Primeira halachá do Perek Alef, Mavoi, de Massechet Eruvin, que abre o tratado. Eruvin é o segundo tratado de Seder Moed e estuda os eruvin, as junções que permitem transportar no Shabat: a correção do beco para o qual se abrem os pátios, as divisórias, a junção dos pátios e o limite do Shabat. O Perek Alef trata do mavoi, o beco, e de como se torna permitido com lechi, korá ou tzurat petach. A Mishná ensina que um mavoi alto mais que vinte amot, ou largo mais que dez, deve ser reduzido, e que, se tem tzurat petach, não é preciso reduzi-lo. A guemará pergunta de onde se aprende a medida, da entrada do Heichal ou da do Ulam; compara a sucá e o mavoi; discute com Kahana e Shmuel se a halachá segue o leniente em eruvin; mostra como se reduz a altura e a largura, com a istabá, a vala, a cerca e a melatera; trata da achsadrá, do mavoi torto e das brechas, de frente e do lado; dos passin do pátio e do mavoi quadrado; do que é a tzurat petach, cana e junco ou gonzo e encaixe; da porta de Beit Shammai e de Beit Hillel; e termina com o espaço debaixo da korá e entre os lechayayim, julgado como uma soleira. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 2a.
Mishná: Um mavoi (beco) que é alto mais que vinte amot (côvados), deve-se reduzi-lo na altura. Rabi Yehudá diz: não é preciso. E o mavoi largo mais que dez amot, deve-se reduzi-lo na largura. Se ele tem tzurat petach (forma de porta: dois postes e uma viga sobre eles), ainda que seja largo mais que dez amot, não é preciso reduzi-lo.
“Um mavoi que é alto mais que vinte” etc. Rabi Yossi o disse sem nome de autor; Rabi Achá o disse em nome de Rav: os rabanan (os sábios) aprendem-no da entrada do Heichal (o Santuário), e Rabi Yudá aprende-o da entrada do Ulam (o vestíbulo do Templo). Se é da entrada do Ulam, basta-lhe chegar a quarenta amot, pois ensinamos lá na Mishná: “A entrada do Ulam era alta quarenta amot, e a largura, vinte amot”. Ensinou Rabi Chiya: mesmo quarenta ou cinquenta amot. Ensinou Bar Kapara: mesmo cem amot.
Disse Rabi Avin: Rabi Yudá segue a sua opinião, e os rabanan seguem a opinião deles, pois ensinamos lá na Mishná: “E assim também as pontes abertas dos dois lados: transporta-se debaixo delas no Shabat; palavras de Rabi Yudá. E os sábios proíbem”. Assim como dizes lá: vês a melatera (a viga larga sobre a entrada) como se descesse e fechasse, também aqui vês o teto como se descesse e fechasse. Esta é a opinião de Rabi Yudá na sucá (a cabana da festa de Sucot), esta mesma é a sua opinião no mavoi; esta é a opinião dos rabanan na sucá, esta mesma é a opinião deles no mavoi.
Mas não se comparam: há coisas válidas na sucá e inválidas no mavoi, e coisas válidas no mavoi e inválidas na sucá. Os dukranin (estacas de duas pontas) são válidos na sucá e inválidos no mavoi. E assim se ensinou numa baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná): “Se trouxe quatro dukranin e cobriu a sucá sobre eles, a sucá é válida; o mavoi, inválido”. Isto que dizes vale quando são altos três palmos acima das paredes do mavoi; mas, se não são altos três palmos acima das paredes do mavoi, é válido. E isso quando não há neles largura de quatro palmos; mas, se há neles largura de quatro, mesmo altos quanto forem, é válido. As paredes são válidas na sucá e inválidas no mavoi. E assim se ensinou: “Duas conforme a sua regra, e a terceira mesmo de um tefach (palmo), é válida”. Rabi Chiya disse em nome de Rabi Yochanan: duas de quatro tefachim (palmos) cada uma, e a terceira mesmo de um tefach, é válida. E no mavoi, não é válido até que seja cercado pelos seus quatro lados.
Se é largo mais que dez amot, a sucá é válida e o mavoi, inválido. “Se fez subir sobre ela a videira e a abóbora”, na sucá é inválida. Isto que dizes vale até uma área de beit sata’im (área de semeadura de duas seás); mas, mais que beit sata’im, torna-se como uma divisória que foi cercada para sementes, em que não se transporta senão dentro de quatro amot. Se o seu sol é maior que a sua sombra, na sucá é inválida e no mavoi é válido. Uma sucá coberta de teto é inválida; um mavoi coberto de teto é válido. Rabi Imi disse em nome de Rav Oshaya: não somente quando está coberto, mas mesmo se pôs uma melatera, e há nela largura de quatro tefachim, também ela torna permitido o mavoi.
