Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Guimel · Halachá 1 (abertura do capítulo)
עֵרוּבִין

BaKol Mearvin: com tudo se faz eruv, exceto a água e o sal; o dinheiro do maaser e o voto de mazon

Perek Guimel, BaKol Mearvin, Halachá 1 (abertura do capítulo), no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Eruvin, que abre o terceiro capítulo, BaKol Mearvin (com tudo se faz eruv), assim chamado pelas primeiras palavras da sua Mishná. Depois dos capítulos sobre o mavoi e os passin, o capítulo passa ao próprio eruv: com que alimento se faz, em que quantidade, para quem, onde deve ser posto e quando vale, sobretudo o eruv techumin, que estende o limite do Shabat. A Mishná ensina que com todo alimento se faz eruv e shituf, exceto com a água e o sal; que, da mesma forma, tudo se compra com o dinheiro do maaser, exceto a água e o sal, e quem faz voto de não comer mazon está permitido nelas; que se faz eruv para o nazir com vinho e para o israelita com terumá, porque outros podem consumi-los; que Sumchos exige chulin para o kohen no beit haperas; e que Rabi Yehudá permite até entre os túmulos. A guemará discute se a Mishná é de Rabi Eliezer ou de todos, e se segue Rabi Meir, que só aceita o que se come cru; compara as duas regras, a do eruv e a do maaser, e traz o kelal ufrat ukelal de Rabi Yishmael e a leitura de Rabi Akiva sobre peixes, gafanhotos, trufas e cogumelos; dá as razões da água e do sal e trata da salmoura com azeite; mede o vinho, o azeite e o vinagre do eruv e enumera o que se come cru, como as ervilhas, o peixe e a carne salgados e as verduras de Rav; discute o voto do cozido, a linguagem das pessoas e a da Torá, e por que todas as coisas se chamam mazon; distingue o kikar proibido por voto do kikar consagrado; e termina com Beit Shammai, Sumchos e o kohen que entra entre os túmulos numa caixa de madeira. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 26b.

Abre-se Perek Guimel de Massechet Eruvin · BaKol Mearvinבַּכֹּל מְעָרְבִין

A Mishná · מַתְנִיתִין

בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. וְהַכֹּל נִלְקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. הַנּוֹדֵר מִן הַמָּזוֹן מוּתָּר בַּמַּיִם וָמֶּלַח. מְעָרְבִין לַנָּזִיר בַּיַיִן וּלְיִשְׂרָאֵל בַּתְּרוּמָה. סוּמַכוּס אוֹמֵר אַף בַּחוּלִין לַכֹּהֵן בְּבֵית הַפְּרַס. רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אֲפִילוּ בֵין הַקְּבָרוֹת מִפְּנֵי שֶׁהוּא יָכוֹל לַחוֹץ וְלוֹכַל:

Mishná: Com tudo se faz eruv (a junção que permite transportar ou caminhar no Shabat) e shituf (a sociedade dos moradores do mavoi), exceto com a água e com o sal. E tudo se compra com o dinheiro do maaser (o segundo dízimo, que se gasta em alimento em Jerusalém), exceto a água e o sal. Quem faz neder (voto) proibindo-se o mazon (alimento) está permitido na água e no sal. Faz-se eruv para o nazir (nazireu) com vinho, e para o israelita com terumá (a porção sagrada dos kohanim). Sumchos diz: também com chulin (alimento não consagrado), para o kohen (sacerdote) no beit haperas (campo onde se arou um túmulo, impuro pela dúvida dos ossos). Rabi Yehudá diz: mesmo entre os túmulos, porque ele pode separar-se por uma divisória e comer.

A Halachá · הֲלָכָה א

01De quem é a Mishná: Rabi Eliezer, Rabi Meir e o que se come cru
Yerushalmi · Eruvin 3:1
בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין כול׳. אָמַר רִבִּי אָחָא. דְּרִבִּי אֱלִיעֶזֶר הִיא. דְּתַנִּינָן תַּמָּן. בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. דִּבְרֵי רַבִּי אֱלִיעֶזֶר. אָמַר רִבִּי יוֹסֵה. דִּבְרֵי הַכֹּל הִיא. מְעָרְבִין בַּחֲצֵירוֹת וּמִשְׁתַּתְּפִין בֵּין בַּחֲצֵירוֹת בֵּין בַּתְּחוּמִין.

“Com tudo se faz eruv e shituf” etc. Disse Rabi Achá: esta Mishná é de Rabi Eliezer, pois ensinamos lá, em outra Mishná: “Com tudo se faz eruv e shituf, exceto com a água e com o sal: palavras de Rabi Eliezer.” Disse Rabi Yossi: é palavra de todos os sábios: faz-se eruv com tudo nos pátios, e faz-se shituf tanto nos pátios como nos techumin (limites do Shabat).

מַתְנִיתָא דְּרִבִּי מֵאִיר. דְּתַנֵּי. כָּל דָּבָר שֶׁהוּא נֶאֱכַל חַי כְּמוֹת שֶׁהוּא מְעָרְבִין בּוֹ. עִם הַפַּת. אֵין מְעָרְבִין בּוֹ. הַשּׁוּם וְהַבְּצָלִים. עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי מֵאִיר אֵין מְעָרְבִין בָּהֶן. דְּתַנֵּי. אָמַר רִבִּי יוּדָה. מַעֲשֶׂה שֶׁשָּׁבַת רִבִּי מֵאִיר בְּארדקסם וּבָא אֶחָד וְאָמַר. עֵירַבְתִּי עַל יְדֵי בְצָלִים. וְהוֹשִׁיבוֹ רִבִּי מֵאִיר בְּאַרְבַּע אַמּוֹת שֶׁלּוֹ.

A matnita (Mishná) é de Rabi Meir, pois foi ensinado numa baraita: toda coisa que se come crua, tal como está, faz-se eruv com ela; o que se come com o pão, não se faz eruv com ele. O alho e as cebolas: segundo a opinião de Rabi Meir, não se faz eruv com eles, pois foi ensinado numa baraita: disse Rabi Yudá: aconteceu que Rabi Meir passou o Shabat em Ardaksam, e veio um homem e disse: fiz eruv de techumin por meio de cebolas; e Rabi Meir o fez ficar restrito às suas quatro amot (côvados).

אַף עַל גָּב דְּרִבִּי מֵאִיר אָמַר. בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. וּבִלְבַד דָּבָר שֶׁהוּא נֶאֱכַל חַי כְּמוֹת שֶׁהוּא. הַלּוּף וְהַקּוֹלֳקַס. עַל דַּעְתִּין דְּרַבָּנִן אֵין מְעָרְבִין בָּהֶן.

Embora Rabi Meir diga: “Com tudo se faz eruv e shituf, exceto com a água e com o sal”, isso vale desde que seja coisa que se come crua, tal como está. O luf (uma planta de grande bulbo subterrâneo) e o kolokas (colocásia, um tubérculo): segundo a opinião dos rabanan (sábios) também, não se faz eruv com eles.

02Duas regras que não se parecem: o eruv e o dinheiro do maaser
Yerushalmi · Eruvin 3:1
תַּנִּינָן תְּרֵין כְּלָלִין וְלָא דָמְיָין חַד לְחַד. בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. בֵּין בְּדָבָר שֶׁהוּא נֶאֱכַל חַי כְּמוֹת שֶׁהוּא. בֵּין בְּדָבָר שֶׁאֵינוֹ נֶאֱכַל חַי כְּמוֹת שֶׁהוּא. וְהַכֹּל נַלְקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. וּבִלְבַד דָּבָר שֶׁהוּא נֶאֱכַל חַי כְּמוֹת שֶׁהוּא.

Ensinamos dois kelalim (regras gerais), e os dois não se parecem um com o outro. O primeiro: “Com tudo se faz eruv e shituf, exceto com a água e com o sal”: vale tanto com coisa que se come crua, tal como está, quanto com coisa que não se come crua, tal como está. O segundo: “E tudo se compra com o dinheiro do maaser, exceto a água e o sal”: compra-se desde que seja coisa que se come crua, tal como está.

בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. בֵּין כְּרִבִּי עֲקִיבָה בֵּין כְּרִבִּי יִשְׁמָעֵאל. וְהַכֹּל נִלִקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. כְּרִבִּי עֲקִיבָה. בְּרַם כְּרִבִּי יִשְׁמָעֵאל.

“Com tudo se faz eruv e shituf, exceto com a água e com o sal”: esta regra vale tanto segundo Rabi Akiva como segundo Rabi Yishmael. “E tudo se compra com o dinheiro do maaser, exceto a água e o sal”: esta vale segundo Rabi Akiva somente. Mas segundo Rabi Yishmael, como é?

03Kelal ufrat ukelal: Rabi Yishmael e Rabi Akiva sobre o dinheiro do maaser
Yerushalmi · Eruvin 3:1
תַּנֵּי רִבִּי יִשְׁמָעֵאל. וְנָתַתָּה הַכֶּסֶף בְּכֹל אֲשֶׁר תְּאַוֶּה נַפְשְׁךָ הֲרֵי זֶה כְלָל. בַּבָּקָר וּבַצֹּאן וּבַיַּיִן וּבַשֵּׁכָר הֲרֵי זֶה פְרָט. וּבְכֹל אֲשֶׁר תִּשְׁאָלְךָ נַפְשֶׁךָ הֲרֵי זֶה כְלָל אַחֵר. כְּלָל וּפְרָט וּכְלָל וְאֵין אַתָּה דָן אֶלָּא כְעֵין הַפְּרָט. לוֹמַר. מַה הַפְּרָט מְפוֹרַשׁ דָּבָר שֶׁהוּא וְולַד וְולָדוֹת הָאָרֶץ. אַף אֵין לִי אֶלָּא דָּבָר שֶׁהוּא וְולַד וְולָדוֹת הָאָרֶץ.

Rabi Yishmael ensinou: “E darás o dinheiro por tudo o que a tua alma desejar” (Devarim 14:26): eis um kelal (regra geral). “Por gado, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte”: eis um prat (particular). “E por tudo o que a tua alma te pedir”: eis outro kelal. Kelal ufrat ukelal (regra geral, particular e regra geral): não julgas o que se inclui senão à semelhança do particular. Isto é para dizer a ti: assim como o particular explicitado no versículo é coisa que é cria de crias da terra, também não tenho como incluído senão coisa que é cria de crias da terra.

רִבִּי עֲקִיבָה מְפָרֵשׁ. מַה הַפְּרָט מְפָרֵשׁ שֶׁהוּא פֶּרִי כִּוְולַד פֶּרִי וּמַכְשִׁירֵי פֶרִי. אַף אֵין לִי אֶלָּא דָּבָר שֶׁהוּא פֶּרִי וְולַד פֶּרִי וּמַכְשִׁירֵי פֶרִי. מַה נְפַק מִבֵּינֵיהוֹן. דָּגִים וַחֲגָבִים כְּמֵהִין וּפִטְרִיּוֹת. כְּרִבִּי עֲקִיבָה נִלְקָחִין בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר. כְּרִבִּי יִשְׁמָעֵאל אֵינָן נִלְקָחִין.

Rabi Akiva explica: assim como o particular explicitado no versículo é fruto, e cria de fruto, e machshirei peri (o que prepara o fruto para o consumo), também não tenho como incluído senão coisa que é fruto, e cria de fruto, e machshirei peri. Qual a diferença prática entre eles? A diferença está em peixes e gafanhotos, trufas e cogumelos: segundo Rabi Akiva, compram-se com o dinheiro do maaser; segundo Rabi Yishmael, não se compram com ele.

