A água de chatat que se invalidou contamina aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo; mas aquele que é puro para a chatat, não com as mãos nem com o corpo. Se se contaminaram (as águas): contaminam aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo; e aquele que é puro para a chatat, com as mãos, mas não com o corpo.
Como explica Rambam, apoiando-se no tratado Chaguigá, nem todo homem puro é puro para todas as coisas: pode-se ser puro para um propósito de menor santidade e impuro para um propósito de maior santidade. Assim, a água de chatat que se invalidou (por exemplo, ao se misturar com outra água) ainda contamina quem é puro apenas para comer teruma — um nível de santidade inferior — seja pelo toque das mãos, seja pelo toque do corpo; mas não contamina quem já é puro para lidar com a própria chatat, pois essa água invalidada ainda pertence à mesma espécie à qual ele já está habituado. Já se essa água estiver de fato contaminada (por contato com algo impuro), ela passa a contaminar também quem é puro para a chatat, mas apenas pelas mãos, não pelo corpo inteiro — seguindo a regra geral de que líquidos impuros contaminam as mãos de quem os toca, mas não o corpo todo, exceto quando se trata específicamente da pureza exigida para a chatat, caso em que a contaminação das mãos se estende ao corpo inteiro.
Já explicamos no primeiro capítulo de Kelim que a água de chatat contamina o homem e os vasos, e explicamos de que modo contaminam por contato e por transporte, e de que modo não contaminam — isto, se eram puras em si mesmas. Porém, se a água de chatat se invalidou — como, por exemplo, se se misturou com outra água, ou um animal bebeu dela, conforme se explicou neste perek — ou se a água de chatat se contaminou — como, por exemplo, se um impuro a tocou, ou se se contaminou de algum dos modos de contaminação de líquidos já explicados anteriormente — eis que disto trata esta haláchá. E já se explicou no segundo capítulo de Chaguigá (fólio 18b) que nem todo homem puro é puro para todas as coisas, mas pode ser, para uma coisa, puro, e para outra coisa impuro — para aquilo que é de grau e santidade mais elevados do que aquela coisa para a qual ele é puro. E disse ali que essa água de chatat que se invalidou contamina aquele que é puro para a teruma, sempre que a tocou, seja que a tocou com suas mãos, seja que caiu um pouco dela sobre seu corpo — pois não lhe é próprio comer teruma, porque está impuro, ainda que seja puro para a chatat, isto é, para tomar o enchimento da água, consagrar e aspergir; eis que ele permanece em sua pureza, e ela não o contamina, seja que a tocou com a mão, seja com o corpo, porque ela é da espécie daquilo para o qual ele é puro. E se essa água de chatat se contaminou, e a tocou aquele que é puro para a chatat com suas mãos, eis que se contaminam — e a razão disto é que todo aquele que toca em líquidos impuros, suas mãos se contaminam, como já mencionamos na abertura desta Ordem; mas se caíram líquidos impuros sobre o resto do corpo, o homem não se contamina, como explicamos ali. E já se enraizou entre nós um princípio, que é o que disseram em Chaguigá (ali): ‘e, quanto à chatat, se suas mãos se contaminaram, seu corpo se contaminou’ — tudo isto, se a tocou com as mãos e ele é puro para a chatat, contamina-se por inteiro.
Sobre “água de chatat que se invalidou”: como, por exemplo, que sua aparência mudou não por si mesma, e de modo semelhante, entre as coisas que invalidam a água de chatat.
Sobre “contamina aquele que é puro para a teruma, com suas mãos e com seu corpo”: seja que a tocou com suas mãos, seja que a tocou com seu corpo, pois são consideradas como água de chatat válida. E esta contaminação é dos Sábios, pois, pela Torá, uma vez que se invalidaram, escapou delas sua contaminação grave; e por isso ensina: ‘contamina o homem que é puro para a teruma’ — o que implica especificamente para a teruma, mas não para o chulin (comum).
Sobre “e aquele que é puro para a chatat, não com as mãos”: isto é, não contaminam aquele que é puro para a chatat, seja que a tocou com suas mãos, seja que a tocou com seu corpo, pois são consideradas como água de chatat válida; e ainda que aquele que carrega água de chatat que tenha nela o suficiente para aspersão, ou a toca, esteja impuro para todas as coisas, para a chatat, contudo, ele permanece puro.
Sobre “se se contaminaram, contaminam aquele que é puro para a teruma”: como água de chatat válida. Mas aquele que é puro para a chatat, contaminam-no se a tocou com suas mãos, pois, uma vez que se contaminaram, não são inferiores aos demais alimentos e líquidos impuros que contaminam as mãos; e temos por assentado que, na pureza da água de chatat, aquele cujas mãos se contaminaram, seu corpo se contaminou.