Rabi Achá disse em nome de Rabi Chinena, em nome de Kahana: a halachá (a norma prática) não é conforme Rabi Yudá quanto ao mavoi alto. Pois, se não fosse assim, o que diríamos então? Quando divergem Rabi Yudá e os sábios, seria a halachá conforme Rabi Yudá? Não diríamos isso. Mas precisou dizê-lo porque disse Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: a halachá é conforme as palavras de quem é leniente nas leis de eruvin (as junções que permitem transportar no Shabat); e disse Rabi Nachman bar Yitzchak em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: a halachá é conforme Rabi Yochanan ben Nuri.
E objetamos contra isso: pois não disse assim Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: “a halachá é conforme as palavras de quem é leniente nas leis de eruvin”? E não disse assim Rabi Yitzchak bar Nachman em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: “a halachá é conforme Rabi Yochanan ben Nuri”? E objetamos contra isso. Pensavam dizer: isso vale para um indivíduo diante de outro indivíduo; mas um indivíduo diante dos sábios, não vale. Veio Rabi Yaakov bar Achá e disse: Rabi Yaakov bar Idi disse em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: a halachá é conforme Rabi Yochanan ben Nuri, mesmo quando os sábios divergem dele. E então aqui também seja a halachá conforme Rabi Yudá, mesmo quando os sábios divergem dele!
Shmuel disse: a halachá é conforme as palavras de quem é leniente em eruvin. Disse-lhe Rav Chiya bar Ashi: também como aquela mishná que ensinamos lá: “E assim também as pontes abertas dos dois lados: transporta-se debaixo delas no Shabat; palavras de Rabi Yudá. E os sábios proíbem”? Disse-lhe: não disse eu “eruvin”? Isto, porém, é questão de mechitzot (divisórias). Kahana pensava como esta palavra de Shmuel; por isso precisou dizer: a halachá não é conforme Rabi Yudá.
Não disse senão “mais que vinte”; logo, no fim exato de vinte, é válido. E vem conforme Rav, pois Rav disse: o fim das medidas é para tornar leve. Rabi Yochanan disse: o fim das medidas é para tornar grave. Rabi Chiya disse em nome de Rabi Yochanan: um mavoi cuja korá (viga transversal) está mais alta que vinte, põe outra korá dentro de vinte e assim reduz dentro de vinte. Disse Rabi Yossi: e isso desde que todo o hechsher korá (a largura que torna a korá válida) esteja dentro de vinte. Rabi Chilkiyá disse em nome de Rabi Achá: e mesmo conforme Rav ela vem, pois Rav disse: o abate em que se cortou metade por metade é válido. E por que disseram “inválido”? Por causa de marit ha’ayin (a aparência aos olhos). Pois, se disseres que ele ponha a korá dentro de vinte, também ele virá a pôr acima de vinte.
“Deve-se reduzi-lo.” Como o reduz? Faz uma istabá (banco, plataforma de alvenaria) na entrada do mavoi e assim torna permitido o mavoi. Quanto deve haver nela? Rabi Achá disse em nome de Rabi Hoshayá: quatro tefachim, que é a medida de um mavoi. Rabi Yossi diz: um tefach, a medida de uma korá. Os chaveraya (os colegas) dizem: qualquer quantidade, pois eis que não há aqui altura de vinte amot sobre uma largura de um tefach.
Se não era alto dez tefachim, precisa escavar. Quanto escava? Rabi Achá disse: quatro amot, que é a medida de um mavoi. Rabi Yossi disse: quatro tefachim, que é a medida de um lugar. Rabi Yaakov bar Achá disse em nome de Rabi Yossi, em nome de Rabi Yochanan: faz uma charitz (vala) na entrada do mavoi, funda dez palmos e larga quatro, e ela torna permitido o mavoi, tanto por dentro quanto por fora; e isso desde que esteja dentro de três palmos das paredes do mavoi. E mesmo conforme quem diz lá “quatro”, concorda aqui com três: lá, é fora do mavoi; mas aqui, dentro do mavoi.
Se fez uma gader (cerca de pedras) na entrada do mavoi, alta dez palmos e larga quatro, ela torna permitido o mavoi, tanto por dentro quanto por fora. Se havia ali uma cerca: se ela se eleva a dez tefachim dentro de três, precisa de korá; e, se não, não precisa. Há tanaítas que ensinam: dentro de quatro. Quem diz “dentro de três”? Os rabanan. Quem diz “dentro de quatro”? Rabi Meir. Se havia um mundran (declive) no meio do mavoi, para os de cima é julgado como vala, e para os de baixo, como cerca.
