Segunda halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná ensina como se torna permitido o mavoi, o beco: Beit Shammai exigem lechi e korá; Beit Hillel se contentam com um dos dois; Rabi Eliezer exige lechayayim, um poste de cada lado. Um aluno, em nome de Rabi Yishmael, diz diante de Rabi Akiva que as duas casas só divergem no mavoi de quatro a dez amot, e Rabi Akiva responde que divergem em ambos os casos. A guemará pergunta quais são os lechayayim de Rabi Eliezer, com ou sem korá, de três palmos ou de qualquer medida, e responde com o episódio de Rabi Yossi ben Perora em Ovelin; depois traz a baraita segundo a qual a halachá segue o aluno, diante das opiniões de Rabban Shimon ben Gamliel e de Rav Huna em nome de Rav. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 11b.
Mishná: O hechsher (a correção que torna permitido transportar) do mavoi (beco): Beit Shammai dizem: é preciso lechi (poste lateral) e korá (viga transversal). E Beit Hillel dizem: basta ou lechi ou korá. Rabi Eliezer diz: são precisos lechayayim (postes laterais, um de cada lado). Em nome de Rabi Yishmael, disse um aluno diante de Rabi Akiva: não divergiram Beit Shammai e Beit Hillel sobre um mavoi que é menor que quatro côvados, que ele se torna permitido ou com lechi ou com korá. E sobre o que divergiram? Sobre um mavoi de largura desde quatro amot (côvados) até dez, em que Beit Shammai dizem: lechi e korá; e Beit Hillel dizem: ou lechi ou korá. Disse Rabi Akiva: sobre este caso e sobre aquele caso divergiram.
“O hechsher do mavoi” etc. Que lechayayim exige Rabi Eliezer? Lechayayim e korá, como Beit Shammai? Lechayayim e não korá, como Beit Hillel? Cada lechi de três palmos de largura, como Rabi Yossi? De qualquer medida, como os rabanan (os sábios)? Ouçamo-lo a partir disto: aconteceu que Rabi Eliezer foi até Rabi Yossi ben Perora, seu aluno, em Ovelin, e este lhe mostrou um mavoi, e não havia nele senão um único lechi. Disse-lhe o mestre: faze-lhe lechayayim. Disse-lhe o aluno: Como? Tu me dizes para fechá-lo? Disse-lhe: que se feche! E que prova traz o reshut (o direito sobre o domínio) para o Shabat, para vir a ser considerado aqui? Isto diz: cada lechi de três palmos, como Rabi Yossi. Se disseres que é de qualquer medida, como os rabanan, acaso um lechi de qualquer medida fecha o mavoi?
Ensinou-se numa baraita: e a halachá (a norma prática) é conforme as palavras do aluno, que falou diante de Rabi Akiva. Pois, se não fosse assim, o que diríamos? Que a halachá é como Beit Shammai? E há acaso halachá como Beit Shammai e não como Beit Hillel? Mas foi preciso ensiná-lo por causa do que se ensinou: Rabban Shimon ben Gamliel diz: um mavoi que não tem quatro tefachim (palmos) de largura não precisa de korá. E quais são as palavras dos sábios? Rav Huna disse em nome de Rav: um mavoi que é menor que quatro amot não precisa de nada, nem lechi nem korá.
Esta é a segunda halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin. A Mishná do Yerushalmi corresponde à Mishná Eruvin 1:2 da Mishná avulsa, com pequenas diferenças: diz “o hechsher do mavoi”, com artigo, onde a avulsa diz “hechsher mavoi”; na primeira opinião de Beit Hillel diz “ou lechi ou korá”, onde a avulsa diz “lechi ou korá”; escreve lechayayim com mem final, onde a avulsa escreve lechayayin; diz “menor que quatro”, sem a palavra amot, que está na avulsa e no Bavli, e por isso “côvados” foi acrescentado em itálico; diz “e sobre o que divergiram”, com “e”; diz “sobre a largura”, com o substantivo, onde a avulsa diz “sobre o largo”; e há pequenas diferenças de grafia, como Akiva escrito com he final e “dizem” com nun final. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros dois é aqui uma seção, 01 e 02.
