Cinza válida que se colocou sobre água que não é apta para consagrar: contamina aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo. Aquele que é puro para a chatat: não com as mãos nem com o corpo.
A última mishná do Perek Tet completa o raciocínio da mishná anterior: assim como a água de chatat invalidada contamina apenas quem é puro para a teruma, e não quem já é puro para a própria chatat, o mesmo vale quando se lança cinza válida da vaca vermelha sobre água que, por alguma razão, não é apta para receber a consagração. Segundo explica Bartenura, essa água se equipara à água de chatat comum já válida quanto ao seu poder de contaminar: transmite impureza a quem é puro para teruma, seja pelas mãos, seja pelo corpo — mas não contamina de forma alguma aquele que já é puro para a chatat, pois a água de chatat não contamina quem a carrega ou a toca senão para as demais formas de impureza, nunca para a própria pureza da água de chatat. Com esta mishná, encerra-se o Perek Tet, dedicado inteiramente às condições que invalidam ou contaminam a água e a cinza de purificação depois de prontas.
Isto está explicado a partir do que precedeu na explicação da haláchá anterior a esta, pois essa água não é impura senão para aquele que é puro para a teruma, que não é da espécie daquilo para o qual ele é puro.
Sobre “cinza válida que se colocou sobre água que não é apta para consagrar”: sua lei é como a lei da água de chatat que se invalidou.
Sobre “contamina aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo”: como a lei de toda a demais água de chatat válida. E não contaminam aquele que é puro para a chatat, pois a água de chatat não contamina quem a carrega e quem a toca senão para as demais contaminações, não para a pureza da água de chatat.
Aqui termina o Perek Tet de Massechet Pará — que abre com o frasco (tzelochít) de água de chatat contaminado por água qualquer, orvalho, líquido ou substância que deixa marca (9:1); segue com os animais impuros, répteis e o besouro que invalidam a água, e os vermes secos do grão que não invalidam (9:2); o animal doméstico ou selvagem, as aves e os répteis que bebem da água, com a exceção da pomba e da doninha, e as adições de Rabán Gamliel e Rabi Eliézer (9:3); aquele que pensa em beber a água de chatat, e a disputa sobre o momento exato da invalidação, segundo se trate de água ainda não consagrada ou já consagrada (9:4); a água de chatat invalidada amassada no barro, e a vaca que bebeu dela (9:5); a proibição de atravessar rio em barco com a água e a cinza de chatat, decretada após o incidente do cadáver encontrado no fundo de um barco (9:6); a cinza válida misturada com cinza de fogão, e o critério da maioria para contaminar e para consagrar (9:7); a água de chatat invalidada ou contaminada, e sua contaminação diferenciada para quem é puro para a teruma e para quem é puro para a chatat (9:8); e, por fim, a cinza válida colocada sobre água imprópria para a consagração, cuja lei segue a da água de chatat invalidada (9:9).