04Por que não com água e sal; a salmoura e o azeite
Yerushalmi · Eruvin 3:1
בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח. אָמַר רִבִּי יָסָא. לְפִי שֶׁאֵין הַגּוּף נִיזוֹן מֵהֶן. אָמַר רִבִּי לִוֵי. שֶׁהֵן מִין קְלָלָה. אָמַר רִבִּי אֶלְעָזָר. עֲשָׂאָן מֵי מֶלַח נִלְקָחִין בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר. רִבִּי אָחָא בְשֵׁם רִבִּי מִיַישְּׁא. וְהוּא שֶׁנָּתַן לְתוֹכוֹ שֶׁמֶן. רִבִּי יוֹסֵה בָעֵי. מֵעַתָּה לֹא יֶעֱרַב אֶלָּא לְפִי חֶשְׂבּוֹן שֶׁבָּהֶן.

“Com tudo se faz eruv e shituf, exceto com a água e com o sal.” Disse Rabi Yassa: é porque o corpo não se nutre deles. Disse Rabi Levi: é porque eles são uma espécie de maldição. Disse Rabi Elazar: se os fez mei melach (salmoura), compram-se então com o dinheiro do maaser. Rabi Achá em nome de Rabi Miyasha: e isso, desde que tenha posto azeite dentro dela. Rabi Yossi perguntou: sendo assim, não se faça eruv com ela senão segundo a proporção que há neles de azeite!

05As medidas do vinho, do azeite e do vinagre; o que se come cru e as verduras de Rav
Yerushalmi · Eruvin 3:1
תַּמָּן תַּנִּינָן. חֲצִי לוֹג יַיִן. רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר רְבִיעִית. אָמַר רִבִּי אֶלְעָזָר. וְכֵן לְעֵירוּב. אָמַר רִבִּי חִינְנָא. הָדָא דְתֵימַר בְּיַיִן. אֲבָל לֹא בְשֶׁמֶן. מְעָרְבִין מָזוֹן שְׁתֵּי סְעוּדוֹת. תַּנֵּי. מְעָרְבִין בְּחוֹמֵץ מָזוֹן שְׁתֵּי סְעוּדוֹת. תַּנֵּי. מְעָרְבִין בְּשֶׁמֶן מָזוֹן שְׁתֵּי סְעוּדוֹת. רִבִּי יִרְמְיָה בְשֵׁם רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק. כְּדֵי לְטַבֵּל יָרָק הַנֶּאֱגַד מָזוֹן שְׁתֵּי סְעוּדוֹת.

Lá ensinamos: “Meio log (medida de líquidos) de vinho; Rabi Akiva diz: um reviit (quarto de log).” Disse Rabi Elazar: e assim é para o eruv. Disse Rabi Chinena: isso que dizes vale para o vinho, mas não para o azeite; com o azeite, faz-se eruv na medida de mazon de duas refeições. Foi ensinado: faz-se eruv com vinagre, o suficiente para mazon de duas refeições. Foi ensinado: faz-se eruv com azeite, o suficiente para mazon de duas refeições. Rabi Yirmeyá em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: o suficiente para mergulhar nele a verdura que se amarra em maços, mazon de duas refeições.

רִבִּי יִצְחָק עֲטוֹשִׁיָּא אָמַר קוֹמֵי רִבִּי זְעִירָא מִשּׁוּם דְּבֵית רִבִּי יַנַּאי. אֲפוּנִים חַיִים מְעָרְבִין בָּהֶן. לְמִי נִצְרְכָה. לְרִבִּי מֵאִיר. שֶׁלֹּא תֹאמַר. הוֹאִיל וְהֵן מַסְרִיחִין אֶת הַפֶּה אֵין מְעָרְבִין בָּהֶן. דָּג מְלִיחַ מְעָרְבִין בּוֹ. בָּשָׂר מְלִיחַ מְעָרְבִין בּוֹ. בָּשָׂר חַי מְעָרְבִין בּוֹ. דְּתַנִּינָן. הַבַּבְלִיִּים אוֹכְלִין אוֹתוֹ כְּשֶׁהוּא חַי. מִפְּנֵי שֶׁדַּעְתָּן יָפָה. רִבִּי יוּדָן בָּעֵי. הָדָא כלבודא הוֹאִיל וְאִילֵּין כּוּתָאֵי אֲכָלִין מִינָּהּ חַיָיא מְעָרְבִין בָּהּ. שְׁמוּאֵל בַּר שִׁילַת בְּשֵׁם רַב. פַּעֲפּוּעִין וְגֻדְגְּדָנִיּוֹת וַחֶלֲוּגְלוּגוֹת מְעָרְבִין בָּהֶן. בָּעוּן קוֹמוֹי. אִילֵּין אִינּוּן. אֲמַר לוֹן. קַקּוּלֵי וְחִנְדָּקוּקֵי וּפַרְפָּחִינֵיה.

Rabi Yitzchak Atoshia disse diante de Rabi Zeira, em nome da casa de Rabi Yannai: afunim (ervilhas) cruas, faz-se eruv com elas. Para quem foi necessário dizê-lo? Foi necessário para Rabi Meir, para que não digas, segundo ele: já que elas fazem cheirar mal a boca de quem as come, não se faz eruv com elas. Peixe salgado, faz-se eruv com ele; carne salgada, faz-se eruv com ela; carne crua, faz-se eruv com ela, pois ensinamos sobre o bode de Yom Kipur: “Os babilônios o comem quando está cru, porque a sua disposição é boa.” Rabi Yudan perguntou: este kalbuda (um peixe pequeno, ao que parece), já que estes kutim (samaritanos) o comem cru, faz-se eruv com ele mesmo cru? Shmuel bar Shilat em nome de Rav: pa’apu’in (uma espécie de verdura), gudgedaniyot (uma espécie de trevo) e chalaglugot (beldroega), faz-se eruv com elas. Perguntaram diante dele: estas, quais são? Disse-lhes: kakulei (uma erva), chindakukei (meliloto, uma espécie de trevo) e parpachinei (beldroega).