A guemará pergunta quais são os lechayayim de Rabi Eliezer: se com korá, como Beit Shammai, ou sem korá, como Beit Hillel; e se cada um deve ter três palmos de largura, como Rabi Yossi, ou qualquer medida, como os rabanan. Responde com o episódio de Rabi Eliezer e de Rabi Yossi ben Perora em Ovelin: como o aluno objetou que dois lechayayim fechariam o mavoi, conclui-se que devem ter três palmos, pois um lechi de qualquer medida não fecha nada (seção 01). Depois traz a baraita segundo a qual a halachá segue o aluno da Mishná, e explica que isso precisou ser dito por causa da opinião de Rabban Shimon ben Gamliel, que dispensa a korá no mavoi de menos de quatro palmos, e da de Rav Huna em nome de Rav, que dispensa tudo no mavoi de menos de quatro amot (seção 02).
Referências conferidas no Sefaria. O Bavli traz esta Mishná em Eruvin 11b e pergunta ali a mesma coisa, se Rabi Eliezer exige lechayayim e korá ou lechayayim sem korá; responde com o mesmo episódio, que passa de 11b a 12a, onde o aluno se chama Rabi Yossi ben Perida e o mestre responde “que se feche, e que importa?”. O episódio está também na Tosefta Eruvin 1:2 (ed. Lieberman), onde o aluno se chama Yossef ben Perida e a resposta é “que se feche; que prova há para o Shabat nisso?”. A opinião de Rabi Yossi, que exige três palmos de largura nos lechayayim, é a Mishná Eruvin 1:6. Na Tosefta Eruvin 1:3, é Rabban Shimon ben Gamliel quem diz que o mavoi menor que quatro amot não precisa de nada, o que aqui é dito por Rav Huna em nome de Rav; e no Bavli, Eruvin 12a, Rabban Shimon ben Gamliel diz que Beit Shammai e Beit Hillel não divergiram sobre o mavoi menor que quatro amot, que não precisa de nada. A baraita “e a halachá é conforme o aluno” está no Bavli, Eruvin 13a, onde Rabi Akiva diz que Rabi Yishmael não disse isso, mas aquele aluno o disse, e a halachá segue aquele aluno; ali também Rabi Yehoshua ben Levi diz que, onde quer que se encontre “em nome de Rabi Yishmael disse um aluno diante de Rabi Akiva”, trata-se de Rabi Meir. O texto do Yerushalmi não dá nome ao aluno, e a tradução também não o dá.
Leituras incertas. Na seção 01, a pergunta “que lechayayim?” e as quatro possibilidades que se seguem estão no hebraico pontuadas como afirmações, e foram traduzidas como perguntas, conforme o sentido; “três” e “qualquer medida” referem-se à largura de cada lechi, segundo a Mishná Eruvin 1:6; “e que prova traz o reshut para o Shabat, para vir aqui?” é uma frase difícil, entendida no sentido de que o direito de passagem pelo mavoi não é argumento para as leis do Shabat; e a última frase, “qualquer medida fecha”, foi lida como pergunta retórica. Na seção 02, “palavras dos sábios” aparece sem verbo e foi lida como pergunta, a que responde a frase de Rav Huna; e “se não fosse assim” traduz a forma abreviada דִּלֹ כֵן do texto.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 01, Guggenheimer traduz “faze-o com dois lechayayim”, e o hebraico diz “faze-lhe lechayayim”. Na seção 02, ele traduz “quatro tefachim” como profundidade do mavoi, embora em nota diga que se trata da largura; o hebraico diz apenas “que não tem quatro tefachim”, e a tradução completou em itálico “de largura”, que é a medida de que fala a Mishná. O nome do aluno de Rabi Eliezer foi mantido como está no hebraico, Perora, embora o Bavli e a Tosefta digam Perida. Nos termos técnicos, onde ele usa alley, lath e beam, a tradução mantém mavoi, lechi e korá, como em Eruvin 1:1.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha das edições de Veneza e de Vilna: o de Veneza 19a estava na seção 01, antes de “disse-lhe: faze-lhe lechayayim”, e o de Vilna 7a, na seção 02, entre as duas palavras de “se não fosse assim”. O texto do Sefaria não tem marcadores numéricos nesta halachá, e nenhum foi acrescentado.