Sexta halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin. Na Mishná, Rabi Yehudá diz que na horta e no karpef se transporta no Shabat mesmo que neles não haja senão uma cisterna, uma vala ou uma gruta; e Rabi Akiva diz que se transporta mesmo sem nada disso, contanto que tenham setenta amot e restos por setenta amot e restos. A guemará aponta que a linha de Rabi Yudá parece trocada, porque em outra Mishná ele define o karpef como aquele que está perto da cidade, e traz a resposta de Rabi Mana: Rabi Yudá a trata como uma casa de moradia. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 23b.
Mishná: Rabi Yehudá diz: mesmo que não haja nela, na horta ou no karpef (cercado), senão um bor (cisterna), uma shiach (vala) e uma meará (gruta), transporta-se dentro dela. Rabi Akiva diz: mesmo que não haja nela nenhum de todos estes, transporta-se dentro dela, contanto que ela seja de setenta amot (côvados) e restos por setenta amot e restos.
Trocou-se a linha de pensamento de Rabi Yudá, pois ensinamos lá, em outra Mishná: “Qual é o karpef? Todo aquele que está próximo da cidade; palavras de Rabi Yudá”. E aqui na nossa Mishná ele diz assim, que basta uma cisterna, uma vala e uma gruta? Disse Rabi Mana: como uma beit dirá (casa de moradia) é que Rabi Yudá a trata.
Esta é a sexta halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin, e a sua Mishná não corresponde à Mishná Eruvin 2:6 da Mishná avulsa, que traz as três coisas que Rabi Ilai ouviu de Rabi Eliezer, mas ao meio da Mishná Eruvin 2:5 da avulsa: as palavras de Rabi Yehudá e de Rabi Akiva, que vêm ali depois das de Rabi Yehudá ben Bava, que no Yerushalmi abrem a halachá 2:5, e antes das de Rabi Eliezer e de Rabi Yossi, que abrem a halachá 2:7. No trecho comum, as diferenças são de grafia e de uma palavra: רִבִּי onde a avulsa tem רַבִּי; אֲפִילוּ, duas vezes, onde a avulsa tem אֲפִלּוּ; עֲקִיבָה, com he, onde a avulsa tem עֲקִיבָא; אֵילּוּ onde a avulsa tem אֵלּוּ; e שֶׁתְּהֵא שִׁבְעִים, “que ela seja de setenta”, onde a avulsa tem שֶׁיְּהֵא בָהּ שִׁבְעִים, “que haja nela setenta”. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 23a, também com שֶׁיְּהֵא בָּהּ. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a seção 01.
Sobre a seção 01. A Mishná citada com “ensinamos lá” é a Mishná Beitzá 4:2, que trata da lenha que se traz no Yom Tov: do campo, só a que está ajuntada, e do karpef, mesmo a espalhada; e ali Rabi Yudá define o karpef como todo aquele que está próximo da cidade. A dificuldade, ao que parece, é esta: lá, o que faz do karpef um lugar ligado à moradia é a proximidade da cidade, e aqui, na nossa Mishná, Rabi Yehudá se contenta com uma cisterna, uma vala ou uma gruta, sem proximidade da cidade e sem cabana de vigia ou casa de moradia, que Rabi Yehudá ben Bava exigia. Rabi Mana responde que Rabi Yudá a trata como uma casa de moradia; ao que parece, a cisterna, a vala ou a gruta, a que as pessoas vão buscar água, faz do cercado em volta algo como o pátio de uma casa, e por isso basta. O pronome feminino de עֲבִיד לָהּ, “a trata”, foi mantido como está; pode referir-se à horta da Mishná, ou à cisterna ou à gruta, e a tradução não decide.
