Sexta halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que os lechayayim, os postes laterais na entrada do mavoi, o beco, devem ter dez tefachim, palmos, de altura, e qualquer largura e espessura; Rabi Yossi exige três tefachim de largura. A guemará restringe a divergência aos postes afastados da parede e traz uma baraita sobre os postes elevados do chão ou afastados da parede. Pedras salientes, quinas e a parede recolhida contam como lechayayim, e a parede prolongada é vista como recolhida; Rav Chisdai objeta com a Mishná do pátio grande aberto em brecha para o pequeno, e o ensinamento de Rabi Shiyan, que viria resolver a dúvida, não é encontrado e é rejeitado em nome de Rabi Shimon ben Lakish. Por fim, quando os dois lados da entrada não terminam no mesmo ponto, Kahana ensina que se põe a korá, a viga transversal, em diagonal, com os limites de dez e de quatro. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 14b.
Mishná: Os lechayayim (postes laterais) de que falaram os sábios: a sua altura, dez tefachim (palmos), e a sua largura e a sua espessura, qualquer medida. Rabi Yossi diz: a sua largura, três tefachim.
“Os lechayayim de que falaram” etc. A Mishná trata dos lechayayim afastados da parede; mas, se estavam junto à parede, também Rabi Yossi concorda com os sábios. E assim foi ensinado: se alguém fez lechayayim para o mavoi (beco), se estão elevados do chão menos de três tefachim, ou se estavam junto à parede a menos de três, é permitido. Se estão a três, é permitido desde que o que está de pé seja maior que o vazio.
Pedras de construção que saem da construção na entrada do mavoi: se não há de distância entre uma e a outra três tefachim, são consideradas como lechayayim. Uma quina de parede saindo daqui e uma quina saindo dali são consideradas como lechayayim. Uma parede que se recolhe em relação à outra, e parece como um pas (tábua vertical) por dentro e é rente por fora, ou, ao contrário, que parece como um pas por fora e é rente por dentro, é considerada como lechayayim.
Se a parede estava prolongada, Abba bar Rav Huna diz: vemo-la como se estivesse recolhida e é considerada como lechayayim. Rav Chisdai objetou: e não ensinamos na Mishná: “Um pátio grande que se abriu em brecha para um pequeno, o grande é permitido e o pequeno é proibido”? Que as paredes do grande sejam feitas como lechayayim junto às paredes do pequeno, e o pequeno fique permitido também! Disse-lhe Abba bar Rav Huna: explica-a no caso em que as paredes estão prolongadas mais de dez. Rabi Shiyan ensinou diante de Rabi Achá: trata-se do caso em que o grande tem onze amot, e o pequeno, dez. Procurou-se a baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná) e não foi encontrada.
Disse-lhe Achá: assim disse Rabi Shimon ben Lakish: toda mishná que não entrou na chavurá (o grupo de estudo), não se apoiam nela. Disse Rabi Yossi: o ensinamento de Rabi Shiyan vem conforme quem disse: o pátio aberto em brecha se torna permitido com dois passin (tábuas verticais), desde que haja um pas de quatro tefachim daqui e um pas de quatro tefachim dali. Disse Rabi Yossi beRabi Bun: e ainda que digas assim, o ensinamento vem conforme quem disse: o pátio se torna permitido com dois passin, desde que haja um pas de quatro tefachim daqui e um pas de quatro tefachim dali. Rav Ukva disse em nome dos rabanan (os sábios) de lá, da Babilônia: as paredes são consideradas como lechayayim para o grande, e não são consideradas para o pequeno.
Uma parede na entrada do mavoi de que um lado sai e um lado está recolhido: Kahana disse: põe a korá (viga transversal) em diagonal e usa o mavoi em diagonal. Rabi Achá disse em nome de Kahana: põe a korá em diagonal e usa em diagonal, desde que a korá não esteja estendida mais de dez amot. E, das palavras de Rabi Yossi, Rav Avdimi Nechitá confirmou-a: desde que a korá não esteja estendida mais de dez. Rabi Achá disse em nome de Rabi Shimon ben Lakish: desde que a parede não esteja estendida mais de quatro amot além da outra. Acabas dizendo: o que para uns era questão, para outros era evidente.
Disse Rabi Ula: a Mishná trata do caso de três até quatro tefachim. Se a distância é de menos de três, mesmo mais de dez amot, é permitido; quatro, mesmo menos de dez, é proibido. A Mishná vale só se estamos tratando de três até quatro.
Esta é a sexta halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná do Yerushalmi corresponde à Mishná Eruvin 1:6 da Mishná avulsa, com pequenas diferenças: o Yerushalmi escreve לְחָיַיִם, com mem final, onde a avulsa escreve לְחָיַיִן; גּוֹבְהָן onde a avulsa tem גָּבְהָן; רוֹחְבָּן וְעוֹבְיָין, sem a conjunção, onde a avulsa tem וְרָחְבָּן וְעָבְיָן; e כָּל שֶׁהֵן, no plural, onde a avulsa tem כָּל שֶׁהוּא, no singular. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 14b e lê לְחָיַיִן, גּוֹבְהָן וְרׇחְבָּן וְעוֹבְיָין כׇּל שֶׁהוּא. A halachá ocupa seis segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros cinco é aqui uma seção, de 01 a 05; o terceiro segmento, o mais longo, foi dividido em dois pares de hebraico e português dentro da seção 02.
A guemará começa por delimitar a divergência: a exigência de Rabi Yossi, de três tefachim de largura, vale para o poste afastado da parede; o poste junto à parede basta com qualquer largura, também para ele. A baraita da seção 01 trata do poste erguido acima do chão ou afastado da parede: a menos de três tefachim, o vão é desprezado; a três, só vale se a parte de pé for maior que a parte vazia. A seção 02 enumera o que conta como lechayayim sem ter sido feito para isso: pedras salientes próximas umas das outras, quinas de parede nos dois lados, e a parede que se recolhe e forma um degrau, visível de um lado e rente do outro. Para a parede prolongada, Abba bar Rav Huna diz que se vê como se fosse recolhida; Rav Chisdai objeta com a Mishná do pátio grande aberto em brecha para o pequeno (Mishná Eruvin 9:2): as pontas das paredes do grande deveriam valer como lechayayim para o pequeno, e o pequeno deveria ser permitido. A resposta limita a Mishná a paredes prolongadas mais de dez, e o ensinamento de Rabi Shiyan, onze e dez, não foi encontrado; na seção 03, em nome de Rabi Shimon ben Lakish, ele é posto de lado, por não ter sido recebido no grupo de estudo, e Rabi Yossi e Rabi Yossi beRabi Bun o atribuem à opinião de que o pátio aberto em brecha exige dois passin de quatro tefachim. Os sábios de lá, da Babilônia, dizem que as paredes valem para o grande e não para o pequeno. A seção 04 trata da entrada cujos dois lados não terminam no mesmo ponto: a korá vai em diagonal, desde que não passe de dez, e, em nome de Rabi Shimon ben Lakish, desde que uma parede não ultrapasse a outra em mais de quatro.
Referências conferidas no Sefaria. Em Eruvin 14b, depois da Mishná, o Bavli explica o plural “lechayayim” como os postes sobre os quais divergem Rabi Eliezer e os sábios, e Rabi Chiya ensina que “qualquer medida” é mesmo a espessura de um fio; Rava diz que o lechi erguido três tefachim do chão, ou afastado três da parede, não vale nada, nem mesmo para Raban Shimon ben Gamliel, que aplica o lavud (a regra pela qual um vão pequeno é considerado fechado), porque embaixo é uma divisória por onde passam cabritos; Shmuel ensina que a halachá não segue Rabi Yossi, e Rav Huna bar Chinena responde que, nos lechayayim, Rabi Yehudá HaNassi concorda com ele. Em Eruvin 15a, o Bavli traz que as pedras salientes de uma cerca, separadas umas das outras por menos de três, dispensam outro lechi, e com três o exigem; e o ensinamento de Rabi Chiya sobre a parede recolhida, visível por fora e rente por dentro ou o contrário, que é considerada como lechi. Em Eruvin 9b, Rabba bar Rav Huna, a quem corresponde aqui Abba bar Rav Huna, diz que o visível por fora e rente por dentro conta como lechi; Rabba objeta com a Mishná do pátio, que ali se lê “pátio pequeno que se abriu em brecha para o grande”, ao passo que a Mishná avulsa (Eruvin 9:2) e o Yerushalmi dizem “pátio grande que se abriu em brecha para o pequeno”; Rabi Zeira responde que as paredes do pequeno entram no grande; e Rav Ada bar Avimi ensina diante de Rabi Chanina “o pequeno com dez, o grande com onze”, que é o paralelo do ensinamento de Rabi Shiyan. Em Eruvin 8b, Rav Kahana, numa cadeia de mestres com esse nome, ensina que no mavoi de um lado longo e outro curto, com diferença menor que quatro amot, se põe a korá em diagonal, e com quatro amot, só diante do lado curto; Rava discorda; e Rav Kahana acrescenta que a diagonal só vale se não tiver mais de dez. Na Tosefta Eruvin, ed. Lieberman, capítulo 1, há paralelos das baraitot desta halachá: 1:8, os postes elevados três tefachim do chão ou afastados três da parede, que precisam de correção; 1:9, as pedras de construção salientes, mas ali com quatro tefachim entre elas, e sem precisar de lechi nem de korá; 1:10, a parede recolhida; e 1:11, as quinas dos dois lados.
Leituras incertas. Na seção 01, “afastados da parede” traduz מְשׁוּכִין מִן הַכּוֹתֶל, e “o que está de pé” e “o vazio” traduzem הָעוֹמֵד e הֶחָלָל; “é permitido”, na última frase, completa uma elipse. Na seção 02, “prolongada”, “prolongadas” traduzem מָשׁוּךְ e מְשׁוּכִין; a unidade de “mais de dez” não é dita, e Guggenheimer entende amot; “onze amot” e “dez” seguem o paralelo do Bavli; “mishná”, na seção 03, traduz מִשְׁנָה, aqui no sentido de ensinamento tanaítico. Na seção 03, “e ainda que digas assim” traduz וַאֲפִילוּ תֵימַר כֵּן, e as frases de Rabi Yossi e de Rabi Yossi beRabi Bun são quase idênticas no hebraico; “o ensinamento de Rabi Shiyan” completa o sujeito de “vem conforme”. Na seção 04, “em diagonal” traduz לוֹכְסָן, do grego; “e, das palavras de Rabi Yossi” traduz ומִדְּרִבִּי יוֹסֵי, de sentido duvidoso; a afirmação de Rabi Achá em nome de Kahana pode ser lida como pergunta, como faz Guggenheimer; e a frase final, מַה דִצְרִיכָה לָהֵן פְּשִׁיטָא לָהֵן, diz ao pé da letra “o que lhes era questão lhes era evidente”. Na seção 05, de sentido obscuro, que Guggenheimer declara desconhecido, “tefachim” e “amot” completam medidas que o texto não diz, “a Mishná” traduz מַתְנִיתָה, que pode designar também uma baraita, e “a Mishná vale só se” traduz אֶלָּא אִם כֵּן.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 03, o hebraico diz אָחָא, sem título, e a tradução diz “Achá”, onde Guggenheimer acrescenta “Rebbi” a partir de um fragmento da Genizá; e o hebraico diz רַב עוּקְבָּה, “Rav Ukva”, onde o fragmento lê “Rebbi Mar Uqba”. Na seção 04, Guggenheimer acrescenta do fragmento da Genizá uma segunda cadeia de nomes, com Rabi Yossi, Rabi Ila e Rabi Achá, e a continuação da frase final, que não estão no hebraico do Sefaria e não foram traduzidas. Nomes: Rav Chisdai traduz חִסְדַּיי, forma do Yerushalmi do nome Chisda; Rav Avdimi Nechitá traduz אֶבְדַּיְמִי נְחִיתָה, título dos sábios que desciam da Terra de Israel para a Babilônia; Rabi Shiyan traduz שִׁיָין; Rabi Yossi traduz tanto יוֹסֵי, na Mishná e na seção 04, como יוֹסֵה, na seção 03; Rabi Yossi beRabi Bun traduz יוֹסֵה בֵּירִבִּי בּוּן; Rabi Ula traduz עוּלָּא; e Kahana traduz כַּהֲנָא, sem título, como no hebraico.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha: o da edição de Veneza 19b, na seção 01, antes de הָאָרֶץ; e os da edição de Vilna 9a, na seção 02, antes de הָיָה מָשׁוּךְ, e 9b, na seção 05, antes de פָּחוּת מִשְּׁלֹשָׁה. O texto do Sefaria não tem marcadores numéricos nesta halachá, e nenhum foi acrescentado. Grafias anômalas foram mantidas no hebraico, como זִָוית, na seção 02, פַַּס, na seção 03, e ומִדְּרִבִּי e מָשׁוךְ, na seção 04.