Segunda halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que se podem aproximar os passin do poço, desde que fique espaço para que uma vaca tenha a cabeça e a maior parte do corpo dentro do cercado enquanto bebe, e que se podem afastar quanto se queira, desde que se acrescentem passin. A guemará traz a palavra de Rabi Yirmeyá em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, de que esta é uma medida fixa, que vale mesmo para o camelo que fica todo fora e não basta mesmo para o cabrito que fica todo dentro; o ensinamento de Rabi Shimon ben Elazar, que fala do espaço de um camelo e do seu cameleiro, e a pergunta se ele diverge da Mishná; a objeção da vaca que fica no domínio público e come no domínio privado, com a resposta de Rabi Yossi; e, por fim, que montantes se acrescentam quando se afastam os passin, segundo Rabi Meir e segundo Rabi Yudá. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 20a.
Mishná: É permitido aproximar os passin (tábuas verticais) do poço, desde que a vaca fique com a sua cabeça e a maior parte do corpo dentro, e beba. É permitido afastá-los quanto quer que seja, desde que aumente o número dos passin.
“É permitido aproximar do poço” etc. Rabi Yirmeyá em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: e esta é a shiura (medida fixa). Com esta medida da vaca, mesmo que o camelo esteja todo fora, é permitido; menos que esta medida, mesmo que o cabrito esteja todo dentro, é proibido.
Foi ensinado: Rabi Shimon ben Elazar diz: o espaço pleno de um camelo e do seu cameleiro. Acaso ele diverge da Mishná? No mesmo espaço em que a vaca estica o seu pescoço, o camelo curva o seu pescoço.
O que queres dizer com isso? E a vaca não fica em reshut harabim (domínio público) e come em reshut hayachid (domínio privado)? Disse Rabi Yossi: lá, trata-se daquele que lhe corta o alimento; mas aqui, daquela que come por si mesma.
Segundo a opinião de Rabi Meir, deyomdin (montantes duplos de canto) e pshutin (montantes simples); segundo a opinião de Rabi Yudá, deyomdin, mas não pshutin.
Esta é a segunda halachá do Perek Bet, Osin Passin, de Massechet Eruvin, e a sua Mishná corresponde à primeira parte da Mishná Eruvin 2:2 da Mishná avulsa. As diferenças são de grafia: o Yerushalmi escreve מוּתָּר, duas vezes, onde a avulsa tem מֻתָּר; וְרוּבָּהּ onde a avulsa tem וְרֻבָּהּ; שֶׁיַרְבֶּה, sem daguesh no yud, onde a avulsa tem שֶׁיַּרְבֶּה; e בַפַּסִּים, com artigo e mem final, onde a avulsa tem בְּפַסִּין. A avulsa repete a segunda frase, וּמֻתָּר לְהַרְחִיק כָּל שֶׁהוּא, וּבִלְבַד שֶׁיַּרְבֶּה בְּפַסִּין, no fim da Mishná 2:3. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 17b–18a, dentro da Mishná longa que abre o capítulo, e lê פָּרָה, com daguesh, e בְּפַסִּין; ali a frase sobre afastar os passin vem seguida da palavra de Rabi Yehudá, עַד בֵּית סָאתַיִם, e é repetida depois da resposta dos sábios. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros dois é aqui uma seção, 01 e 02; a seção 01 foi dividida em três pares de hebraico e português, e a seção 02 tem um só.
Os passin fazem do espaço em volta do poço um domínio privado, e a Mishná fixa a distância mínima entre eles e a boca do poço: deve caber uma vaca com a cabeça e a maior parte do corpo dentro do cercado, porque quem tira a água e dá de beber ao animal não pode passar o balde de um domínio para o outro. Rabi Yirmeyá, em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, ensina que essa medida é fixa e não depende do animal: com ela, é permitido mesmo para o camelo, que fica todo fora, e, sem ela, é proibido mesmo para o cabrito, que cabe todo dentro. Rabi Shimon ben Elazar parece exigir mais, o espaço de um camelo e do seu cameleiro; a guemará pergunta se ele diverge, e responde, ao que parece, que não, porque o camelo curva o pescoço no mesmo espaço em que a vaca o estica. A objeção seguinte parece perguntar por que se exige que o animal esteja dentro, se a vaca pode ficar no domínio público e comer no privado; e Rabi Yossi distingue o caso em que a pessoa serve o animal, que é proibido, do caso em que o animal come por si mesmo. A seção 02 trata da segunda frase da Mishná: quem afasta os passin do poço precisa acrescentar montantes, e, segundo Rabi Meir, que já na Mishná 2:1 exige deyomdin e pshutin, acrescentam-se uns e outros, enquanto, segundo Rabi Yudá, que se contenta com quatro deyomdin, acrescentam-se só deyomdin.