Referências conferidas no Sefaria. Na Mishná Beitzá 4:2, אֵיזֶהוּ קַרְפֵּף, כֹּל שֶׁסָּמוּךְ לָעִיר, דִּבְרֵי רַבִּי יְהוּדָה. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, כֹּל שֶׁנִּכְנָסִין לוֹ בְפוֹתַחַת, “qual é o karpef? Todo aquele que está próximo da cidade, palavras de Rabi Yehudá. Rabi Yossi diz: todo aquele em que se entra com chave”. No Yerushalmi Beitzá 4:2, a mesma discussão aparece no sentido inverso: ali a guemará diz מחלפה שיטתיה דרבי יודה. דתנינן תמן, cita como “lá” a nossa Mishná, com אפילו אין בה אלא בור ושיח ומערה, e traz a mesma resposta de Rabi Mana. No Yerushalmi Eruvin 1:4, a mesma passagem aparece também, citando a Mishná de Beitzá, numa discussão sobre o mavoi cuja korá foi retirada. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 23a, e em Eruvin 23b a guemará pergunta רַבִּי עֲקִיבָא הַיְינוּ תַּנָּא קַמָּא!, “a opinião de Rabi Akiva é a mesma do primeiro tana!”, e responde אִיכָּא בֵּינַיְיהוּ דָּבָר מוּעָט, “há entre eles uma coisa pequena”; e traz, em nome de Shmuel, as duas palavras הֲלָכָה כְּרַבִּי יוֹסִי e הֲלָכָה כְּרַבִּי עֲקִיבָא, “a halachá é como Rabi Yossi” e “a halachá é como Rabi Akiva”. Na Tosefta Eruvin, na numeração do Sefaria, em 2:5, a regra da horta e do karpef de setenta e restos vem em nome de Rabi Eliezer, e ali ר"ש אומר אפי' עשר קרפיפות זה לפנים מזה, “Rabi Shimon diz: mesmo dez karpefim, um dentro do outro”, basta que um deles seja casa de moradia ou esteja próximo da cidade para se transportar em todos.
Leituras incertas. Na Mishná, בוֹר וְשִׁיחַ וּמְעָרָה foi traduzido “um bor, uma shiach e uma meará”, com o “e” do hebraico, embora o sentido, ao que parece, seja que basta um deles; e שֶׁתְּהֵא שִׁבְעִים foi traduzido “que ela seja de setenta”. Na seção 01, מִחְלְפָה שִׁיטָּתֵיהּ foi traduzido literalmente, “trocou-se a linha”, isto é, a opinião de Rabi Yudá parece contradizer-se; וָכָא הוּא אוֹמֵר הָכֵין foi entendido como pergunta; e עֲבִיד לָהּ, “a trata”, ficou com o pronome sem referente explícito.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer escreve “Rebbi Jehudah” nas três vezes da guemará, onde o hebraico diz רִבִּי יוּדָה e רַבִּי יוּדָה, e “Rebbi Aqiba” na Mishná, onde o hebraico tem עֲקִיבָה; traduz בוֹר וְשִׁיחַ וּמְעָרָה com “ou”; diz “seems inverted” onde o hebraico diz apenas מִחְלְפָה; e traduz עֲבִיד לָהּ com o pronome “it”. Na sua nota ao Yerushalmi Eruvin 1:4, Guggenheimer diz que a passagem foi tomada desta halachá e do Yerushalmi Beitzá 4:2, e que lá não tem ligação com o assunto; isso foi registrado, e não foi seguido na tradução desta página.
Nomes nesta página: Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה, na Mishná; Rabi Akiva, רִבִּי עֲקִיבָה; Rabi Yudá, רִבִּי יוּדָה e רַבִּי יוּדָה, na guemará; Rabi Mana, רִבִּי מָנָא.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e, na Mishná, o marcador da folha 17b da edição de Vilna, embutido no texto do Sefaria. O texto do Sefaria não tem marcador numérico nesta halachá, e nenhum foi acrescentado. Não há parênteses nem colchetes no hebraico desta halachá. Grafias anômalas foram mantidas, como עֲקִיבָה e וָכָא.