mearvin (בַּכֹּל מְעָרְבִין).