06O voto do cozido: a linguagem das pessoas e a linguagem da Torá
Yerushalmi · Eruvin 3:1
פיס׳. הַנּוֹדֵר מִן הַמָּזוֹן מוּתָּר בַּמַּיִם וּמֶלַח. תַּמָּן תַנִּינָן. הַנּוֹדֵר מִן הַמְבוּשָּׁל מוּתָּר בַּצָּלִי וּבַשָּׁלוּק. מַתְנִיתָא אָמְרָה כֵן. שֶׁהַשָׁלוּק קָרוּי מְבוּשָּׁל. דְּתַנִּינָן. הָיָה מְבַשֵּׁל אֶת הַשְּׁלָמִים אוֹ שׁוֹלְקָן. וְקַרְיָיא אָמַר שֶׁהַצָּלוּי קָרוּי מְבוּשָּׁל. שֶׁנֶּאֱמַר וַיְבַשְּׁלוּ אֶת הַפֶּסַח בָּאֵשׁ.

“Quem faz voto proibindo-se o mazon está permitido na água e no sal.” Lá, no tratado dos votos, ensinamos: “Quem faz voto proibindo-se o cozido está permitido no assado e no shaluk (escaldado).” Uma matnita diz assim, que o escaldado se chama cozido, pois ensinamos sobre o nazir: “Estava cozinhando os shelamim (oferendas de paz) ou escaldando-os.” E o versículo diz que o assado se chama cozido, como está dito: “E cozinharam o Pessach no fogo” (Divrei HaYamim II 35:13).

אִין תֵּימַר. שֶׁלֹּא כַהֲלָכָה. רִבִּי יוֹנָה בּוֹצְרַיָיה אָמַר כַּמִּשְׁפָּט. מַתְנִיתָא שֶׁהַשָׁלוּק קָרוּי מְבוּשָּׁל. וְקַרְיָיא אָמַר שֶׁהַצָּלוּי קָרוּי מְבוּשָּׁל. וְתַנִּינָן. הַנּוֹדֵר מִן הַמְבוּשָּׁל מוּתָּר בַָּצָּלִי וּבַשָּׁלוּק.

Se disseres: cozinharam-no contra a regra, Rabi Yoná de Botzra disse: o versículo diz “conforme o preceito”. A matnita diz que o escaldado se chama cozido, e o versículo diz que o assado se chama cozido; e ensinamos: “Quem faz voto proibindo-se o cozido está permitido no assado e no escaldado”!

אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן. הִילְּכוּ בִנְדָרִים אַחַר לְשׁוֹן בְּנֵי אָדָם. אָמַר רִבִּי יֹאשַׁיָּה. הִילְּכוּ בִנְדָרִים אַחַר לְשׁוֹן תּוֹרָה. מַה נְפַק בֵּינֵיהוֹן. אָמַר. קוֹנָם יַיִן שֶׁאֲנִי טוֹעֵם בַּחַג. עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי יוֹחָנָן אָסוּר בְּיוֹם טוֹב הָאַחֲרוֹן. עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי יֹאשַׁיָּה מוּתָּר. אוֹף רִבִּי יֹאשַׁיָּה מוֹדֶה שֶׁהוּא אָסוּר. לֹא אָמַר רִבִּי יֹאשַׁיָּה אֶלָּא לְחוֹמָרִן.

Disse Rabi Yochanan: nos nedarim (votos), os sábios seguiram a linguagem das pessoas. Disse Rabi Yoshiya: nos nedarim, os sábios seguiram a linguagem da Torá. Qual a diferença prática entre eles? Se alguém disse: konam (proibido como oferenda) o vinho que eu provar na festa: segundo a opinião de Rabi Yochanan, está proibido no último Yom Tov (dia festivo) da festa; segundo a opinião de Rabi Yoshiya, está permitido. Também Rabi Yoshiya concorda que está proibido; Rabi Yoshiya não disse isso senão para as restrições.

07Rabi Yochanan comeu chalitin; tudo se chama mazon
Yerushalmi · Eruvin 3:1
אָמַר רִבִּי חִיָיא בַּר בָּא. רִבִּי יוֹחָנָן אָכַל חֲלִיטִן וְאָמַר. לֹא טְעָמִית מִידִי בְּהַהוּא יוֹמָא. וְתַנִּינָן. הַנּוֹדֵר מִן הַמָּזוֹן מוּתָּר בַּמַּיִם וּמֶלַח. פָּתַר לָהּ כְּרִבִּי יֹאשַׁיָּה. דְּרִבִּי יֹאשַׁיָּה אָמַר. הִילְּכוּ בִנְדָרִים אַחַר לְשׁוֹן תּוֹרָה. וּמְנַיֵין שֶׁכָּל הַדְּבָרִים קְרוּיִין מָזוֹן. רִבִּי אָחָא בֵּירִבִּי עוּלָא אָמַר. וְעֶשֶׂר אֲתוֹנוֹת נוֹשְׂאוֹת בָּר וָלֶחֶם וּמָזוֹן. מַה תַלְמוּד לוֹמַר מָזוֹן. אֶלָּא מִיכָּן שֶׁכָּל הַדְּבָרִים קְרוּיִין מָזוֹן.

Disse Rabi Chiya bar Ba: Rabi Yochanan comeu chalitin (massa escaldada em água fervente) e disse: não provei coisa alguma naquele dia. E eis que ensinamos: “Quem faz voto proibindo-se o mazon está permitido na água e no sal”! Explica-o segundo Rabi Yoshiya, pois Rabi Yoshiya disse: nos nedarim, os sábios seguiram a linguagem da Torá. E de onde se aprende que todas as coisas se chamam mazon? Rabi Achá beRabi Ulla disse: daqui: “E dez jumentas carregando cereal, e pão, e mazon” (Bereshit 45:23). Por que então o versículo diz “e mazon”, se já disse cereal e pão? Senão que daqui se aprende que todas as coisas se chamam mazon.

08O kikar proibido por voto e o kikar consagrado; o nazir e a terumá
Yerushalmi · Eruvin 3:1
נָדַר מִן הַכִּכָּר מְעָרְבִין בּוֹ. הִקְדִּישׁוֹ אֵין מְעָרְבִין בּוֹ. נָדַר מִן הַכִּכָּר מְעָרְבִין בּוֹ. שֶׁכֵּן אַחֵר רָאוּי לְאוֹכְלוֹ. הִקְדִּישׁוֹ אֵין מְעָרְבִין בּוֹ. שֶׁלֹּא הוּא וְלֹא אַחֵר רְאוּיִין לְאוֹכְלוֹ.

Se fez voto proibindo-se o kikar (pão), faz-se eruv com ele; se o consagrou, não se faz eruv com ele. Fez voto proibindo-se o kikar, faz-se eruv com ele, pois outro está apto a comê-lo; consagrou-o, não se faz eruv com ele, pois nem ele nem outro estão aptos a comê-lo.

רִבִּי אָחָא בָעֵי. וְאֵין אָדָם נִשְׁאַל עַל הֶקְדֵּישׁוֹ. רִבִּי אָחָא אָמַר. רִבִּי מִיָישָׁא בָעֵי. תַּמָּן אָמַר רִבִּי שִׁמְעוֹן חִיָיה בְּרֵיהּ דְּרַב אָמַר. עֲבוֹדָה זָרָה שֶׁעֲשָׂאָהּ לֶחִי לְמָבוֹי מַתֶּרֶת אֶת הַמָּבוֹי. וְהָכָא אַתְּ אָמַר הָכֵין. אָמַר רִבִּי אֶלְעָזָר. תַּמָּן מִכָּל מָקוֹם נִסְתָּם הַמָּבוֹי. וְהָכָא מָה אִית לָךְ.

Rabi Achá perguntou: e não pode uma pessoa pedir a anulação do seu hekdesh (consagração)? Rabi Achá disse: Rabi Miyasha perguntou: lá, disse Rabi Shimon: Chiya, filho de Rav, disse: uma avodá zará (objeto de idolatria) que alguém fez como lechi (a haste lateral) para o mavoi (beco) permite o mavoi; e aqui, sobre o hekdesh, tu dizes assim? Disse Rabi Elazar: lá, de qualquer modo o mavoi fica fechado; e aqui, o que tens a dizer?

מְעָרְבִין לַנָּזִיר בַּיַיִן. שֶׁכֵּן אַחֵר רָאוּי לִשְׁתוֹתוֹ. וּלְיִשְׂרָאֵל בַּתְּרוּמָה. שֶׁכֵּן כֹּהֵן רָאוּי לְאוֹכְלָהּ. וְלַכֹּהֵן בְּבֵית הַפְּרַס.

“Faz-se eruv para o nazir com vinho”: isso é pois outro está apto a bebê-lo. “E para o israelita com terumá”: isso é pois o kohen está apto a comê-la. E como se faz eruv para o kohen no beit haperas?

09Beit Shammai, Sumchos e o kohen entre os túmulos
Yerushalmi · Eruvin 3:1
מַתְנִיתָא דְבֵית שַׁמַּי. דְּבֵית שַׁמַּי אָמְרִין. אֵין מְעָרְבִין לְאָדָם אֶלָּא אִם כֵּן הָיוּ כְלֵי תַשְׁמִישׁוֹ שָׁם. סוּמַכוּס כְּבֵית שַׁמַּי. דְּתַנִּינָן. סוּמַכוּס אוֹמֵר. אַף בַּחוּלִין לַכֹּהֵן בְּבֵית הַפְּרַס. מֵעַתָּה אֲפִילוּ בֵין הַקְּבָרוֹת. רָאוּי הוּא לַעֲבוֹר עַל הַשְּׁבוּת וְלוֹכַל. שֶׁכֵּן הוּא רָאוּי לִיכָּנֵס בְּשִׁידָּה תֵיבָה וּמִגְדָּל וְלַעֲשׂוֹת לוֹ חוֹר פָּחוּת מִטֶּפַח וְלִתְחוֹב בְּכושׁ וּבְקִיסֵּם וְלֶאֱכוֹל.

A matnita é de Beit Shammai (a escola de Shammai), pois Beit Shammai dizem: não se faz eruv para uma pessoa a não ser que os seus utensílios de uso estejam lá. Sumchos é como Beit Shammai, pois ensinamos: “Sumchos diz: também com chulin, para o kohen no beit haperas.” Sendo assim, vale mesmo entre os túmulos? Ele está apto a transgredir a shevut (proibição rabínica) e comer. Pois ele está apto a entrar numa shidá (liteira de madeira), teivá (caixa) e migdal (armário), e fazer para si um buraco de menos de um tefach (palmo), e espetar o alimento com um fuso ou com uma lasca, e comer.

Nota

Esta é a primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Eruvin, BaKol Mearvin, e a sua Mishná corresponde à Mishná Eruvin 3:1 da Mishná avulsa, com estas diferenças: o Yerushalmi escreve וּמִשְׁתַּתְּפִין onde a avulsa tem וּמִשְׁתַּתְּפִים; נִלְקָח onde a avulsa tem נִקָּח; מוּתָּר בַּמַּיִם וָמֶּלַח onde a avulsa tem מֻתָּר בְּמַיִם וּבְמֶלַח; לַנָּזִיר בַּיַיִן e בַּתְּרוּמָה onde a avulsa tem לְנָזִיר בְּיַיִן e בִּתְרוּמָה; רִבִּי onde a avulsa tem רַבִּי; אֲפִילוּ בֵין הַקְּבָרוֹת onde a avulsa tem אֲפִלּוּ בְּבֵית הַקְּבָרוֹת; e מִפְּנֵי שֶׁהוּא יָכוֹל לַחוֹץ וְלוֹכַל, “porque ele pode separar-se e comer”, onde a avulsa tem מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לֵילֵךְ לָחוֹץ וְלֶאֱכֹל. A diferença de conteúdo está nas palavras de Sumchos: no Yerushalmi ele diz סוּמַכוּס אוֹמֵר אַף בַּחוּלִין לַכֹּהֵן בְּבֵית הַפְּרַס, “também com chulin, para o kohen no beit haperas”, numa só frase; na avulsa, סוּמְכוֹס אוֹמֵר, בְּחֻלִּין. וּלְכֹהֵן בְּבֵית הַפְּרָס, Sumchos diz apenas “com chulin”, e a regra do kohen no beit haperas é uma frase separada, anônima. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 26b, no início do capítulo, e lê נִיקָּח, מוּתָּר בְּמֶלַח וּבְמַיִם, סוֹמְכוֹס אוֹמֵר: בְּחוּלִּין. וְלַכֹּהֵן בְּבֵית הַפְּרָס e אֲפִילּוּ בֵּין הַקְּבָרוֹת, sem a explicação final. A halachá ocupa dez segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros nove é aqui uma seção, de 01 a 09, dividida em pares de hebraico e português: três na seção 01, dois na 02, dois na 03, um na 04, dois na 05, três na 06, um na 07, três na 08 e um na 09.

