A colunata é domínio privado quanto ao shabat e domínio público quanto à impureza. Um pátio pelo qual o público entra por uma porta e sai por outra é domínio privado quanto ao shabat e domínio público quanto à impureza.
A última mishná do Perek Vav acrescenta mais dois exemplos à série iniciada com o vale, a basílica e o parán: a colunata (istevanit) — um espaço estreito diante das lojas dos comerciantes, onde os fregueses se detêm — e o pátio de passagem, atravessado por multidões que entram por uma porta e saem por outra. Ambos repetem o padrão já estabelecido no restante do capítulo: por não constituírem via retilínea e suficientemente larga, não são domínio público quanto às leis do shabat; mas, por serem efetivamente percorridos por muitas pessoas, são domínio público quanto às leis da impureza. Com isso, encerra-se a série de espaços — o vale, a basílica, o parán, a colunata e o pátio de passagem — em que a mesma dualidade se repete: domínio privado para o shabat, domínio público para a impureza.
Já se explicou na Guemará de Shabat que a istevá (colunata) é carmelit; e dissemos aqui “domínio privado quanto ao shabat” no sentido de que não é domínio público; e já explicamos as condições e a definição de carmelit no início de Shabat.
“A colunata”: um lugar estreito, de largura de um côvado, com quatro ou cinco palmos de altura, situado diante das lojas onde os comerciantes se sentam.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Vav de Massechet Tehorot. O perek desenvolveu, de modo sistemático, o princípio de que a dúvida de impureza se resolve conforme o domínio em que nasceu — impura em domínio privado, pura em domínio público — já apresentado ao final do Perek Hei. Abriu tratando do domínio que muda ao longo do tempo, e do moribundo levado do domínio privado ao público e de volta, com a controvérsia de Rabi Shimon sobre a interrupção retroativa do juízo (6:1); seguiu com as quatro dúvidas — quem está parado e quem passa, a impureza e a pureza divididas entre domínios, e as dúvidas de contato, sombra e deslocamento — que Rabi Yehoshua declara impuras e os sábios declaram puras (6:2); tratou da árvore e do buraco, cujo topo e interior contam como domínio privado mesmo dentro do domínio público, e da loja impura aberta ao público, contrastada com o caso de duas lojas (6:3); levou ao extremo o princípio da multiplicação de dúvidas sobre dúvidas, sempre decididas pelo domínio, com a distinção de Rabi Elazar entre dúvida de entrada e dúvida de contato (6:4), aplicada ao caso concreto do vale na época das chuvas (6:5). A mishná central esclareceu que apenas a palavra segura do próprio interessado afasta a presunção do domínio, e introduziu a distinção — central para o resto do perek — entre o domínio quanto ao shabat e o domínio quanto à impureza, exemplificada pelos caminhos de Bet Guilgul (6:6). As últimas quatro mishnayot percorreram uma série de espaços em que essa distinção se repete: o vale, domínio privado quanto ao shabat e público quanto à impureza no verão, e privado para ambos na época das chuvas (6:7); a basílica, com a exceção de Rabi Yehudá para as portas visíveis entre si (6:8); o parán e seus lados, com a posição isolada de Rabi Meir (6:9); e, por fim, a colunata e o pátio de passagem (6:10). O Perek Zayin, ainda a ser traduzido, dará continuidade ao tratado.