Sétima halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin. Na Mishná, Rabi Eliezer diz que, se o comprimento da horta ou do karpef passa da largura mesmo por uma amá, não se transporta dentro dela no Shabat; e Rabi Yossi diz que se transporta mesmo que o comprimento seja o dobro da largura. A guemará traz a baraita de Rabi Eliezer, que diverge de Rabi Yonatan, para quem a medida foi aprendida do pátio do Mishkan, de cem por cinquenta, e a palavra de Rabi Yossi, que o apoia e que se repete na medida de kil’ayim. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 23b.
Mishná: Rabi Eliezer diz: se o comprimento dela, da horta ou do karpef (cercado), era maior que a sua largura, mesmo que fosse por uma só amá (côvado), não se transporta dentro dela no Shabat. Rabi Yossi diz: mesmo que o comprimento dela seja como duas vezes a sua largura, transporta-se dentro dela no Shabat.
“Rabi Yudá diz: mesmo que não haja nela senão um kor (medida de trinta seás)” etc. Foi ensinado numa baraita: “Rabi Eliezer diz: se o comprimento dela era maior que a sua largura, mesmo que fosse por uma só amá, não se transporta nada de dentro dela”. E esta baraita diverge da opinião de Rabi Yonatan. “Rabi Yossi diz: mesmo que o comprimento dela seja como duas vezes a sua largura, transporta-se dentro dela”; esta palavra apoia Rabi Yonatan. E eis que foi ensinado também: sobre kil’ayim (mistura de espécies), na medida de um rová (área de um quarto de kav), Rabi Yossi diz: mesmo que o comprimento dela seja como duas vezes a sua largura.
Esta é a sétima halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin, e a sua Mishná não corresponde à Mishná Eruvin 2:7 da Mishná avulsa, mas ao fim da Mishná Eruvin 2:5 da avulsa: as palavras de Rabi Eliezer e de Rabi Yossi, que vêm ali depois das de Rabi Yehudá ben Bava, que no Yerushalmi abrem a halachá 2:5, e das de Rabi Yehudá e de Rabi Akiva, que abrem a halachá 2:6. As diferenças são de grafia e de algumas palavras: רִבִּי onde a avulsa tem רַבִּי; אֱלִעֶזֶר onde a avulsa tem אֱלִיעֶזֶר; הָיָה אוֹרְכָּהּ, sem אִם, onde a avulsa tem אִם הָיָה אָרְכָּהּ; יוֹתֵר onde a avulsa tem יָתֵר; אֲפִילוּ, duas vezes, onde a avulsa tem אֲפִלּוּ; יוֹסֵה onde a avulsa tem יוֹסֵי; אוֹרְכָּהּ כִּשְׁנַיִם בְּרוֹחְבָּהּ, “o comprimento dela como duas vezes a sua largura”, onde a avulsa tem אָרְכָּהּ פִּי שְׁנַיִם בְּרָחְבָּהּ; e בְּתוֹכָה, no fim, sem mapiq, onde a avulsa tem בְּתוֹכָהּ. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 23a, com אִם הָיְתָה אׇרְכָּהּ e פִּי שְׁנַיִם. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a seção 01.
Sobre o trecho citado no começo da seção 01. Depois da marca פיס׳, abreviação de pisqa, “trecho”, a guemará cita רִבִּי יוּדָה אוֹמֵר אֲפִילוּ אֵין בָּהּ אֶלָּא כוֹר, “Rabi Yudá diz: mesmo que não haja nela senão um kor”. Este trecho não é da Mishná desta halachá, que traz Rabi Eliezer e Rabi Yossi, nem da Mishná seguinte, a da halachá 2:8, em que Rabi Ilai diz ter ouvido de Rabi Eliezer אֲפִילוּ הִיא כְבֵית כּוֹר, “mesmo que ela seja como um beit kor”, sem as palavras אֵין בָּהּ אֶלָּא. Corresponde, palavra por palavra, à Mishná da halachá anterior, 2:6, רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר אֲפִילוּ אֵין בָּהּ אֶלָּא בוֹר, “Rabi Yehudá diz: mesmo que não haja nela senão um bor”, com כוֹר onde ali está בוֹר; ao que parece, é a troca de uma letra parecida, e Guggenheimer traduz “cistern”, como se estivesse escrito בוֹר. A tradução seguiu o hebraico, “kor”, e o texto não foi reordenado. Como na halachá 2:4, a guemará abre com o trecho da Mishná anterior, e a discussão que segue trata da Mishná desta halachá.