O eruv de techumin é feito pondo alimento para duas refeições num lugar, antes do Shabat, para que esse lugar seja a residência da pessoa no Shabat; o eruv de pátios e o shituf do mavoi juntam os moradores com alimento comum. A seção 01 pergunta de quem é a Mishná: Rabi Achá a atribui a Rabi Eliezer, porque outra Mishná traz a mesma frase em nome dele, e Rabi Yossi diz que é de todos; em seguida, liga-se a Mishná a Rabi Meir, que só aceita para o eruv o que se come cru, tal como está, e não o que se come com pão, como o alho e as cebolas, segundo o caso de Ardaksam. A seção 02 nota que as duas regras da Mishná, a do eruv e a do maaser, não são iguais: a primeira vale para qualquer alimento e segundo todos; a segunda tem restrições e, ao que parece, só se explica segundo Rabi Akiva. A seção 03 traz a baraita de Rabi Yishmael, que aplica ao versículo do maaser a regra do kelal ufrat ukelal, e a leitura de Rabi Akiva; a diferença entre eles são os peixes, os gafanhotos, as trufas e os cogumelos. A seção 04 dá as razões da exclusão da água e do sal e discute a salmoura com azeite. A seção 05 trata das medidas: o meio log de vinho da Mishná da peá vale também para o eruv, enquanto o azeite e o vinagre se medem pela quantidade que acompanha duas refeições; e enumera o que se come cru. As seções 06 e 07 passam ao voto de mazon: se nos votos se segue a linguagem das pessoas ou a da Torá, e por que todas as coisas, exceto a água e o sal, se chamam mazon. A seção 08 explica por que se faz eruv com um pão proibido por voto, que outro pode comer, mas não com pão consagrado, que ninguém pode comer; e a seção 09 liga a regra do kohen no beit haperas a Beit Shammai e a Sumchos, e explica que o kohen pode chegar até o eruv entre os túmulos numa caixa de madeira, que o separa da impureza.