“O largo mais que dez amot, deve-se reduzi-lo.” Como reduz? Põe uma melatera na entrada do mavoi e assim torna permitido o mavoi. Isto foi dito para a largura; e os rabanan aplicam-no mesmo na altura. E não é isto como um mavoi rompido em toda a sua extensão? Torna-se como uma achsadrá (varanda coberta, sem paredes completas). Rabi (Rabi Yehudá HaNassi) permitiu uma achsadrá em Beit Sharei (Beit Shearim). Quantas colunas havia nela? Rabi Yaakov bar Achá disse: Rabi Chiya e Rabi Yossi divergem: um disse seis, e o outro disse oito.
Disse Rabi Yaakov bar Achá: e não divergem. Quem diz seis não conta estas duas de fora; quem diz oito conta estas duas de fora. Rabi Yaakov bar Achá disse em nome de Rabi Elazar: não somente seis, não somente oito; mas, se o público atravessava por ela, mesmo com duas colunas seriam proibidos de transportar nela; se o público não atravessa por ela, mesmo com quantas forem, seriam permitidos. O que foi o caso, foi o caso.
Uma achsadrá que foi rompida em toda a sua extensão para o reshut harabim (domínio público): Rabi La e Rabi Yochanan, ambos dizem: transporta-se em toda a sua área. Shmuel disse: não se transporta nela senão dentro de quatro amot. Disse Rabi Yossi: e não concorda Shmuel, quanto a um mavoi que está coberto de teto acima de vinte amot, que é válido? Mas Shmuel certamente pensa assim: e isso desde que todo o hechsher korá esteja dentro de vinte amot. Veio Rabi Achá e disse em nome de Rabi Chinena, em nome de Rabi Hoshayá: e isso desde que o hechsher da korá esteja dentro de vinte amot.
Disse Rabi Yossi: e, mesmo que Shmuel pense que um mavoi coberto de teto acima de vinte amot é válido, não se compara o mavoi à achsadrá. O mavoi é feito para o uso das casas que se abrem para ele; a achsadrá não é feita senão para o uso de alguma coisa. Se um mavoi não está coberto, e pôs a korá dentro de vinte amot, acaso não é válido? Mas se uma achsadrá não está coberta, e pôs a korá dentro de vinte amot, acaso é alguma coisa?
Se o mavoi era largo até quinze amot: Rabi Ba e Rav Huna disseram em nome de Rav: faz um pas (tábua vertical) de três amot e um pouco mais, e afasta-o da parede duas amot. Aquele “um pouco mais” é julgado a título de lechi (poste lateral), e o resto como parede; e isso desde que o que está de pé seja maior que o vazio. Então que faça um pas de quatro tefachim! E não se ensinou assim: “faz um pas de quatro tefachim”? Disse Rabi Ba bar Papai: isso é para tornar permitidos os dois lados sem korá. Há tanaítas que ensinam: põe de pé uma cana e um dukran (estaca de duas pontas). Há tanaítas que ensinam: faz um pas de quatro tefachim. Disse Rabi Yossi: a halachá é conforme quem diz: faz um pas de quatro tefachim.
Ensinou-se numa baraita: Rabban Shimon ben Gamliel diz: um mavoi que tem duas entradas, põe uma korá só numa delas e isso o torna permitido. Rabi Achá disse em nome de Rabi Levi: a halachá não é conforme Rabban Shimon ben Gamliel. Disse Rabi Ba: e isso vale quando pôs de pé uma cana e um dukran; mas, se fez um pas de quatro tefachim, então a halachá é conforme Rabban Shimon ben Gamliel.
E assim se ensinou: um mavoi que tem quatro entradas, põe uma korá só numa delas e isso o torna permitido. Disse Rabi Yossi: e isso vale quando a pôs sobre a entrada do meio. Mas, se a pôs sobre a entrada de fora, está bem que o que está de pé aqui torne permitida a brecha que está aqui; mas quem torna permitida a brecha que está além? Disse Rabi Shamai: explica-a conforme Rabban Shimon ben Gamliel, e não aprendes dela coisa alguma.
Um mavoi akum (torto) e mefulash (aberto de ponta a ponta): Rabi Yochanan disse: põe lechi e korá de um lado e faz tzurat petach do outro lado. Reish Lakish disse: põe lechi ou korá e isso o torna permitido. Segundo a opinião de Reish Lakish: se quiseram fazer-lhes uma correção, que estes usem até o lugar da parede, e aqueles usem até o lugar da parede, não se acham dois domínios usando um mesmo domínio? Mas que estes usem pelo caminho da curvatura, e aqueles usem pelo caminho da curvatura: não se acham dois domínios usando um domínio proibido a eles? Rav e Shmuel: Rav é como Rabi Yochanan, e Shmuel é como Reish Lakish.
