Se uma testemunha diz: “tornaste-te impuro”, e ele diz: “não me tornei impuro” — é puro. Se duas testemunhas dizem: “tornaste-te impuro”, e ele diz: “não me tornei impuro” — Rabi Meir declara impuro; mas os sábios dizem: ele é confíavel quanto a si mesmo. Se uma testemunha diz: “tornou-se impuro”, e duas testemunhas dizem: “não se tornou impuro” — seja em domínio privado, seja em domínio público, é puro. Se duas testemunhas dizem: “tornou-se impuro”, e uma testemunha diz: “não se tornou impuro” — seja em domínio privado, seja em domínio público, é impuro. Se uma testemunha diz: “tornou-se impuro”, e outra testemunha diz: “não se tornou impuro”; ou uma mulher diz: “tornou-se impuro”, e outra mulher diz: “não se tornou impuro” — em domínio privado, é impuro; em domínio público, é puro.
Esta mishná encerra o Perek Hei tratando de dúvidas de impureza determinadas não por objetos ou caminhos, mas pelo testemunho de terceiros contra a palavra do próprio interessado. O princípio geral, já estabelecido nas mishnayot anteriores do tratado, de que a dúvida de impureza em domínio privado se resolve para a impureza, e em domínio público para a pureza, aplica-se aqui aos casos em que os testemunhos se equilibram numericamente (um contra um, ou duas mulheres uma contra a outra). Quando os testemunhos são desiguais — uma testemunha isolada contra a negação do próprio interessado, ou dois testemunhos contra um —, decide a maioria num sentido ou noutro, independentemente do domínio.
Tudo isto está explicado, e baseia-se no princípio anterior de que a dúvida de impureza em domínio privado é impura, e em domínio público é pura. E a halachá não é como Rabi Meir.
“Rabi Meir declara impuro”: pois se duas testemunhas o teriam levado a uma morte grave (por comer coisas sagradas em impureza), não o levarão a uma pena mais leve (a mera impureza). “Mas os sábios dizem: ele é confíavel quanto a si mesmo”: pois interpretamos suas palavras — o que quis dizer com “não me tornei impuro” é “não permaneci em minha impureza, mas imergi”; e sendo assim, ele é confíavel quanto a si mesmo. “Em domínio privado, é impuro; em domínio público, é puro”: pois se considera como qualquer outra dúvida de impureza em geral.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Hei de Massechet Tehorot. O perek abriu com a lista dos sete casos de dúvida em domínio público entre um objeto impuro e um puro colocados lado a lado — o réptil e a rã, a azeitona e o osso de cadáver e de carniça, os torrões de bet haperás e da terra dos povos, os dois caminhos —, opondo Rabi Akiva, que exige purificação cautelar da própria pessoa, aos sábios, que resolvem a dúvida para a pureza (5:1–2). Seguiu com os casos em que uma única pessoa, ou dois homens diferentes, passam por dois caminhos ou tocam em dois objetos duvidosos, um após o outro, com ou sem purificação intermediária — e a controvérsia entre Rabi Yehudá e Rabi Yosei sobre se a pergunta simultânea ou separada altera o resultado, aplicada tanto ao caminho quanto ao alimento impuro por decreto rabínico (5:3–6). Tratou em seguida das dúvidas envolvendo o próprio corpo e as roupas — a saliva encontrada, o pisão em domínio público, o sono, o contato noturno com alguém encontrado morto pela manhã (5:7), e o caso extremo da cidade com uma única louca, gentia ou cuteia, onde toda saliva encontrada é declarada impura (5:8). Encerrou-se o perek com as regras de testemunho contraditório sobre a impureza de alguém, aplicando novamente o princípio de que a dúvida se resolve conforme o domínio — impura em privado, pura em público (5:9). O Perek Vav dá continuidade ao tema, desenvolvendo sistematicamente a distinção entre domínio privado e público — inclusive a diferença, central para o restante do tratádo, entre o domínio quanto ao shabat e o domínio quanto à impureza.