Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Bet · Halachá 3
עֵרוּבִין

Até beit sata’im: a horta, o curral e o poço que entra na medida

Perek Bet, Osin Passin, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Terceira halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin. A Mishná traz a palavra de Rabi Yehudá, que limita a área cercada pelos passin em volta do poço a beit sata’im, e a resposta dos sábios: essa medida só foi dita para a horta e para o karpef, mas o curral, o estábulo, o pátio dos fundos e o pátio são permitidos mesmo com cinco ou dez beit kor; e repete que se podem afastar os passin quanto se queira, desde que se acrescentem passin. A guemará pergunta se, segundo Rabi Yudá, o próprio poço entra na conta de beit sata’im, e responde com o ensinamento de Rabi Shimon ben Elazar: o poço que tem a medida de sata’im só admite a distância da cabeça e da maior parte de uma vaca. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 22a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

רִבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר עַד בֵּית סָאתַיִם. אָמְרוּ לוֹ לֹא אָמְרוּ בֵית סָאתַיִם אֶלָּא בַגִּינָּה וּבַקַּרְפֵּף. אֲבָל אִם הָיָה דִיר אוֹ סַהַר אוֹ מוּקְצֶה אוֹ חָצֵר אֲפִילוּ בֵית חֲמֵשֶׁת כּוֹרִין אֲפִילוּ בֵית עֲשֶׂרֶת כּוֹרִין מוּתָּר וּמוּתָּר לְהַרְחִיק כָּל שֶׁהוּא וּבִלְבַד שֶׁיַרְבֶּה בַפַּסִּין:

Mishná: Rabi Yehudá diz: a área cercada pelos passin pode chegar até beit sata’im (área de semeadura de duas seás). Disseram-lhe: não disseram beit sata’im senão na giná (horta) e no karpef (cercado); mas, se era um dir (curral), ou um sahar (estábulo), ou um muktzé (pátio dos fundos), ou um chatzer (pátio), mesmo beit chameshet kurin (área de semeadura de cinco kor), mesmo beit asseret kurin, é permitido. E é permitido afastar quanto quer que seja, desde que aumente o número dos passin (tábuas verticais).

A Halachá · הֲלָכָה ג

01O poço conta na medida de beit sata’im?
Yerushalmi · Eruvin 2:3
עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי יוּדָה בְּאֵר מָהוּ שֶׁתַּעֲלֶה מִמִּידַּת סְאָתַיִם. נִישְׁמְעִינָהּ מִן הָדָא. רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר אוֹמֵר. בְּאֵר שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מִידַּת סְאָתַיִם אֵינוֹ צָרִיךְ לְהַרְחִיק מִמֶּנָּה אֶלָּא מְלֹא רֹאשָׁהּ וְרוּבָּהּ שֶׁלְפָּרָה. הָדָא אָמְרָה שֶׁהַבְּאֵר עוֹלָה מִמִּידַּת סְאָתַיִם.

Segundo a opinião de Rabi Yudá, o poço, qual é a regra: que seja contado como parte da medida de beit sata’im? Ouçamo-lo disto que segue: Rabi Shimon ben Elazar diz: um poço em que há a medida de sata’im, não é preciso afastar os passin dele senão o pleno da cabeça e da maior parte do corpo de uma vaca. Isto diz que o poço é contado como parte da medida de beit sata’im.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin, e a sua Mishná corresponde inteira à Mishná Eruvin 2:3 da Mishná avulsa. A frase final, sobre afastar os passin desde que se acrescentem passin, está também no fim da halachá 2:2 do Yerushalmi e no fim da Mishná 2:2 da avulsa; no Yerushalmi ela aparece, portanto, nas duas halachot, e não só na avulsa. As diferenças em relação à avulsa são de grafia e de uma preposição: o Yerushalmi escreve רִבִּי onde a avulsa tem רַבִּי; סָאתַיִם, na primeira vez, onde a avulsa tem סָאתָיִם; בַגִּינָּה וּבַקַּרְפֵּף, “na horta e no karpef”, onde a avulsa tem לְגִנָּה וּלְקַרְפֵּף, “para a horta e para o karpef”; דִיר, sem daguesh, onde a avulsa tem דִּיר; סַהַר, com he, onde a avulsa tem סַחַר, com chet; מוּקְצֶה, מוּתָּר e וּמוּתָּר onde a avulsa tem מֻקְצֶה, מֻתָּר e וּמֻתָּר; אֲפִילוּ, duas vezes, onde a avulsa tem אֲפִלּוּ; עֲשֶׂרֶת onde a avulsa tem עֲשָׂרָה; שֶׁיַרְבֶּה, sem daguesh no yud, onde a avulsa tem שֶׁיַּרְבֶּה; e בַפַּסִּין, com artigo, onde a avulsa tem בְּפַסִּין. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 18a, dentro da Mishná longa que abre o capítulo, com לְגִנָּה וּלְקַרְפֵּף, סַהַר e עֲשָׂרָה כּוֹרִין; ali a palavra de Rabi Yehudá vem logo depois da frase sobre afastar os passin, que é repetida depois da resposta dos sábios. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é aqui a seção 01, com um só par de hebraico e português.