Rabi Yochanan e Reish Lakish moravam na shekaká (viela) de Rabi Yitzchak. Reish Lakish transportava, conforme a sua opinião. Rabi Yochanan nem tornou proibido o mavoi nem transportou. Disse Rabi Yochanan: deixai os moradores do mavoi pecarem por erro, e não sejam pecadores intencionais. Como foi? Transportou ou não transportou? Se disseres: transportou, inverte-se a posição de Rabi Yochanan dita acima. Se disseres: não transportou, seja proibido o transportar aos moradores do mavoi! Rabi Yochanan anulou o seu reshut (o seu direito sobre o domínio comum) em favor deles. Disse Rabi Achá: Reish Lakish forçou Rabi Yochanan, e ele transportou. Disse Rabi Matanyá: e está certo.
Qual é a razão de Rabi Meir? Fizeram-no como quem erra posto ao lado de quem age intencionalmente. Qual é a razão dos rabanan? Uma vez que são suspeitos de transportar sem eruv, são como intencionais. Disseram-lhe: se é assim, sejam feitos os que odeiam Rabi Yochanan como um tzeduki (saduceu) junto aos moradores do mavoi, e seja proibido o transportar aos moradores do mavoi! Disse Rabi Yossi beRabi Bun: o tzeduki é suspeito de transportar; e aqui, o que tens a temer? O que resulta de diferença entre eles? Se era feito como uma espécie de ki (a letra grega chi, em forma de X): Rabi Yochanan disse: põe lechi e korá de um lado e faz tzurat petach do outro lado. Reish Lakish disse: mesmo muitas korot não o tornam permitido.
Rav Yirmeyá disse em nome de Rav: um mavoi que foi rompido, se a brecha é de frente, quatro palmos; se é do lado, mais que dez amot. Os chaveraya disseram em nome de Rav: não há diferença; tanto de frente quanto do lado, quatro palmos. Queriam dizer: quem diz “do lado, mais que dez”, diz que dez é permitido, quando há ali largura de quatro palmos; quem diz “tanto de frente quanto do lado, quatro”, fala quando não há ali largura de quatro. Não pensávamos assim dizer: Rav é como Rabi Yochanan? Disse Rabi Yossi beRabi Bun: lá, a exigência é para fazer todo o domínio como um só.
Um mavoi que foi rompido no seu lado, na parte junto à sua cabeceira: os rabinos de Cesareia dizem em nome de Rabi Chiya e de Rabi Yossi: se há ali, de pé, uma parede de quatro palmos, precisa de korá; e, se não, não precisa dela. Qual é a diferença entre ele e um mavoi que tem duas entradas? Pois um mavoi que tem duas entradas, acaso não se põe uma korá só numa delas e isso o torna permitido? Disse Rav Nachman bar Yaakov: num mavoi que tem duas entradas, não é costume das pessoas entrar por esta entrada e sair por aquela; mas aqui é costume das pessoas entrar por esta entrada e sair pela brecha.
Uma só korá, o que se diz dela: que torne permitidos dois mevoot (becos)? Rabi Yirmeyá disse: Rabi Zeira e Rabi Abahu divergem: um disse: é proibido; e o outro disse: é permitido. Quem disse “é proibido”, fala quando a põem acima de três palmos em relação às paredes do mavoi; quem disse “é permitido”, fala quando a põem abaixo de três palmos nas paredes do mavoi.
Rabi Zeura perguntou: um pátio, com que se torna permitido? Achou-se ensinado numa baraita: Rabi diz: torna-se permitido com um pas; e os sábios dizem: com dois passin (tábuas verticais). Rav Yirmeyá disse em nome de Rabi Chiya: a halachá é conforme as palavras de quem diz “com dois passin”, desde que haja um pas de quatro tefachim daqui e um pas de quatro tefachim dali. Rabi Yossi disse em nome de Rabi Yochanan: a halachá é conforme as palavras de quem diz “com dois passin”; e eu digo: basta com um pas. E “desde que haja um pas de quatro tefachim daqui e um pas de quatro tefachim dali”? Mas não há aqui senão um pas de três tefachim daqui e um de três tefachim dali! Assim é o que ele disse em nome de Rabi Yochanan: um pas de qualquer medida daqui e um pas de qualquer medida dali.
Rabi Zeura disse em nome de Rav Huna, em nome de Rav: um mavoi cujo comprimento e largura são iguais não se torna permitido com lechi e korá, mas só com passin, como um pátio se torna permitido. Shmuel ouviu-o dele e repassou-o atrás dele quarenta vezes. Os rabinos de Cesareia não dizem assim, mas dizem: Shmuel perguntou a Rav: quanto deve ser o seu comprimento a mais que a sua largura para ser mavoi? Respondeu e disse-lhe: qualquer medida basta. E por isso repassou-o atrás dele quarenta vezes, porque às vezes precisas de Rav e não o achas.
Lá ensinamos na Mishná: “porque o mavoi para os pátios é como o pátio para as casas”. Quantos pátios devem abrir-se no mavoi? Rav e Shmuel, ambos dizem: não há para eles menos de dois pátios. Rabi Yaakov bar Achá disse em nome de Rabi Yochanan: mesmo um pátio daqui e um pátio dali. Rabi Achá disse em nome de Rabi Chinena, em nome de Rabi Yochanan: mesmo um pátio daqui e uma casa dali; ou uma casa daqui e uma loja dali.
Rav Nachman bar Yaakov disse em nome de Rabi Yochanan: um mavoi não tem menos de dois pátios; um pátio não tem menos de duas casas. Um mavoi cujo comprimento e largura são iguais não se torna permitido com lechi e korá, mas só com passin, como um pátio. Shmuel perguntou a Rav: quanto deve ser o seu comprimento a mais que a sua largura? E ele lhe disse: qualquer medida. Esses moradores da Terra de Israel fazem os seus quadrados. Se cinco mevoot se abrem para um mavoi, quer o que está de pé seja maior que o rompido, quer o rompido seja maior que o que está de pé, não precisa de korá; se há entre eles quatro amot, cada um ficou separado.
Ensinou Rabi Hoshayá: entradas que se abrem para o reshut harabim: quando abertas, o seu lugar torna-se reshut harabim; quando trancadas, o seu lugar torna-se reshut hayachid (domínio privado). Mevoot abertos de ponta a ponta para o mar são como os mevoot abertos para uma planície. E aquela viela de Rabi Chanin não precisa de tzurat petach, porque é como um terreno que se eleva dez tefachim dentro de três; fizeram nela uma correção, para tornar permitidas as casas que estão embaixo dela.
“Se ele tem tzurat petach, ainda que seja largo mais que dez amot, não é preciso reduzi-lo.” Chananiá bar Shelemya estava sentado ensinando esta mishná a Chiya, filho de Rav. Rav pôs a sua cabeça para fora da janela e disse-lhe: não é assim como ensinas. Disse-lhe: e então não a ensinaremos assim? Disse-lhe: é preciso que a ensines e que lhe faças saber que não é assim.
Abba bar Huna disse: a tzurat petach de que falaram é uma cana daqui e uma cana dali, e junco sobre elas. Rabi Yanai beRabi Yishmael disse em nome de Rabi Shimon ben Lakish: deve haver gonzo e o encaixe do gonzo; não lhe falte nada senão a porta.
Ensinou Rabi Chiya: como se torna permitido o reshut harabim? Rabi Yehudá diz: põe-se um lechi daqui e um lechi dali; uma korá daqui e uma korá dali. E os sábios dizem: põe-se lechi e korá daqui, e faz tzurat petach dali. Rabi Yirmeyá disse em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: deve haver gonzo e o encaixe do gonzo; não lhe falte nada senão a porta. Rabi Yirmeyá disse-o diante de Rabi Zeira. Disse-lhe Rabi Zeira: e o que há de novo na tua mão? Rabi Ila disse em nome de Rabi Yochanan: a tzurat petach de que falaram é uma cana daqui e uma cana dali, e junco sobre elas.
Disse Rabi Yossi: os rabanan daqui seguem a sua opinião, e os rabanan de lá seguem a sua opinião. Os rabanan de lá, que dizem: “a tzurat petach de que falaram é uma cana daqui e uma cana dali, e junco sobre elas”, são os que dizem da Mishná: “não é assim”. E os rabanan daqui, que dizem: “deve haver gonzo e o encaixe do gonzo; não lhe falte nada senão a porta”, são os que dizem dela que é assim.
Chananiá, filho do irmão de Rabi Yehoshua, diz: Beit Shammai dizem: faz-se uma porta daqui e uma porta dali; e, quando traz para dentro e leva para fora, tranca a porta. E Beit Hillel dizem: faz-se uma porta daqui e tzurat petach dali. Disse Shmuel: a halachá é conforme Chananiá, filho do irmão de Rabi Yehoshua. E não é esta igual à primeira opinião? Disse Rabi Ba: aqui, por meio de uma porta, ele é trancado. Rabi Achá decidiu, a respeito daquele que fez tzurat petach, que ela precisa entrar para dentro de quatro amot. Rabi Aivun decidiu a halachá como aquele.
Rabi Zeira disse em nome de Rav Chisda: cavilhas que saem das paredes do mavoi: a pessoa põe sobre elas a korá e assim torna permitido o mavoi; e isso desde que estejam dentro de três palmos das paredes do mavoi. Dois amoraim divergem: um disse: e isso desde que sejam fortes para receber a korá e os seus ariachim (meios-tijolos); e o outro disse: mesmo que não sejam fortes para receber a korá e os seus ariachim. Rabi Zeira perguntou: debaixo da korá é proibido, e ela torna permitido o mavoi? Disse Rabi Achá bar Ulla: e por que não se lhe disse: e não achamos assim dito por Shmuel? Pois disse Shmuel: debaixo da korá é proibido, e ela torna permitido o mavoi. Rabi Zeira disse em nome de Shmuel: debaixo da korá e entre os lechayayim (postes laterais) o espaço é julgado como uma soleira.
Rabi Zeira perguntou: debaixo da korá é julgado como qual soleira? Como uma soleira permitida ou como uma soleira proibida? Disse Rabi Zeira: enquanto eu estava lá, a questão me ficou em dúvida; e, quando subi para cá, ouvi Rabi Yassa dizer em nome de Rabi Yochanan: uma soleira que é alta dez palmos e não é larga quatro é permitida para cá e permitida para lá, desde que não troque de um domínio a outro. Disse Rabi Mana diante de Rabi Yossi: vê o que ele disse! Não disse isso senão quando não há ali largura de quatro; mas, se há ali largura de quatro, é proibida a soleira. Disse-lhe: e isto é como a melatera. Uma melatera, acaso não é permitido debaixo dela?
Rabi Zeira disse: Shmuel e Rabi Yochanan divergem. Shmuel disse: debaixo da korá é proibido; e Rabi Yochanan disse: debaixo dela é permitido. Todos concordam quanto ao espaço entre os lechayayim, que é proibido. E assim se ensinou: um mavoi que é feito de lechayayim após lechayayim: se há entre um e outro quatro tefachim, transporta-se no mavoi até o de fora; e, se não, transporta-se só até o de dentro. Os rabinos de Cesareia disseram em nome de Rabi Ukvá: isso vale quando o de fora não sobressai; mas, se o de fora sobressaía, transporta-se até o de fora.
Esta é a primeira halachá de Massechet Eruvin, que abre o tratado. A Mishná fixa as medidas do mavoi: até vinte amot de altura e até dez de largura; acima disso deve-se reduzi-lo, e Rabi Yehudá diz que não é preciso reduzir a altura; e a tzurat petach dispensa a redução da largura. A Mishná do Yerushalmi corresponde à Mishná Eruvin 1:1 da Mishná avulsa, com pequenas diferenças: não tem a palavra “acima” em “alto mais que vinte”, embora a guemará, na seção 03, cite a Mishná com essa palavra; diz “se tem” onde a avulsa diz “e se tem”; diz tzurat petach, sem artigo, onde a avulsa e o Bavli dizem tzurat hapetach; e “não é preciso reduzi-lo” com uma forma verbal ligeiramente diferente. A halachá ocupa 26 segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros 25 é aqui uma seção, de 01 a 25; os segmentos longos foram divididos em dois a quatro pares de hebraico e português, sem mudar a ordem do texto.
A guemará aprende a medida da entrada do Heichal, para os rabanan, e da do Ulam, para Rabi Yudá, e compara as regras da sucá e do mavoi (seções 01 a 02); discute o fim exato de vinte e a korá posta dentro de vinte (03); mostra como se reduz a altura, com a istabá, a vala, a cerca e o declive (04 a 06), e a largura, com a melatera e o pas (07 e 09); trata da achsadrá de Beit Sharei (07 e 08), do mavoi de duas e de quatro entradas (10), do mavoi torto e da viela de Rabi Yitzchak (11 e 12); das brechas de frente e do lado, e de uma só korá para dois mevoot (13 a 15); dos passin do pátio, do mavoi de comprimento igual à largura e de quantos pátios fazem um mavoi (16 a 18); das entradas abertas e trancadas, dos mevoot abertos para o mar e da viela de Rabi Chanin (19); de Rav, que pôs a cabeça para fora da janela para dizer “não é assim” (20); do que é a tzurat petach, segundo os rabanan da Babilônia e os da Terra de Israel (21 a 22); da porta de Beit Shammai e de Beit Hillel segundo Chananiá, filho do irmão de Rabi Yehoshua (23); e, por fim, das cavilhas que saem das paredes, do espaço debaixo da korá e entre os lechayayim, julgado como uma soleira (24 a 25).
Referências conferidas no Sefaria. Na seção 01: “a entrada do Ulam era alta quarenta amot e larga vinte” é a Mishná Middot 3:7, que fala logo depois das melaterot de carvalho; as medidas de fundo estão em Melachim I 6:2–3 e Yechezkel 40:48–49 e 41:2, que o texto não cita; as pontes abertas são a Mishná Eruvin 9:4; “duas conforme a sua regra, e a terceira mesmo de um tefach” é a Tosefta Sukká 1:13; a videira e a abóbora estão na Mishná Sukká 1:4 e na Tosefta Eruvin 1:7; “o seu sol é maior que a sua sombra” é a Mishná Sukká 1:1; e toda a seção tem paralelo quase literal no Yerushalmi Sukká 1:1. A seção 02 tem paralelo no Yerushalmi Eruvin 6:2; a regra do leniente em eruvin e a de Rabi Yochanan ben Nuri estão no Bavli, Eruvin 46a, e a de Rabi Yochanan ben Nuri refere-se à Mishná Eruvin 4:5. Na seção 03, o abate de metade por metade remete à Mishná Chulin 2:1 e ao Bavli, Chulin 29a, e a korá parte dentro e parte acima de vinte ao Bavli, Eruvin 3a. A istabá está no Bavli, Eruvin 4b; a achsadrá, no Bavli, Eruvin 25a e 94b; o pas de três amot, no Bavli, Eruvin 10b; Rabban Shimon ben Gamliel, na Tosefta Eruvin 1:3; o mavoi torto, no Bavli, Eruvin 6a–6b e 8a–8b; “por erro e não intencionais”, no Bavli, Shabbat 148b; a razão de Rabi Meir e o tzeduki, na Mishná Eruvin 6:1–2. Na segunda metade: o mavoi rompido de frente e do lado (seção 13) tem paralelo no Bavli, Eruvin 5b–6a, onde Rav diz “do lado, dez; de frente, quatro”; o mavoi rompido do lado junto à cabeceira (14), no Bavli, Eruvin 5a, em nome de Rabi Ami e Rabi Assi; o pátio com um pas ou dois passin (16), no Bavli, Eruvin 10a e 12a; o mavoi de comprimento igual à largura (17 e 18), no Bavli, Eruvin 12b; “o mavoi para os pátios é como o pátio para as casas” (18) é a Mishná Eruvin 6:8; o mavoi que termina no mar (19) aparece no Bavli, Eruvin 8a; o episódio de Rav e Chiya, seu filho (20), tem paralelo no Bavli, Eruvin 2b e 11a, onde é Rav Yehudá quem ensina e Rav manda ensinar “é preciso reduzir”; a tzurat petach de cana e o gonzo (21 a 22) estão no Bavli, Eruvin 11b, onde Reish Lakish diz em nome de Rabi Yanai que a tzurat petach precisa de sinal de gonzo; como se torna permitido o reshut harabim e a porta de Beit Shammai e de Beit Hillel (22 a 23) estão no Bavli, Eruvin 6a–6b, com a decisão de Shmuel conforme Chananiá, e a opinião de Rabi Yehudá, com lechi daqui e lechi dali, na Tosefta Eruvin 7:13; a korá que recebe ariach (24) é a Mishná Eruvin 1:3, e a força da korá, o Bavli, Eruvin 14a; o espaço debaixo da korá, com Shmuel que proíbe e Rabi Yochanan que permite, e a regra de Rav Chisda “todos concordam que entre os lechayayim é proibido” (24 a 25) estão no Bavli, Eruvin 8b; e o lugar de menos de quatro por quatro, permitido aos dois domínios “desde que não troquem”, em nome de Rabi Yochanan (25), no Bavli, Eruvin 9a.
Variantes e correções do texto. Na seção 01, o Yerushalmi Eruvin diz que nas pontes se vê a melatera descer e no mavoi o teto; o paralelo de Sukká traz a ordem inversa, que é a lógica; traduziu-se o texto de Eruvin. Na seção 02, o texto impresso tem a palavra “não” como acréscimo do editor em “a halachá não é”, confirmada pelo paralelo de Eruvin 6:2; e a mesma tradição aparece primeiro como de Rabi Nachman bar Yitzchak e depois como de Rabi Yitzchak bar Nachman; manteve-se cada nome como está. Na seção 08, o Sefaria propõe ler Rav em vez de Rabi La, o que o Bavli confirma; a tradução mantém Rabi La, que é o que está no texto. Na seção 14, Guggenheimer propõe ler Rabi Yassa em vez de Rabi Yossi, por razão cronológica; a tradução mantém Rabi Yossi. Na seção 15, o nome de Rabi Zeira está na grafia babilônica, e na seção seguinte aparece Rabi Zeura, na grafia galileia; seguiu-se cada grafia. Na seção 16, Guggenheimer lê Rabi Yirmeyá onde o hebraico diz Rav Yirmeyá; e o Bavli inverte as atribuições: lá a opinião anônima é “com um pas” e Rabi diz “com dois passin”, enquanto aqui Rabi diz “com um pas” e os sábios, “com dois”. Na seção 18, o escriba escreveu que Rav Nachman bar Yaakov “perguntou”, e o corretor substituiu por “em nome de Rabi Yochanan”; o texto impresso traz as duas leituras, a primeira entre parênteses e a segunda entre colchetes, e a tradução segue a do corretor. Na seção 24, o texto do corretor é “e por que não se lhe disse”, e Guggenheimer informa que o escriba escrevera “e por que não? Não achamos…”. Grafias anômalas foram mantidas no hebraico, como עַלֵ גַּבֵּיהֶן, נוֹתֵֵן, כָשֵׂר, וֹבִלְבַד, דְְיִשְׂרָאֵל e אֵֶת.
