Água de chatat e cinza de chatat: não as atravesse por um rio em barco, nem as faça flutuar sobre a água, nem se ponha de um lado e as lance para o outro lado. Mas pode atravessar com a água até o pescoço. Aquele que é puro para a chatat pode atravessar levando em suas mãos um vaso vazio puro para a chatat, ou com água que ainda não foi consagrada.
Segundo explicam Rambam e Bartenura, este decreto surgiu de um incidente concreto: certa vez, alguém atravessou o Jordão de barco carregando água e cinza de chatat, e encontrou-se um bulto de cadáver preso no fundo da embarcação, contaminando tudo o que ali estava por estar em ‘lugar impuro’. Por causa disso, os sábios decretaram que nunca mais se atravessasse rio de barco, nem se fizesse flutuar, nem se lançasse a água ou a cinza de uma margem a outra — todas formas assimiladas ao transporte em barco. Permanece permitido, porém, atravessar a pé, com a água até o pescoço, pois isso não se assemelha a viajar de barco. E, como o decreto recaiu apenas sobre a água e a cinza já consagradas, quem está puro para a chatat pode atravessar — a não ser nadando, o que também foi vedado — carregando em suas mãos um vaso vazio ou água ainda não consagrada, pois nem o homem, nem os vasos puros, nem a água comum foram incluídos no decreto.
Eis que aconteceu certa vez que carregaram um vaso com água de chatat num barco, e encontraram um bulto de azeitona de morto no fundo do barco, e estas águas se contaminaram por estarem em lugar impuro, conforme o princípio que se explicará no perek que vem depois deste. E decretaram um decreto de que nunca mais se carregasse a água em barco, e também que não se fizesse passar o vaso em que está a água de chatat ou a cinza de chatat sobre a água, nem se lançasse de um lado a outro atravessando o rio — pois tudo isso se assemelha ao transporte em barco, e este foi o âmbito do decreto. E convém a ele que atravesse a água de chatat consigo mesmo — isto é, que caminhe no rio e a leve em sua mão, e não que nade com ela em sua mão, pois decretaram que ele não nadasse de nenhuma maneira; e é isto o que disse: ‘mas pode atravessar com a água até o pescoço’. E depois disse: ‘aquele que é puro para a chatat pode atravessar’ — se nadou na água ou atravessou de barco, eis que está puro; e do mesmo modo, se nadou levando em sua mão um vaso vazio puro para a chatat, ou água que ainda não foi consagrada — estas permanecem puras como estavam, pois não decretaram senão sobre a cinza e sobre a água já consagradas; mas quanto aos homens, aos vasos e à água não consagrada, não decretaram sobre eles.
Sobre “água de chatat”: fala-se da água já consagrada; mas a água que não foi consagrada é permitida, como se ensina na cláusula final da mishná.
Sobre “e cinza de chatat”: mesmo a própria cinza, sem água.
Sobre “não as atravesse por um rio em barco”: pois decretaram por causa de um incidente com certo homem que atravessava água de chatat e cinza de chatat num barco no Jordão, e se encontrou um bulto de azeitona de morto preso no fundo do barco.
Sobre “nem as faça flutuar sobre a água”: pois isso se assemelha a um barco; e do mesmo modo, não se ponha de um lado do rio e as lance para o outro lado, pois isso também se assemelha um pouco a um barco.
Sobre “mas pode atravessar”: com os pés.
Sobre “com a água”: com a água de chatat que está em sua mão.
Sobre “aquele que é puro para a chatat pode atravessar”: seja em barco, seja nadando sobre a água, e não precisa se preocupar. E do mesmo modo, leva em sua mão ou faz flutuar sobre a água um vaso que é puro para nele colocar água de chatat, quando está vazio, ou que tenha nele água que ainda não foi consagrada com a cinza da vaca. Pois não decretaram senão sobre a água consagrada e sobre a cinza, e não sobre o homem e os vasos puros (e a água não consagrada).