Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Alef · Halachá 7
עֵרוּבִין

O ser vivo como lechi, como golel e como suporte do get

Perek Alef, Halachá 7, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Sétima halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que com tudo se fazem lechayayim, os postes laterais na entrada do beco, mesmo com um ser vivo, e Rabi Meir proíbe; que o ser vivo posto sobre a sepultura torna impuro como golel, a pedra que a cobre, e Rabi Meir o declara puro; e que se escreve sobre ele o get, o documento de divórcio, e Rabi Yossi HaGlili o invalida. A guemará traz uma baraita em que Rabi Meir aceita o ser vivo como parede da sucá, mas não como lechi, e os sábios o contrário, e discute se é um só tana ou são dois, pelo critério de perceber ou não que o animal escapou. Em nome de Rabi Achá, Rabi Meir, Rabi Yossi e Rabi Elazar ben Azarya disseram uma mesma coisa, sobre o golel, a casa no navio e a sucá no navio. Por fim, a razão de Rabi Yossi HaGlili e dos sábios a partir da palavra “sefer”, o get escrito sobre o chifre de um cervo, e a pergunta de Rabi Yoná sobre a água que cai sobre o animal. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 15a.

A Mishná · מַתְנִיתִין

בַּכֹּל עוֹשִׂין לְחָיַיִם אֲפִילּוּ בְדָבָר שֶׁיֶשׁ בּוֹ רוּחַ חַיִים רַבִּי מֵאִיר אוֹסֵר. וּמְטַמֵּא מִשּׁוּם גּוֹלֵל וְרַבִּי מֵאִיר מְטַהֵר. כּוֹתְבִין עָלָיו גִּיטֵּי נָשִׁים וְרַבִּי יוֹסֵי הַגְּלִילִי פּוֹסֵל:

Mishná: Com tudo se fazem lechayayim (postes laterais), mesmo com uma coisa em que há sopro de vida; Rabi Meir proíbe. E a coisa viva torna impuro a título de golel (a pedra que cobre a sepultura), e Rabi Meir a declara pura. Escrevem-se sobre ela os gitin (documentos de divórcio) das mulheres, e Rabi Yossi HaGlili os invalida.

A Halachá · הֲלָכָה ז

01A parede da sucá e o lechi: um tana ou dois tanaim
Yerushalmi · Eruvin 1:7
בַּכֹּל עוֹשִׂין לְחָיַיִם כול׳. תַּנֵּי. כָּל דָּבָר שֶׁיֵּשׁ בּוֹ רוּחַ חַיִּים עוֹשִׂין אוֹתוֹ דוֹפָן וְאֵין עוֹשִׂין אוֹתוֹ לֶחִי. דִּבְרֵי רִבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים. אֵין עוֹשִׂין אוֹתוֹ דוֹפָן אֲבָל עוֹשִׂין אוֹתוֹ לֶחִי. אָמַר רִבִּי אָחָא. חַד תַּנָּא הוּא. מָאן דָּמַר. עוֹשִׂין אוֹתוֹ דוֹפָן. עוֹשִׂין אוֹתוֹ לֶחִי. וּמָאן דָּמַר. אֵין עוֹשִׂין אוֹתוֹ דוֹפָן. אֵין עוֹשִׂין אוֹתוֹ לֶחִי.

“Com tudo se fazem lechayayim” etc. Foi ensinado: toda coisa em que há sopro de vida, fazem-na dofen (parede lateral da sucá), mas não a fazem lechi (poste lateral); palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: não a fazem dofen, mas a fazem lechi. Disse Rabi Achá: é um só tana (mestre da Mishná): para quem diz “fazem-na dofen”, fazem-na também lechi; e para quem diz “não a fazem dofen”, também não a fazem lechi.

אָמַר רִבִּי יוֹסֵה. תְּרֵין תַּנָּאִין אִינּוּן. וְלָמָּה עוֹשִׂין אוֹתוֹ דוֹפָן. שֶׁאִילּוּ יִשָּׁמֵט אֵינוֹ מַרְגִּישׁ. וְאֵין עוֹשִׂין אוֹתוֹ לֶחִי. שֶׁאִילּוּ יִשָּׁמֵט הוּא מַרְגִּישׁ.

Disse Rabi Yossi: são dois tanaim. E por que a fazem dofen? Porque, se o animal escapasse, a pessoa não perceberia? E por que não a fazem lechi? Porque, se escapasse, a pessoa o perceberia?

