O vale, na época do calor, é domínio privado quanto ao shabat e domínio público quanto à impureza; e na época das chuvas, é domínio privado para uma coisa e para outra.
Esta mishná explica o exemplo que já havia sido usado, de passagem, nas mishnayot anteriores: o vale muda de status conforme a estação do ano, não por alguma transformação em sua estrutura física, mas pelo grau em que é efetivamente frequentado pelas pessoas. Na época do calor — o verão —, embora o vale não seja largo e retilíneo o bastante para ser domínio público quanto ao shabat, ele é intensamente utilizado por ceifadores, debulhadores e lavradores que preparam a terra para a próxima semeadura, e por isso se torna domínio público quanto à impureza. Já na época das chuvas, quando os campos estão semeados e ninguém os pisa, o vale volta a ser domínio privado também quanto à impureza — completando, assim, a explicação da mishná anterior sobre o caso concreto invocado ali.
O vale, na época do verão: ainda que a maioria das pessoas não ande nele, os ceifadores e aqueles que fazem a colheita, a debulha e a aragem do solo para prepará-lo para a próxima semeadura o utilizam; por isso se tornou domínio público quanto à impureza. Já na época das chuvas, quando ninguém entra nele nem o utiliza — porque o estragariam com os pés, e ninguém tem ali qualquer ocupação, pois já foi arado e semeado, e as chuvas caem continuamente, não restando senão o crescimento da colheita —, já se explicou no tratado de Shabat que, ao dizerem que o vale é domínio privado quanto ao shabat, querem dizer apenas que não é domínio público; na verdade, é carmelit, como explicamos ali, a menos que tenha uma cerca ao seu redor com altura de dez palmos, pois então é domínio privado quanto ao shabat, como explicamos no Talmude. E na Tosefta disseram: estes são os dias de verão — desde que se retira a colheita dele; e estes são os dias de chuva — desde que cai a segunda chuva (revi'á sheniá); e já explicamos o tempo da segunda chuva muitas vezes, em Peá, em Nedarim e em outros lugares.
“E domínio público quanto à impureza”: pois na época do calor as pessoas costumam ir até lá para ceifar, debulhar e arar o solo, para semeá-lo no ano seguinte. “Na época das chuvas”: quando está semeado, ninguém entra nele.