Seder Tehorot · Massechet Pará · Perek Tet · Mishná 9 de 9

A cinza válida sobre água imprópria para consagrar, encerrando o Perek Tet

אֵפֶר כָּשֵׁר שֶׁנְּתָנוֹ עַל גַּבֵּי הַמַּיִם שֶׁאֵינָן רְאוּיִין לְקַדֵּשׁ, מְטַמְּאִין אֶת הַטָּהוֹר לִתְרוּמָה, בְּיָדָיו וּבְגוּפוֹ. אֶת הַטָּהוֹר לְחַטָּאת, לֹא בְיָדָיו וְלֹא בְגוּפוֹ:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A cinza válida colocada sobre água imprópria para a consagração segue a mesma lei da água de chatat invalidada, contaminando aquele que é puro para a teruma mas não aquele que é puro para a chatat, encerrando o Perek Tet

Cinza válida que se colocou sobre água que não é apta para consagrar: contamina aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo. Aquele que é puro para a chatat: não com as mãos nem com o corpo.

A última mishná do Perek Tet completa o raciocínio da mishná anterior: assim como a água de chatat invalidada contamina apenas quem é puro para a teruma, e não quem já é puro para a própria chatat, o mesmo vale quando se lança cinza válida da vaca vermelha sobre água que, por alguma razão, não é apta para receber a consagração. Segundo explica Bartenura, essa água se equipara à água de chatat comum já válida quanto ao seu poder de contaminar: transmite impureza a quem é puro para teruma, seja pelas mãos, seja pelo corpo — mas não contamina de forma alguma aquele que já é puro para a chatat, pois a água de chatat não contamina quem a carrega ou a toca senão para as demais formas de impureza, nunca para a própria pureza da água de chatat. Com esta mishná, encerra-se o Perek Tet, dedicado inteiramente às condições que invalidam ou contaminam a água e a cinza de purificação depois de prontas.

אֵפֶר כָּשֵׁר שֶׁנְּתָנוֹ עַל גַּבֵּי הַמַּיִם שֶׁאֵינָן רְאוּיִין לְקַדֵּשׁ, מְטַמְּאִין אֶת הַטָּהוֹר לִתְרוּמָה, בְּיָדָיו וּבְגוּפוֹ. אֶת הַטָּהוֹר לְחַטָּאת, לֹא בְיָדָיו וְלֹא בְגוּפוֹ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Pará 9:9
זה מבואר ממה שקדם בביאור ההלכה אשר קודם זה לפי שאלה המים אינן טמאין אלא לגבי טהור בתרומה אשר אינן ממין אשר הוא טהור לו:

Isto está explicado a partir do que precedeu na explicação da haláchá anterior a esta, pois essa água não é impura senão para aquele que é puro para a teruma, que não é da espécie daquilo para o qual ele é puro.

Bartenura · Pará 9:9
אֵפֶר כָּשֵׁר שֶׁנְּתָנוֹ עַל גַּבֵּי הַמַּיִם שֶׁאֵינָם רְאוּיִים לְקַדֵּשׁ. הָוֵי דִינָא כְּדִין מֵי חַטָּאת שֶׁנִּפְסְלוּ…

Sobre “cinza válida que se colocou sobre água que não é apta para consagrar”: sua lei é como a lei da água de chatat que se invalidou.

Sobre “contamina aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo”: como a lei de toda a demais água de chatat válida. E não contaminam aquele que é puro para a chatat, pois a água de chatat não contamina quem a carrega e quem a toca senão para as demais contaminações, não para a pureza da água de chatat.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Pará não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.
סְלִיקָא לֵיהּ פֶּרֶק תְּשִׁיעִי

Aqui termina o Perek Tet de Massechet Pará — que abre com o frasco (tzelochít) de água de chatat contaminado por água qualquer, orvalho, líquido ou substância que deixa marca (9:1); segue com os animais impuros, répteis e o besouro que invalidam a água, e os vermes secos do grão que não invalidam (9:2); o animal doméstico ou selvagem, as aves e os répteis que bebem da água, com a exceção da pomba e da doninha, e as adições de Rabán Gamliel e Rabi Eliézer (9:3); aquele que pensa em beber a água de chatat, e a disputa sobre o momento exato da invalidação, segundo se trate de água ainda não consagrada ou já consagrada (9:4); a água de chatat invalidada amassada no barro, e a vaca que bebeu dela (9:5); a proibição de atravessar rio em barco com a água e a cinza de chatat, decretada após o incidente do cadáver encontrado no fundo de um barco (9:6); a cinza válida misturada com cinza de fogão, e o critério da maioria para contaminar e para consagrar (9:7); a água de chatat invalidada ou contaminada, e sua contaminação diferenciada para quem é puro para a teruma e para quem é puro para a chatat (9:8); e, por fim, a cinza válida colocada sobre água imprópria para a consagração, cuja lei segue a da água de chatat invalidada (9:9).