Referências conferidas no Sefaria. A Mishná citada na seção 01 é a Mishná Eruvin 7:10, na numeração do Sefaria: בַּכֹּל מְעָרְבִין וּמִשְׁתַּתְּפִין, חוּץ מִן הַמַּיִם וּמִן הַמֶּלַח, דִּבְרֵי רַבִּי אֱלִיעֶזֶר. רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, כִּכָּר הוּא עֵרוּב, com Rabi Yehoshua, que exige um pão inteiro para o eruv de pátios. O caso de Ardaksam está na Tosefta Eruvin 6:2, na numeração do Sefaria, e no Bavli, Eruvin 29a, nos dois lugares em nome de Rabi Shimon ben Elazar, e não de Rabi Yudá; o Bavli lê פַּעַם אַחַת שָׁבַת רַבִּי מֵאִיר בְּעַרְדִּיסְקָא, וּבָא אָדָם אֶחָד לְפָנָיו, אָמַר לוֹ: רַבִּי, עֵירַבְתִּי בִּבְצָלִים לְטִיבְעִין, וְהוֹשִׁיבוֹ רַבִּי מֵאִיר בְּאַרְבַּע אַמּוֹת שֶׁלּוֹ. Em Eruvin 27a, Ravina deduz da mesma Mishná אֵין לְמֵידִין מִן הַכְּלָלוֹת וַאֲפִילּוּ בִּמְקוֹם שֶׁנֶּאֱמַר בּוֹ חוּץ, “não se aprende das regras gerais, nem mesmo onde se diz exceto”, porque também as trufas e os cogumelos ficam de fora do eruv; e Eruvin 27b diz da água e do sal לֹא נִצְרְכָה אֶלָּא שֶׁנָּתַן לְתוֹכָן שֶׁמֶן, “não foi necessário senão quando pôs dentro deles azeite”, como a palavra de Rabi Achá em nome de Rabi Miyasha. A baraita do kelal ufrat ukelal, com Devarim 14:26, está no Bavli, Eruvin 27b, em duas versões: פְּרִי מִפְּרִי, וְגִידּוּלֵי קַרְקַע e וְלַד וַלְדוֹת הָאָרֶץ; ali Abaye diz que a diferença são os peixes, e em 28a Ravina diz que são as aves. A mesma passagem do Yerushalmi está em Maaser Sheni 1:3, na numeração do Sefaria, que começa מַתְנִיתִין דְּרִבִּי עֲקִיבָה דְּלֹא כְרִבִּי יִשְׁמָעֵאל. O “lá ensinamos” da seção 05 é a Mishná Peá 8:5: חֲצִי לֹג יָיִן. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, רְבִיעִית. רְבִיעִית שֶׁמֶן. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, שְׁמִינִית; o Bavli, Eruvin 29a, cita-a e acrescenta וְאָמַר רַב: וְכֵן לְעֵירוּב, em nome de Rav, onde o Yerushalmi diz Rabi Elazar; e o Yerushalmi Peá 8:4, na numeração do Sefaria, traz a mesma passagem, com אָמַר רִבִּי לָעְזָר וְכֵן לְעֵירוּב e אֲבָל בְּשֶׁמֶן מְעָרְבִין בּוֹ מָזוֹן שְׁתֵּי סְעוּדוֹת. A Tosefta Eruvin 6:1 dá as medidas do vinho, do azeite e do vinagre do shituf, como והשמן כדי לאכול בו מזון שתי סעודות, “e o azeite, o suficiente para comer com ele mazon de duas refeições”. As verduras de Rav estão no Bavli, Eruvin 28a: אָמַר רַב יְהוּדָה מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב שְׁמוּאֵל בַּר שִׁילַת מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב: מְעָרְבִין בְּפַעְפּוּעִין וּבַחֲלַגְלוֹגוֹת וּבְגוּדְגְּדָנִיּוֹת. A frase dos babilônios é da Mishná Menachot 11:7, sobre o bode de Yom Kipur que cai na véspera do Shabat: הַבַּבְלִיִּים אוֹכְלִין אוֹתוֹ כְּשֶׁהוּא חַי, מִפְּנֵי שֶׁדַּעְתָּן יָפָה. Na seção 06, o voto do cozido é a Mishná Nedarim 6:1, הַנּוֹדֵר מִן הַמְבֻשָּׁל, מֻתָּר בַּצָּלִי וּבַשָּׁלוּק; a frase dos shelamim é da Mishná Nazir 6:9, הָיָה מְבַשֵּׁל אֶת הַשְּׁלָמִים אוֹ שׁוֹלְקָן; o versículo é Divrei HaYamim II 35:13, וַיְבַשְּׁלוּ הַפֶּסַח בָּאֵשׁ כַּמִּשְׁפָּט, sem אֶת, que o Yerushalmi acrescenta, como também o Bavli, Nedarim 49a, onde Rabi Yoshiya proíbe o assado a quem fez voto do cozido e o debate é se nos votos se segue לְשׁוֹן בְּנֵי אָדָם ou לְשׁוֹן תּוֹרָה. As seções 06 e 07 estão também no Yerushalmi Nedarim 6:1, onde a palavra de Rabi Yochanan é רִבִּי יוֹחָנָן אָכִיל חֲלִיטָא וְאָמַר. לֹא טְעָמִית מָזוֹן בְּהָדָא יוֹמָא, “não provei mazon neste dia”, e não מִידִי, “coisa alguma”, como aqui. No Bavli, Berachot 44a, conta-se que Rabi Yochanan comia grande quantidade de frutas de Ginosar e jurava que não provara זִיּוּנָא, corrigido ali para מְזוֹנָא; e Berachot 35b e Eruvin 30a deduzem da Mishná, nas palavras de Berachot 35b, מַיִם וּמֶלַח הוּא דְּלָא אִקְּרִי ״מָזוֹן״, הָא כׇּל מִילֵּי אִקְּרִי ״מָזוֹן״, “só a água e o sal não se chamam mazon; todas as outras coisas se chamam mazon”. O versículo das jumentas é Bereshit 45:23, וְעֶשֶׂר אֲתֹנֹת נֹשְׂאֹת בָּר וָלֶחֶם וּמָזוֹן לְאָבִיו לַדָּרֶךְ. Na seção 08, o Bavli, Eruvin 30a, traz em nome de Rabi Eliezer ״כִּכָּר זוֹ הֶקְדֵּשׁ״ — אֵין מְעָרְבִין לוֹ בָּהּ, לְפִי שֶׁאֵין מְעָרְבִין לוֹ בַּהֶקְדֵּשׁוֹת. Na seção 09, o Bavli, Eruvin 30a, diz o contrário do Yerushalmi sobre a Mishná: מַתְנִיתִין דְּלָא כְּבֵית שַׁמַּאי, porque Beit Shammai dizem אֵין מְעָרְבִין לַנָּזִיר בְּיַיִן וּלְיִשְׂרָאֵל בִּתְרוּמָה; em 30b, Chananya diz que Beit Shammai só admitem o eruv עַד שֶׁיּוֹצִיא מִטָּתוֹ וְכׇל כְּלֵי תַּשְׁמִישָׁיו לְשָׁם, “até que leve para lá a sua cama e todos os seus utensílios de uso”, que é a regra citada aqui; e, sobre Rabi Yehudá, ensina מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לָחוֹץ וְלֵילֵךְ בְּשִׁידָּה תֵּיבָה וּמִגְדָּל, “porque pode separar-se e ir numa shidá, teivá ou migdal”.

