Aquele que deixa sua casa aberta e a encontra aberta; trancada e a encontra trancada; aberta e a encontra trancada — é puro. Trancada e a encontra aberta: Rabi Meir declara impuro, e os sábios declaram puro, pois houve ladrões que mudaram de ideia e foram embora.
A mishná examina quatro combinações do estado da porta ao sair e ao voltar, buscando nelas indícios de uma invasão que teria trazido impureza para dentro de casa. Três das combinações são inofensivas: se nada mudou, presume-se que ninguém entrou; e se a casa estava aberta e foi encontrada trancada, presume-se que o próprio morador ou alguém de confiança a tenha fechado, sem motivo para suspeita. O caso limite é o inverso: a casa foi deixada trancada, sinal de cuidado deliberado, e é encontrada aberta — evidência de que alguém a abriu à força. Rabi Meir extrai daí a conclusão lógica de que houve intrusos, e portanto impureza; os sábios, cuja opinião prevalece, preferem a explicação mais branda: os ladrões chegaram, arrombaram a porta, mas por algum motivo desistiram e foram embora sem entrar — de modo que nada foi tocado.
Isto é evidente, e a halachá é como os sábios.
“Porque houve ladrões”: isto é, visto que a deixou trancada e a encontrou aberta, certamente houve ali ladrões que a abriram; e o motivo de não a declararmos impura é que se diz que mudaram de ideia e foram embora sem tocar em nada do que havia na casa. E a halachá é como os sábios.