קָם רִבִּי יוֹשׁוּעַ דְּרוֹמִיָּא עִם תַּלְמִידוֹי דְּרִבִּי אָחָא. אָמְרוּ לוֹ. אָמְרִין דְּבַתְרֵיהּ. דְּהִיא פְלִיגָא עַל רַבְּכוֹן. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים. אֵין עוֹשִׂין אוֹתוֹ דוֹפָן אֲבָל עוֹשִׂין אוֹתוֹ לֶחִי. מַה אִם בְּשָׁעָה שֶׁאִילּוּ יִשָּׁמֵט אֵינוֹ מַרְגִּישׁ אַתְּ אָמַר. מוּתָּר. כָּאן שֶׁאִילּוּ יִשָּׁמֵט הוּא מַרְגִּישׁ. לֹא כָל שֶׁכֵּן. הֲוֵי. תְּרֵין תַּנָּיִין אִינּוּן עַל דְּרְבִּי אָחָא. הֵיכְמַה דְתֵימַר תַּמָּן. תְּרֵין תַּנָּיִין אִינּוּן עַל דְּרִבִּי יוֹסֵי. כֵּן אַתְּ אָמַר אוֹף הָכָא. תְּרֵין תַּנָּיִין אִינּוּן עַל דְּרִבִּי אָחָא.

Rabi Yehoshua Deromaya (do Sul) estava com os alunos de Rabi Achá. Disseram-lhe: dizem no ensinamento o que vem depois, que diverge do vosso mestre: “E os sábios dizem: não a fazem dofen, mas a fazem lechi”. Ora, se no caso em que, se o animal escapasse, a pessoa não perceberia, tu dizes: é permitido, aqui, em que, se escapasse, perceberia, não será permitido com mais razão? Portanto, são dois tanaim também segundo a opinião de Rabi Achá. Assim como dizes lá: são dois tanaim segundo Rabi Yossi, assim dizes também aqui: são dois tanaim segundo Rabi Achá.

02Três que disseram uma mesma coisa: o golel, a casa no navio e a sucá no navio
Yerushalmi · Eruvin 1:7
רִבִּי שִׁמְעוֹן בַּר כַּרְסָנָא בְשֵׁם רִבִּי אָחָא. רִבִּי מֵאִיר וְרִבִּי יוֹסֵה וְרִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה שְׁלָשְׁתָּן אָמְרוּ דָבָר אֶחָד. רִבִּי מֵאִיר דִּלְחָיַיִם. מְטַמֵּא מִשּׁוּם גּוֹלֵל. רַבִּי מֵאִיר מְטַהֵר. רִבִּי יוֹסֵה דַאֲהִילוּת. רַבִּי יוֹסֵה אוֹמֵר. הַבַּיִת שֶׁבַּסְּפִינָה אֵינוֹ מֵבִיא אֶת הַטּוּמְאָה.

Rabi Shimon bar Karsana disse em nome de Rabi Achá: Rabi Meir, Rabi Yossi e Rabi Elazar ben Azarya, os três disseram uma mesma coisa. Rabi Meir, a dos lechayayim, na Mishná: “torna impuro a título de golel; Rabi Meir declara puro”. Rabi Yossi, a da ahilut (a impureza transmitida pela cobertura, como a da tenda), na Mishná: “Rabi Yossi diz: a casa que está no navio não traz a impureza para o que está sob ela”.

רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה. דְּתַנֵּי. מַעֲשֶׂה בְּירִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה וְרִבִּי עֲקִיבָה שֶׁהָיוּ בָאִין בִּסְפִינָּה. וְעָשָׂה רִבִּי עֲקִיבָה סוּכָּה בְרֹאשׁ הַסְּפִינָּה. וּבָאָת הָרוּחַ וְהִפְרִיחָתָהּ. אָמַר לוֹ רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה. עֲקִיבָה. הֵיכָן סוּכָּתָךְ.

A de Rabi Elazar ben Azarya é como foi ensinado: aconteceu com Rabi Elazar ben Azarya e Rabi Akiva, que vinham juntos num navio, e Rabi Akiva fez uma sucá (a cabana da festa de Sucot) no alto do navio, e veio o vento e a fez voar dali. Disse-lhe Rabi Elazar ben Azarya: Akiva, onde está a tua sucá?