Os passin fazem do espaço em volta do poço um domínio privado, e a Mishná anterior permitiu afastá-los quanto se queira. Rabi Yehudá limita essa área a beit sata’im, a área em que se semeiam duas seás, que é a medida máxima de um cercado sem moradia; os sábios respondem que essa medida vale para a horta e para o karpef, que não servem à moradia, mas não para o curral, o estábulo, o pátio dos fundos e o pátio, que podem ter cinco ou dez beit kor. A guemará pergunta se, na opinião de Rabi Yudá, a área do próprio poço entra na conta de beit sata’im, e traz a palavra de Rabi Shimon ben Elazar: se o poço já tem a medida de sata’im, só se pode afastar os passin dele o espaço da cabeça e da maior parte de uma vaca. Daí se conclui que o poço conta como parte da medida, ao que parece porque, se não contasse, se poderia acrescentar em volta dele mais beit sata’im inteiro.

Referências conferidas no Sefaria. Em Eruvin 22a, o Bavli discute a palavra de Rabi Yehudá, רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר עַד בֵּית סָאתַיִם, e pergunta בּוֹר וּפַסִּין קָאָמַר, אוֹ דִילְמָא בּוֹר וְלֹא פַּסִּין קָאָמַר, “fala do poço e dos passin, ou do poço sem os passin?”; traz a baraita em que os sábios dizem a Rabi Yehudá אִי אַתָּה מוֹדֶה בְּדִיר וְסַהַר מוּקְצֶה וְחָצֵר, “não concordas quanto ao curral, ao estábulo, ao pátio dos fundos e ao pátio?”, e ele responde זוֹ מְחִיצָה, וְאֵלּוּ פַּסִּין, “esta é uma divisória, e estes são passin”; e traz a palavra de Rabi Shimon ben Elazar, בּוֹר בֵּית סָאתַיִם אַבֵּית סָאתַיִם — מוּתָּר, וְלֹא אָמְרוּ לְהַרְחִיק אֶלָּא כְּדֵי רֹאשָׁהּ וְרוּבָּהּ שֶׁל פָּרָה, “uma cisterna de beit sata’im por beit sata’im é permitida, e não disseram afastar senão quanto a cabeça e a maior parte de uma vaca”, e a sua regra geral: todo espaço aberto que serve à moradia, como o curral, o estábulo, o pátio dos fundos e o pátio, é permitido mesmo com cinco ou dez beit kor. Em Eruvin 23a, a Mishná de Rabi Yehudá ben Bava trata da horta e do karpef de setenta amot e um pouco por setenta amot e um pouco; e em Eruvin 23b se pergunta וְכַמָּה שִׁיעוּר סָאתַיִם? כַּחֲצַר הַמִּשְׁכָּן, “e quanto é a medida de sata’im? Como o pátio do Mishkan”, com o versículo de Shemot 27:18, אֹרֶךְ הֶחָצֵר מֵאָה בָאַמָּה וְרֹחַב חֲמִשִּׁים בַּחֲמִשִּׁים, “o comprimento do pátio, cem amot, e a largura, cinquenta por cinquenta”, isto é, cinco mil amot quadradas. Na Tosefta Eruvin, ed. Lieberman, 1:13, na numeração do Sefaria, está ר' יהודה אומ' בית סאתים מותר, יתר על בית סאתים אסור, “Rabi Yehudá diz: beit sata’im é permitido; mais que beit sata’im é proibido”, e, em nome de Rabi Shimon ben Lazar, בור שהוא בית סאתים על בית סאתים מותר, “uma cisterna que é de beit sata’im por beit sata’im é permitida”, a que só se pode acrescentar o pleno da cabeça e da maior parte de uma vaca, a mesma palavra que aqui está em nome de Rabi Shimon ben Elazar.

Leituras incertas. Na seção 01, מָהוּ שֶׁתַּעֲלֶה מִמִּידַּת סְאָתַיִם, literalmente “o que é, que suba da medida de sata’im?”, foi traduzido “que seja contado como parte da medida”; בְּאֵר שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מִידַּת סְאָתַיִם, “um poço em que há a medida de sata’im”, foi entendido, como na Tosefta e no Bavli, como o poço cuja área já tem beit sata’im, embora possa ser lido como a área cercada em volta dele; אֵינוֹ צָרִיךְ, no masculino, foi traduzido de modo impessoal, “não é preciso”, e “os passin” foi acrescentado como objeto de “afastar”; e “beit” foi acrescentado antes de סְאָתַיִם, que na guemará vem sem ele. Na Mishná, “a área cercada pelos passin pode chegar” completa a elipse de עַד בֵּית סָאתַיִם, e a sua última frase foi traduzida literalmente, sem objeto expresso para “afastar”, que, ao que parece, são os passin.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz a palavra de Rabi Shimon ben Elazar como proibição, “não se pode afastar mais que”, onde o hebraico diz אֵינוֹ צָרִיךְ לְהַרְחִיק, “não é preciso afastar”; traduz בְּאֵר שֶׁיֵּשׁ בָּהּ מִידַּת סְאָתַיִם como “se um poço é de dois beit seá”; e escreve “Rebbi Jehudah” onde a guemará diz רִבִּי יוּדָה. Nas notas, ele remete à Tosefta 1:13 e ao Bavli 22a, ambos conferidos acima.

Nomes nesta página: Rabi Yehudá traduz רִבִּי יְהוּדָה, na Mishná, e Rabi Yudá, רִבִּי יוּדָה, na guemará; Rabi Shimon ben Elazar, רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר.

Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá. O texto do Sefaria não tem marcador numérico nem marcador de folha nesta halachá, e nenhum foi acrescentado; não há colchetes nem parênteses no hebraico. Grafias anômalas foram mantidas, como שֶׁיַרְבֶּה, sem daguesh, na Mishná, e שֶׁלְפָּרָה, numa só palavra, na seção 01; a Mishná escreve סָאתַיִם e a guemará, סְאָתַיִם.