Seder Tehorot · Massechet Tehorot · Perek Tet · Mishná 7 de 9

Tomar um ou dois badim do depósito: cortar em impureza, cobrir em pureza

רָצָה לִטֹּל מֵהֶן בַּד אֶחָד
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Quem quer tomar um bad ou dois badim do depósito: Bet Shamai — corta em impureza, cobre em pureza; Bet Hilel — cobre também em impureza; Rabi Yosei — cava com machados de metal e leva à casa da prensa em impureza

Se quis tomar delas um bad ou dois badim — a Casa de Shamai diz: corta-as em impureza, e cobre o resto em pureza. A Casa de Hilel diz: também cobre em impureza. Rabi Yosei diz: cava com machados de metal e leva à casa da prensa em impureza.

Voltando ao caso do dono cuja intenção declarada é ainda acrescentar mais azeitonas ao monte reunido no depósito — situação já tratada em 9:1 e 9:2, onde se estabeleceu que tal intenção impede a suscetibilidade —, esta mishná examina o que ocorre quando ele decide, no meio desse processo, retirar uma pequena quantidade — um ou dois badim, ou seja, o suficiente para uma ou duas cargas da casa da prensa — deixando o restante do monte (o om, na terminologia da Tosefta) coberto e reservado. A Casa de Shamai permite cortar essa porção em impureza, já que o trabalho como um todo ainda não terminou, mas exige que, ao cobrir o que resta, isso seja feito em pureza — como se o ato de retirar já configurasse, para o restante, uma espécie de conclusão parcial do trabalho. A Casa de Hilel discorda desse efeito: para ela, mesmo o ato de cobrir permanece em impureza, pois a intenção de acrescentar mais azeitonas ainda vigora para todo o monte. Rabi Yosei vai além, permitindo até escavar com instrumentos de metal — os mais suscetíveis à impureza de morto, mencionados aqui para reforçar o argumento por contraste — e transportar tudo à casa da prensa em impureza, sem qualquer restrição de quantidade, desde que a intenção de acrescentar persista. A halachá segue a Casa de Hilel.

רָצָה לִטֹּל מֵהֶן בַּד אֶחָד אוֹ שְׁנֵי בַדִּין, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, קוֹצֶה בְטֻמְאָה וּמְחַפֶּה בְטָהֳרָה. בֵּית הִלֵּל אוֹמְרִים, אַף מְחַפֶּה בְטֻמְאָה. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, חוֹפֵר בְּקַרְדֻּמּוֹת שֶׁל מַתֶּכֶת וּמוֹלִיךְ לְבֵית הַבַּד בְּטֻמְאָה׃

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Tehorot 9:7
אם אסף הזיתים קצתן עם קצתן במעטן…

Se reuniu as azeitonas, umas com as outras, no depósito, esta reunião se chama, na Tosefta, om de azeitonas. E ao dizer “um bad ou dois badim” sua intenção é uma prensa cheia ou duas prensas, pois a prensa de azeitonas se chama bad. E já se explicou na Tosefta que esta controvérsia se refere a azeitonas cujo trabalho ainda não se completou e que ainda não se tornaram suscetíveis. E, se quis tomar destas azeitonas uma medida pequena — que é o que disse, “um bad ou dois badim” —, e depois cobrir o restante e deixá-lo: no momento em que corta do om de azeitonas um bad ou dois badim, é-lhe permitido cortá-los em impureza, porque não se tornaram suscetíveis à impureza; mas, se quis cobrir o que resta, só pode cobri-lo em pureza, porque então se completou seu trabalho e se tornaram suscetíveis à impureza, e não deve tocá-las senão em pureza. E a Casa de Hilel diz que, mesmo no momento de cobri-las, ainda não se completou seu trabalho e não se tornaram suscetíveis; e por isso também cobre em impureza. E Rabi Yosei diz que, ainda que carregue todo este om, pouco a pouco, em impureza, é permitido, pois não se tornaram suscetíveis, já que não se completou seu trabalho; e não se deve dizer “um bad ou dois badim” apenas, mas dizer “tudo o que resta”, sendo sua intenção acrescentar mais, e ainda não se completou seu trabalho. E assim se explicou na Tosefta que esta é a intenção das palavras de Rabi Yosei. E a intenção de “machados de metal” é que são impuros, porque são mais suscetíveis a receber impureza de morto do que os demais utensílios, como explicamos na introdução; e isto é como disseram antes, “ainda que zavim e zavot caminhem sobre elas”, que estão no auge da impureza. E não é a halachá como Rabi Yosei.

Bartenura · Tehorot 9:7
רָצָה לִטֹּל מֵהֶם בַּד אֶחָד. זֵיתִים שֶׁלֹּא נִגְמְרָה…

“Quis tomar delas um bad”: azeitonas cujo trabalho ainda não se completou e que não se tornaram suscetíveis, como quando sua intenção era comprar e acrescentar a elas, conforme ensinamos no início do capítulo; e veio tomar delas uma medida pequena, do tamanho que se coloca na casa da prensa de uma vez, ou dois badim, para fazer delas azeite, deixando muito delas no depósito.

“A Casa de Shamai diz: corta em impureza”: corta o que quer cortar do om de azeitonas que está no depósito, um bad ou dois badim, em impureza, já que não se completou seu trabalho e não se tornaram suscetíveis.

“E cobre em pureza”: quando termina de tomar o que quis tomar, cobre o restante que está no depósito em pureza, como se já tivesse se tornado suscetível — pois sua tomada é eficaz para considerar o restante como se seu trabalho já tivesse se completado.

“Também cobre em impureza”: pois também o que resta não se tornou suscetível, já que não se completou seu trabalho e sua intenção é acrescentar-lhes; porém, se arrancou todas as azeitonas do depósito para levá-las à casa da prensa, tornar-se-iam suscetíveis segundo a Casa de Hilel.

“Rabi Yosei diz: cava com machados”: e arranca todas as azeitonas do depósito.

“E leva à casa da prensa em impureza”: porque não se tornaram suscetíveis. E menciona “machados” para acrescentar, pois são utensílios de ferro e mais prontos a receber impureza de morto do que os demais utensílios. E a halachá é como a Casa de Hilel.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Tehorot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.