Seder Tehorot · Massechet Tehorot · Perek Chet · Mishná 3 de 9

Achados de dia e de noite; roupas estendidas; o balde caído no poço do am haaretz

הַמְאַבֵּד בַּיּוֹם וּמָצָא בַיּוֹם
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Perder e achar algo de dia é puro; se a noite passa sobre ele, impuro; roupas estendidas no domínio público ou privado; o balde caído no poço de um am haaretz

Aquele que perde algo de dia e o encontra de dia, é puro. De dia e o encontra à noite; à noite e o encontra de dia; de dia e o encontra no dia seguinte — é impuro. Esta é a regra geral: tudo sobre o que passar a noite, ou parte dela, é impuro. Aquele que estende utensílios: no domínio público, são puros; e no domínio privado, são impuros. E se os vigiava, são puros. Se caíram e ele foi buscá-los, são impuros. Se seu balde caiu dentro do poço de um am haaretz, e ele foi buscar algo com que o suba, é impuro, porque ficou depositado no domínio de um am haaretz por um momento.

A mishná reúne quatro casos regidos pelo mesmo princípio: a ausência de vigilância, ainda que breve, basta para gerar a suspeita de contato com um am haaretz ou com impureza. No primeiro caso, a linha divisória é a noite — não o tempo decorrido em si, mas o fato de o objeto ter ficado fora da vista do dono durante a escuridão, quando um transeunte poderia tocá-lo sem ser percebido; de dia, presume-se que qualquer pessoa que o encontrasse o devolveria, como costuma fazer quem acha um objeto perdido. No segundo caso, o domínio público, por sua movimentação constante, dilui a suspeita a favor da pureza, enquanto o domínio privado a mantém; vigiar as roupas neutraliza a suspeita em qualquer lugar. O terceiro caso — o balde caído no poço do am haaretz — ensina o princípio mais radical: basta que o objeto tenha repousado, ainda que por um só instante, dentro do domínio físico de um am haaretz, para que se presuma nele a impureza de morto, independentemente de quanto tempo o dono demorou para buscá-lo.

הַמְאַבֵּד בַּיּוֹם וּמָצָא בַיּוֹם, טָהוֹר. בַּיּוֹם וּמָצָא בַלַּיְלָה, בַּלַּיְלָה וּמָצָא בַיּוֹם, בַּיּוֹם וּמָצָא בַיּוֹם שֶׁלְּאַחֲרָיו, טָמֵא. זֶה הַכְּלָל, כֹּל שֶׁיַּעֲבֹר עָלָיו הַלַּיְלָה אוֹ מִקְצָתוֹ, טָמֵא. הַשּׁוֹטֵחַ כֵּלִים, בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, טְהוֹרִין. וּבִרְשׁוּת הַיָּחִיד, טְמֵאִין. וְאִם הָיָה מְשַׁמְּרָן, טְהוֹרִים. נָפְלוּ וְהָלַךְ לַהֲבִיאָן, טְמֵאִים. נָפַל דָּלְיוֹ לְתוֹךְ בּוֹרוֹ שֶׁל עַם הָאָרֶץ וְהָלַךְ לְהָבִיא בְמַה יַּעֲלֶנּוּ, טָמֵא, מִפְּנֵי שֶׁהֻנַּח בִּרְשׁוּת עַם הָאָרֶץ שָׁעָה אֶחָת׃

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Tehorot 8:3
זה אשר נאבד לו דבר ומצאו אמנם הוא ברה"ר…

Este que perdeu algo e o encontrou — trata-se do domínio público; por isso, se a noite passou sobre ele, é impuro com midrás, porque as pessoas o pisam sem o ver. E já se explicou na Tosefta que, se perdeu algo e o encontrou no domínio privado — cuja dúvida é impura, como já se explicou —, estes utensílios são impuros com midrás e com impureza de morto. E que os utensílios caídos no domínio público sejam puros é evidente, pois trata-se de dúvida. E não te seja duvidoso o que se disse aqui “é impuro” mesmo estando dentro do poço, pois desde o momento em que chegou ao domínio do am haaretz já se contaminou por morto, como explicamos, e necessitará da aspersão do terceiro e do sétimo dia, e então se purificará.

Bartenura · Tehorot 8:3
הַמְאַבֵּד בַּיּוֹם וּמָצָא בַיּוֹם טָהוֹר…

“Aquele que perde de dia e o encontra de dia, é puro”: pois, presumivelmente, se alguém o encontrasse e o tocasse, o levantaria, como costuma fazer quem acha um objeto perdido. Mas à noite, ainda que por uma só hora em que não se pode vê-lo, receamos que uma pessoa impura o tenha tocado sem que a vissem. E nossa mishná trata do domínio público, cuja dúvida se presume pura; mesmo assim, à noite, são impuros com midrás e com impureza de morto. Mas no domínio privado, cuja dúvida se presume impura, tanto de dia como de noite são impuros. E assim está na Tosefta.

“No domínio público são puros, no domínio privado são impuros”: pois aqui há apenas uma dúvida, de que talvez um gentio ou um am haaretz os tenha tocado; por isso, no domínio público, cuja dúvida se presume pura, são puros; no domínio privado, cuja dúvida se presume impura, são impuros.

“Porque ficou depositado no domínio de um am haaretz”: e tudo o que está na casa de um am haaretz é considerado impureza de morto e necessita de aspersão.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Tehorot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.