Referências conferidas no Sefaria. Em Eruvin 20a, o Bavli abre a discussão desta Mishná com a Mishná de outro lugar: לֹא יַעֲמוֹד אָדָם בִּרְשׁוּת הָרַבִּים וְיִשְׁתֶּה בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד, “não fique um homem no domínio público e beba no domínio privado”, a não ser que ponha a cabeça e a maior parte do corpo no lugar em que bebe. Em Eruvin 20b, pergunta se a vaca também precisa ter a cabeça e a maior parte do corpo dentro, distingue o caso em que a pessoa segura o balde e segura a vaca do caso em que segura só o balde, e traz a baraita לֹא יְמַלֵּא אָדָם מַיִם וְיִתֵּן בְּשַׁבָּת לִפְנֵי בְהֶמְתּוֹ, אֲבָל מְמַלֵּא הוּא וְשׁוֹפֵךְ, וְהִיא שׁוֹתָה מֵאֵילֶיהָ, “não encha um homem água e a ponha no Shabat diante do seu animal, mas enche e derrama, e ele bebe por si mesmo”, a mesma distinção da resposta de Rabi Yossi; ali também a baraita גָּמָל שֶׁרֹאשׁוֹ וְרוּבּוֹ מִבִּפְנִים אוֹבְסִין אוֹתוֹ מִבִּפְנִים, “um camelo cuja cabeça e maior parte do corpo estão dentro, alimenta-se por dentro”, e a palavra de Rav Achá bar Rav Huna em nome de Rav Sheshet, שָׁאנֵי גָּמָל, הוֹאִיל וְצַוָּארוֹ אָרוֹךְ, “o camelo é diferente, porque o seu pescoço é longo”, e a de Rabi Elazar, que o proíbe para o camelo pela mesma razão. Na Tosefta Eruvin, ed. Lieberman, 1:13, na numeração do Sefaria, está וכמה יהוא קרובין לבאר, כמלא ראשה ורובה של פרה. כמה יהוא רחוקין מן הבור, אפי' בית כור, ואפי' בית כורים מותר, ובלבד שירבה בפסין, “e quão perto do poço podem estar? Como o pleno da cabeça e da maior parte de uma vaca; quão longe? Mesmo uma área de um kor, mesmo de dois kor, é permitido, desde que acrescente passin”; ali Rabi Shimon ben Lazar diz que numa cisterna de beit sata’im por beit sata’im só se permite ampliar a área na medida da cabeça e da maior parte de uma vaca, e não fala do camelo e do cameleiro. A frase de Rabi Shimon ben Elazar sobre o camelo e o seu cameleiro não foi encontrada nem na Tosefta Eruvin, capítulos 1 e 2, nem no Bavli, Eruvin 20a–20b.
Leituras incertas. Na seção 01, וְהוּא שִׁיעוּרָא foi traduzido “e esta é a medida fixa”, entendendo que a medida da vaca vale para todos os animais; מַה וּפְלִיג foi lido como pergunta, “acaso ele diverge?”, e a frase do pescoço, como a resposta; מָה אַתְּ בָּעֵי foi traduzido “o que queres dizer com isso?”, e não fica claro se a objeção se dirige à exigência do cameleiro ou à da Mishná; דְּמַפְסִיק, literalmente “que interrompe” ou “que corta”, foi traduzido “que lhe corta o alimento”, isto é, que serve o animal com a mão; e “lá”, תַּמָּן, parece remeter ao caso em que é proibido alimentar o animal de um domínio para o outro. Na seção 02, a frase é elíptica: o hebraico diz apenas “segundo a opinião de Rabi Meir, deyomdin pshutin”, e “e” foi acrescentado; entendeu-se que trata dos montantes que se acrescentam quando os passin são afastados, conforme a segunda frase da Mishná.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer propõe ler דמספיק, “que provê para ela”, onde o hebraico tem דְּמַפְסִיק; aqui se traduziu o que está escrito. Na seção 02, ele entende que os montantes acrescentados são simples para Rabi Meir e duplos para Rabi Yehudá; aqui se traduziu literalmente o hebraico. Ele escreve “ben” onde o hebraico diz בַּר רַב יֶצְחָק, e “Rebbi Jehudah” onde o hebraico diz רִבִּי יוּדָה.
Nomes nesta página: Rabi Yirmeyá traduz רִבִּי יִרְמְיָה; Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יֶצְחָק, aqui com segol na primeira letra de Yitzchak, onde a halachá 2:1 tem יִצְחָק; Rabi Shimon ben Elazar, שִׁמְעוֹן בֶּן אֶלְעָזָר; Rabi Yossi, יוֹסֵה; Rabi Meir, מֵאִיר; e Rabi Yudá, יוּדָה.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e o marcador de folha da edição de Vilna 16a, na seção 01, antes de בִּרְשׁוּת הָרַבִּים. O texto do Sefaria não tem marcador numérico nesta halachá, e nenhum foi acrescentado; não há colchetes nem parênteses no hebraico. Grafias anômalas foram mantidas, como שֶׁיַרְבֶּה, sem daguesh, na Mishná, e דִּיוֹמְדִין ao lado de דְּיוֹמְדִין, na seção 02.