03A razão de Rabi Yossi HaGlili: o sefer, o chifre do cervo e a água sobre o animal
Yerushalmi · Eruvin 1:7
מַה טַעֲמָהּ דְּרִבִּי יוֹסֵי הַגָּלִילִי. סֶפֶר. מַה סֶפֶר מְיוּחַד שֶׁאֵין בּוֹ רוּחַ חַיִים. אַף כָּל דָּבָר שֶׁאֵין בּוֹ רוּחַ חַיִים. מַה סֶפֶר דָּבָר מְיוּחַד שֶׁאֵינוֹ אוֹכֶל. אַף כָּל שֶׁאֵינוֹ אוֹכֶל. מַה טַעֲמוֹן דְּרַבָּנִן. מַה סֶפֶר מְיוּחַד שֶׁהוּא בְתָלוּשׁ. אַף כָּל דָּבָר שֶׁהוּא בְתָלוּשׁ. עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי יוֹסֵי הַגָּלִילִי יָדוֹת אוֹכְלִין כְּאוֹכְלִין.

Qual é a razão de Rabi Yossi HaGlili? “Sefer” (escrito): assim como o sefer se distingue por não haver nele sopro de vida, assim também serve toda coisa em que não há sopro de vida; assim como o sefer é coisa que se distingue por não ser alimento, assim também serve tudo o que não é alimento. Qual é a razão dos rabanan (os sábios)? Assim como o sefer se distingue por estar em coisa desprendida, assim também serve toda coisa que está desprendida do solo. Na opinião de Rabi Yossi HaGlili, os yadot (cabos, talos) de alimentos são como alimentos?

נִישְׁמְעִינָהּ מִן הָדָא. כְּתָבוֹ עַל קֶרֶן הַצְּבִי וּגְדָדוֹ וַחֲתָמוֹ וּנְתָנוֹ לָהּ. כָּשֵׁר. מִפְּנֵי שֶׁגְּדָדוֹ וְאַחַר כָּךְ חֲתָמוֹ. הָא אִם חֲתָמוֹ וְאַחַר כָּךְ גְדָדוֹ. לֹא. רִבִּי אָחָא בְשֵׁם רִבִּי מְיָישָׁא. וְהוּא שֶׁכָּתַב עַל זִכְרוּתוֹ שֶׁלְקֶרֶן. אֲבָל אִם כָּתַב עַל נַרְתֵיקוֹ. כְּפָרושׁ הוּא וְכָשֵׁר.

Ouçamo-lo disto: se o escreveu (o documento de divórcio) sobre o chifre de um cervo, cortou-o do animal, assinou-o e o deu a ela, é válido. Porque o cortou e depois o assinou; mas, se o assinou e depois o cortou, não. Rabi Achá disse em nome de Rabi Miyasha: e isso quando escreveu sobre a zichrut (o miolo ósseo) do chifre; mas, se escreveu sobre o seu nartik (a bainha), é como separado, e é válido.

רִבִּי יוֹנָה בָעֵי. אַף לְעִנָיַין הֶכְשֵׁר זְרָעִים כֵּן. הֵיךְ עֲבִידָא. חִישֵּׁב עֲלֵיהֶן שֶׁיֵּרְדוּ עַל הַבְּהֵמָה וּמִן הַבְּהֵמָה עַל הָאוֹכְלִין. תַּמָן אָמַר רִבִּי יוֹסֵי הַגָּלִילִי. סֶפֶר. מַה סֶפֶר מְיוּחַד שֶׁאֵין בּוֹ רוּחַ חַיִים. אַף כָּל דָּבָר שֶׁאֵין בּוֹ רוּחַ חַיִים. אוֹף הָכָא כֵן. אוֹ שַׁנְיָיא הִיא. דִּכְתִיב וְכָל מַשְׁקֶה אֲשֶׁר יִשָּׁתֶה בְּכָל כְּלִי יִטְמָא. מֵעַתָּה אֲפִילוּ חִישֵּׁב שֶׁיֵּרְדוּ לְבוֹרוֹת לְשִׁיחִין וּמְעָרוֹת. שַׁנְיָיא הִיא הָכָא. דִּכְתִיב כְּלִי.

Rabi Yoná perguntou: também quanto ao hechsher (tornar suscetíveis à impureza) de sementes é assim, que o ser vivo não conta? Como é o caso? Se pensou a respeito delas, das águas, que descessem sobre o animal e do animal descessem sobre os alimentos. Lá, quanto ao get, Rabi Yossi HaGlili disse: “sefer”: assim como o sefer se distingue por não haver nele sopro de vida, assim também toda coisa em que não há sopro de vida; também aqui vale assim? Ou é diferente, pois está escrito: “e toda bebida que se beba, em qualquer vaso, será impura”. Sendo assim, não haveria hechsher mesmo se pensou que descessem para cisternas, para valas e para grutas? É diferente aqui, pois está escrito: “vaso”.

