A esposa de um am haaretz que entrou na casa de um chaver para tirar de lá seu filho, sua filha ou seu animal — a casa é pura, porque ela entrou sem permissão.
Este caso breve isola um princípio que já vinha operando de modo implícito nas mishnayot anteriores: a suspeita de contaminação depende de uma presença com liberdade de movimento e tempo disponível para tocar as coisas da casa. A esposa do am haaretz que entra apressadamente, sem convite, apenas para retirar um filho, uma filha ou um animal seu que ali se encontrava, não se enquadra nesse perfil — sua entrada é rápida, orientada a um único objetivo, e movida pelo receio de ser encontrada onde não deveria estar. Por isso, ao contrário dos casos de am haaretz deixado a sós na casa ou de cobradores e ladrões que a percorrem à vontade, aqui a mishná declara a casa inteira pura, sem qualquer ressalva.
Se ela entrou sem permissão, apenas para tirar aquela coisa específica, e saiu — ela não se esforçará por usar ou tocar no que há na casa, pois o temor do dono da casa está sobre ela, e não estenderá sua mão a coisa alguma.
“Que entrou sem permissão”: e treme, para não ser tomada por ladra, e se apressa a sair — ainda que tenha entrado para a necessidade do filho ou do animal do dono da casa.