O zav e o puro que se sentaram numa embarcação grande — qual é a embarcação grande? Rabi Yehudá diz: toda aquela que não pode fazer vacilar (afundar) sob o peso de um homem. Sentaram-se sobre uma tábua, um banco, a longarina de uma cama ou uma trave, quando estes não balançam; subiram numa árvore de raiz firme, num galho firme, ou numa escada tíria ou egípcia, quando está fixada com prego; sobre uma rampa, uma viga ou uma porta, quando estão fixadas com barro, mesmo que só de um lado — permanecem puros. Se o puro golpeia o impuro, permanece puro. Se o impuro golpeia o puro, este fica impuro, pois, se o puro se retraísse, o impuro cairia.
Esta mishná fecha o Perek Guimel invertendo a lógica das duas mishnayot anteriores: agora se trata dos mesmos suportes — embarcação, tábua, banco, árvore, escada, rampa, viga, porta — mas em sua condição estável e firme, na qual o peso de um não se transmite ao outro. Uma “embarcação grande”, define Rabi Yehudá, é justamente aquela cujo tamanho a torna incapaz de vacilar sob o peso de uma pessoa; da mesma forma, uma tábua fixa, um banco firme, uma árvore de raiz robusta, um galho firme, uma escada tíria ou egípcia bem pregada, e uma rampa, viga ou porta seladas com barro (ainda que apenas de um dos lados) não transmitem heset, e por isso o zav e o puro que os compartilham permanecem puros.
A mishná encerra com um caso à parte: o golpe. Se o puro golpeia o impuro, o puro permanece puro — pois quem desfere o golpe não se apoia sobre quem o recebe. Mas, se é o impuro quem golpeia o puro, o puro torna-se impuro: a explicação dada é que, no ato de golpear, é natural que a pessoa golpeada se retraia; e, se ela se retraísse totalmente, quem golpeou — tendo avançado o corpo para desferir o golpe — cairia para a frente, por falta do apoio esperado no impacto. Por isso, o impuro que golpeia é considerado como estando, num certo sentido, apoiado sobre o puro, transmitindo-lhe o heset, ainda que o contato tenha sido breve e unilateral. Com esta mishná encerra-se o Perek Guimel do tratado.
“Lehamit bah adam” (fazer vacilar sob um homem): que ela se incline quando ele sobe nela. E já se esclareceu para ti que, quando disseram no início do capítulo “embarcação”, sem outra especificação, tratava-se de uma embarcação pequena, que vacila sob o peso de um homem; e todo o restante do enunciado desta mishná já está esclarecido a partir do que se explicou antes, neste mesmo capítulo.
“Toda aquela que não pode fazer vacilar sob o peso de um homem”: É tão grande que, quando um homem sobe nela, ela não se inclina nem afunda.
“Se o puro golpeia o impuro”: O zav.
“Pois, se o puro se retraísse, o impuro cairia”: Pois é natural que, quando alguém golpeia outra pessoa, se esta se retraísse, quem golpeou cairia; por isso, considera-se que quem golpeia está, nesse instante, apoiado sobre quem recebe o golpe. E isto se aplica especificamente à impureza de midrás: o puro que golpeia o impuro está puro dessa impureza de midrás — mas, quanto à outra impureza, ele é impuro, pois se apoiou sobre o zav. Já o impuro que golpeia o puro — as vestes deste ficam impuras por midrás, como se o zav se apoiasse sobre ele.