Sobre o resto da seção 01. A baraita de Rabi Eliezer diverge de Rabi Yonatan porque, na halachá 2:5, Rabi Shmuel bar Nachman disse em nome de Rabi Yonatan que a medida da horta e do karpef foi aprendida do pátio do Mishkan, cujo comprimento era de cem amot e a largura de cinquenta, isto é, o comprimento era o dobro da largura; e Rabi Eliezer proíbe mesmo quando o comprimento passa da largura por uma amá. Rabi Yossi, que permite até o dobro, concorda com essa medida, e por isso a sua palavra apoia Rabi Yonatan. A segunda citação mostra, ao que parece, que Rabi Yossi diz o mesmo na medida do rová de kil’ayim: também ali uma área mais comprida que larga, até o dobro, conta como a medida. Na baraita, מִתּוֹכָהּ, “de dentro dela”, está onde a Mishná tem בְּתוֹכָהּ, “dentro dela”; a tradução manteve a diferença.
Referências conferidas no Sefaria. No Yerushalmi Eruvin 2:5, רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר נַחְמָן בְּשֵׁם רִבִּי יוֹנָתָן. מֵחֲצַר הַמִּשְׁכָּן לָמְדוּ, “Rabi Shmuel bar Nachman em nome de Rabi Yonatan: do pátio do Mishkan o aprenderam”, com a medida de cem por cinquenta. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 23a; em Eruvin 23b a guemará objeta com uma baraita em que Rabi Eliezer diz אִם הָיְתָה אׇרְכָּהּ יָתֵר עַל פִּי שְׁנַיִם בְּרׇחְבָּהּ אֲפִילּוּ אַמָּה אַחַת, “se o comprimento dela passava do dobro da largura, mesmo por uma amá”, e Rav Bivi bar Abaye responde que também a Mishná deve ser lida assim; e a guemará explica a diferença entre Rabi Eliezer e Rabi Yossi pelo quadrado medido pelos sábios. Ali também se traz, em nome de Shmuel, הֲלָכָה כְּרַבִּי יוֹסֵי, “a halachá é como Rabi Yossi”. Na Tosefta Eruvin, na numeração do Sefaria, em 2:5, a regra vem em nome de Rabi Eliezer, e as palavras sobre o comprimento como duas vezes a largura e o excesso de uma amá estão entre as que o Sefaria marca como acréscimo editorial. Na Tosefta Kil’ayim, na numeração do Sefaria, em 2:7, e na edição de Lieberman, em 2:6, כמה היא מדת בית רובע עשר אמות ומחצה על עשר אמות ומחצה מרובעת ר' יוסי אומר אפילו אורכה כשנים ברחבה, “qual é a medida de um beit rová? Dez amot e meia por dez amot e meia, quadrada; Rabi Yossi diz: mesmo que o comprimento dela seja como duas vezes a largura”.
Leituras incertas. כוֹר foi mantido como “kor”, embora o sentido, ao que parece, seja בוֹר, “cisterna”, como na Mishná da halachá 2:6. בְּרוֹבַה está escrito com he no fim, e foi traduzido “na medida de um rová”, isto é, lido como רובע, como na Tosefta, que tem בית רובע; Guggenheimer também propõe essa leitura. וְהָא תַנֵּי foi traduzido “e eis que foi ensinado também”, como citação que confirma a linha de Rabi Yossi. A Mishná sem אִם foi traduzida com “se”, que completa a condição.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer escreve “Rebbi Jehudah” onde o hebraico diz רִבִּי יוּדָה, e “cistern” onde o hebraico diz כוֹר; traduz מִתּוֹכָהּ e בְּתוֹכָהּ do mesmo modo, “there”; e traduz וְהָא תַנֵּי com “we also have stated”. Na sua nota à Mishná, Guggenheimer diz que a razão de Rabi Eliezer não é conhecida e que a palavra dele é rejeitada no Bavli; isso foi registrado e não entrou na tradução.
Nomes nesta página: Rabi Eliezer, רִבִּי אֱלִעֶזֶר, na Mishná, e רִבִּי לִעֶזֶר, na guemará, ambos com a vogal de Eliezer, e por isso não Rabi Lazar; Rabi Yossi, רִבִּי יוֹסֵה, na Mishná e na guemará; Rabi Yudá, רִבִּי יוּדָה; Rabi Yonatan, רִבִּי יוֹנָתָן.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá. O texto do Sefaria não tem marcador de folha da edição de Vilna ou de Veneza nesta halachá, nem marcador numérico, e nenhum foi acrescentado. Não há parênteses nem colchetes no hebraico desta halachá. As marcas פיס׳ e כול׳ foram mantidas, e grafias anômalas também, como בְּתוֹכָה, בְּרוֹבַה e כוֹר; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria.