Terceira halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná fixa a largura da korá, a viga transversal posta sobre a entrada do mavoi: deve receber um ariach, o meio-tijolo, e para isso basta um palmo de largura, porque o ariach se deita ao comprimento da korá. A guemará traz a fileira de ariachim de Rabi Ba e a de Rabban Shimon ben Gamliel, ao comprimento ou à largura; pergunta quanto espaço pode haver entre duas korot estreitas postas lado a lado, com Rabi Zeira, Rabi Hoshayá e a regra de Rabi Yochanan sobre o trecho de pé e o vazio; ensina quando a korá que não alcança a outra parede precisa de outra korá, com três ou quatro palmos; julga a korá inclinada, com uma ponta fora da altura válida; e termina com as duas korot, uma acima da outra, segundo Rabi Yossi beRabi Yudá, que segue o método de seu pai e diverge dele. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 13b.
Mishná: A korá (viga transversal) de que falaram deve ser larga o bastante para receber um ariach (meio-tijolo); e o ariach é metade de um tijolo de três tefachim (palmos). Basta à korá que seja larga um tefach (palmo), para receber o ariach ao seu comprimento.
“A korá de que falaram” etc. Disse Rabi Ba: larga o bastante para receber sobre ela uma domos (fileira) de ariachim ao seu comprimento. Ensinou-se numa baraita: Rabban Shimon ben Gamliel diz: para receber sobre ela uma domos de ariachim à sua largura. O que há de diferença entre eles? Disse Rabi Shiyan: a robustez da korá está entre eles. Segundo a opinião dos rabanan (os sábios), a korá leva quarenta ariachim; segundo a opinião de Rabban Shimon ben Gamliel, vinte ariachim.
Duas korot: nesta há meio tefach, e naquela há meio tefach. Quanto de espaço pode haver entre elas? Rabi Zeira disse: meio tefach. Que diferença há entre meio tefach daqui e meio tefach dali, e meio tefach no meio? Ensinou Rabi Hoshayá: um tefach. Duas korot: nesta, um terço e um pouco mais, e naquela, um terço e um pouco mais, e entre elas, menos de um terço. Vem isto conforme o que disse Rabi Yochanan: o trecho que está de pé e o vazio se somam em quatro palmos, desde que o trecho de pé seja maior que o vazio.
Uma korá que sai desta parede e não toca a segunda parede, ou que eram duas, cada uma saindo de uma parede, uma diante da outra: se há entre uma e outra três tefachim de vão, precisa de outra korá; e, se não, não precisa de outra korá. Há tanaítas que ensinam: quatro tefachim. Quem diz três, é porque essa é a medida da passagem de uma pessoa; quem diz quatro, é porque essa é a medida de um lugar.
Uma korá com uma ponta acima de vinte amot (côvados) e a outra ponta abaixo de vinte amot: considera-se o caso: se ela fosse cortada dentro de três tefachim e assim se visse dentro de vinte amot, é permitido transportar no mavoi; e, se não, é proibido. Uma korá com uma ponta acima de dez tefachim e a outra ponta abaixo de dez tefachim: considera-se o caso: se ela fosse cortada dentro de três palmos e assim se visse dentro de dez tefachim, é permitido; e, se não, é proibido.
Duas korot postas uma acima da outra: Rabi Yossi beRabi Yudá diz: considera-se a korá de baixo como se estivesse em cima, e a korá de cima como se estivesse embaixo; desde que a de cima não esteja acima de vinte amot, e a de baixo não esteja abaixo de dez tefachim.
Achou-se que se ensina: Rabi Yossi beRabi Yudá está no método de seu pai, Rabi Yudá, e diverge de seu pai. Está no método de seu pai, pois ele diz: considera-se a korá de baixo como se estivesse em cima, e a de cima como se estivesse embaixo. E diverge de seu pai, pois ele diz: desde que a de cima não esteja acima de vinte amot, e a de baixo não esteja abaixo de dez tefachim. Se disseres que também nisto ele está no método de seu pai, a korá valeria mesmo acima de qualquer altura. Rabi Yossi, Chinena bar Shelemyá, Rabi Yudan: Chinena bar Shelemyá disse em nome de Rav: e isso desde que a korá de cima esteja dentro de três tefachim da korá de baixo.
Esta é a terceira halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná do Yerushalmi corresponde à Mishná Eruvin 1:3 da Mishná avulsa, com pequenas diferenças: diz “korá” sem artigo, onde a avulsa diz “a korá”; diz “e o ariach”, com artigo, onde a avulsa diz “e ariach”; e há diferenças de grafia, como לְבֵינָה por לְבֵנָה, דַּיָיהּ por דַּיָּה e לְאוֹרְכּוֹ por לְאָרְכּוֹ. No Bavli, a Mishná de Eruvin 13b reúne numa só o que no Yerushalmi são as Mishnayot 1:3, 1:4 e 1:5. A halachá ocupa seis segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros cinco é aqui uma seção, de 01 a 05; o último segmento foi dividido em dois blocos dentro da seção 05.
A guemará começa pela fileira de ariachim que a korá deve receber: segundo Rabi Ba, ao seu comprimento; segundo Rabban Shimon ben Gamliel, à sua largura; e Rabi Shiyan explica que a diferença está na robustez que se exige da korá, que deve suportar quarenta ariachim ou vinte (seção 01). Guggenheimer observa que, numa korá de dez amot, os números parecem trocados, pois ao comprimento cabem vinte ariachim e à largura quarenta; a tradução segue o texto como está. Depois discute duas korot estreitas, postas lado a lado, que só juntas alcançam a largura exigida: Rabi Zeira admite meio tefach de vão entre duas korot de meio tefach; Rabi Hoshayá ensina “um tefach”; e uma terceira formulação exige que cada korá tenha mais de um terço e o vão menos de um terço, conforme a regra de Rabi Yochanan de que o trecho de pé deve ser maior que o vazio (seção 02). A korá que não alcança a outra parede, ou duas korot que saem de paredes opostas, precisam de outra korá quando o vão chega a três tefachim, ou a quatro segundo outros tanaítas: três é a medida em que passa uma pessoa, quatro, a medida mínima de um lugar (seção 03). A korá inclinada, com uma ponta fora da altura válida, é aceita quando, cortada a parte de fora, o restante estaria dentro dela (seção 04). Por fim, duas korot em alturas diferentes contam como se estivessem juntas, segundo Rabi Yossi beRabi Yudá, que nisso segue o método de seu pai, Rabi Yudá, de “considerar como se”, mas diverge dele ao exigir que ambas estejam entre dez tefachim e vinte amot, pois o pai admite a korá mesmo acima de vinte amot, conforme a Mishná Eruvin 1:1; e Chinena bar Shelemyá, em nome de Rav, exige que a de cima esteja dentro de três tefachim da de baixo (seção 05).
Referências conferidas no Sefaria. O Bavli traz esta Mishná em Eruvin 13b e a discute em Eruvin 14a: ali se pergunta como basta um tefach se o ariach tem um tefach e meio, e se responde que o resto se completa com argamassa; Rabba bar Rav Huna e Rav Chisda discutem se só a korá ou também os seus suportes precisam ser fortes para receber a korá e o ariach; uma baraita ensina que a korá que sai de uma parede e não toca a outra, ou duas korot de paredes opostas, precisam de outra korá se há três tefachim de vão, e Rabban Shimon ben Gamliel diz quatro; duas korot estreitas que juntas recebem o ariach à sua largura de um tefach não precisam de outra korá, e Rabban Shimon ben Gamliel exige que recebam o ariach ao seu comprimento de três tefachim; duas korot, uma acima da outra, seguem Rabi Yossi beRabi Yehudá, com as mesmas condições de vinte amot e dez tefachim; Abaye diz que ele segue seu pai numa coisa e diverge dele noutra, com a mesma explicação dada aqui; e Rabi Zeira julga a korá com a parte torta acima de vinte amot ou abaixo de dez tefachim, perguntando se, retirada essa parte, ficaria um vão de três tefachim, o que corresponde à seção 04. Na Tosefta Eruvin (ed. Lieberman), 1:4 traz as duas korot pequenas que recebem o ariach à sua largura de um tefach, com Rabban Shimon ben Gamliel, que diz ao seu comprimento de três tefachim; 1:5, as duas korot uma acima da outra, em nome de Rabi Yossi ben Yehudá; e 1:6, a korá que sai de uma parede e não toca a outra, com três tefachim, e Rabban Shimon ben Gamliel, que diz quatro. A regra de que o trecho de pé deve ser maior que o vazio é discutida no Bavli, Eruvin 16a. A exigência de que a korá seja forte e a opinião de Rabi Yehudá, que se contenta com a largura, são a Mishná Eruvin 1:4.
Leituras incertas. Na seção 01, domos é palavra grega, “fileira”; “ao seu comprimento” e “à sua largura” podem referir-se à korá ou ao ariach, e os números quarenta e vinte parecem invertidos, como foi dito; “robustez” traduz בְּרִייוּת. Na seção 02, não fica claro se o “um tefach” de Rabi Hoshayá é o vão permitido ou a largura total das duas korot com o vão; e a pergunta de Rabi Zeira foi lida como retórica, a de que não há diferença entre meio tefach de cada lado e meio tefach no meio; “se somam em quatro” traduz מִצְטָרְפִין בָּאַרְבָּעָה, e a unidade de palmos foi acrescentada. Na seção 03, “um lugar” traduz מָקוֹם, entendido como a medida mínima de quatro palmos. Na seção 04, “cortada dentro de três tefachim” foi traduzido literalmente; a frase pode ser entendida como corte da parte que está fora da altura válida, ou como o vão de menos de três tefachim que ficaria depois do corte, como no Bavli; e, no segundo caso, o hebraico diz “dentro de dez tefachim”, onde a lógica pede “acima de dez”, como observa Guggenheimer; a tradução segue o hebraico. Na seção 05, a cadeia “Rabi Yossi, Chinena bar Shelemyá, Rabi Yudan” não diz quem transmite a quem, e foi mantida como está.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer lê Rabi Abba onde o hebraico diz Rabi Ba, e Rabi Ashian onde diz Rabi Shiyan; na seção 05 traduz “a de baixo como se estivesse em cima ou a de cima como se estivesse embaixo”, e o hebraico diz “e”; e na seção 04 propõe ler “acima de dez” no segundo caso, o que aqui ficou só na nota. O nome do filho de Rabi Yudá aparece primeiro como Rabi Yossi e depois como Rabi Yossa, e Chinena bar Shelemyá aparece em duas grafias; a tradução usa uma só forma para cada nome. Nos termos técnicos, onde ele usa beam, tile e hand-breadth, a tradução mantém korá, ariach e tefach, como em Eruvin 1:1 e 1:2.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e o marcador de folha da edição de Vilna 7b, que estava na seção 03, antes de “há tanaítas que ensinam”. O texto do Sefaria não tem marcadores numéricos nesta halachá, e nenhum foi acrescentado. Grafias anômalas foram mantidas no hebraico, como לְמַטָָּה, מֵעֲשָׂרִהָ, נִרָאֵית, אַרָבָּעָה e וְחֲצִי.