Nota

Esta é a sétima halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná do Yerushalmi corresponde à Mishná Eruvin 1:7 da Mishná avulsa, com algumas diferenças: o Yerushalmi escreve לְחָיַיִם, com mem final, onde a avulsa escreve לְחָיַיִן; אֲפִילּוּ onde a avulsa tem אֲפִלּוּ; רַבִּי מֵאִיר אוֹסֵר, sem a conjunção, onde a avulsa tem וְרַבִּי יוֹסֵי אוֹסֵר, atribuindo a proibição do lechi a Rabi Yossi; כּוֹתְבִין, sem a conjunção, onde a avulsa tem וְכוֹתְבִין; e גִּיטֵּי onde a avulsa tem גִּטֵּי. No Bavli, a Mishná começa no fim de Eruvin 15a e termina em 15b, e lê, como o Yerushalmi, וְרַבִּי מֵאִיר אוֹסֵר. A halachá ocupa quatro segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros três é aqui uma seção, de 01 a 03, dividida em pares de hebraico e português: três na seção 01, dois na seção 02 e três na seção 03.

A baraita da seção 01 aplica o ser vivo a dois usos: como dofen, a parede da sucá, e como lechi do beco. Para Rabi Meir, ele serve de parede e não de lechi; para os sábios, serve de lechi e não de parede. Rabi Achá entende que há um só critério para os dois usos, de modo que quem aceita um aceita o outro; Rabi Yossi entende que são dois ensinamentos distintos, e explica a diferença pelo que a pessoa percebe: quem está na sucá nota logo que o animal que fazia de parede escapou, e quem transporta no beco pode não notar que o lechi escapou. As perguntas de Rabi Yossi, “Porque, se o animal escapasse, a pessoa não o perceberia?” e “Porque, se escapasse, a pessoa o perceberia?”, são lidas como perguntas retóricas, que afirmam o contrário do que dizem. Rabi Yehoshua Deromaya mostra, com um raciocínio de leve a grave, que a opinião dos sábios na baraita não se ajusta ao critério de Rabi Achá: se permitem o lechi, em que não se perceberia a fuga do animal, deveriam permitir com mais razão a parede, em que se perceberia; logo, também segundo Rabi Achá são dois ensinamentos. A seção 02, que também está no Yerushalmi Sucá 2:4, reúne três mestres que não aceitam como estável o que se move ou pode ir embora: Rabi Meir, para quem o animal sobre a sepultura não é golel; Rabi Yossi, para quem a casa no navio não é tenda para a impureza (Mishná Ohalot 8:5); e Rabi Elazar ben Azarya, que pergunta a Rabi Akiva pela sucá levada pelo vento. A seção 03, que também está no Yerushalmi Guitin 2:3, dá a razão de Rabi Yossi HaGlili a partir da palavra סֵפֶר, do versículo “וְכָתַב לָהּ סֵפֶר כְּרִיתֻת”, “e escreverá para ela um documento de corte” (Devarim 24:1): o get deve ser escrito sobre algo que não tem vida e não é alimento; para os sábios, basta que seja algo desprendido do solo. Daí a pergunta se os talos e cabos de alimentos contam como alimento, a que se responde com o get escrito sobre o chifre de um cervo, válido se o chifre foi cortado antes da assinatura das testemunhas. A pergunta final de Rabi Yoná aplica o mesmo raciocínio ao hechsher, a água que torna os alimentos suscetíveis à impureza, quando a pessoa quer que a chuva caia sobre o animal e dele sobre os alimentos, e a resposta parte do versículo “וְכָל מַשְׁקֶה אֲשֶׁר יִשָּׁתֶה בְּכָל כְּלִי יִטְמָא”, “e toda bebida que se beba, em qualquer vaso, será impura” (Vayikra 11:34).

