O segundo (grau) no chulin contamina o líquido de chulin, e invalida os alimentos de teruma. O terceiro (grau) na teruma contamina o líquido do sagrado, e invalida os alimentos do sagrado que foram preparados na pureza do sagrado. Mas se foram preparados na pureza da teruma, contamina dois e invalida um no sagrado.
Rambam explica que quem come, ou toca com, terceiro grau da própria teruma, se tocar no quarto grau do sagrado, invalida-o; e o mesmo se aplica ao chulin preparado na pureza do sagrado, pois esta é a “primeira mishná” (mishná rishoná), segundo a qual o chulin preparado na pureza do sagrado equivale ao sagrado em todos os aspectos. Mas isso vale apenas para o terceiro grau da própria teruma; o terceiro grau do chulin preparado na pureza da teruma resulta sempre em dois impuros e um inválido, mesmo no sagrado, e a impureza jamais passa deste ao quarto grau — e é disso que trata a cláusula final da mishná: se havia um alimento de primeiro grau de chulin preparado na pureza da teruma, e alimentos sagrados o tocaram, estes tornam-se segundo grau e ficam impuros; e se esses alimentos tocarem outros alimentos sagrados, este último torna-se apenas inválido, sem contaminar mais nada — pois, provindo de chulin preparado na pureza da teruma (e não do sagrado), a impureza não passa além do terceiro grau, mesmo que o segundo e o terceiro graus envolvidos sejam, eles próprios, alimentos sagrados.
Já se explicou na Guemará de Teruma e no tratado de Chulin (33b) o que se quer dizer aqui com “que foram preparados na pureza do sagrado”: que este que come o terceiro grau, se tocar no quarto grau do sagrado, invalida-o e o torna inválido, como já se disse; e o mesmo se ele tocar em chulin preparado na pureza do sagrado — e esta é a primeira mishná, segundo a qual disseram que o chulin preparado na pureza do sagrado equivale ao sagrado em todos os aspectos. E depois explica, dizendo que aquilo que dissemos, que o terceiro grau na teruma produz quarto grau no sagrado, refere-se apenas ao terceiro grau da própria teruma; mas o terceiro grau do chulin preparado na pureza da teruma sempre resulta em dois impuros e um inválido, mesmo no sagrado, e a impureza jamais passa deste ao quarto grau. E disso trata a expressão: “mas se foram preparados na pureza da teruma, contamina dois e invalida um” — por exemplo, se havia um alimento de primeiro grau de chulin preparado na pureza da teruma, e alimentos sagrados o tocaram, este os torna segundo grau, e ficam impuros; e se esses alimentos tocarem outros alimentos sagrados, este último torna-se inválido, sem contaminar mais nada, ainda que seja sagrado — pois, provindo de chulin preparado na pureza do sagrado (e não do próprio sagrado), a impureza não passa dele senão ao terceiro grau, mesmo que o segundo e o terceiro grau aos quais se destina a impureza sejam sagrados. E assim o terceiro grau na teruma contamina o líquido do sagrado e invalida os alimentos sagrados e os de chulin preparados na pureza do sagrado — isso quando se trata da própria teruma; mas o chulin preparado na pureza da teruma tem sempre dois impuros e o terceiro inválido, e mesmo que o segundo e o terceiro sejam sagrados, não produz quarto grau no sagrado, visto que o primeiro provinha de chulin preparado na pureza da teruma.
“O segundo no chulin contamina o líquido de chulin”: pois tudo o que invalida a teruma contamina os líquidos, tornando-os primeiro grau (ver Pará 8:7). “Contamina o líquido do sagrado”: pois tudo o que invalida o sagrado contamina os líquidos (sagrados), tornando-os primeiro grau para o sagrado. “Que foram preparados na pureza do sagrado”: isto é, o que dissemos — que o terceiro grau da teruma invalida, mas não contamina, os alimentos do sagrado — aplica-se quando foram preparados na pureza do sagrado; mas se foram preparados na pureza da teruma, sem tê-los guardado na pureza do sagrado, o terceiro grau contamina o segundo e invalida o primeiro no sagrado — pois a pureza da teruma é, perante o sagrado, como impureza, e este terceiro grau da teruma é considerado, perante o sagrado, como se tivesse sido contaminado pelo próprio réptil.