Leituras incertas. Na seção 01, a frase de Rabi Yossi, מְעָרְבִין בַּחֲצֵירוֹת וּמִשְׁתַּתְּפִין בֵּין בַּחֲצֵירוֹת בֵּין בַּתְּחוּמִין, foi traduzida literalmente, embora o sentido não seja claro, porque o shituf se faz para o mavoi e não para os limites; עִם הַפַּת foi lido como “o que se come com o pão”; o lugar ארדקסם, sem sinais vocálicos no Sefaria, foi transliterado Ardaksam; e הַלּוּף וְהַקּוֹלֳקַס foram entendidos como plantas de bulbo ou tubérculo que não se comem cruas. Na seção 02, בְּרַם כְּרִבִּי יִשְׁמָעֵאל foi lido como pergunta, “mas segundo Rabi Yishmael, como é?”, respondida pela baraita da seção 03; também se poderia ler “mas não segundo Rabi Yishmael”. A ordem das duas regras parece invertida, porque o que se come cru é a exigência de Rabi Meir para o eruv; seguiu-se o hebraico. Na seção 03, וְולַד וְולָדוֹת foi lido como “cria de crias”, a forma do Bavli, וְלַד וַלְדוֹת, com o vav duplo da grafia do Yerushalmi; כִּוְולַד foi lido como “e cria de”, como no Yerushalmi Maaser Sheni; e מַכְשִׁירֵי פֶרִי foi glosado como “o que prepara o fruto para o consumo”. Na seção 04, לְפִי חֶשְׂבּוֹן שֶׁבָּהֶן foi entendido como a proporção de azeite na salmoura. Na seção 05, יָרָק הַנֶּאֱגַד foi traduzido “a verdura que se amarra em maços”; כלבודא, sem sinais vocálicos, foi transliterado kalbuda, e a glosa “um peixe pequeno” é incerta; מִפְּנֵי שֶׁדַּעְתָּן יָפָה foi traduzido “porque a sua disposição é boa”; e os nomes aramaicos קַקּוּלֵי וְחִנְדָּקוּקֵי וּפַרְפָּחִינֵיה foram transliterados e glosados com reserva. Na seção 06, a fala אִין תֵּימַר. שֶׁלֹּא כַהֲלָכָה foi completada como “cozinharam-no contra a regra”, e a resposta de Rabi Yoná como referência à palavra כַּמִּשְׁפָּט do versículo; o último Yom Tov é Shemini Atzeret, que pela linguagem das pessoas faz parte da festa. Na seção 07, לֹא טְעָמִית מִידִי foi traduzido literalmente, “não provei coisa alguma”, e פָּתַר לָהּ como “explica-o”. Na seção 08, וְאֵין אָדָם נִשְׁאַל עַל הֶקְדֵּישׁוֹ foi entendido como a pergunta se a consagração pode ser anulada por um sábio, como um voto; e a frase final, וְלַכֹּהֵן בְּבֵית הַפְּרַס, foi lida como pergunta. Na seção 09, מַתְנִיתָא דְבֵית שַׁמַּי parece referir-se à regra do kohen no beit haperas, e a frase רָאוּי הוּא לַעֲבוֹר עַל הַשְּׁבוּת וְלוֹכַל parece explicar o beit haperas, cuja proibição é rabínica, e não os túmulos; בְּכושׁ foi lido como כּוּשׁ, “fuso”.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 02, Guggenheimer propõe trocar as duas regras. Na seção 05, ele traduz “meio log de azeite” onde o hebraico diz חֲצִי לוֹג יַיִן, “meio log de vinho”, como na Mishná Peá; e lê כלבודא como o grego χαλκίς, um peixe, segundo o texto de Peá. Na seção 07, ele emenda מִידִי para “mazon”, segundo Nedarim e Nazir, e traduz “Rebbi Ḥiyya bar Abba” onde o hebraico diz רִבִּי חִיָיא בַּר בָּא. Na seção 08, ele identifica רִבִּי שִׁמְעוֹן com Reish Lakish, o que aqui não se afirma. Na seção 09, ele põe o fim do segmento 9 do Sefaria, sobre o nazir e a terumá, no começo do segmento seguinte, e propõe ler a frase da shevut antes da anterior; aqui se manteve a divisão e a ordem do hebraico. Ele escreve ainda “Rebbi Yasa”, “Rebbi Miasha”, “Rebbi Jonah from Bostra” e “Rebbi Joshia”.

Nomes nesta página: Rabi Achá, אָחָא; Rabi Eliezer, אֱלִיעֶזֶר; Rabi Yossi, יוֹסֵה; Rabi Meir, מֵאִיר; Rabi Yehudá, יְהוּדָה, na Mishná, e Rabi Yudá, יוּדָה, na guemará; Rabi Akiva, עֲקִיבָה; Rabi Yishmael, יִשְׁמָעֵאל; Rabi Yassa, יָסָא; Rabi Levi, לִוֵי; Rabi Elazar, אֶלְעָזָר; Rabi Miyasha, מִיַישְּׁא e מִיָישָׁא; Rabi Chinena, חִינְנָא; Rabi Yirmeyá, יִרְמְיָה; Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק; Rabi Yitzchak Atoshia, יִצְחָק עֲטוֹשִׁיָּא; Rabi Zeira, זְעִירָא; Rabi Yannai, יַנַּאי; Rabi Yudan, יוּדָן; Shmuel bar Shilat, שְׁמוּאֵל בַּר שִׁילַת, sem título, como no hebraico; Rav, רַב; Rabi Yoná de Botzra, יוֹנָה בּוֹצְרַיָיה; Rabi Yochanan, יוֹחָנָן; Rabi Yoshiya, יֹאשַׁיָּה; Rabi Chiya bar Ba, חִיָיא בַּר בָּא; Rabi Achá beRabi Ulla, אָחָא בֵּירִבִּי עוּלָא; Rabi Shimon, שִׁמְעוֹן; Chiya, filho de Rav, חִיָיה בְּרֵיהּ דְּרַב; e Sumchos, סוּמַכוּס.

Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha: os da edição de Vilna 18b, na seção 01, antes de דְּתַנִּינָן תַּמָּן; 19a, na seção 04, antes de עֲשָׂאָן מֵי מֶלַח; 19b, na seção 06, antes de שֶׁלֹּא כַהֲלָכָה; e 20a, na seção 09, antes de חוֹר פָּחוּת מִטֶּפַח; e os das colunas 20c, na seção 01, antes de בַּכֹּל מְעָרְבִין, e 20d, na seção 03, antes de הָאָרֶץ, da edição de Veneza. O texto do Sefaria não tem marcador numérico na abertura do capítulo, e nenhum foi acrescentado; não há colchetes nem parênteses no hebraico. A marca פיס׳, no início da seção 06, e a abreviação כול׳ foram mantidas, e também grafias anômalas, como וָמֶּלַח, com dagesh, na Mishná, נִלִקָח, na seção 02, וְולַד וְולָדוֹת e כִּוְולַד, na seção 03, בַָּצָּלִי, com dois sinais vocálicos, na seção 06, e בְּכושׁ, na seção 09.

Com esta halachá, abre-se o Perek Guimel de Massechet Eruvin, BaKol Mearvin (בַּכֹּל מְעָרְבִין).