Cinza válida que se misturou com cinza de fogão: segue-se a maioria para contaminar, mas não se consagra com ela. Rabi Eliézer diz: consagra-se com todas elas.
Esta mishná breve trata da mistura entre a cinza válida da vaca vermelha e a cinza comum de fogão (doméstico). Para efeitos de contaminação — isto é, para saber se a mistura tem o estatuto de cinza sagrada, capaz de transmitir impureza a quem a toca de modo impróprio — segue-se a maioria: se a maior parte for cinza da vaca, a mistura contamina; se a maior parte for cinza de fogão, não contamina. Mas, para efeitos de consagração da água — isto é, para lançar a cinza na água a fim de prepará-la para a aspersão — a mistura nunca serve, mesmo que a maioria seja cinza válida, pois basta a presença de cinza estranha, ainda que mínima, para invalidar o uso ritual. Rabi Eliézer discorda nesse segundo ponto: como ele sustenta que a aspersão não exige medida fixa, considera que qualquer mistura, por menor que seja a proporção de cinza válida, ainda serve para consagrar — posição que os comentários registram como não aceita como lei.
Sobre “cinza de fogão (efer mikle)”: cinza do fogareiro (al-suway, termo árabe para fogareiro). E a lei não é como Rabi Eliézer.
Sobre “cinza válida”: a cinza da vaca (vermelha), apta para a aspersão.
Sobre “que se misturou com cinza de fogão”: cinza de um fogareiro portátil sobre pés, com cavidades para duas panelas.
Sobre “segue-se a maioria para contaminar”: se a maioria é cinza da vaca, contamina; se a maioria é cinza de fogão, não contamina.
Sobre “mas não se consagra com ela”: mesmo que a maioria seja cinza de chatat, não se consagra com ela, pois se misturou com cinza de fogão, ainda que seja a menor quantidade.
Sobre “Rabi Eliézer diz: consagra-se com todas elas”: pois Rabi Eliézer sustenta que não precisamos de medida para a aspersão, e é impossível que não haja ali um pouco de cinza de chatat. Mas a lei não é como Rabi Eliézer.