Referências conferidas no Sefaria. Em Eruvin 15b, o Bavli traz a baraita: Rabi Meir diz que um ser vivo não se faz nem parede para a sucá, nem lechi para o beco, nem passin (tábuas verticais) para os poços, nem golel para a sepultura; e em nome de Rabi Yossi HaGlili disseram que também não se escrevem sobre ele os gitin das mulheres. No Bavli, portanto, Rabi Meir proíbe também a parede da sucá, ao contrário da baraita do Yerushalmi, em que a aceita. Em seguida, o Bavli dá a razão de Rabi Yossi HaGlili com a baraita de “sefer”: “e escreverá para ela” inclui qualquer material, e “sefer” exclui o que tem vida e o alimento; os sábios leem “sefer” como simples relato das palavras. Em Sucá 23a, o Bavli traz a mesma baraita, com a divergência de que, quando se faz do animal uma parede da sucá, Rabi Meir a invalida e Rabi Yehudá a valida; Abaye explica a razão de Rabi Meir pelo receio de que o animal morra, e Rabi Zeira pelo receio de que fuja; no elefante amarrado, todos concordam que vale, porque mesmo morto o seu corpo tem dez tefachim, e divergem no elefante solto. Também em Sucá 23a o Bavli conta a história da sucá no alto do navio, levada pelo vento, mas ali com Rabban Gamliel, e não com Rabi Elazar ben Azarya, perguntando a Rabi Akiva onde estava a sua sucá; a Mishná Sucá 2:3 declara válida a sucá no alto do navio. Em Guitin 21b, o Bavli traz de novo a razão de Rabi Yossi HaGlili, que se apoia na palavra “sefer”. A Mishná Guitin 2:3 ensina que se escreve o get sobre qualquer coisa, sobre a folha de oliveira e sobre o chifre de uma vaca, e se dá a ela a vaca, e que Rabi Yossi HaGlili não admite nem o que tem vida, nem os alimentos. Na Tosefta Guitin, ed. Lieberman, 2:4, Rabi Yossi HaGlili exclui o que tem vida, e Rabi Yehudá ben Beteirá exige o que está desprendido do solo, a razão atribuída aqui aos sábios; ali, o get escrito sobre o chifre de um cervo, cortado, assinado e dado a ela, é inválido, ao contrário do que diz o Yerushalmi.

Leituras incertas. Na seção 01, “é um só tana” traduz חַד תַּנָּא הוּא, e “segundo Rabi Achá” e “segundo Rabi Yossi” traduzem עַל דְּרִבִּי אָחָא e עַל דְּרִבִּי יוֹסֵי, que também se podem entender como “contra a opinião de”; “dizem o que vem depois” traduz אָמְרִין דְּבַתְרֵיהּ, que pode significar a continuação da baraita. Na seção 02, “a casa que está no navio não traz a impureza” traduz הַבַּיִת שֶׁבַּסְּפִינָה אֵינוֹ מֵבִיא אֶת הַטּוּמְאָה. Na seção 03, “cortou-o” traduz גְּדָדוֹ, onde o paralelo de Guitin tem גרדו, “raspou-o”; “zichrut” e “nartik” traduzem זִכְרוּתוֹ e נַרְתֵיקוֹ, o osso interno do chifre e o seu estojo córneo, palavra que Guggenheimer deriva do grego; “das águas” completa o sujeito de “que descessem”, que o hebraico não nomeia; e a última troca, sobre cisternas, valas e grutas, é concisa, e sua lógica fica implícita.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 01, o hebraico diz אָמְרוּ לוֹ, “disseram-lhe”, onde Guggenheimer prefere, a partir de um fragmento da Genizá, “disse-lhes”, que combina melhor com “o vosso mestre”. Na seção 03, Guggenheimer repete “Scroll” na razão dos sábios, que não está no hebraico; e, na pergunta de Rabi Yoná, o hebraico diz Rabi Yossi HaGlili onde Guggenheimer escreve “Rebbi Yose”. No paralelo do Yerushalmi Guitin 2:3, quem fala em nome de Rabi Miyasha é Rabi Ba, e não Rabi Achá. Nomes: Rabi Yossi traduz יוֹסֵה, nas seções 01 e 02, e יוֹסֵי, na seção 01; Rabi Yossi HaGlili traduz יוֹסֵי הַגְּלִילִי e יוֹסֵי הַגָּלִילִי; Rabi Yehoshua Deromaya traduz יוֹשׁוּעַ דְּרוֹמִיָּא; Rabi Akiva traduz עֲקִיבָה; Rabi Miyasha traduz מְיָישָׁא; e Rabi Yoná traduz יוֹנָה.

Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e o marcador de folha da edição de Vilna 10a, na seção 03, antes da segunda ocorrência de בְתָלוּשׁ. O texto do Sefaria não tem marcadores numéricos nesta halachá, e nenhum foi acrescentado. Grafias anômalas foram mantidas no hebraico, como שֶׁיֶשׁ, na Mishná, דְּרְבִּי, na seção 01, e בְּירִבִּי, na seção 02.