Leituras incertas. Na primeira metade: a área de beit sata’im na seção 01; o “quatro lados” do mavoi; a frase de Shmuel “não disse eu eruvin?”, na seção 02, entendida como distinção entre eruvin e divisórias; “também ele virá a pôr acima de vinte”, na seção 03; as medidas de mavoi, de lugar e de korá nas seções 04 e 05; a cerca que se eleva dez tefachim “dentro de três”, sem unidade, e o raro mundran, na seção 06; “para o uso de alguma coisa”, na seção 08; e o sentido de ki, a letra grega chi, na seção 12. Na segunda metade: na seção 13 toda a discussão é concisa; as unidades de “quatro” e “dez” foram completadas como palmos e amot, conforme o paralelo do Bavli, e a resposta de Rabi Yossi beRabi Bun foi entendida como referência à exigência de Rabi Yochanan no mavoi torto, na seção 11. Na seção 14, a resposta de Rav Nachman bar Yaakov foi traduzida como afirmação, como está no hebraico. Na seção 15, “acima de três” e “abaixo de três” referem-se à distância entre a korá e o alto das paredes de cada mavoi. Na seção 16, não fica claro quem diz “e eu digo: com um pas”. Na seção 17, “repassou-o atrás dele quarenta vezes” é entendido como repetir para memorizar. Na seção 18, não fica claro o que os moradores da Terra de Israel fazem quadrado, nem o sentido exato de “ficou separado”, que Guggenheimer declara desconhecido. Na seção 19, a unidade de “três” não é dita, e “planície” traduz bik’á. Na seção 23, “ela precisa entrar para dentro de quatro amot” é traduzido literalmente; Guggenheimer entende que a tzurat petach deve estar entre as paredes. Na seção 24, “cavilhas” traduz yetedot. Na seção 25, “isto é como a melatera” é lido como afirmação, seguida da pergunta.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 02, Guggenheimer lê como pergunta o que no hebraico é uma exclamação, e escreve Rav Nachman bar Isaac onde o hebraico diz Rabi Yitzchak bar Nachman. Na seção 03, ele lê “reduz a menos de vinte”, e o hebraico diz “reduz dentro de vinte”. Na seção 11, ele traduz “uma korá ou um lechi” onde o hebraico diz “lechi e korá”. Na seção 12, ele acrescenta “Rabi Yochanan não transportou, conforme a sua opinião”, que não está no hebraico. Na seção 14, ele traduz a resposta de Rav Nachman bar Yaakov como duas perguntas. Na seção 20, ele traduz “mas não foi ensinado assim?”, e o hebraico diz “e não a ensinaremos assim?”. Na seção 22, ele acrescenta “ou” entre os dois pares de lechi e de korá da opinião de Rabi Yehudá; o hebraico não tem “ou”, que está na Tosefta Eruvin 7:13. Na seção 23, ele traduz “quando entra, fecha e tranca”, e o hebraico diz “quando traz para dentro e leva para fora, tranca”. Na seção 24, ele escreve Rabi Achá, filho de Rabi Ulla, e o hebraico diz Rabi Achá bar Ulla. Nos termos técnicos, onde ele usa alley, beam, lath, plank e door-frame, a tradução mantém mavoi, korá, lechi, pas e tzurat petach; a glosa de korá, viga transversal, é a mesma do Bavli Eruvin deste site.
Do hebraico foram retirados apenas os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha das edições de Vilna e de Veneza. Os de Vilna, de 1a a 6b, estavam: 1a no início da Mishná; 1b e 2a na seção 01; 2b na seção 03; 3a na seção 06; 3b no fim da seção 08; 4a na seção 11; 4b na seção 12; 5a no fim da seção 13; 5b na seção 17, antes de “qualquer medida”; 6a na seção 21, antes de “gonzo”; e 6b na seção 25, depois de “desde que não troque”. Os de Veneza estavam: 18b no início da halachá; 18c na seção 05; e 18d na seção 15, depois de “Rabi Yirmeyá disse”. Retirou-se também, na seção 01, um rótulo de nota de Guggenheimer embutido no texto.